A caminhada até a plataforma de sempre hoje fora cansativa para ele. Sentou-se, olhou as placas de anúncios que sempre olham para ele na esperança por um consumidor a mais. Olhou as pessoas, olhou as roupas que as mistificam enquanto as revelam como personalidade. Ele trocava cada peça por um sentimento, cada gesto por uma característica. Recordava-se dos tempos em que não saía sozinho de casa. Quase chorava ao pensar na companhia que ele fazia a ele mesmo, na mesma espera.
Olhou mais perto de si e viu uma mulher. Aquelas que são elegantes até de manhã cedo, aquelas que guardam brilho e cor nas menores curvas. O seu cabelo ajeitado por trás das orelhas, longos e ondulados, o faziam viajar na criação de novos desenhos e novas texturas, as quais não podia tocar. Sua imensa vontade de tocar aqueles ombros e dizer que estava fazendo um lindo dia não podia se materializar. As pessoas costumam se assustar com algumas reações. Mas ele podia sentir as palavras de concordância saindo da boca. Arriscaria ou ficaria ali, ao lado, se penitenciando por não falar?
Não o disse e nem se arrependia por não ter dito. Era um covarde convicto. Sabia que falar e fazer era difícil, então pensava. Quase um filósofo prestes a alcançar sua máxima do pensamento, mas não chegava a nada. Pela manhã via, além de pessoas e máquinas, o lindo sol que esboçava linda luz por trás das nuvens que pareciam montanhas gigantes e a civilização abaixo, sempre tão pequenina e insignificante aos cuidados da luz. As manhãs cinzentas não arrebatavam-no à outra era.
As placas que ele via pela rua transformavam tudo em Eterno e tudo em realidade. Sempre saciando um desejo insaciável, esse desejo de eternizar, de sonhar. Essas placas mudam, voltam, mudam.Tudo pra eternizar uns momentos comprados, uns sonhos que virão realidade com a mão no bolso. Ele viu que não precisava sair de casa para ser eterno e feliz. Decidiu então, voltar ao primórdio da consciência ao modo de tentar ser gente. Fazia tudo muito devagar, mas não o queria assim. Sentia todos os dias o vento, mas não o via. E assim era com a determinação dele, sentia ela todos os dias, mas não a via.Não a via projetada em nenhum canto mas ela o motivava de alguma forma. O motivava a aprender por si só. A pernoitar no pensamento e na arte de ler, caminhar no nada e não dormir. Porque se dormisse, jamais iria acordar.
segunda-feira, julho 09, 2007
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eu realmente gostaria de saber sobre o que você está falando ;x
ResponderExcluirUMA DAS COISAS MAIS LINDAS QUE JÁ LI.
ResponderExcluirE vc sabe q não minto...
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te odeio >.<