quarta-feira, julho 04, 2007

Ele, tão poderoso Ele

Tão determinado pra não poder sair às ruas. É pouco infiel com a paixão de Cristo. Ele fala as chagas da alma como se fossem seus prazeres. Ele beija os estigmas com tanto amor que o sangue não tem gosto de sangue. É vinho. É néctar divino. Vem do filho amado, do redentor consagrado. O ateísmo dele não se faz ao Filho, só ao Pai. Ao pai que o nega palavras, quaisquer que sejam. Ele odeia casas cheias, não pisa nas cabeças e não olha para os lados. Só olha pra baixo. Ele às vezes não tem rosto.
A melodia que ele ouve, vem do vento. O reflexo no espelho configura outro ser. Não ele. Ele se entrega de braços abertos à solidão. Lê Alváres de Azevedo e Lord Byron com o objetivo de se tornar mais antropófago que antes. O difunto para ele não interessa, é carne morta. Os corpos que cultiva, são imagens do outro lado. A loucura do Pai em criar os filhos, foi longe demais. Ele não aguenta receber morte sem motivos.
A cota do espaço sagrado está escassa ultimamente. Os filhos não teram tanto dinheiro assim. O dízimo já não serve mais, segundo Ele. Precisamos de mais. Então que doem tudo.
Ele se alimenta de alma e de carne viva. Ele olha para os lados e ouve o som do escuro, o som do silêncio. Ele cria periodicamente enquanto mata com rapidez e pique. Ele cansa de ver a mesma coisa todo dia e viaja até onde conseguir. Ele explora, com medo, o que for possível. Ele se repete muito. Ele não se contradiz, imagina. Ele não sabe mais amar ninguém. Só o ego...
As conclusões Ele tirou antes de acontecer. Ele sabe tudo. Ele controla tudo. Ele pontilha tudo. Ele é nada pra uns. Ele é tudo pra alguns. Ele é importante, porém vago, pra milhões.
Os filhos... ah,os filhos! O que serão eles, se não filhos?
E o Filho, ressucitaria denovo pra salvar os filhos?

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