quinta-feira, julho 26, 2007

A espera

A caixa sonora, o livro debruçado sobre a mesa, triste e sólido; o rádio com o volume reduzido, o chiado da música, os olhos fechados; tudo escuro.
Lembrava até um momento de vazio, de solidão. Um momento rude, gélido e desprevenido. Qualquer forma de dor poderia atingir o corpo, afinal de contas, só conseguia pensar em uma coisa: o depois.
Esperava que depois de nascer denovo, tudo fosse melhor, que as coisas crescessem mais rápido, que o mundo não girasse e que a luz não sumisse jamais. Que ficasse eternamente ali, aquecendo e iluminando.
Os ponteiros estavam criando uma nova melodia a cada instante, uma nova forma a cada passo, um novo desenho que tentava fazer. Só que sem sucesso. O desenho nunca acaba nos ponteiros.
O tempo que sempre trás consigo a angústia, trazia naquele momento a incerteza; incerteza de que os seus desejos eram exatos.
O corpo jogado nos panos esperava por um momento inerte que fosse eterno. Só não esperava morrer.

A noite veio e as vozes se calaram já que não podiam estar mais ali. Os olhos não queriam mais abrir e a sua voz estava sumindo. O sangue jorrava dentro de seu peito mas não sabia como dizer que era chegada a hora do último abraço. Não podia dizer.
Os dentes quebrados, a língua aprisionada pelos lábios que tanto falavam, não podia lamber o toque suave que o amor lhe proporcionava em alguns períodos.
A chuva de lágrimas que invadiam os olhos cessara e agora só o que restava a ele, era tentar abrí-los e amenizar a angústia de não ver mais o resto do mundo que acolhia com suspiros suaves todos aqueles que o habitam.

Depois da chuva, nada mais existia... Pra sempre.

terça-feira, julho 24, 2007

Contexto ambíguo

Um olhar tão penetrante, uma fonte momentânea de inspiração. Tuas ações inocentes desaceleram meu coração, quase me ensurdecem.


Teus alertas assustadores, tuas mãos tão grandes, tua face sempre tão molhada. Parece até que ainda não saístes da rua.


Teus ouvidos são tão aguçados que entendem meus pequenos balbucios e meus fracos ruídos.


Isso deve ser instinto, não sei...


Tão presa por outros, tão fraca, impossibilitada, vives à mercê das ofertas.


O carinho renasce todas as manhãs, mesmo que o Sol não venha.


A tua guarda não é mais que um grande favor, e a tua vida é que atribuo grande valor...


Sabe, perdi a folha onde te escrevi, guardei um pouco em mim e sei que o resto está em ti.

quinta-feira, julho 19, 2007

À pessoas que ainda não conheci

Ele podia sentir, mesmo que na distância, a evidência do amor mostrado por ela. Ela o sabia com os olhos e com os lábios. Ele a palpava na alma, usando a íris. Os braços e mãos não se entrelaçavam, porém os lábios, ah!, os lábios buscavam juntos palavras pra expressar tanto amor. Amor que não cabia dentro do ciúme. Amor que para as palavras parece suspeita.
Os dois corpos, ali, juntos, vestidos e presentes, não aparentavam uma necessidade única de se encontrar. Queriam calor, o calor do que os mantém vivos, o calor da alma, se é que ele existe.
A dança, os movimentos e os olhares os envolviam cada vez mais. O toque rápido e o beijo mostravam cada vez mais a busca de uma palavra--chave que libertasse o amor.
Mesmo não precisando, achavam. E era amor.

Espera por um final...

Estamos cansados de ódio. Estamos, estamos e estamos. Por isso estamos assim. Com raiva. Porque estamos. Estamos falando, estamos argumentando, pensando. Estamos. Por mais que estejamos dispostos, continuamos. Parados, pensando. Estou bem, logo não interessa mais ninguém. Não estamos revoltados. Estamos cansados. Estamos esperando, esperando e esperando por um ponto final. Um ponto final. Uma solução, uma saída. Qualquer coisa.
Estamos esperando o amor florescer denovo. A conversa desabrochar denovo. Sem medo. Oh, não! Estamos cansados, com sono pra abrir os olhos agora. Falamos de guerra e alguns fabricam armas. Falamos da vida e outros se entregam à morte. Estamos sentados, mas estamos correndo. Fugindo disso tudo. Acomodando? Resignando? Sonhando?
Estamos prestes a qualquer coisa, qualquer grito silencioso. Estamos boicotando, estamos em silêncio. Ninguém vê. Ninguém precisa saber que estamos estáticos, analisando, vendo e protestando. Estamos do lado.

Falamos, falamos e falamos.

terça-feira, julho 17, 2007

Retas

"A soma das grades, das portas, dos detalhes, das linhas, das aerodinâmicas, das ondas, das mãos, das almas, das ruas, dos tubos e dos esconderijos lá fora, robotizam-me.
Viver por...
Buscar por...
Comer por...
Sair por...
Somar por...

Não existe um sentido exato. Exatidão que me tira de mim. Que me joga longe,longe... Me perdi. Não quero me encontrar.
Estou ficando velho...Isso é grave. Minhas mãos não mais tão retas. Minhas costas tão mais curvas. Meus pequenos segredos são mais piadas na cota de risos gratuitos.
A vida... Por si só... Já basta...?"

Por pensamentos perdidos na tarde

É... Pode até ser que seja verdade, mas não. Eu não acredito, não.
Bem que eu te disse que essa tremedeira toda, essa vontade de gritar, essa nostalgia, isso tudo ia te fazer um bem... Que podia soar a amor. Mas não. Eu não acredito, não!
Às vezes parece que exclamar é estar furioso, trovejando palavras de exaltação ou até mesmo um balbucio choroso. Mas não. Eu acredito que exclamar seja suspirar devagar, respirar fundo, encher os pulmões e declarar guerra.
Perdes a tua rotina, encontro meu caminho. Essa é a verdade, mas não. Eu não acredito, não.
E também não acredito que possa ser real um desejo tão pequeno e vazio. Parece até que meus pés estão na corda-bamba... Estáticos, mas prontos para cair. Prontos para uma ascensão sem lógica.
Eu quero viver no fogo, nadar com os tubarões, jogar flores no vento,quebrar a linha de pano, fumar os ares e jorrar o sangue da liberdade.
Eu acredito... No quê? Em quê? Milagres?!

Ah, cavalo branco... Inspira risada e risos. Sátiras maravilhosas são feitas de nossas vidas e histórias e nem sabemos. Aos leigos, nada mais que um preconceito social baseado numa crença ou num livro.
Bem sabes que não...
Não o és.

segunda-feira, julho 16, 2007

Euforia estendida

Trancado dentro da intensidade daquele olhar e vislumbrado com o movimento das mãos colocadas com força para o alto, sinto que és aquilo que precisava ver para ter mais energia. As luzes te alteravam a cada segundo, a tua loucura me fazia mais feliz. O barulho, a violência, a cantoria, tudo exalava liberdade. A pura liberdade que existia. A mistura fina das ideologias mais variadas nos trouxe pra onde estamos. Num movimento inerte e puro, sem pretensão nenhuma de crescer fora. Só de existir.
É um amor mascarado que não se vê, não se toca, não se respira, não se muda nunca dos corações. Eu não sou Jesus nem qualquer outro tipo de revolucionário, mas estou pronto pra bagunçar a minha mente. Pra mudar o meu sistema, pra me embalar na tua manta e me deixar ser sem depender de mim pra ser por ti. Somos por nós, por todos, por uns e por outros.
Que tal amarmos sem medida? Que tal forjarmos um amor que não existe? Quem topa dar amor? Quem quer amar sem saber?
Eu amo todos vocês, eu preciso de todos vocês.. Minhas pernas tremem ao pensar nisso. Minha solidão me gratifica tanto porquê sei da vossa existência e posso contemplar as imagens de longe sem precisar tocar.
O som grave da companhia é forte, porém a gravidade da solidão é tão mais forte que enlouquece os maus e fortalece os bons.. Os ruins? São tão bons que estragam. Os bons? Só precisam piorar...

*I'm not Jesus - Apocalyptica feat. Corey Taylor*

sexta-feira, julho 13, 2007

Hora de trabalhar

Entra e olha pro lado, sente a solidão
Espanta os pássaros, destrói a beleza
Que um dia restou do seu coração.
Foi máquina direto ao muro,
Saudou um coração de plástico
Como se fosse puro.
Não precisa mais saber de mágica,
Não precisa mais saber da filha.
O alimento na marmita,
Arroz com feijão
Com gosto do cigarro
Da esposa Rita.
Se reúnem os amigos
Pra contar mentiras
E continuar a empreitada.
Sem o auxílio de um carro
Trabalha todos os dias com o mesmo alívio,
Cuspindo no mesmo lugar
O mesmo catarro...

~~~~~~~~~~~

Me arrisco a indicar "O Rancho da Goiabada" de Elis Regina. Achei uma linda canção...

terça-feira, julho 10, 2007

Contudo, saio de mim e pouso ao lado. Ao lado do que mais me faz amar. Amor que me eleva ao nada.Eu só queria te contar que eu fui lá fora, e vi a vida arder sem explicação, sem razão. Meus pára-quedas me fazem cair a todo instante. Não tem explicação pra falar de amor a essas horas.
Enfim, estou em mim à toa. Eu te quero há um tempo. Eu te vejo presa, colada no teu próprio rosto, acuada por nada.

As flores que se cultivam no chão, não consentem com a solidão da manhã nem com o calor vespertino que é uma inspiração libertina dos nossos atos inconsequentes. Palavras difíceis, olhares escondidos, pessoas doentes. Sabes bem que eu não sei a explicação disso.

Aliás, se eu tivesse um mapa do meu nada que te levasse até a marca do tesouro, o que faria? Risos muito doces para uma alma como a tua.
O tesouro escondido és tu, tudo. Aquela criatura saiu a noite à procura para querer ser livre. Se prendeu, se esqueceu.

Será que ela evolui?

segunda-feira, julho 09, 2007

A caminhada até a plataforma de sempre hoje fora cansativa para ele. Sentou-se, olhou as placas de anúncios que sempre olham para ele na esperança por um consumidor a mais. Olhou as pessoas, olhou as roupas que as mistificam enquanto as revelam como personalidade. Ele trocava cada peça por um sentimento, cada gesto por uma característica. Recordava-se dos tempos em que não saía sozinho de casa. Quase chorava ao pensar na companhia que ele fazia a ele mesmo, na mesma espera.

Olhou mais perto de si e viu uma mulher. Aquelas que são elegantes até de manhã cedo, aquelas que guardam brilho e cor nas menores curvas. O seu cabelo ajeitado por trás das orelhas, longos e ondulados, o faziam viajar na criação de novos desenhos e novas texturas, as quais não podia tocar. Sua imensa vontade de tocar aqueles ombros e dizer que estava fazendo um lindo dia não podia se materializar. As pessoas costumam se assustar com algumas reações. Mas ele podia sentir as palavras de concordância saindo da boca. Arriscaria ou ficaria ali, ao lado, se penitenciando por não falar?

Não o disse e nem se arrependia por não ter dito. Era um covarde convicto. Sabia que falar e fazer era difícil, então pensava. Quase um filósofo prestes a alcançar sua máxima do pensamento, mas não chegava a nada. Pela manhã via, além de pessoas e máquinas, o lindo sol que esboçava linda luz por trás das nuvens que pareciam montanhas gigantes e a civilização abaixo, sempre tão pequenina e insignificante aos cuidados da luz. As manhãs cinzentas não arrebatavam-no à outra era.

As placas que ele via pela rua transformavam tudo em Eterno e tudo em realidade. Sempre saciando um desejo insaciável, esse desejo de eternizar, de sonhar. Essas placas mudam, voltam, mudam.Tudo pra eternizar uns momentos comprados, uns sonhos que virão realidade com a mão no bolso. Ele viu que não precisava sair de casa para ser eterno e feliz. Decidiu então, voltar ao primórdio da consciência ao modo de tentar ser gente. Fazia tudo muito devagar, mas não o queria assim. Sentia todos os dias o vento, mas não o via. E assim era com a determinação dele, sentia ela todos os dias, mas não a via.Não a via projetada em nenhum canto mas ela o motivava de alguma forma. O motivava a aprender por si só. A pernoitar no pensamento e na arte de ler, caminhar no nada e não dormir. Porque se dormisse, jamais iria acordar.

quinta-feira, julho 05, 2007

Criando desejos

Realiza-se lá no fundo hoje o que precisava e o que esperava. As formigas andando nos cabelos doces, com suas finas patas, mostram que existe um bom gosto. O cão lambe os sapatos, o tornozelo, as mãos, as patas, cheira as orelhas. O sol exerce seu papel de estrela guardiã, ao menos nos seu turno, vigiando constantemente quem ilumina. Aqueceu corpo e alma que envelhecem, descreveu traços sombrios nos quadrados pisados no chão. O portão de ferro não bate mais, está fechado. A portão de ferro não mexe mais, está descontrolado. A seta que acompanha o ritmo dos apertos que são uma manifestação expressiva, é uma fiel escudeira, que segue o caminho das letras, independentemente do que elas digam.
Foi o bem que se instaurou nos corpos deitados, com suas cabeças uma sobre a outra, acariciando e cheirando e sentindo, tudo ao mesmo tempo.
Criando, desejando e querendo. Querendo ver denovo um cometa logo pela manhã. Desejando mais um pouco de alma e virtude. Criando um sonho que pro agora é distante. Usava frases que não cabem em nenhum papel, só na cabeça. Dizia coisas que não ficavam na memória, só no papel e na tela. Fazia rascunhos com as lembranças que estão arquivadas em qualquer lugar por aí.
É fácil entender e não precisa nem se entregar, só ler.

quarta-feira, julho 04, 2007

Ele, tão poderoso Ele

Tão determinado pra não poder sair às ruas. É pouco infiel com a paixão de Cristo. Ele fala as chagas da alma como se fossem seus prazeres. Ele beija os estigmas com tanto amor que o sangue não tem gosto de sangue. É vinho. É néctar divino. Vem do filho amado, do redentor consagrado. O ateísmo dele não se faz ao Filho, só ao Pai. Ao pai que o nega palavras, quaisquer que sejam. Ele odeia casas cheias, não pisa nas cabeças e não olha para os lados. Só olha pra baixo. Ele às vezes não tem rosto.
A melodia que ele ouve, vem do vento. O reflexo no espelho configura outro ser. Não ele. Ele se entrega de braços abertos à solidão. Lê Alváres de Azevedo e Lord Byron com o objetivo de se tornar mais antropófago que antes. O difunto para ele não interessa, é carne morta. Os corpos que cultiva, são imagens do outro lado. A loucura do Pai em criar os filhos, foi longe demais. Ele não aguenta receber morte sem motivos.
A cota do espaço sagrado está escassa ultimamente. Os filhos não teram tanto dinheiro assim. O dízimo já não serve mais, segundo Ele. Precisamos de mais. Então que doem tudo.
Ele se alimenta de alma e de carne viva. Ele olha para os lados e ouve o som do escuro, o som do silêncio. Ele cria periodicamente enquanto mata com rapidez e pique. Ele cansa de ver a mesma coisa todo dia e viaja até onde conseguir. Ele explora, com medo, o que for possível. Ele se repete muito. Ele não se contradiz, imagina. Ele não sabe mais amar ninguém. Só o ego...
As conclusões Ele tirou antes de acontecer. Ele sabe tudo. Ele controla tudo. Ele pontilha tudo. Ele é nada pra uns. Ele é tudo pra alguns. Ele é importante, porém vago, pra milhões.
Os filhos... ah,os filhos! O que serão eles, se não filhos?
E o Filho, ressucitaria denovo pra salvar os filhos?

terça-feira, julho 03, 2007

Quero falar sobre as soluções. As soluções que talvez se encontram escondidas na memória, na memória de misérias. Na dor e no sofrimento de uma visão de pequenos corpos, com pequenos gritos, mostrando corações quebrados. Como é possível esperar o arrepio sem provocar a sensação, sem buscar a emoção?
Eu falo seu nome, por conforto, por espera de uma solução. Pela espera do fim de um coração eu estou esperando..
Os meus reflexos estão se multiplicando, e eu não me encontro mais.
Estou esperando uma nova solução para o fim de um coração.

segunda-feira, julho 02, 2007

O bar da libertinagem

Depois de ver o que havia dito e o que tinha pensado, foi parar na frente de um pequeno boteco, daqueles onde ficam os libertinos mais sujos e mais promíscuos. Andou, chegou perto do mais sujo, do menos puro, do impróprio. Impróprio para o momento, diga-se de passagem. Olhar para aqueles olhos que quando embriagados pareciam ver melhor e tocar nas mãos calejadas que agora pareciam estar mais suaves por causa do banho de álcool que levaram, a deixavam mais impressionada. Não sabia quem amava mais. Se a ela mesma ou tentava amá-lo sem medidas. As medidas que ela traçava não consentiam com as formas que ele esboçava.

Os dedos enlaçados, pareciam criar poucos traços abstratos que davam abertura para criação de novas figuras na paisagem cor-de-pele. Enquanto naquela sensação indiferente de sonho, ou de devaneio como os gênios costumam tratar, não sentiam sequer o ar. Ela sabia que ele estava tomado por um elemento mais forte que o álcool e mais corrosivo que o tabaco. Ela sabia que ele a amava.

Ele nem imaginava o que era amar. Era um rico inocente. Um libertino. Um pobre promíscuo que não pensava em mais nada a não ser sexo. As pernas já fortes pelas corridas e caminhadas, não o mostravam fortes. Mas ele queria boas pernas para atrair ela. E ela com certeza o queria assim.

Deram goles de alegria. Andaram nas ruas que não foram da amargura. Saíram do bar da libertinagem para que fossem para o quarto dos vagabundos. Lá absorveram corpo e alma. Entregaram-se ao nada. Morreram de tristeza. Não sabendo que era sempre amor.

sexta-feira, junho 29, 2007

A forma da alma esboçada no espelho

Num quarto. Numa saída. Num refúgio. Numa vida. Numa vida.
A imagem que se reflete no espelho, talvez não seja minha. A desfiguração da minha visão me deixar ver só o que eu supostamente não quero. O que eu quero, não sei.
O reflexo ali, diante de mim mesmo, possivelmente seja eu. As analogias previstas diante do espelho não estão levando meu ego a nenhuma elevação narcisista. Meu ego por vontade própria é Narciso. Narciso por amor - próprio? Não. Narciso por cultura? Jamais. Narciso por quê? Porque sim, oras.

Mas a visão então ofuscada não é por culpa desse complexo já antigo e desgastado. É por culpa do objeto que se reflete no espelho. Eu.
A forma do corpo no espelho, não é a minha. A materialização da alma se fez instantânea no instante que senti a força do pensamento eclodir e exteriorizar-se sem medo algum. A alma se esboça pelo corpo em frente ao espelho. E já não se conhece mais o corpo, que muda constantemente.

Reconheço só a alma. Que sozinha tem sua única importância e função, que é comer e manter vivo o corpo para que não apodreça.
Depois de muitos erros de figuração, a alma dá um passo.
E o esboço no espelho deixa de existir. Avante, alma. Avante, corpo, que só não vive. Avante luz, que ilumina o caminho dos desalmados. Avante, escuridão, que escurece o brilho do alto ego. Abaixo, fome que estraçalha a alma. Abaixo, corpo que se auto-flagela em pensar.

Narciso, serás meu companheiro, enquanto na vida se fazer o vidro e o cristal. Será meu companheiro "esboçal" e tens em mim um corpo tranquilo e uma alma confusa. Espelho, tem em ti um ente mitológico, uma criatura que até hoje se afunda na própria vaidade. Tens um amigo que transmite a alma e que desconfigura a carne.
Pablo Picasso

terça-feira, junho 26, 2007

Atraso

Não vi nada que me causasse tanta impressão. O meu atraso não me levou a nenhum outro lugar. Meu encontro por acaso com outros, foi por acaso. Minha partida solitária, foi só. Meu dia recomeçara pra nada. Pra executar todas as operações rotineiras que fiz ontem e repito agora.
Algumas com prazer, outras por dever. Faço. Uma letra possessiva se repete nas linhas e entrelinhas do meu caminho ainda prevísivel, só não sei por quanto tempo. Ritmos distintos, trocas constantes, mudanças de setores. Tudo, tudo ao mesmo instante.

Meu último passo foi um presságio de inércia. Meu último suspiro expressou a espera; espera pelo término. Espera que chega ao seu segundo estágio, enquanto o tempo passa. Meu coração, meu vasto e solitário coração não está doendo, nem sentindo. Não me falta o que eu não quero. O que eu quero me falta, mas o material não é mais tão necessário como antes.

Um atraso que me conturbara muito. Dois minutos pra surgir nervosismo. Descontrole. Temor. Joelhos trêmulos e outras coisas mais.
Mas dois minutos me trouxeram o encontro do acaso, que não significou mais do que um encontro social. Uma parte do convívio.

Assim que fujo, me busco. Assim que busco, me encontro. Quando me encontro, me canso. Mas esse cansaço desproporcional mostra minha constante vida, que por si só, já basta.

segunda-feira, junho 25, 2007

Estou sem inspiração

Até que não sei o que escrever agora.
Mas talvez depois me venha alguma frase desencaixada à cabeça esperando por ordem e significado, que é o que mais nela importa.
Bem, pra falar a verdade, não escrevo nada que signifique algo pra alguém, a não ser pra eu mesmo. Não nasci conjugando os verbos ou falando certo, que nada, sempre escrevi errado. Nas minhas provas de português, o máximo que alcançara fora cinco pontos. Cinco pontos! O que são cinco pontos? É a vergonha, a grande vergonha pra um rapaz que tenta escrever alguma coisa. Uma grande frustração foi quando tirei zero. Mas não estou aqui pra falar disso. Estou aqui agora pra falar de inspiração, que é o que me falta há cinco dias.
Há cinco dias que a estrada se faz mais longa e que meus passos, por mais acelerados que sejam, parecem que não chegam nunca em lugar nenhum. Então que sejam bem vindos os fantasmas que virão, com certeza, encher a minha paciência durante as noites que vão se passar.
As ações disturbadas de outra hora, ficam pra agora. Pra aqui, já que o caderno às vezes me irrita. A caneta não quer funcionar quando quero escrever. Parece até que o Diabo chama nessas horas. Diabo...
Representação interessante para o que chamamos de mal. Diabo...
Deus... nome que não causa nenhuma impressão. Poucos prestam atenção quando se fala em Deus, mas quando se fala no Diabo, os olhares distantes querem chegar mais perto pra vez se o que assusta realmente repulsa. Ou apenas pra dizer que aquilo realmente não vale nada. São emoções falsas...

Se teu nome não estiver aqui depois, talvez foi porque não soubestes procurá-lo com a calma necessária. Até então, estava escrevendo um conto sobre um cavaleiro e uma donzela mas esses contos são tão babões que me irritam em muitas vezes. Acho que estes belos contos de amor eu deixo ao encargo de Shakespeare, onde quer que ele esteja. Escrever sobre a rotina fica com o Veríssimo. Escrever sobre outro mundo, por favor Tolkien, habilite-se. Mas escrever sobre o que eu quero, deixo aos meus cuidados. Escrever sobre minha falta de inspiração está me rendendo um monte de letras, que penso até em mudar o título. Mas isso não teria graça, porque foi por ele que eu comecei a escrever e a sair do desfecho desse artigo que nada diz.

Estou sem inspiração para o ensaio hoje. Hoje eu não quero planejar. Vou ficar aqui ouvindo a minha trilha sonora preferida, com minhas canções gritadas e dançantes que me fazem viajar por longos instantes.
E o dia segue- até quando, "só Deus sabe".

quinta-feira, junho 21, 2007

Olhar distante


Com o vitral fechado, sou iluminado pela luz externa e ambiente. A artificialidade, nesses casos, ainda não aprendeu e me agradar. De tanto criar, criar e criar, cai em esquecimento, cai e morre. E se não morrer é porque já foi esquecida há muito tempo.
Não consigo crer que o último do meu olhar distante se encerra em nada, se encerra em escrita arquivada, em pensamento frustrante, em idéia desconcertante.
Até o pensar está lamacento e pegajoso, mas não o quero assim. Mais flexibilidade seria necessário. Mas na minha atividade imaginária, não dá pra alcançar o término dos exercícios benéficos.
Estou conscinte de mim mesmo e de meu complexo de Peter Pan. Com o olhar distante, mas tão perto, fico matutando a respeito de onde encaixar a frase, o anúncio. Por fim, ele se repete. Isso me enfraquece por dentro.
Vou fazer fogo pra, sei lá, queimar neurônios porque a informação vaga que capto me irrita e na hora da busca aprofundada, algo acontece e me impede...

Minha personalidade talvez fique estampada no meu casaco verde que provém de morte, ou então nas teclas deste teclado, que aperto com uma paciência que soa a preguiça, quase inércia. Acho que nessa formulação toda de frases e palavras, acabo por me expressar dramaticamente, coisa que não quero. Se eu pudesse, iria rir o dia todo, mas só porque faz bem à saúde... Bem, mas que se dane minha saúde.

Vou voltar a ser distante no olhar para ver o que vem de lá pra cá, e daqui praí.

à Cláudia Iara Vetter

Não posso deixar de ser sincero agora que me veio a cabeça inspiração.



Com meus olhos e mãos, descobri o aconchego de tuas palavras. E elas me mostram um vasto campo de idéias, me modelam com o tempo, me altera com o nome, me leva ao nirvana...

Descobri com minhas mãos, que preciso de um esforço pra tirar a minha lama dos olhos e continuar ali, com vento frio secando eles a medida que o tempo passa e que me delício mais e mais...

Vi com meus olhos, a beleza estrutural de tua forma oculta por trás deste lugar. Vi a forma da palavra- no sentido figurado. Literalizei o que havia pra ser generalizado.

Toda vez que te leio, sinto teu toque lento, ingênuo e doce.

De uma sensibilidade tão plena e às vezes, de uma dor tão profunda. Que de tal, só se sai o amor.




Chega!

Chega de caos, o mundo chegou. A hora já foi, o mundo acabou!
Começa o inferno, colégio interno. O tempo se foi, o fim começou!
Termina a paz, reina a violência. Não dá mais pra aguentar a própria existência.
Explora o que há. Explora o que dá.
A ganância devora, o mundo chora.
Se chora, não vive. Se corroeu!
Morreeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeu!

quarta-feira, junho 20, 2007

Hoje nada domina

Hoje nada me pára!
Nem tuas mentiras, nem todas aquelas caras.
Hoje nada me trai!
Nem tua vizinha, nem o santo Pai.
Hoje nada me atinge!
Nem a estatueta, nem a esfinge.
Hoje nada me cria!
Nem Duchamp, nem nenhum outro dadaísta.
Hoje nada me canta!
Nem o rock com sua bela não-dança.
Hoje nada me escuta!
Nem eu, nem a chuva.

...

Hoje domina o agora do instante que se passou há algum tempo.

Estou elétrico

Estou elétrico, sinto o positivo na minha veia e o negativo na minha cabeça.
Não quero falar de metáforas, então vou falar aonde estou. Estou aqui. Aqui é fácil de enxergar, vejo tudo. Vejo tudo e não digo. Não digo pra não sentir. Não sinto por medo. Por medo sou covarde. Sou covarde por amor. Por amor eu mato. Eu mato o que for preciso. Preciso de coragem. Coragem é o que falta no coração do sincero. Sincero sou ao dizer isso. Isso que não me corrói. Não me corrói por que não uso códigos. Códigos são por demasiado complicados. Complicados são os olhos que me olham com indiferença. Indiferença essa que me faz bem. Bem esse que não me dói. Não me dói porque não deixei doer. Doer seria submissão demais. Demais pra uma alma só. Só com o tempo vou entender o que estou dizendo. Estou dizendo bobagens. Bobagens que não paro de repetir. De repetir no final e no começo. No começo não repete. Não repete no final. No final estou elétrico.

terça-feira, junho 19, 2007

Conto que não foi antes

Antes não pude contar, porque o sol estava me abraçando e aquilo ofuscava o brilho das palavras. A rima dançante da música ao fundo está me fazendo resgatar mais uma vez, o sentido das palavras e a desordem que elas sempre seguem. A seguir, talvez, virá um cachorro de oito patas e seis chifres, dizendo o que devemos ou não fazer. Logo atrás, um gato de olhos flamejantes, de um amarelo nunca visto antes, e com uma orelha por sobre a cabeça, orientando o cão no que dirá.

O abraço do sol realmente enlouquece, a música constante não me agradece. Os artistas não apertam minhas mãos e muitos menos agradecem. Muito pelo contrário, ficam fazendo barulho enquanto se aproveitam de um silêncio não existente.

Homens precisam de animais que sigam a mesma forma que eles. O conto que não foi antes, foi pro canto, pra que agora surja esse dizer maldito. Homens precisam de sol que os abrace, que os aqueça e que os conserve no calor que degrada. E não de mulheres que os matam durante o sexo às escuras. (Risos), (risos), (risos) são as únicas que sobram. Mulheres precisam de homens que sejam animais como elas. Para que se completem. Pronto! Problema resolvido. Somos animais e o sol não nos abraça; só nos aquece.

O conto que não foi antes, foi mal dito agora. Pra que talvez me seja bendito depois, na hora de rir um pouco de mim mesmo.

.ocuoL

Cais da solidão em abundância.
A vida e o destino jogados ao mar da esperança.
As fotos já não mais dizem nada.
A fala de quatro linhas está encerrada.

segunda-feira, junho 18, 2007

Hoje é poesia

Rimada em versinhos subliminares, tuas palavras hoje são poesia. Até as poucas falas e as gargalhadas sem motivo são poesia. Mas só hoje.

{Vou confundir a ordem das margens para que eu seja mais feliz enquanto a compreensão é demorada e tola. Farei de meu melhor personagem o pior dramaturgo}

A canção confusa acompanha teu ritmo frenético e irônico, que soa como poesia. Hoje é poesia, amanhã nostalgia.

{O poeta, nobre poeta, viajou pra longe, pra além da memória. Pra depois do arco-íris, pra não ser descoberto. O admirador, escrivão, sumiu pensando que o amigo tinha fugido em busca de novas inspirações.}


Te digo que posso ser agora o que não serei depois. Afirmo em público que não tenho nada a perder. A não ser que ganhei algo de alto valor e não sei ainda. A não ser que minha derradeira consciência esteja me castigando e eu não saiba. Mas isso só pode ser impossível.


Hoje eu vim falar de prontidão, de vigília e de paixão. Não quero saber de contos ou de confusão. Hoje a poesia é o remédio do coração. No desabrochar desse sorriso que estou vendo aqui dentro, sei o quanto me rendo diante de teu seio, aclamado e venerado seio de segurança, onde faço porto de espera, sem que seja seguro.

Pra falar a verdade, hoje era pra ser poesia.

{Amanhã, na busca, eu falo de contos, porque hoje ele falou de poesia}


Algo está me proibindo de ser poeta. Será a neurose? A saudade?


Algo não lhe faz poetiza. Será a verdade? A nostalgia?
Cansei de dizer que tu és hoje poesia.

sexta-feira, junho 15, 2007

Por acaso, no caso de nos toparmos...


Passeio de volta pra casa, todos fazem. Mas nem todos o fazem com prazer. Há tempos que o faço com gosto. Há tempos que tapiei as costas de outro e trouxe à tona a conversa sem entendimento e os assuntos constrangedores e de diferentes opiniões. E por acaso, no caso de nos toparmos denovo, finja que não me conhece, porque quero te perguntar mais uma vez tudo o que já havia dito em outrora.



Quero ver teus lábios se moverem e pensar, "Nossa, que jeito esquisito de se falar", e olhar pra tua face de desprezo em relação ao que lhe parece estranho e grotesco. Se por um acaso, nos não nos toparmos, meus contos futuros não tem mais razão de ser. Porque quando inspirado, escrevo mal. E quando mal escrevo, é porque bem te quero.

Te salvar no aconchego da minha personalidade, foi díficil. E ainda achamos estranho o mundo imperfeito em que habitamos.

As milhões de estrelas que pairam no céu durante as noites de poucas nuvens, não se comparam ao brilho de teus olhos quando vejo teu semblante feliz e despreocupado. Já tua aflição, me aflinge, mesmo não parecendo que eu seja tão leal ou fiel como fora outrora.



Se por um acaso nos toparmos, não esqueça de me convidar pra tomar um café, ou comer um livro. Não me acanho mais perto de ti. Não tive medo na primeira hora, por que o teria agora?



Por acaso, no caso de nos toparmos, lembre-se de não me conhecer.

quinta-feira, junho 14, 2007

O não-sentido hoje, é pra você



Olhando pra figuras distorcidas em suas formas originais, presas nas paredes, figuro-as de modo que se movam. De faces escondidas, vejo os olhos que me seguem. Hoje escrevo pra você, meu modo preferido de tratamento, porque o tu fica pra depois. Fica no papinho de meio-fio, na risada frouxa, ou ainda, no meu pensamento de proibição.

Estou me proibindo neste exato momento de pensar em ver você, ou de pensar em encerrar o nosso caso que ainda não começou. Chegam turbilhões de risadas na boca agora mesmo. Sua face me faz lembrar do sorriso que você me deu.

As folhas, secas folhas do outono, já estão terminando de cair, e o resguardo do inverno virá austero. Farei o mesmo. Fico de prontidão aos meus passos, mas não aos meus cuidados em relação a você.

A minhoca Druba


Era uma vez uma minhoca que se chamava Druba.
Druba era muito feliz. Druba ria.
Druba corria pelo subsolo. Druba até amava o mundo.
Então, vieram os homens maus e jogaram druba na superfície do deserto. Druba ficou triste. Druba quis morrer.
Mas Druba cantou. Druba não queria morrer. Druba se tornou criança denovo. E criança sábia.
Druba foi ela sempre. Dubra secou.
Os homens maus destruíram a casa de Druba, e mataram a família de Druba. Mas Druba, sobreviveu.
Druba mais ainda, agora, entristeceu. Druba não aguentou...
E morreu.

quarta-feira, junho 13, 2007

Via

Te vejo passando na estradinha curta, estreita e cheia de pessoas. Chamam ela de via; via pública, se não me engano.
Há dias que troquei a minha primeira via da carteira de motorista, e há horas que não te via. Tua presença distante, está configurando, agora mesmo na minha mente, uma sensação conturbada. Uma presença imaginária. Uma situação, idade, século, hora! Tudo imaginário.

Te vejo entrando na casa de aviamentos, te vejo saindo toda avoada. Então o vento que soprou com força até derrubar suas coisas naquela estreita via, e ninguém te ajudou. Pelo contrário, pisaram nos seus aviamentos e nem te olharam a face. Enquanto vias aquilo pavorosa.

Mas eu!, eu te olho. De longe, como já disse em outra situação. Em outra estação. Em outra Terra. Em outra pessoa. Em outra Via Láctea


Beijo, se cuida e até depois.
(completamente fictício e sem imagens agora)

terça-feira, junho 12, 2007

O Corpo

Ainda tão novo por sobre a terra úmida e humilde, que apodreceu por vontades vermicídas dentro de tão pouco tempo. Não pode mais mover-se.




A alma tão jovem, aprisionada por seu próprios pecados da carne, não é mais um castigo, é um dogma. Dogma esse que prende e que mata aos poucos.


Doença... ?


Os olhos ainda fechados, abrem as janelas da mente. As secreções visuais impedem que veja o horror, os crocodilos e os vermes. A boca serve pra ser cobra e pra berrar o não-sentido a todo instante...










...





Corpo podre, alma nova. Sentido abstrato, que não traz nada além de uma fusão de jóias e correntes, que não se chocam e nem prendem a vida.Que por mais que sofra ainda flui. Ainda emerge.

É tão livre e belo o movimento que não preciso descrever nada sobre, apenas necessita-se do olhar e da cautela.
Por pequenos visores, as perspectivas se multiplicam por mil. Agora, que te soltastes, és livre pra que voes...


...

O corpo, aprendeu, a abrigar as almas em harmonia, e agora vive úmido e humilde. Sendo apodrecido por atitudes vermicídas...

Imagens por José Marafona

Não existe

Simplesmente porque não quero.
Até porque não posso.
Ou seria impossível, porque espero.
Porquê, não quero poder parecer possesso.
Deveria ser mais fácil dizer o porquê.
Do que perguntar porquê.
Não existe porque eu eternizei
Aquilo que um dia pensei que fosse estranho, porque não era.
Porque pensei, parei.

Parei.

segunda-feira, junho 11, 2007

Eles não cantam no inverno



Eles não cantam no inverno, mas aqui dentro, todas as manhãs, como se soasse o som de um sino ou de um despertador, eles cantam, gritam muito.
No inverno é silêncio, no verão é intenso.
Poderia ser de várias formas, tamanhos e cores. Mas as ondas na minha cabeça, são de uma só. Ou melhor, de alguns só.
De alguns tons, de alguns ruídos, de alguns pássaros, de alguns chiados, de alguns.
Dou o "play" pra começar a ouvir, o "pause", carregar. A espera com o fim maravilhoso, me fez esperar.
Poderia ser a minha preferida canção...
Eles não cantam no inverno. Mas os dias se aquecem aqui dentro.

quinta-feira, junho 07, 2007

Não quero me deixar levar pelas ondas de agora. Muito menos se forem as ondas daquela praia distante, onde criaram-se tribos distintas e tradições ocultas, ao cair do sol.


Nunca pensei também, em ser mais ou menos perto do tamanho de um grão de areia. Quis até, chegar mais perto de uma gota d'água, que por si só é densa.





Antes fora o momento exato pra que eu soubesse separar o mundo.

Separar a terra do mar, o mar da terra, a terra do homem e o homem da terra. Não fazemos mais parte desse conteúdo gélido e morto.
As amarras todas prendem-se a mim. E aonde, aonde estou?!

quarta-feira, junho 06, 2007

Nas mãos.

Esse meio indeterminado de me dizer o que serve ou o que não serve me leva a perceber que minhas analogias rodeiam, rodeiam e rodeiam. Mas acabam entrando num meio, do qual não saem. Ficam tontas com todos os retoques e com todos os detalhes. Talvez porque sua capacidade de absorção seja tão menor de que pensou-se em outrora.



Bem, se fosse impossível dizer a mim mesmo que o tempo corre, diria. Diria para o tempo congelar e ficar assim, inerte, para todo o sempre. Ou para sempre quando eu quiser. Não quero culpar o trabalho e os calos pelas dores do tempo. Mas quero culpar o tempo que me presenteou com as dores e com a culpa do remorso.

A angústia ainda tão pouco vivida habitava de uma forma na alma da concha, que a casa perdia as suas poucas estruturas.

A posição das mãos em cura não se parece com o que um dia pensei em pensar que fosse possível chegar a tal pensamento conclusivo.



Os meios de análise falharam. E meu amor caiu por terra, no chão da estrada.

No tempo. No vento. No canto. No valo. No ralo. No fundo. No vazio. No estático. No parado. No intenso. No inerte. No tranquilo. No coração. No peito.



E as mãos trouxeram-no até onde seria mais prevísivel dentro da analogia construída com o tempo. Na dor. Na espera. Na frustração. Na angústia. Na felicidade. Na calmaria. Na tempestade. Na alma. Na concha. Na hora. Na cama.



Doente e tonto com visões monocromáticas que trazem vertigens aos pobres olhos da razão, que se faz forte e que não figura. E sim, literaliza.


*Imagem por Olga Gouveia

terça-feira, junho 05, 2007

Praça pública


Quero te conhecer por mil anos, mesmo sabendo que te vi há um dia, pra poder dizer o que der na telha e falar as piores besteiras possíveis.

Vou também, buscar palavras sem lógica nenhuma pra explicar uma suposta razão que eu próprio criei pra dizer que tu és uma pessoa assim, ou assado.

Preciso lembrar também que, nesse único dia que te vi, te avaliei por tudo. Pelos gestos, através dos olhares, das poucas falas, das risadas de canto de boca, das palavras soltas que saíram no meio do silêncio e também te avaliei pelo seu jeito de andar. Não olhei pro teu cabelo ou pro teu gosto intelectual. Olhei pra ti. E vi físico e alma.

Agora, como sei de tudo o mais que precisava saber, tiro as minhas próprias conclusões precipitadas a teu respeito e garanto que, minha mensagen subliminar não-dita, vai te tocar no âmago.



Sou um intrometido aos olhos alheios, mas é bem diferente.



Quando vejo passar lá embaixo na praça ou em qualquer outro lugar que seja, eu penso nos tropeços que poderias dar ao subir este ou aquele degrau. Imagino também que o amor de tua vida chegará e te beijará de imediato, me tirando as emoções e arrebatando-as às ruas.

A praça pública da tua vida é pra mim o que eu queria ver todos os dias. E vejo tua sombra diferente, todos os dias, correndo por lá. Mas não calculo as horas, os dias e muito menos os anos que passei olhando por esta varanda para a rua, que sempre me foi tão atrativa.



Oras, seria possível eu te dar um elogio mesmo nunca te vendo?

Claro que seria, afinal de contas, o meu poder de mentira (ou poderia chamar de criatividade?), é muito maior do que eu imagino.
E tu irias se deixar levar na hora pela amizade forjada em um segundo.

Me enganaria depois, e iria, com certeza cair em desespero súbito, por pensar que enganei a ti e a mim mesmo.

Mas agora que já te desvendei pela metade, é meio caminho andado até a praça pública. Lá onde a tua imagem se esconde e te transformas no que queria deixar de ver.
Foto por Olga Gouveia

Contrário ao estivesse se como.


,explicar se pra loucas coisas São
.um cada de entendimento do fugindo acaba e
lama de ser parecem palavras Minhas
acabo eu e
.pensamentos próprios meus dos sentido o completamente perdendo


.parar em então Penso
.busca uma de precisa ainda talvez que aquilo mim em perder Deixar
.saiba não e contrário ao tudo pensando esteja eu Talvez




.aritneM




segunda-feira, junho 04, 2007

A tentativa.


No primeiro momento foi como se tudo sumisse e o que restasse fosse...
Não restou.



Tentativa inicial.
Clamar as dores não compartilhadas para os ventos que não estão soprando hoje.

Tentativa dois.
Calcular as hipóteses, somando-as com as ações para que de modo estranho, encontre a razão.

Tentativa três.
Sair do medo e partir em busca da coragem mais racional possível para que ultrapasse as barreiras que prendem aqui.

Tentativa final.
Ingestão de dores, de estresse, de calúnias, de blasfêmias e de pouco amor, ou de amor sem doses. Overdose de existência. Quase inércia eterna.



Conclusão do processo: Falho; e constatou que não era o que queria.


Imagem por Olga Gouveia.

sexta-feira, junho 01, 2007

...?

Da mais doce inspiração foi possível absorver o mais doloroso gesto não-concreto. Mas de sentido completo. E se teu amor não fosse mais que senão uma pequena pena que não pesa em meus ombros, mas que apenas me suaviza e me faz sentir que teu olhar inexpressivo ou o teu não-olhar é tão pesado que me faz cair.

Que sensação de mar é essa em teus ouvidos? Não escutas o som da alma e enlouquecestes com o mexer das águas, devido ao ritmo constante do mesmo.



Todas as tuas explicações levaram o que somos direto a um poço, um poço com luz. A fraqueza nos fortaleceu e o paradoxo, eterno paradoxo toma conta de tuas almas e te transforma em vários pseudônimos inconstantes e indecifráveis.



Se vistes o que tuas pequenas palavras proporcionam, verias que não é mais um corpo, e sentirias finalmente que esta carcaça que está a pesar por sobre a terra tem algum próposito, algum fim.



Por mais que teus passos ritmados vão e voltem, te desconheço a cada instante. Tuas imagens não são pra mim como um reflexo de teus pensamentos, porque não desvendo o que pensas. Mas se fosse possível te sentir, serias tão gélido quanto o gelo, e ao meu toque derreterias.

Serás aquilo que definires ser. Terás o quiseres ter. E ao mesmo tempo não terás nada, almejando sempre mais...





?


quinta-feira, maio 31, 2007

Uma nova rocha


Esses teus movimentos calmos e prevísiveis me modificavam a cada instante e tuas batidas contra minha cabeça, faziam de mim um novo escudo, uma nova rocha.
E cada carinho que de leve, me fazias, me trouxe o sentimento puro do sentido da resistência.
E estou resistindo a tuas represálias como uma forte barreira. Não invadirás o meu pouco espaço, já modificado por teus toques suaves que me fizeram enfraquecer e encorajar ao longo do tempo.
Estás sendo o veneno da velhice, desgastando ao pouco a vivência e transformando os restos em poeira húmida. Só lembres que eu sou teu orientador, te guio e te faço desviar dos caminhos que podem representar perigo.
Eu sou o pilar que sustenta tua base e também que emerge para o mundo, te trazendo diferente beleza e te tornando um ponto de busca.
Estes grandes golpes ao qual me submetes em dias negros, não me abalam. Já me acostumei com tua maldade e orgulho. Sei que não agradecestes nunca por um bem que te foi feito. Vejo que vivestes em amargura demasiada e quando querer ser de todos, não és de ninguém.
Pega o teu de volta, mas não me levas junto.
Estivestes transformada em mim como tempestade e não sofri.
E aguarde que ao passar do tempo, serei nada. Serei pó.

quarta-feira, maio 30, 2007

No teu interior




Nas cores semeadas em azul e amarelo, criastes o verde. Mas acabastes de colher o que menos almeja, o podre. O negro. E usastes isso como uma desculpa pra escapar do primeiro plano. Fizestes do teu desgosto, o caminho subterrâneo pelo qual foges. O que és agora não mais interessa, só porque perdestes aquilo que tanto amava. Mas, e o amor? Morreu?

Elevas as tuas indagações ao zero, assim como o calor evapora a água, levastes com tua desgraça toda a luz que via.

Por todo instante, te vejo gritar lamurias de perdão, de socorro e de saudade. Mas ainda não te vejo com a fronte erguida para o avanço.

Usas de tuas saídas com poucos, sendo que em tua alma, cabem milhões. Suja de corpo e pura de alma, estás criando a nova forma de podridão que provém de teu plantio involuntário. Ou seria de tua vontade inconsciente?

Os caminhos que se perderam, são reconstruídos. E toda a tua reconstrução não é nada mais que um novo e repetitivo fracasso.

Posso eu errar, sei muito bem. Mas sonho que tuas pétalas nunca terão mais a mesma cor e vejo que teu brilho será mais fosco que outrora.

Não deixais que morra. Nunca.

Foge pelo teu interior e vive no teu âmago.



Imagem cedida por Olga Gouveia

terça-feira, maio 29, 2007

Chamou?

Chamou, querida? Chamou?...

Ela me chamou agora. Tenho que rir.
Eu estou chamando, estou aqui...
Não, eu não sei. Mas vou estar esperando lá.
E o não-sentido, não importa,
As peças todas vão se juntando e formando o que?
O que as peças vão formando?

Ela chamou agora! Tenho que ir.
Ela gritou Agora! Tenho que rir.
Não ouço tuas vozes saltitantes, nem teu fervor...
Não quero teu sexo?! Não vejo teu sangue.
Mas viu? Estou lá sempre, esperando...

"...I'll be there waiting..."

segunda-feira, maio 28, 2007

Releitura 1

Sente o vento no rosto. A brisa tocando sua nuca, a dor do inverno chegando.
Há tempos que eu não ouvia belas palavras saindo de tua boca. Há dias que não vejo o teu sorriso te invadindo denovo! Há dias que eu não sinto tua falta, e que não almejo tua presença. E há dias que eu não ouço sua voz...

Pra falar e ouvir nossas verdades, não temos tempo. Pra tentar entender o mundo, quebramos nossa rotina. Pra reler os pensamentos, paramos o tempo. Pra criar, sou calmo.

Fronteiras da Mente


Quanto mais sigo, menos encontro. Quando menos encontro, mais puro sou. Quanto mais puro sou, mais dói. Poderia ser melhor então, criar barreiras que me impedem de fluir? Jamais!

Cresça sem hesitar, prossiga mesmo desconhecendo o caminho. Arrisque mesmo errando. Prossiga...nunca hesitando.

Só mais um terreno, só mais uma área inexplorada.

São campos com pequenas interrupções que me levam até a insanidade que julgo sã.

São jóias que coleto em mentes vãs, são pedras que atiro sem entender pra onde vão e porque voltam.


É um caminho vazio, com todos os obstáculos prontos pra me derrubar. Mas sou mais forte, Vou escapar dos fatos.

É um deserto imaginário que construo com a areia que sobra das ruínas de meu passado e que desvendo como algo novo, como um novo monumento.

(Re)Purifico. (Re) Crio. (Re)Invento.

Supero o que construo, destruo o que amei.

Mas sem esquecer, sem deixar morrer...
Eu derrubo as fronteiras da mente para além, para mais.

Imagem: Olga Gouveia - http://www.olgagouveia.com

sexta-feira, maio 25, 2007

Estrada...

Sentia-me como se nada disso ou daquilo fizesse tanto sentido, não me importava... E quando não vejo mais caminho nenhum, parece que está na hora de me render.

A fonte está secando, mas a fonte não pode secar!

Arranjo outros meios de pensamento, outras formas de viver, mas não essa... Não essa!



É só um meio, pra um talvez fim, ou nunca fim.

Sem fim... Estrada contínua, estrada (in)segura...



Uma parada abrupta, o que será?

Quem será? O que será? Por quê? Quem vai? Pra onde?

Preocupação... Futuro.



Nada é o que parece, e nos embalamos todos na dança do tempo, na canção geral da vida, na regra menor, na educação cordial, na escravidão legal. Mas por quê?



Futuro.



Tão comentado, tão pensado, tão horrorizante, tão preocupante, tão inseguro, tão longe...









Futuro...








quarta-feira, maio 23, 2007

A Cidade Está Queimando


O céu de cor de fogo faz a guerra explodir ao longe e a cidade queima como palha. A cidade explode como nitroglicerina. A mente da cidade não tem controle.

Fora de controle as almas que nela habitam clamam por socorro, querendo sair. A cidade queima e ninguém os vê.

Quem existe queima enquanto o céu explode.

Bolas de fogo na cabeça de cada um, fazem destes fogo. E a cidade queima.

A cidade está queimando, os homens estão morrendo. O céu desce com forte peso. A melancolia se espanta ao ver a desgraça nascendo... Quente e onipotente.


A cidade explode, o homem morreu. O que restou? Além do céu?

Nada...

Só o céu que mostra as luzes da guerra, só o céu que acolhe a fumaça da terra, só o céu... O céu que ainda vive, já que não há mais vida na cidade que acabara de queimar.


E outra cidade queima, e outros homens choram, outras vidas se vão.

E o céu continua vendo a cidade queimar, junto daquilo que a aqueceu.

O homem morreu, nada restou. O céu viu que a cidade queimou.

Quantas mais? Quantos mais? Quantos animais pra destruir o que criaram? Que instinto é esse que destrói, que guerreia e que cobiça?

Que humanidade é essa que queima?


Homens que queimam a si, queimam também, os seus sonhos, as suas casas, as suas torres, os seus palácios e além disso, queimam sua morada. Sua bela morada... E o céu assiste vivo.









terça-feira, maio 22, 2007

Fraca e Vaga

Fraco desejo vago da humanidade,
Alienação que faz esconder,
Ou aceitar
A conformada e suposta verdade.

Vago o espaço do homem cultural,
Rico o lado escasso da essência
Numa busca perdida por prazeres,
Vivendo sob uma ponte de deveres.

O que vos prende?
O que vos puxa?

A fraca e vaga sensação de estar vivo
Não é mais forte que a sensação
Da morte chegando com demasiada força
Por sobre uma vida ativa.

E nunca saberá da vida o homem que nunca pensou em ser nobre.
E jamais será nobre aquele que nunca cogitou em ser homem.

Forte, vigoroso, vago, feliz.
Fraco, cansado, preenchido, triste...

Demasiado.

Forte, vigoroso, vago, feliz.
Fraco, cansado, preenchido, triste....

Escasso.

quarta-feira, maio 16, 2007

Corpo presente


Como você pode ser capaz de dar tempo ao seu amor? Como pode ter sido tão vazio o valor que destes a este pequeno tamanho?
Não sei os motivos da decadência de teu espírito, não sei o motivo do apriosionamento material.
A existência é só um estágio, tem algo maior que nos espera além. Há uma existência mais pulsante em nosso espírito, mesmo que ainda não se faça existir, por assim dizer. Portanto, poderíamos julgar os nossos valores como certos ou errador? Dignos ou não?
Nessa sociedade ainda tão falha e tão acalmada por mentiras, nós vivemos, existimos. E deixaremos, por nossa existência, de valorizar o material? Será que somos tão fortes o quanto pensamos ser?
Será que ainda não nos vimos diante de nós mesmos?
Sim, infinitas questões pulsantes na nossa tão indefinida existência ainda nos assombram porque não sabemos o que há depois. Nos deparamos de forma tão cruel com o desconhecido, que ele não nos atrai(em parte), e sim, nos repulsa.
Humano tão humano, que só lembra de sua própria carne! Mas de que foi feito esse humano? De instinto? De prazer? De dinheiro? De espírito? De quê?!

Imposições sociais que nos levam a entender, ou a buscar questões e respostas para nossos problemas e (se preferirmos, chamemos de acasos), não nos trazem nada mais que a existência e a valorização do homem pelo estado bruto.

Não há nenhuma oposição no relato mas sim, algo a se pensar.

Por quê vivemos pensando no nosso futuro existente, no nosso corpo presente de amanhã? Por quê a consciência do amanhã tanto nos apavora? Por qual motivo somos ainda tão primitivos e ao mesmo tão modernos?

Aprendemos a ver e sentir a fraqueza alheia, mas ainda não aprendemos a sentir e ver a nossa própria fraqueza. Apegamo-nos então, ao material. Esse que nos tira do estado pensante do ser (ou não), e nos leva pra junto de algo, ou não.

Mas ao fim, não sabemos o que vem depois e isso nos assusta, nos atormenta. E pensar que morrer é o fim, é muita hipocrisia pra uma existência talvez ainda sem causa.
A morte nos assusta, é um balde de água gelada, mas que sabemos que virá! É a nossa única certeza para o futuro é que é nossa maior incerteza.

Existe uma eternidade esperando de braços abertos pra nos levar a estados de elevação nunca sentidos.
E, será que estamos em um destes?

Corpo presente em uma mente ainda distante, captando por imagens o material que no momento, ainda se faz pulsante.

quarta-feira, maio 09, 2007

Amizade Instantânea



Não quero que se importe,
Nem que se esqueça.
Mas quero saber mesmo o que tens na cabeça.
Porque eu não consegui absorver seus ditos de amor
E agora, não entendo suas frases de perceptível desprezo.
Não quero que se comprometa,
Nem que se esqueça.
Só quero entender o que fez a tua cabeça.
Tu não precisa de muletas,
Então porque depende delas pra poder dizer o que é amor?

Não quero que se envergonhe,
Nem que reconheça.
Mas preciso muito compreender o motivo dessas muretas?
Elas que te fazem invísivel, elas que te neutralizam.


Não quero que te arrependas,
Nem que orgulhe-se.
Mas não posso ver tuas reações diante do teu amor possessivo.
Não quero limitar-me a frases com espaço.
Só quero saber o que de minha amizade, de meu amor,
Não te foi aceitável!


Porque foi que tive dúvida quanto ao teu gesto tão amável?
Agora que sei o quanto distante que estás,
Sei que não notei.
Uma amizade instantânea que perduraria?

Não sei.
Mas ainda guardo teu nome dentro de uma gaveta.
Milk - Kings of Leon
Imagem: Renoir

terça-feira, maio 08, 2007

O Mal Chama



Consciência plena de que os pecadores queimarão,
Aflição pura quando sentimos a própria omissão.
O que seria tão mais prazeroso do que acreditar que do fogo renasceremos, para ao fogo novamente nos entregarmos?
E tornar um vício bélico.





"The Devil's Call - Stacey Cargal"

segunda-feira, maio 07, 2007

Dias e Mais Dias de Sofrimento

Talvez tenhas sido pra mim, um grande tormento.
Mas nunca pensei, nem sonhei,
Nada tão ruim e bom como fora antes.
Guardei uma dor sem tamanhos
Carregada de sentimentos
Além da própria dor que me fez penar
Antes de acordar.
Tu poderias guardar tuas mágoas pra dentro de tua alma
Poderias deixar de lado esse desejo de amar,
E começar a sentir repulsa disto que te dói.
Podias também, me olhar e dizer
Que ver o lado do inimigo ainda não te acalma.
Um poeta morto.
Morto pelo amor daquilo que o conduziu ao crescimento,
Depreciado de tal modo por aquilo que o fez viver.
Mantido às sete chaves dentro de uma pequena caixa,
Aguardando o amigo que vem lento.
Esperando e penando
Dias e mais dias de sofrimento.
Nessa solidão, ainda posso me conduzir
Em rumo à dias escuros onde não
Há mais nada amando.
Só existe a dor, a dor do sofrimento.
A dor deste sofrimento que se fez junto,
Sofrimento corrompido pelo amor ao próximo.
Inércia de palavras não descrevem mais os destinos de minha mente,
Não decidem o meu próximo sentido contrário ao meu pensamento contínuo.
Estas linhas retas já sem riscos, não dizem mais nada.
Só fazem que esqueçamos todos os nossos dias,
Todos os nossos latejos por ser,
E fazem manter vivo o sofrimento que,
Por menos que queira salientar-se,
Mais se faz ativo.
E mais queres morrer.

sexta-feira, maio 04, 2007

Palavras não Ditas



Não disse que não queria dizer aquilo que podia,
Mas não pude
Porque pra mim tu sorrias.
E toda aquela eloquência me fez sentir que
De velho meu corpo deseja denovo toda a tua vivência.

Brinquei com as curvas que perdia
E tua cabeça encostada em meu ombro,
Era mais um grave suspiro da alma que me saía.
Posso apenas te dizer que amo,
Assim como poderia dizer que és meu assombro.

Mas temo tanto tua reação que me concedo o perdão
Pelo pecado qual ainda não cometi.
E se o acaso me propor os seus lábios,
Não poderia eu ir ao encontro destes e dizer que simplesmente és
O que eu esperava.

Simplesmente não saberia dizer nada,
Não seria eu, seriam as palavras.
As palavras que me amedrontam todas as noites ,
As frases que ensaiava todos os dias na tua ausência,
As músicas que me faziam te buscar em pensamento.
Hoje, quando olho pra trás vejo palavras não ditas
E apenas sinto que o que houve foi um grande momento.

Explosões e Pensamentos


Por baixo de um pequeno monte de poeira, eu me vejo frente a um espelho que não reflete o fundo. Eu vejo o espelho que só reflete o eu.
O que eu via não era eu, mas sim o que eu queria ver em mim, e isso me doía de um modo tão prazeroso que eu não pude mais conter as sensações e explodi. Explodi de ódio, explodi de amor.
E agora que pergunto qual é o momento certo pra realizar o que fora determinado antes?
Vou explodir a bomba mesmo com o relógio estando quebrado, mesmo não podendo mais contar o tempo. E sendo assim, sei qual é a hora certa, mas não qual é a hora. Te entende?
Não poderia eu simplesmente descartar todo um mundo que ainda não foi completamente criado. Não quero eu ser um estorvo na minha vida então, prefiro me neutralizar do que ser uma cópia mal reproduzida de mim mesmo.
Essa análises confusas ainda vão estourar, isso já não me estouraram.


Eu sou o médico que tem a cura e sou o doente que clama sem pausa por liberdade.
Ou isso ou explodo.


Essa explosão será muito implosiva, e por obséquio não me atrapalhe agora. Seja eu gentil comigo antes de ser hostil. Que a hostilidade seja a pitada de fúria precisa pra se chegar ao término da mente conturbada!
Que seja hostil a libertação da alma que fora aprisionada por um corpo que se prendia! Que faça barulho a carga explosiva que estourará dentro de um só corpo e que destrói uma só cabeça!


Explosões no Sol a todo momento... Sou Sol.

Fervor a todo instante... Queimo.

Alma pulsante... Vivo.

Corpo presente... Inércia.


Sou a explosão que busco, sou a explosão que me liberta.
Sou apenas eu pensando nas maiores futilidades da existência humana, que por si só, pode ser muito mais que fútil.

quinta-feira, maio 03, 2007

Ajuda-me, Vida!

Num momento, distante de sua capacidade e incrédulo de sua convicção, tentou fazer pedidos ao além e a tudo mais que qualquer um recorreria:

- O que será melhor, a não ser a morte? Por quais motivos deveria eu continuar me massacrando?: Isso é muito sadismo da vida para comigo. Qual é o prazer que tu, vida, sente em me trazer do nada ao nada? Sei que tu estás a provar de que o que veio do nada, ao nada voltará.
- Mas veja bem se tu me entendes; eu não queria estar nestas condições que me ofertastes. E não me venha com estes termos clichês, de que só porque me oferecestes, tive que escolher, porque sabes bem que não é assim. É menos ou, mais. Bem menos ou, bem mais.
- Poderia eu ir numa lojinha de esquina e me entupir de doces e guloseimas, enquanto do outro lado do mundo o moribundo clama por comida? Poderia eu olhar pra mim mesmo e me ver belo e feliz diante de minha condição de espírito? Sei que não. Sei que posso ser feliz em estar me ajudando, em estar me preservando. E gosto mesmo de exagerar e de me contradizer ou então, pelo contrário, não seria eu.
- Gosto de exagerar nos meus gestos, gosto de me fazer expressivo até na alegria, gosto também de cantar ao silêncio as músicas que inventei. E sou ciente de que só tu sabes o que contruo; nem eu sei o que construo. Mas bem, isso não vai ao caso.
- Porque o que vai ao caso és tu, vida. Vida essa que me faz existir, vida essa que não me faz só um corpo inerte. Maldita vida esta que me faz sonhar! Maldita vida esta que me fez sonhar! Maldita vida que me deu o viver!
- Não quero mais todas aquelas palavras enjoativas que são proferidas nas praças públicas ou nas casas de família. Quero as minhas palavras, as minhas influências, quero me desdizer, quero voltar a ser, quero voltar e ser denovo. Vida, deixe-me viver!, ou tira-me o ser!
- Precisaria eu morrer mil vezes e ver mil vezes tudo denovo para absorver e drenar aquilo tudo que me saiu pela boca e deixar de ver as desgraças de minha existência. Vida, salve-me! Vida, exila-me! Ajuda-me, Vida!


...E em todos estes momentos, ele sonhou que era algo que não podia ser e se transmutou para o que hoje chama de humano. Será sempre um animal, imutável animal recorrendo à vida por qualquer motivo.

quarta-feira, maio 02, 2007

E por aí vai.

Muito menos do que a minha memória busca eu encontro e é sempre mais complicado ouvir da minha memória que tenho que lembrá-la de todos aqueles mesmos problemas rotineiros. É como se eu tivesse que arrumar todos os dias a minha cama que vai ser usada denovo e sempre, sempre. É uma memória passada que se quer presente, é algo meio estranho perto do que era antes. Eu lembro o que era antes. A minha memória me dá motivos pra querer viver, senão o que seria da existência a não ser existência?... Mas é isso mesmo que basta. Arrumar isto e aquilo todos os dias é muito desagradável assim como ter que te arrumar todos os dias é muito chato. Não quero mais obedecer a essas regras que chamei de lei ou ainda ter que esperar das vozes alheias elogios que enganam ou elogios que mentem. Prefiro ficar por aqui mesmo, planejando o que vou fazer agora ou o que deixo pra amanhã. Se deixo pra amanhã, faço hoje. E por aí vai.