segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Colisão
Fora do centro entre o errado e o direito, meu ar não ficou.
Ao lado da esfera que circunda o cérebro não se ouve nada.
Os cabelos caem.
A roda fica quadrada.
E aos poucos bons que sobram, sobra água contaminada.
Esforços se dissipam num estrondo de palavras.
sábado, dezembro 15, 2007
Vôo
Estive pensando sobre os lirismos que envolvem o depois e os seus conceitos pouco prováveis.Desconheci por completo o sentido dos pensamentos e das idéias. Me lembro apenas de um dia. E de algo. Sinto o ar abaixo e o nada acima. Atrás, logicamente, o passado. À frente, o fruto do agora.
Estive gritando às paredes os meus segredos mais profundos. Desenhei alguns olhos para não me sentir só. Precisava de algo que voasse comigo... Que ficasse comigo. Não tenho nem notícias, nem certezas e muito menos, verdades.Durmo com uma coberta de dúvidas que me banha todas as manhãs depois de sonhos febris.
Estive acordado. Planejando sonhar.
Estive livre.
Estive junto.
Estive só.
Estive, estive... para estar.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Pecado Incompleto
Bom é saber que há um fio, invísivel, que nos une e que é interminável. Onde quer que estejamos, lá estará. Mas não é o fio que importa; o que importa é justamente a não-importância que damos a esse fio que ignoramos que existe.
Essa loucura de não ter começo e de se planejar um fim; essa vergonha que me castiga todas as noites depois de um dia de pecados mortais imaginados.
Amor que me prende em pensamento e torna meus sonhos mais febris, quando o que quero, é apenas um delírio lúdico.
Preciso. Tenho que precisar.
Dessa leveza que te envolve.
Um golpe teu não deve pesar mais que uma gota d'água. Para o meu corpo pequeno, um carinho; para minha mente insólita, um assombro.
Guia-me no desencontro, pois não traço meus dias sozinho.
Encontra-me em ti, porque já não há mais formas de me esconder.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Glória
Sonhava com seu sonho realizável, que não tornava-se real por causa da distância. E a distância fazia com que sonhasse tanto, mas tanto, para que tivesse sua falsa concretização mais perto. O sonho era o fim de uma estrada que parecia interminável mas possível de caminhar. Era o que mantinha seus olhos fechados sob o azul do céu e sobre o negro da mente. Era o escape da realidade que a fazia criar o possível, o que ela sustentava sozinha todos os dias. Uma fuga. Assustadora, mas com o intuito de encontrar do que se foge...
Acordou e a consciência de um novo desencontro e da distância tomaram conta de seus pensamentos tão pouco humanos. E o seu amor por olhos fará com que os seus se fechem para poder procurar no escuro o brilho distante daquilo que busca, em sonhos.
sexta-feira, novembro 30, 2007
Em linha reta, sou o primeiro
Será que sou capaz de aguentar o amor que trouxe no bolso da calça? Ou rasgo todos os papéis.
Quero incendiar minha crença. Só posso acreditar em mim... Cada um é diferente. Um ponto me separa para começar a linha do segundo. Eu sou o primeiro. Primo de Narciso.
A covardia... O que tem ela mesmo? Sim. Uma fuga que planejo sempre quando vou dormir. Uma forma a mais de negar o que quero sentir.
Eu disse algo? Não sei.
Corri.
quinta-feira, novembro 29, 2007
Espadas
Ouvir o silêncio das suas palavras que me vêm como grafia perturba até o coração mais feliz. Até a felicidade sente agonia. Como quando nos agarramos em pescoços.
Não quero ficar na mesma linha e nem falar comigo.
Eis uma pequena tentativa de dizer o que não sei. A indecisão toma conta da calma e força. Impossíveis de se ter quando os campos nos convidam à corrida até o nada.
Falar um pouco sem ver os olhos é como sonhar. Incompreensível até o momento certo. E o momento certo fica distante e cravado numa pedra alta. Que pede que não sejamos nada para subir, e ao chegar lá em cima, encontra-se uma espada. Com punho em coração sangrando. Foi a primeira verdadeira conquista. A espada não existe mais.
Só o que pode estar além das nuvens é a cor dos olhos que são os únicos opostos a se atraírem por despertarem tanta curiosidade nos planetas. O azul do além fica parado tentando compreender a expansão bela do negro.
E devaneia, devaneia...
terça-feira, outubro 16, 2007
Troca de ordem
Poderia colher os frutos de um passado amargo onde plantei com dor um pouco de amor.
Caso ousasse lhe dizer o que penso,
Estaria perdido e sem rumo algum
Se fosse possível esquecer dentro de mim o silêncio e lançar aos ventos as minhas bravuras.
quarta-feira, setembro 12, 2007
Mecanismo Natural do Medo
Todos os cristais que amava todos os dias, não poderia mais amar. Nunca mais. Tornaram-se vírus novamente, uma nova doença a ser condenada. Um fóssil prestes a ser queimado, prestes a se tornar combustível de ódio num mecanismo de medo.
Com os movimentos que fazia, os ruídos saíam milimetricamente de sua boca:
- Como seria difícil olhar para teus braços agora e vê-los jogando-se a outros mares, à outras praças. O meu nome já não é o mais belo da paróquia e os doces que estocamos vencem de inseguros. Estou a jorrar a última gota d'água que caiu de minha fronte, e sinto que o suor sob teus olhos não são lágrimas de uma emoção saudosa, mas sim um pequeno pedaço querendo um pouco mais de si própria. Minha cara flor, tuas pétalas ainda me iluminam e teu verde é um lago onde transparece a essência de teu ser puro e consumível. A natureza.
"Se todos os instantes em que folhas caíssem ao lado de meus olhos, e se todos os papéis caíssem em meus lábios novamente, choraria as dores que encheriam um rio novo de esperança."
terça-feira, setembro 11, 2007
Felino-cobra
Mais um segundo brilhando nos olhos que viam atentamente o desenrolar de um tapete vermelho-sangue que tinha o tamanho de uma língua, que era capaz de ludibriar as veias daquele pobre felino e jogá-lo num fluxo que não pertencia. O desenrolar palpável deste pano era um modo de refrescar o coração que fervia no peito do felino que não ousava mais declarar seu amor com exatidão. A convicção de sentimentos o feria enquanto a água corria nas sarjetas do lado seu quarto aveludado.
Os ouvidos já não tinham mais a egoísta pretensão de tentar ouvir os grunhidos que o amor fazia ao seu lado, era muito mais fácil esperar até que eles viessem num bilhete, se rastejando aos pés da morbidez florida que as patas peludas conseguiam esconder.
Os elementos o jogavam numa atmosfera existencialmente humana:
- Fala que teu comportamento é o mesmo que antes?!, Fala?! -as pernas cruzadas denunciavam a impotência que cuspia sem vergonha sua ignorância- Não escondas de mim tuas entregas e nem fujas do que és... Eu, eu sou uma mosca-de-gato. Eu não existo. Enquanto tu estás existindo fluentemente e fazendo com que lhe odeie mais ainda. Mas meu amor, sabes o que pra mim é o ódio? Conheces essa bala muito doce que degusto todas as noites em minha cama enquanto julgo os Paranhos tão bem conservados no teto olhando para mim com desdém.
Não pretendo monologar com sombras! Tentarei continuar olhando as casas bege com o mesmo sorriso e estarei me vendo sorridente no reflexo das vestes pretas que carregas contigo todas as manhãs.
Não deixava nunca de negar a negatividade que plantava sem escrúpulos em sua pequena língua sem ponta.
Um pequeno diamante nascia nos olhos, que depois de muito tempo esperando, viam a beleza fluir nas letras que estavam no céu, atrás de sua janela, ao lado de seu rosto deitado. Mas ainda assim, superior.
segunda-feira, setembro 10, 2007
Indestrutível forma de recepcionar sensações
A grande afronta que fazia a si próprio era maior agora. E desconhecida, sua boca rogava pragas de ódio ao ventos que voavam nas linhas sonoras que caíam como estacas cravadas no chão duro de diamantes que cravejavam a área de um corpo pequeno. O teor de agonia e aperto era gigante, e o peso todo caía por terra quando extraía seu tormento.
- Por mais demorado que fosse esperar por estar aqui. Estou e arrependo-me de te jogado apenas tábuas insustentadas para que todos pisassem e andassem um pouco, sorrindo e brincando de nada. Por mais que as folhas insistam em me tornar maleável e em paz, mais as mudanças de rotina e de segmentos me torturam. Constatei que há muito tempo não batias a minha porta. Dependias de um empurrão de amor, um pequeno toque aveludado de belas mãos para que eu contemplasse os olhos distantes que sempre mostras em resposta de teus arredores sensitivos. A ordem já não é mais a mesma...
Os ruídos o interrompem e um pouco de náusea estoura em sua barriga inchada de tanto engolir carícias e gentilezas, mas parece que a náusea virará vomito logo depois que virar os olhos para o escuro e notar um pequeno brilho, se é que ele existe.
Virou-se, notou o pequeno brilho existente no escuro que insistia em não ver. Usou de metáforas e desculpas para não ficar solitário. A solidão é algo que atormenta as almas angustiantemente felizes e seu único remédio é a solidão conjunta. Pares de olhos parados esperando uma reação nova, uma mostra de dentes amarelados com olhos de icterícia e um pouco de cabelos caindo ao chão com o objetivo de mostrar que estava tudo tão correto.
- Preciso mesmo continuar exercendo minhas funções ordinárias e conceber prazeres que voltam a mim com grave tortura?- ajunta o fio de cabelo do chão- Refazer os estágios de minha mudança para constatar assim novas formas lógicas de constatações que jorram em dor; negociar os lucros de meus lamentos comigo mesmo e sentir melancólico prazer adocicado ao fitar a sensibilidade da flor mais bela, que pende nas costas da montanha mais ingríme que nenhum homem pôde alcançar?... Lamentavelmente não.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Transição corpórea
A boca seca fazia de seus gostos os mais horríveis que já sentira e as pedras que colocava em seu caminho eram por pura correção, queria saber andar. Tropeçava insistentemente nos próprios acertos, corroía com lamúrias as virtudes e depredava com fúria a sua inocência:
- O que há de mais sensato numa cobra, senão as suas escamas?, que definem e que caracterizam seu veneno, sua mortalidade! Está no sangue! Hoje sou vermelho porquê explodi. Ainda uma pequena cobra chorosa saindo do ovo e mordendo o próprio rabo! Quisera eu emancipar meus sentidos e abandonar essa angústia que é ser um filhote, rastejando-me para tudo: comer, andar, ser, viver. Um submisso, um grande corrompido pelo amor de mãe. Que vontade estonteante que tenho de me morder, promover meu sangue, aliviar minha raiva e cuspir como remédio a minha pequena gota letal de dor!
Os olhos sempre virando, pararam diante de um pequeno espelho de borda dourada, que não significava nada mais que uma plenitude soberana falha sobre si mesmo, pensando na imensa podridão que acabara de semear em seu próprio interior e com risada demoníaca que saía de um pobre anjo cético:
- Corpo, doce chave que prende minha liberdade, limita meu espaço, destroça minha área, degrine meu ser; o que há em você, corpo? Se dizes meu e estás aí, a envelhecer enquanto sou uma víbora ainda jovem, trocando de pele e de vida. És um baú, pequeno e que serve apenas para guardar um carcaça que jaz putrefata no meu eu. Não me serves pra nada, agora sou um réptil com pele mais forte. Corpo, nada mais és do que um prelúdio da minha morte, um aviso, e um refúgio pra minha chegada.
terça-feira, setembro 04, 2007
Zelando o comodismo
-" 'Benditas sejam as cobras que zelam meu pescoço e que me servem de cabelo enquanto caio com demasiada raiva por sobre os ombros do meu pequeno príncipe guardião! Quisera eu andar sob as águas e nadar nos céus. Se meus braços ainda tão cansados batessem contra o rosto de um mundo inteiro, não seria mais uma fonte de sangue. Restaria em minha carne apenas um monte de farpas, dentes e gravetos.'
Ao término do seu próprio bilhete, a única sensação era de erro. Tudo o que faria a partir daí seria falho e sem vida. Os cachorros, sentados, aplaudiam cautelosamente cada palavra e enfraqueciam suas pequenas mãos querendo parar. A febre agora pulsava dentro daquele alegre coração:
- Pois bem, meus companheiros e amigos, se aqui não estivesse hoje, jamais saberia da alegria que é compartilhar com alguém e com o Maior os meus anseios e as minhas poucas angústias.
Os cães uivavam agora sem parar diante das imagens fixadas na parede. A luz tornava aquele ambiente ainda maior e mais amplo, porém arrancava a fé que qualquer homem pudesse ter, assim como faz a verdade. Todos os olhos voltados para uma escada, as línguas balançando e pendendo da boca, alertavam a entrada de um Supremo.
Vestimentas amarelas e floridas faziam daquele enorme bolo uma pequena árvore:
- O que ouvimos aqui agora nada mais é que um sussurro da morte aclamando por um pouco de vida, meus amigos. As idéias dispersas sem amor não podem dar ao homem nenhuma racionalidade!
O orador da carta toma-se possesso:
- Enquanto tua racionalidade, ó irmão, se faz com amor e solidariedade! As casas estão escondidas em teus braços, sentindo-se acolhidas pela farça que chamas verdade, e tua colcha é costurada com ouro, teu travesseiro de diamantes e a tua língua é suja com lama. A tua cura é o Tormento!
- ... Vejam, Todos!, o que há diante de nós! Um grande enganador, manipulador, enriquecedor da vaidade humana blasfemando contras as verdades do Supremo! Venha até aqui e continue a oração de tuas lamúrias, criatura desprezável.
Levanta-se da cadeira vermelha e desliza suavemente através do tapete dourado, dominado por selvageria e brutalidade nos olhos:
- Não há mais o que ler, somente o que se observar. A lógica plena dos meus sentidos não se aguça só na argumentação. Há viva em alguns de meus instintos. Em escolhas emocionais dir-se-ia que uso de malícia, mas nelas apenas esqueço de racionalizar. Vivo como vocês, irracional e frágil, pensando na plenitude de pensamento que se afugentou em minhas costas... Bem, não perderei minha raiva dentro de uma casa de bárbaries."
A mente um pouco interditada. Uma nova fé abalada e contradições inúteis em vista do que já houvera pensado agora o transformam em uma velha carcaça sem mudança e sem esperança de tentar falar consigo próprio.
segunda-feira, setembro 03, 2007
Um sopro amargo
-Não poderia ser mais fraco do que hoje! Os dias tão sublimes fogem do meu alcance e as condições da minha rotina estão me puxando ao além dos sonhos e das fábulas.- cai um pouco de veneno nos cotovelos - E essa história que estar vivo me cansa. O decorrer das palavras fará minha existência! Ah!
Cai no chão como uma pedra e agora a luz corta o azul dos olhos cobertos por fios prateados. Passos podem ser ouvidos vindos do lado de fora, as pedrinhas denunciam um novo criminoso. Batem na porta e a cólera domina a boca:
- Quem é o demônio que aqui vem para me importunar com desgraças?!
E a voz mais doce dos ventos responde:
- Sou eu, meu réptil, o sopro gelado do vento querendo entrar e te petrificar! - alguns risos - Cale essa boca maldita e abra a porta logo!
Levanta-se atordoado com pensamentos de morte, anda até a entrada de corpo limpo e abre a porta com as órbitas voltadas para o chão:
- Olá, meu caro tormento!, o que trazes de tão belo para um leão com sede? - e o abraço foi forte, quase um desmaio.
- Vim dizer-lhe que esta é a nossa última conversa. Minha metamorfose, transitei muito nos últimos dias. O tráfego dos meus pensamentos não é mais o mesmo e meu anseio de lhe ser muito veloz me assombra todas as noites em que não durmo. - tamborila os dedos no trinco dourado daquela porta devorada por cupins - E agora quero que entendas que minhas filosofias não serão mais as mesmas, mas que ainda és meu grande amor e nosso matrimônio é eterno até o último corpo se render à terra.
Atônito com tal notícia que já vinha aguardando há dias, e que era um fator para a raiva, não sabia o que lhe dizer. Cuspiria naquele rosto sujo e sincero mas não podia derreter uma obra que a natureza esculpira com tanta devoção. Levantou as órbitas e as mãos:
-Esperava por tudo isso até na minha última lágrima. Mas isso quer dizer que não nos veremos nunca mais? E que estás aqui hoje só para comer de minha carne e sair com a boca suja de um pouco de sangue amável?
- Não e sim. Vim aqui para lhe dizer que o conteúdo que sobrou em nosso frasco é guardado por leões e baleias e que todo o resto do mundo saberá de tua existência. A febre que pulsa no teu sangue é culpa do mundo que está me levando para esse rumo inacreditável que é a revolução. - o peito estufa- E eu irei daqui a três horas. Façamos delas as mais belas horas do Universo!
- Não, meu bem, não! Meu sangue jorra dentro de meu peito. Meus pés estão tão pesados agora que não sou capaz de andar rumo ao teus lábios. Tua face me mostra uma divindade terrível que me assusta e me repele. Então saiba que meu amor agora é febre e que tudo que há em nosso frasco nada mais são que lembranças de uma bela época percorrida com pulos. Agora meu amor está chorando e o sonho ficará para a outra vida que não existe.
- Estou indo.
- Adeus.
Virou as costas e as pedrinhas denunciaram o criminoso abandonando a prisão que o manteve ali por dias. Eternos dias de desespero e medo pela partida.
Àquela alma nada mais restava do que gritos e arranhões. As paredes viraram telas e os violinos do rádio eram dragões cuspindo fogo nos cabelos prateados que reluziam dentro daquele quarto mestiço.
Agora o que sobra é um pouco de vinho jogado sobre o colo e um papel escrito com palavras de despedida.
quarta-feira, agosto 29, 2007
Entrega visual
- Não sei, acho que estás a ouvir coisas! - puxando os cabelos para cima do peito.
- Não poderia. Essa onda foi forte demais. - colocando os braços ao alto- Veja, ela levaria meus braços aonde quer que fosse. Tão nítida...
- Mas estamos sozinhos aqui, não há que te chame a não ser eu. E não o fiz.
Senta-se na cama, olha as cortinas, cheira as mãos, esfregas os olhos e os abre muito bem, como se quisesse explodi-los:
- Não me droguei hoje, meu bem. Os efeitos não existem. Se estamos a sós aqui por que estás tão menor? Onde mora a plena confiança que estabeleceram os nossos corpos?
- Não quero dizer nada sobre isso. - puxa a coberta macia de pêlos vermelhos e cobre a boca- É estranho te ver assim, tão reluzente, sem vestes e sem maldade. Olhe nos meus olhos. Isso é o que nos basta.
- Entendo perfeitamente. Não receio teu corpo de forma passageira. - cobre as pernas e a luz que vem da janela torna o abdômem rosado- Se o for, lhe almejo para sempre nos instantes em que for meu. E como se fosse a última vez - dá uma tragada no cigarro- não hesitaria em dizer que te amo. Te amo - joga o cigarro fora e os lábios se tocam de longe, pelo ar.
- Isso me envergonha. - e cobre as bochechas rosadas- Quem lhe veio a cabeça quando alguém te chamou?
- Sabes que não sei. - coça a cabeça em sinal de confusão.
- Talvez a idade esteja chegando e ainda nem destes conta disso. - joga-lhe um sorriso de deboche.
- Sou muito jovem pra ensurdecer. Ouço até aquilo que não me convém, que não me diz respeito, que me envergonha. O primeiro sintoma da minha velhice seria a cegueira. Veja, meus olhos ardem demais. Culpa dos azuis! Primeiro ficaria cego com o propósito de não ver as ações de destruição... A imagem sempre me castiga.
Levanta-se da cama, mostra-se por completo denovo. Caminha com passos serelepes até a janela e olha para a cama. Os olhares estão fixos:
- Antes de envelhecer, preciso ter a sensação da tua imagem. Porque sei que te ouvirei até o último dia da semana.
Puxa o pano vermelho e admira as curvas, os traços, os flancos, o batom vermelho, o pálido da pele; a escultura exposta.
Levanta-se da cama e vai em direção a ele. Toca o rosto e diz:
- Agora já podes sair, meu velho!
quinta-feira, agosto 23, 2007
Banhados de luz
- E de que adianta se manter trancado dentro de si mesmo?
- Não preciso de remédios do mundo pra ser o que sou.
- Sei bem que é pelo mundo que crias.
- Não entendes de nada a não ser de teu ego.
- Caso lhe seja conveniente, vá arranjar o que fazer... Meu tempo torna-se precioso a medida que te vejo fixado dentro de minha concha. Mais um parasita.
- Veja!, eis o que te faz ruir. O tão precioso tempo... Maldito aquele que criou esse fator cultural tão disfarçado entre nós, ocidentais, voadores e avoados. Tempo é dinheiro.
- Então vá atrás do seu...
- Por que sempre lhe é tão bom interromper as explanações que faço? Já basta que tu sempre estás a dizer que erro.
- Não importa como ou o quê faças. A interrupção tornou-se um prazer enrustido na minha carne. Meus ciclos naturais se interrompem. Não sou mais uma rainha... Meus rodeios constantes não me fazem chegar a nada. Mas neles eu acho o homem e o homem me acha. Interrompo o homem e assim, ele me faz prosseguir. Sou uma rainha.
- És a menor praga que existe no mundo.
- Estás enganado. E bem sabes disso...
- Não me explique mais nada... Permita-me viver o ciclo e tentar voltar a ser o que era.
- Impossível! Já lhe disse isso mil vezes e quanto mais falar, mais tentarás ser o que fostes na inocência...
- Continuo sendo inocente e não existem razões para que me suje.
- Não te enganes. Tua alma torna-se pura a cada passo que trilhas nessa caminhada que os crentes chamam de vida. Caminhada a sua que acabará não no abismo. Mas sim nas águas límpidas e reconfortantes de tua existência. Sei bem que elas existem em algum lago que recebe os puros todos os instante e os tira a pouca sujeira que está impregnada em seus corpos.
- Não compreendo tuas filosofias de bar. Sempre tão ilógicas e sem fundamentos. Te denominas ateu e ao mesmo tempo usas a alma como forma de justificar tuas intenções.
- Ora, temos de convir que a alma do homem são os atos. Podes chamá-la de caráter, reputação, conduta, valores, cultura, personalidade. Mas eu chamo-a alma. Pequenina e relevante. Transformadora e flamejante. Assim é vossa alma... Não te julgas capaz de absolutamente nada. Mas teus movimentos impensados tiram as pessoas que te circundam de órbita. Sabes bem disso.
- Tenho de ir.
- Pois vá e transforme um pouco de tua caminhada em estrada. Vá e retornes quando bem entenderes. As minhas portas estão abertas para tentar te entender.
- Mas sou eu que preciso me entender.
- Só me parece ser possível entender aos outros, mas nunca a si mesmo. Me entenda que eu te entenderei...
segunda-feira, agosto 20, 2007
Rotina noturna
Poderia ela dizer que o mundo não sente mais nada senão cólera. Uma indomável cólera que aumentava cada vez mais junto do seu falso sorriso de álcool que destilava seus lábios e fazia com que jorrassem gotas de ácido que caíam em minhas vestes. Derretiam um pouco de minha alma.
Os gracejos não eram mais os mesmos. Os cabelos acabaram de mudar. Ela sumiu de onde estava. Só podia ver um corpo, um rosto. O corpo continuava o mesmo mas nos olhos eu via o abismo que afundava todo o rosto numa pequena escuridão branca. Não havia escuridão sem aquela luz que jazia fria dentro do marrom dos olhos que pareciam-se também com árvores mortas.
Era impossível ver a liberdade e querer te prender. Comecei então, a confabular com meus companheiros de mente sobre moral, convicção, personalidade, justiça, liberdade e fraternidade. Constatações que apodreciam. Frutos que caíam das árvores e não tinham nenhum proveito. Nenhuma forma de convicção ou de dúvida se criava. Só ficava um grande abismo naqueles olhos. E meus braços já não podiam salvar mais nada.
Os corpos continuavam entrelaçados. Os braços fugiam de um lugar para outro e não conseguiam parar de correr por sobre aquelas peles lisas e frescas que queimavam por dentro, sem amor. Era o resultado que tanto esperavam e que ficava subentendido naqueles atos nada singelos.
Depois de tudo completamente acabado, não se tinha o que queria, os desejos não eram mais possíveis, os artifícios e o dinheiro já tinham acabado e não eram mais alegres pra falar. Sabia-se menosprezar e discutir.
Mas o corpo continuava como água. Os olhos se tornaram um lago profundo, com lágrimas doces que ardiam dentro dos olhos; uma espécie de cura que a mantinha inerte dentro de si mesma e congelava os braços que não aguentavam mais correr para outro lugar.
Eis tudo.
quinta-feira, agosto 16, 2007
Aviso ao senhor que pensa ser sabido
Então agora vá aos tormentos!
quarta-feira, agosto 15, 2007
Amarelo, te quero bem instantaneamente
Saí daquela rua vazia e fui até o ambiente que mais vivo. Geralmente quando sentia vontade de gritar, gritava. De chorar, chorava. De ser, era. Mas aqui as coisas são meio difíceis. São essas paredes brancas que neutralizam tudo. Mas o Sol, em vez de sumir e me deixar aqui no silêncio, criando preto e branco, prefere me ver através do buraquinho da janela. Fico pequenino diante disso...
Não quero me amigalhar com o Sol, não aqui. Nada contra a prepotência dele. Até gosto quando os braços dele me tocam a nuca e ficam fazendo cócegas. Agrada-me saber também, que se não fosse esse sorriso inconstante que ele concede sem querer, não estaria pronto pra surgir e talvez eu até tivesse muito mais do que 15 bilhões de anos.
Se eu desse trela aquele salafrário não haveria fugido dele, moendo minha alma de ódio e de raiva, e não haveria notado que hoje estás um pouco mais alegre que o de costume e que me fizesse abandonar os casacos por mais de duas horas.
terça-feira, agosto 14, 2007
Dia do tempo e dos detalhes
Há umas horas, fiz o mesmo caminho de concreto como em todas as manhãs. Foi o sol, aquele gosto amargo de vida logo pela manhã, que me fez cogitar tua presença. Queria muito sentir o gosto amargo que é te ver e poder deixar cair da minha boca um pouco de sutileza, já que isso lhe parece ser tão mais agradável. Já tomasse conhecimento de que nossas conversas, covardes e subliminares, só acontecem de noite e de dia, quando não nos vemos?
Há uns minutos, decidi não achar que tenho algum valor e que nossas pequenas estrelas ainda caminham no céu do dia e da noite, conversando e sendo os amantes que sempre foram.
segunda-feira, agosto 13, 2007
Da cor à lembrança de que estás por perto
Sentei, atordoado e sozinho, pescando no tom levemente roxo do céu, algumas palavras que se adequassem ao que queria dizer. Mas não encontrei. Encontrei algumas palavras verdes, que ainda sentem vergonha ou então que sabem que ainda é cedo; outras amarelas, prontas pra caírem em teu colo e serem apreciadas; aquelas palavras roxas, estavam machucadas mas continuavam amáveis como eram, já que essa é a cor que te agrada e que faz tudo um pouco mais belo. Meu dia está sendo roxo, pra lembrar que um pouco de sua tez branca ainda vaga em meu rosto e teus lábios, vermelhos por natureza, ainda sopram palavras de arco-íris até os meu ouvidos.
Hoje bebi suco de uva, mas foi só pra lembrar que não consigo te esquecer.
terça-feira, agosto 07, 2007
Amor natural
Se fosse possível tornar-te real, serias a flor tropical mais bela em todos os trópicos. Teria o mais belo representante do Zodíaco. Serias completamente única e minha.
Essa pele branca quase transparece tua alma. Posso te ver por ela. Teus gestos, teus dedos, tuas unhas. Uma junção perfeita para a construção de um mundo novo. Um mundo onde não existirá amor. Algo laico, perfeito.
Os oceanos oscilariam entre piscar e chorar, as matas do nada perderiam toda a sua forma e a sedimentação das rochas mudaria o nosso ambiente a cada palavra que fosse dita.
Se fosse possível escolher uma mãe natureza, que acolhe os filhos e os põe no seu colo, eis que te escolheria, já que em teus braços tudo é tão mais leve que quase flutua. Até os corações do homens voam enquanto tentas explanar um pouco sobre tua conturbada existência.
Os teus enfeites, por mais silenciosos e brutos que sejam, são músicas aos ouvidos dos leões, os fazem dormir. Teus passos são terremotos que criam a dança da vida abaixo do chão. Depois de andar, estás parada, olhando para trás, e os homens-animais desse mundo ainda conseguem te amar, por mais laico que esse mundo possa ser.
As ações que reagem quando menos se espera.
(Jean-Paul Sartre)
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Regresso. Ainda vivo de passado. Fragmentos jogados que mostram evidências de que a vida por ali passou e não há como apagar. Erros e brincadeiras. Parece até um jogo, mas um jogo sem graça, sem sentido. O único sentido não é completar, é preencher. Encher a conta!
Descobri que às vezes os imbecis são ótimos divertimentos, foi Sartre que me ensinou. É preciso se divertir com eles periodicamente porquê eles cansam e se tornam desinteressantes. Não que meu intelecto me permita o título "culto", nem o quero. Mas é que Sartre tinha um bom-senso e às vezes partilha dele comigo.
As coisas soam sempre erradas. Os cálculos sempre devem ser corrigidos. Quem falha? Eis a questão...
Tomara que minhas drogas estejam me esperando alegremente dentro de meu quarto, prontas pra cantar a noite toda a canção do descanso eterno enquanto regresso pra viver de passado.
quinta-feira, agosto 02, 2007
A lentidão da urgência
Há sentido no hoje, há motivo na dor
até que seja ela suave.
Os hábitos tão normais, com cheiro de rotina, estão sumindo com o passar dos meses. A comida vai apodrecer na geladeira se algo não acontecer. Não precisa saber o que se conhece por conhecimento. É preciso ação!
É preciso estudar pra ser alguém na vida?
Os negros voltaram pra casa depois da semana festiva e serão mais vermes nas ruas denovo. Os brancos jorram alegria, já que administram o suor dos trabalhadores de corpo e alma. Os coronéis preferem mantê-los no tronco, todos eles. Independentemente de cor. Azul de raiva, vermelho e cansado de se banhar com sangue; verde de nojo, roxo no corpo e preto na alma. Só o branco dos olhos é que pede por paz e por calmaria. Sabe bem que a raiva nunca vai passar.
Eis então, que falam os direitos humanos. E clamam por ética, moral, princípios. Esperam a sujeira por algum brilho prazeroso nos olhos.
O ciclo continua. Indo e vindo. Matando e roubando. Enquanto choramos por perdão o caos exaspera gritos de horror.
quarta-feira, agosto 01, 2007
Frustração
Tão depressa começou a roer os lados do próprio corpo por medo de se entregar ao seus prazeres vegetativos e completamente frios. Era um sádico que via a sua redenção banhada em sangue. Sangue esse, que só ele via com seus olhos cor de mel.
Ficou subentendido que estava deitado no chão chorando, mas estava realmente esperando salvação...
Precisa parar com isto, e logo, antes que a fama de bom o torne mau e arrogante outra vez. Tornando-o mais impotente do que já era e mais inconsciente do que é. O medo que escorre pelos cabelos raspados dele todas as noites, molha a cama e o deixa gelado, mórbido. Desfaz todo o calor humano que havia naquele corpo e o enche de uma amarga ternura com vista para um abismo fundo.
Cheira o odor suave que suas pernas exalam, mas nem sabe que suas pernas apodreceram depois de andar pelos caminhos rotineiros que traçou. E o ego tanto arde sem saber.
Precisa parar de ser o que não é e ferver de loucura antes de falar ao coração aquilo que sua alma repudia.
sexta-feira, julho 27, 2007
Sujeito oculto

quinta-feira, julho 26, 2007
A espera
Lembrava até um momento de vazio, de solidão. Um momento rude, gélido e desprevenido. Qualquer forma de dor poderia atingir o corpo, afinal de contas, só conseguia pensar em uma coisa: o depois.
Esperava que depois de nascer denovo, tudo fosse melhor, que as coisas crescessem mais rápido, que o mundo não girasse e que a luz não sumisse jamais. Que ficasse eternamente ali, aquecendo e iluminando.
Os ponteiros estavam criando uma nova melodia a cada instante, uma nova forma a cada passo, um novo desenho que tentava fazer. Só que sem sucesso. O desenho nunca acaba nos ponteiros.
O tempo que sempre trás consigo a angústia, trazia naquele momento a incerteza; incerteza de que os seus desejos eram exatos.
O corpo jogado nos panos esperava por um momento inerte que fosse eterno. Só não esperava morrer.
A noite veio e as vozes se calaram já que não podiam estar mais ali. Os olhos não queriam mais abrir e a sua voz estava sumindo. O sangue jorrava dentro de seu peito mas não sabia como dizer que era chegada a hora do último abraço. Não podia dizer.
Os dentes quebrados, a língua aprisionada pelos lábios que tanto falavam, não podia lamber o toque suave que o amor lhe proporcionava em alguns períodos.
A chuva de lágrimas que invadiam os olhos cessara e agora só o que restava a ele, era tentar abrí-los e amenizar a angústia de não ver mais o resto do mundo que acolhia com suspiros suaves todos aqueles que o habitam.
Depois da chuva, nada mais existia... Pra sempre.
terça-feira, julho 24, 2007
Contexto ambíguo

quinta-feira, julho 19, 2007
À pessoas que ainda não conheci
Os dois corpos, ali, juntos, vestidos e presentes, não aparentavam uma necessidade única de se encontrar. Queriam calor, o calor do que os mantém vivos, o calor da alma, se é que ele existe.
A dança, os movimentos e os olhares os envolviam cada vez mais. O toque rápido e o beijo mostravam cada vez mais a busca de uma palavra--chave que libertasse o amor.
Mesmo não precisando, achavam. E era amor.
Espera por um final...
Estamos esperando o amor florescer denovo. A conversa desabrochar denovo. Sem medo. Oh, não! Estamos cansados, com sono pra abrir os olhos agora. Falamos de guerra e alguns fabricam armas. Falamos da vida e outros se entregam à morte. Estamos sentados, mas estamos correndo. Fugindo disso tudo. Acomodando? Resignando? Sonhando?
Estamos prestes a qualquer coisa, qualquer grito silencioso. Estamos boicotando, estamos em silêncio. Ninguém vê. Ninguém precisa saber que estamos estáticos, analisando, vendo e protestando. Estamos do lado.
Falamos, falamos e falamos.
terça-feira, julho 17, 2007
Retas
Viver por...
Buscar por...
Comer por...
Sair por...
Somar por...
Não existe um sentido exato. Exatidão que me tira de mim. Que me joga longe,longe... Me perdi. Não quero me encontrar.
Estou ficando velho...Isso é grave. Minhas mãos não mais tão retas. Minhas costas tão mais curvas. Meus pequenos segredos são mais piadas na cota de risos gratuitos.
A vida... Por si só... Já basta...?"
Por pensamentos perdidos na tarde
Bem que eu te disse que essa tremedeira toda, essa vontade de gritar, essa nostalgia, isso tudo ia te fazer um bem... Que podia soar a amor. Mas não. Eu não acredito, não!
Às vezes parece que exclamar é estar furioso, trovejando palavras de exaltação ou até mesmo um balbucio choroso. Mas não. Eu acredito que exclamar seja suspirar devagar, respirar fundo, encher os pulmões e declarar guerra.
Perdes a tua rotina, encontro meu caminho. Essa é a verdade, mas não. Eu não acredito, não.
E também não acredito que possa ser real um desejo tão pequeno e vazio. Parece até que meus pés estão na corda-bamba... Estáticos, mas prontos para cair. Prontos para uma ascensão sem lógica.
Eu quero viver no fogo, nadar com os tubarões, jogar flores no vento,quebrar a linha de pano, fumar os ares e jorrar o sangue da liberdade.
Eu acredito... No quê? Em quê? Milagres?!
Ah, cavalo branco... Inspira risada e risos. Sátiras maravilhosas são feitas de nossas vidas e histórias e nem sabemos. Aos leigos, nada mais que um preconceito social baseado numa crença ou num livro.
Bem sabes que não...
Não o és.
segunda-feira, julho 16, 2007
Euforia estendida
É um amor mascarado que não se vê, não se toca, não se respira, não se muda nunca dos corações. Eu não sou Jesus nem qualquer outro tipo de revolucionário, mas estou pronto pra bagunçar a minha mente. Pra mudar o meu sistema, pra me embalar na tua manta e me deixar ser sem depender de mim pra ser por ti. Somos por nós, por todos, por uns e por outros.
Que tal amarmos sem medida? Que tal forjarmos um amor que não existe? Quem topa dar amor? Quem quer amar sem saber?
Eu amo todos vocês, eu preciso de todos vocês.. Minhas pernas tremem ao pensar nisso. Minha solidão me gratifica tanto porquê sei da vossa existência e posso contemplar as imagens de longe sem precisar tocar.
O som grave da companhia é forte, porém a gravidade da solidão é tão mais forte que enlouquece os maus e fortalece os bons.. Os ruins? São tão bons que estragam. Os bons? Só precisam piorar...
*I'm not Jesus - Apocalyptica feat. Corey Taylor*
sexta-feira, julho 13, 2007
Hora de trabalhar
Espanta os pássaros, destrói a beleza
Que um dia restou do seu coração.
Foi máquina direto ao muro,
Saudou um coração de plástico
Como se fosse puro.
Não precisa mais saber de mágica,
Não precisa mais saber da filha.
O alimento na marmita,
Arroz com feijão
Com gosto do cigarro
Da esposa Rita.
Se reúnem os amigos
Pra contar mentiras
E continuar a empreitada.
Sem o auxílio de um carro
Trabalha todos os dias com o mesmo alívio,
Cuspindo no mesmo lugar
O mesmo catarro...
~~~~~~~~~~~
Me arrisco a indicar "O Rancho da Goiabada" de Elis Regina. Achei uma linda canção...
terça-feira, julho 10, 2007
Enfim, estou em mim à toa. Eu te quero há um tempo. Eu te vejo presa, colada no teu próprio rosto, acuada por nada.
As flores que se cultivam no chão, não consentem com a solidão da manhã nem com o calor vespertino que é uma inspiração libertina dos nossos atos inconsequentes. Palavras difíceis, olhares escondidos, pessoas doentes. Sabes bem que eu não sei a explicação disso.
Aliás, se eu tivesse um mapa do meu nada que te levasse até a marca do tesouro, o que faria? Risos muito doces para uma alma como a tua.
O tesouro escondido és tu, tudo. Aquela criatura saiu a noite à procura para querer ser livre. Se prendeu, se esqueceu.
Será que ela evolui?
segunda-feira, julho 09, 2007
Olhou mais perto de si e viu uma mulher. Aquelas que são elegantes até de manhã cedo, aquelas que guardam brilho e cor nas menores curvas. O seu cabelo ajeitado por trás das orelhas, longos e ondulados, o faziam viajar na criação de novos desenhos e novas texturas, as quais não podia tocar. Sua imensa vontade de tocar aqueles ombros e dizer que estava fazendo um lindo dia não podia se materializar. As pessoas costumam se assustar com algumas reações. Mas ele podia sentir as palavras de concordância saindo da boca. Arriscaria ou ficaria ali, ao lado, se penitenciando por não falar?
Não o disse e nem se arrependia por não ter dito. Era um covarde convicto. Sabia que falar e fazer era difícil, então pensava. Quase um filósofo prestes a alcançar sua máxima do pensamento, mas não chegava a nada. Pela manhã via, além de pessoas e máquinas, o lindo sol que esboçava linda luz por trás das nuvens que pareciam montanhas gigantes e a civilização abaixo, sempre tão pequenina e insignificante aos cuidados da luz. As manhãs cinzentas não arrebatavam-no à outra era.
As placas que ele via pela rua transformavam tudo em Eterno e tudo em realidade. Sempre saciando um desejo insaciável, esse desejo de eternizar, de sonhar. Essas placas mudam, voltam, mudam.Tudo pra eternizar uns momentos comprados, uns sonhos que virão realidade com a mão no bolso. Ele viu que não precisava sair de casa para ser eterno e feliz. Decidiu então, voltar ao primórdio da consciência ao modo de tentar ser gente. Fazia tudo muito devagar, mas não o queria assim. Sentia todos os dias o vento, mas não o via. E assim era com a determinação dele, sentia ela todos os dias, mas não a via.Não a via projetada em nenhum canto mas ela o motivava de alguma forma. O motivava a aprender por si só. A pernoitar no pensamento e na arte de ler, caminhar no nada e não dormir. Porque se dormisse, jamais iria acordar.
quinta-feira, julho 05, 2007
Criando desejos
Foi o bem que se instaurou nos corpos deitados, com suas cabeças uma sobre a outra, acariciando e cheirando e sentindo, tudo ao mesmo tempo.
Criando, desejando e querendo. Querendo ver denovo um cometa logo pela manhã. Desejando mais um pouco de alma e virtude. Criando um sonho que pro agora é distante. Usava frases que não cabem em nenhum papel, só na cabeça. Dizia coisas que não ficavam na memória, só no papel e na tela. Fazia rascunhos com as lembranças que estão arquivadas em qualquer lugar por aí.
É fácil entender e não precisa nem se entregar, só ler.
quarta-feira, julho 04, 2007
Ele, tão poderoso Ele
terça-feira, julho 03, 2007
Eu falo seu nome, por conforto, por espera de uma solução. Pela espera do fim de um coração eu estou esperando..
Os meus reflexos estão se multiplicando, e eu não me encontro mais.
Estou esperando uma nova solução para o fim de um coração.
segunda-feira, julho 02, 2007
O bar da libertinagem
Os dedos enlaçados, pareciam criar poucos traços abstratos que davam abertura para criação de novas figuras na paisagem cor-de-pele. Enquanto naquela sensação indiferente de sonho, ou de devaneio como os gênios costumam tratar, não sentiam sequer o ar. Ela sabia que ele estava tomado por um elemento mais forte que o álcool e mais corrosivo que o tabaco. Ela sabia que ele a amava.
Ele nem imaginava o que era amar. Era um rico inocente. Um libertino. Um pobre promíscuo que não pensava em mais nada a não ser sexo. As pernas já fortes pelas corridas e caminhadas, não o mostravam fortes. Mas ele queria boas pernas para atrair ela. E ela com certeza o queria assim.
Deram goles de alegria. Andaram nas ruas que não foram da amargura. Saíram do bar da libertinagem para que fossem para o quarto dos vagabundos. Lá absorveram corpo e alma. Entregaram-se ao nada. Morreram de tristeza. Não sabendo que era sempre amor.
sexta-feira, junho 29, 2007
A forma da alma esboçada no espelho
A imagem que se reflete no espelho, talvez não seja minha. A desfiguração da minha visão me deixar ver só o que eu supostamente não quero. O que eu quero, não sei.
O reflexo ali, diante de mim mesmo, possivelmente seja eu. As analogias previstas diante do espelho não estão levando meu ego a nenhuma elevação narcisista. Meu ego por vontade própria é Narciso. Narciso por amor - próprio? Não. Narciso por cultura? Jamais. Narciso por quê? Porque sim, oras.
Mas a visão então ofuscada não é por culpa desse complexo já antigo e desgastado. É por culpa do objeto que se reflete no espelho. Eu.
A forma do corpo no espelho, não é a minha. A materialização da alma se fez instantânea no instante que senti a força do pensamento eclodir e exteriorizar-se sem medo algum. A alma se esboça pelo corpo em frente ao espelho. E já não se conhece mais o corpo, que muda constantemente.
Reconheço só a alma. Que sozinha tem sua única importância e função, que é comer e manter vivo o corpo para que não apodreça.
Depois de muitos erros de figuração, a alma dá um passo.
E o esboço no espelho deixa de existir. Avante, alma. Avante, corpo, que só não vive. Avante luz, que ilumina o caminho dos desalmados. Avante, escuridão, que escurece o brilho do alto ego. Abaixo, fome que estraçalha a alma. Abaixo, corpo que se auto-flagela em pensar.
Narciso, serás meu companheiro, enquanto na vida se fazer o vidro e o cristal. Será meu companheiro "esboçal" e tens em mim um corpo tranquilo e uma alma confusa. Espelho, tem em ti um ente mitológico, uma criatura que até hoje se afunda na própria vaidade. Tens um amigo que transmite a alma e que desconfigura a carne.

terça-feira, junho 26, 2007
Atraso
Algumas com prazer, outras por dever. Faço. Uma letra possessiva se repete nas linhas e entrelinhas do meu caminho ainda prevísivel, só não sei por quanto tempo. Ritmos distintos, trocas constantes, mudanças de setores. Tudo, tudo ao mesmo instante.
Meu último passo foi um presságio de inércia. Meu último suspiro expressou a espera; espera pelo término. Espera que chega ao seu segundo estágio, enquanto o tempo passa. Meu coração, meu vasto e solitário coração não está doendo, nem sentindo. Não me falta o que eu não quero. O que eu quero me falta, mas o material não é mais tão necessário como antes.
Um atraso que me conturbara muito. Dois minutos pra surgir nervosismo. Descontrole. Temor. Joelhos trêmulos e outras coisas mais.
Mas dois minutos me trouxeram o encontro do acaso, que não significou mais do que um encontro social. Uma parte do convívio.
Assim que fujo, me busco. Assim que busco, me encontro. Quando me encontro, me canso. Mas esse cansaço desproporcional mostra minha constante vida, que por si só, já basta.
segunda-feira, junho 25, 2007
Estou sem inspiração
Mas talvez depois me venha alguma frase desencaixada à cabeça esperando por ordem e significado, que é o que mais nela importa.
Bem, pra falar a verdade, não escrevo nada que signifique algo pra alguém, a não ser pra eu mesmo. Não nasci conjugando os verbos ou falando certo, que nada, sempre escrevi errado. Nas minhas provas de português, o máximo que alcançara fora cinco pontos. Cinco pontos! O que são cinco pontos? É a vergonha, a grande vergonha pra um rapaz que tenta escrever alguma coisa. Uma grande frustração foi quando tirei zero. Mas não estou aqui pra falar disso. Estou aqui agora pra falar de inspiração, que é o que me falta há cinco dias.
Há cinco dias que a estrada se faz mais longa e que meus passos, por mais acelerados que sejam, parecem que não chegam nunca em lugar nenhum. Então que sejam bem vindos os fantasmas que virão, com certeza, encher a minha paciência durante as noites que vão se passar.
As ações disturbadas de outra hora, ficam pra agora. Pra aqui, já que o caderno às vezes me irrita. A caneta não quer funcionar quando quero escrever. Parece até que o Diabo chama nessas horas. Diabo...
Representação interessante para o que chamamos de mal. Diabo...
Deus... nome que não causa nenhuma impressão. Poucos prestam atenção quando se fala em Deus, mas quando se fala no Diabo, os olhares distantes querem chegar mais perto pra vez se o que assusta realmente repulsa. Ou apenas pra dizer que aquilo realmente não vale nada. São emoções falsas...

Se teu nome não estiver aqui depois, talvez foi porque não soubestes procurá-lo com a calma necessária. Até então, estava escrevendo um conto sobre um cavaleiro e uma donzela mas esses contos são tão babões que me irritam em muitas vezes. Acho que estes belos contos de amor eu deixo ao encargo de Shakespeare, onde quer que ele esteja. Escrever sobre a rotina fica com o Veríssimo. Escrever sobre outro mundo, por favor Tolkien, habilite-se. Mas escrever sobre o que eu quero, deixo aos meus cuidados. Escrever sobre minha falta de inspiração está me rendendo um monte de letras, que penso até em mudar o título. Mas isso não teria graça, porque foi por ele que eu comecei a escrever e a sair do desfecho desse artigo que nada diz.
Estou sem inspiração para o ensaio hoje. Hoje eu não quero planejar. Vou ficar aqui ouvindo a minha trilha sonora preferida, com minhas canções gritadas e dançantes que me fazem viajar por longos instantes.
E o dia segue- até quando, "só Deus sabe".
quinta-feira, junho 21, 2007
Olhar distante
Não consigo crer que o último do meu olhar distante se encerra em nada, se encerra em escrita arquivada, em pensamento frustrante, em idéia desconcertante.
Até o pensar está lamacento e pegajoso, mas não o quero assim. Mais flexibilidade seria necessário. Mas na minha atividade imaginária, não dá pra alcançar o término dos exercícios benéficos.
Estou conscinte de mim mesmo e de meu complexo de Peter Pan. Com o olhar distante, mas tão perto, fico matutando a respeito de onde encaixar a frase, o anúncio. Por fim, ele se repete. Isso me enfraquece por dentro.
Vou fazer fogo pra, sei lá, queimar neurônios porque a informação vaga que capto me irrita e na hora da busca aprofundada, algo acontece e me impede...
Minha personalidade talvez fique estampada no meu casaco verde que provém de morte, ou então nas teclas deste teclado, que aperto com uma paciência que soa a preguiça, quase inércia. Acho que nessa formulação toda de frases e palavras, acabo por me expressar dramaticamente, coisa que não quero. Se eu pudesse, iria rir o dia todo, mas só porque faz bem à saúde... Bem, mas que se dane minha saúde.
à Cláudia Iara Vetter
Com meus olhos e mãos, descobri o aconchego de tuas palavras. E elas me mostram um vasto campo de idéias, me modelam com o tempo, me altera com o nome, me leva ao nirvana...
Descobri com minhas mãos, que preciso de um esforço pra tirar a minha lama dos olhos e continuar ali, com vento frio secando eles a medida que o tempo passa e que me delício mais e mais...
Vi com meus olhos, a beleza estrutural de tua forma oculta por trás deste lugar. Vi a forma da palavra- no sentido figurado. Literalizei o que havia pra ser generalizado.
Toda vez que te leio, sinto teu toque lento, ingênuo e doce.
De uma sensibilidade tão plena e às vezes, de uma dor tão profunda. Que de tal, só se sai o amor.
Chega!
quarta-feira, junho 20, 2007
Hoje nada domina
Nem tuas mentiras, nem todas aquelas caras.
Hoje nada me trai!
Nem tua vizinha, nem o santo Pai.
Hoje nada me atinge!
Nem a estatueta, nem a esfinge.
Hoje nada me cria!
Nem Duchamp, nem nenhum outro dadaísta.
Hoje nada me canta!
Nem o rock com sua bela não-dança.
Hoje nada me escuta!
Nem eu, nem a chuva.
...
Hoje domina o agora do instante que se passou há algum tempo.
Estou elétrico
terça-feira, junho 19, 2007
Conto que não foi antes
O abraço do sol realmente enlouquece, a música constante não me agradece. Os artistas não apertam minhas mãos e muitos menos agradecem. Muito pelo contrário, ficam fazendo barulho enquanto se aproveitam de um silêncio não existente.
Homens precisam de animais que sigam a mesma forma que eles. O conto que não foi antes, foi pro canto, pra que agora surja esse dizer maldito. Homens precisam de sol que os abrace, que os aqueça e que os conserve no calor que degrada. E não de mulheres que os matam durante o sexo às escuras. (Risos), (risos), (risos) são as únicas que sobram. Mulheres precisam de homens que sejam animais como elas. Para que se completem. Pronto! Problema resolvido. Somos animais e o sol não nos abraça; só nos aquece.
O conto que não foi antes, foi mal dito agora. Pra que talvez me seja bendito depois, na hora de rir um pouco de mim mesmo.
.ocuoL
segunda-feira, junho 18, 2007
Hoje é poesia
{Vou confundir a ordem das margens para que eu seja mais feliz enquanto a compreensão é demorada e tola. Farei de meu melhor personagem o pior dramaturgo}
{O poeta, nobre poeta, viajou pra longe, pra além da memória. Pra depois do arco-íris, pra não ser descoberto. O admirador, escrivão, sumiu pensando que o amigo tinha fugido em busca de novas inspirações.}
Hoje eu vim falar de prontidão, de vigília e de paixão. Não quero saber de contos ou de confusão. Hoje a poesia é o remédio do coração. No desabrochar desse sorriso que estou vendo aqui dentro, sei o quanto me rendo diante de teu seio, aclamado e venerado seio de segurança, onde faço porto de espera, sem que seja seguro.
{Amanhã, na busca, eu falo de contos, porque hoje ele falou de poesia}
sexta-feira, junho 15, 2007
Por acaso, no caso de nos toparmos...

Quero ver teus lábios se moverem e pensar, "Nossa, que jeito esquisito de se falar", e olhar pra tua face de desprezo em relação ao que lhe parece estranho e grotesco. Se por um acaso, nos não nos toparmos, meus contos futuros não tem mais razão de ser. Porque quando inspirado, escrevo mal. E quando mal escrevo, é porque bem te quero.
Te salvar no aconchego da minha personalidade, foi díficil. E ainda achamos estranho o mundo imperfeito em que habitamos.
As milhões de estrelas que pairam no céu durante as noites de poucas nuvens, não se comparam ao brilho de teus olhos quando vejo teu semblante feliz e despreocupado. Já tua aflição, me aflinge, mesmo não parecendo que eu seja tão leal ou fiel como fora outrora.
Se por um acaso nos toparmos, não esqueça de me convidar pra tomar um café, ou comer um livro. Não me acanho mais perto de ti. Não tive medo na primeira hora, por que o teria agora?
Por acaso, no caso de nos toparmos, lembre-se de não me conhecer.
quinta-feira, junho 14, 2007
O não-sentido hoje, é pra você

Olhando pra figuras distorcidas em suas formas originais, presas nas paredes, figuro-as de modo que se movam. De faces escondidas, vejo os olhos que me seguem. Hoje escrevo pra você, meu modo preferido de tratamento, porque o tu fica pra depois. Fica no papinho de meio-fio, na risada frouxa, ou ainda, no meu pensamento de proibição.
Estou me proibindo neste exato momento de pensar em ver você, ou de pensar em encerrar o nosso caso que ainda não começou. Chegam turbilhões de risadas na boca agora mesmo. Sua face me faz lembrar do sorriso que você me deu.
As folhas, secas folhas do outono, já estão terminando de cair, e o resguardo do inverno virá austero. Farei o mesmo. Fico de prontidão aos meus passos, mas não aos meus cuidados em relação a você.
A minhoca Druba
quarta-feira, junho 13, 2007
Via
Há dias que troquei a minha primeira via da carteira de motorista, e há horas que não te via. Tua presença distante, está configurando, agora mesmo na minha mente, uma sensação conturbada. Uma presença imaginária. Uma situação, idade, século, hora! Tudo imaginário.
Te vejo entrando na casa de aviamentos, te vejo saindo toda avoada. Então o vento que soprou com força até derrubar suas coisas naquela estreita via, e ninguém te ajudou. Pelo contrário, pisaram nos seus aviamentos e nem te olharam a face. Enquanto vias aquilo pavorosa.
Mas eu!, eu te olho. De longe, como já disse em outra situação. Em outra estação. Em outra Terra. Em outra pessoa. Em outra Via Láctea
Beijo, se cuida e até depois.
(completamente fictício e sem imagens agora)
terça-feira, junho 12, 2007
O Corpo
A alma tão jovem, aprisionada por seu próprios pecados da carne, não é mais um castigo, é um dogma. Dogma esse que prende e que mata aos poucos.
Doença... ?
Os olhos ainda fechados, abrem as janelas da mente. As secreções visuais impedem que veja o horror, os crocodilos e os vermes. A boca serve pra ser cobra e pra berrar o não-sentido a todo instante...

...
Corpo podre, alma nova. Sentido abstrato, que não traz nada além de uma fusão de jóias e correntes, que não se chocam e nem prendem a vida.Que por mais que sofra ainda flui. Ainda emerge.
É tão livre e belo o movimento que não preciso descrever nada sobre, apenas necessita-se do olhar e da cautela.Por pequenos visores, as perspectivas se multiplicam por mil. Agora, que te soltastes, és livre pra que voes...
...
O corpo, aprendeu, a abrigar as almas em harmonia, e agora vive úmido e humilde. Sendo apodrecido por atitudes vermicídas...
Imagens por José Marafona
Não existe
Até porque não posso.
Ou seria impossível, porque espero.
Porquê, não quero poder parecer possesso.
Deveria ser mais fácil dizer o porquê.
Do que perguntar porquê.
Não existe porque eu eternizei
Aquilo que um dia pensei que fosse estranho, porque não era.
Porque pensei, parei.
Parei.
segunda-feira, junho 11, 2007
Eles não cantam no inverno

quinta-feira, junho 07, 2007
Nunca pensei também, em ser mais ou menos perto do tamanho de um grão de areia. Quis até, chegar mais perto de uma gota d'água, que por si só é densa.
Antes fora o momento exato pra que eu soubesse separar o mundo.
Separar a terra do mar, o mar da terra, a terra do homem e o homem da terra. Não fazemos mais parte desse conteúdo gélido e morto.
As amarras todas prendem-se a mim. E aonde, aonde estou?!
quarta-feira, junho 06, 2007
Nas mãos.
Bem, se fosse impossível dizer a mim mesmo que o tempo corre, diria. Diria para o tempo congelar e ficar assim, inerte, para todo o sempre. Ou para sempre quando eu quiser. Não quero culpar o trabalho e os calos pelas dores do tempo. Mas quero culpar o tempo que me presenteou com as dores e com a culpa do remorso.
A angústia ainda tão pouco vivida habitava de uma forma na alma da concha, que a casa perdia as suas poucas estruturas.
A posição das mãos em cura não se parece com o que um dia pensei em pensar que fosse possível chegar a tal pensamento conclusivo.
Os meios de análise falharam. E meu amor caiu por terra, no chão da estrada.
No tempo. No vento. No canto. No valo. No ralo. No fundo. No vazio. No estático. No parado. No intenso. No inerte. No tranquilo. No coração. No peito.
E as mãos trouxeram-no até onde seria mais prevísivel dentro da analogia construída com o tempo. Na dor. Na espera. Na frustração. Na angústia. Na felicidade. Na calmaria. Na tempestade. Na alma. Na concha. Na hora. Na cama.
Doente e tonto com visões monocromáticas que trazem vertigens aos pobres olhos da razão, que se faz forte e que não figura. E sim, literaliza.
*Imagem por Olga Gouveia
terça-feira, junho 05, 2007
Praça pública

Vou também, buscar palavras sem lógica nenhuma pra explicar uma suposta razão que eu próprio criei pra dizer que tu és uma pessoa assim, ou assado.
Preciso lembrar também que, nesse único dia que te vi, te avaliei por tudo. Pelos gestos, através dos olhares, das poucas falas, das risadas de canto de boca, das palavras soltas que saíram no meio do silêncio e também te avaliei pelo seu jeito de andar. Não olhei pro teu cabelo ou pro teu gosto intelectual. Olhei pra ti. E vi físico e alma.
Agora, como sei de tudo o mais que precisava saber, tiro as minhas próprias conclusões precipitadas a teu respeito e garanto que, minha mensagen subliminar não-dita, vai te tocar no âmago.
Sou um intrometido aos olhos alheios, mas é bem diferente.
Quando vejo passar lá embaixo na praça ou em qualquer outro lugar que seja, eu penso nos tropeços que poderias dar ao subir este ou aquele degrau. Imagino também que o amor de tua vida chegará e te beijará de imediato, me tirando as emoções e arrebatando-as às ruas.
A praça pública da tua vida é pra mim o que eu queria ver todos os dias. E vejo tua sombra diferente, todos os dias, correndo por lá. Mas não calculo as horas, os dias e muito menos os anos que passei olhando por esta varanda para a rua, que sempre me foi tão atrativa.
Oras, seria possível eu te dar um elogio mesmo nunca te vendo?
Claro que seria, afinal de contas, o meu poder de mentira (ou poderia chamar de criatividade?), é muito maior do que eu imagino.
E tu irias se deixar levar na hora pela amizade forjada em um segundo.
Me enganaria depois, e iria, com certeza cair em desespero súbito, por pensar que enganei a ti e a mim mesmo.
Mas agora que já te desvendei pela metade, é meio caminho andado até a praça pública. Lá onde a tua imagem se esconde e te transformas no que queria deixar de ver.
Contrário ao estivesse se como.

segunda-feira, junho 04, 2007
A tentativa.

Tentativa inicial.
Clamar as dores não compartilhadas para os ventos que não estão soprando hoje.
Tentativa dois.
Calcular as hipóteses, somando-as com as ações para que de modo estranho, encontre a razão.
Tentativa três.
Sair do medo e partir em busca da coragem mais racional possível para que ultrapasse as barreiras que prendem aqui.
Tentativa final.
Ingestão de dores, de estresse, de calúnias, de blasfêmias e de pouco amor, ou de amor sem doses. Overdose de existência. Quase inércia eterna.
Conclusão do processo: Falho; e constatou que não era o que queria.
Imagem por Olga Gouveia.
sexta-feira, junho 01, 2007
...?
Que sensação de mar é essa em teus ouvidos? Não escutas o som da alma e enlouquecestes com o mexer das águas, devido ao ritmo constante do mesmo.
Todas as tuas explicações levaram o que somos direto a um poço, um poço com luz. A fraqueza nos fortaleceu e o paradoxo, eterno paradoxo toma conta de tuas almas e te transforma em vários pseudônimos inconstantes e indecifráveis.
Se vistes o que tuas pequenas palavras proporcionam, verias que não é mais um corpo, e sentirias finalmente que esta carcaça que está a pesar por sobre a terra tem algum próposito, algum fim.
Por mais que teus passos ritmados vão e voltem, te desconheço a cada instante. Tuas imagens não são pra mim como um reflexo de teus pensamentos, porque não desvendo o que pensas. Mas se fosse possível te sentir, serias tão gélido quanto o gelo, e ao meu toque derreterias.
Serás aquilo que definires ser. Terás o quiseres ter. E ao mesmo tempo não terás nada, almejando sempre mais...
?

