terça-feira, setembro 11, 2007

Felino-cobra

"Aos meios de alma que me deixei transparecer, viram que as flores que carregava em meus pés não exalavam mais a mesma fragrância e fitaram com angústia a ausência de minha voz, deram a importância desnecessária à uma árvore que poderia cair sem frutos."

Mais um segundo brilhando nos olhos que viam atentamente o desenrolar de um tapete vermelho-sangue que tinha o tamanho de uma língua, que era capaz de ludibriar as veias daquele pobre felino e jogá-lo num fluxo que não pertencia. O desenrolar palpável deste pano era um modo de refrescar o coração que fervia no peito do felino que não ousava mais declarar seu amor com exatidão. A convicção de sentimentos o feria enquanto a água corria nas sarjetas do lado seu quarto aveludado.
Os ouvidos já não tinham mais a egoísta pretensão de tentar ouvir os grunhidos que o amor fazia ao seu lado, era muito mais fácil esperar até que eles viessem num bilhete, se rastejando aos pés da morbidez florida que as patas peludas conseguiam esconder.
Os elementos o jogavam numa atmosfera existencialmente humana:
- Fala que teu comportamento é o mesmo que antes?!, Fala?! -as pernas cruzadas denunciavam a impotência que cuspia sem vergonha sua ignorância- Não escondas de mim tuas entregas e nem fujas do que és... Eu, eu sou uma mosca-de-gato. Eu não existo. Enquanto tu estás existindo fluentemente e fazendo com que lhe odeie mais ainda. Mas meu amor, sabes o que pra mim é o ódio? Conheces essa bala muito doce que degusto todas as noites em minha cama enquanto julgo os Paranhos tão bem conservados no teto olhando para mim com desdém.
Não pretendo monologar com sombras! Tentarei continuar olhando as casas bege com o mesmo sorriso e estarei me vendo sorridente no reflexo das vestes pretas que carregas contigo todas as manhãs.

Não deixava nunca de negar a negatividade que plantava sem escrúpulos em sua pequena língua sem ponta.


Um pequeno diamante nascia nos olhos, que depois de muito tempo esperando, viam a beleza fluir nas letras que estavam no céu, atrás de sua janela, ao lado de seu rosto deitado. Mas ainda assim, superior.

Um comentário:

  1. muito bom.. gostei bastante e voltarei mais vezes.. a consciência é mesmo sempre decadente...
    abraço

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