Um homem pára e me aborda. Vestido de cinza e com uma boina verde, fazia sinal com os olhos de que queria contar-me piadas. Parei e escutei o que ele tinha a me dizer. Como sempre nada, era mais um vendedor, daqueles que só sabem enrolar o cliente, pra depois ir embora reclamando que não vendeu nada. São péssimos os safados! E ainda reclamam.
Saí daquela rua vazia e fui até o ambiente que mais vivo. Geralmente quando sentia vontade de gritar, gritava. De chorar, chorava. De ser, era. Mas aqui as coisas são meio difíceis. São essas paredes brancas que neutralizam tudo. Mas o Sol, em vez de sumir e me deixar aqui no silêncio, criando preto e branco, prefere me ver através do buraquinho da janela. Fico pequenino diante disso...
Não quero me amigalhar com o Sol, não aqui. Nada contra a prepotência dele. Até gosto quando os braços dele me tocam a nuca e ficam fazendo cócegas. Agrada-me saber também, que se não fosse esse sorriso inconstante que ele concede sem querer, não estaria pronto pra surgir e talvez eu até tivesse muito mais do que 15 bilhões de anos.
Se eu desse trela aquele salafrário não haveria fugido dele, moendo minha alma de ódio e de raiva, e não haveria notado que hoje estás um pouco mais alegre que o de costume e que me fizesse abandonar os casacos por mais de duas horas.
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