terça-feira, junho 05, 2007

Praça pública


Quero te conhecer por mil anos, mesmo sabendo que te vi há um dia, pra poder dizer o que der na telha e falar as piores besteiras possíveis.

Vou também, buscar palavras sem lógica nenhuma pra explicar uma suposta razão que eu próprio criei pra dizer que tu és uma pessoa assim, ou assado.

Preciso lembrar também que, nesse único dia que te vi, te avaliei por tudo. Pelos gestos, através dos olhares, das poucas falas, das risadas de canto de boca, das palavras soltas que saíram no meio do silêncio e também te avaliei pelo seu jeito de andar. Não olhei pro teu cabelo ou pro teu gosto intelectual. Olhei pra ti. E vi físico e alma.

Agora, como sei de tudo o mais que precisava saber, tiro as minhas próprias conclusões precipitadas a teu respeito e garanto que, minha mensagen subliminar não-dita, vai te tocar no âmago.



Sou um intrometido aos olhos alheios, mas é bem diferente.



Quando vejo passar lá embaixo na praça ou em qualquer outro lugar que seja, eu penso nos tropeços que poderias dar ao subir este ou aquele degrau. Imagino também que o amor de tua vida chegará e te beijará de imediato, me tirando as emoções e arrebatando-as às ruas.

A praça pública da tua vida é pra mim o que eu queria ver todos os dias. E vejo tua sombra diferente, todos os dias, correndo por lá. Mas não calculo as horas, os dias e muito menos os anos que passei olhando por esta varanda para a rua, que sempre me foi tão atrativa.



Oras, seria possível eu te dar um elogio mesmo nunca te vendo?

Claro que seria, afinal de contas, o meu poder de mentira (ou poderia chamar de criatividade?), é muito maior do que eu imagino.
E tu irias se deixar levar na hora pela amizade forjada em um segundo.

Me enganaria depois, e iria, com certeza cair em desespero súbito, por pensar que enganei a ti e a mim mesmo.

Mas agora que já te desvendei pela metade, é meio caminho andado até a praça pública. Lá onde a tua imagem se esconde e te transformas no que queria deixar de ver.
Foto por Olga Gouveia

Um comentário:

  1. Ah..nome muito Nietzsche, colocação muito Dostoiévsky, jeito muito Ruan.

    Que bonitoo!!!

    Beijo meu amigo que bem escreve, mal se diz e que muito gosto! ;)

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