quinta-feira, julho 26, 2007
A espera
Lembrava até um momento de vazio, de solidão. Um momento rude, gélido e desprevenido. Qualquer forma de dor poderia atingir o corpo, afinal de contas, só conseguia pensar em uma coisa: o depois.
Esperava que depois de nascer denovo, tudo fosse melhor, que as coisas crescessem mais rápido, que o mundo não girasse e que a luz não sumisse jamais. Que ficasse eternamente ali, aquecendo e iluminando.
Os ponteiros estavam criando uma nova melodia a cada instante, uma nova forma a cada passo, um novo desenho que tentava fazer. Só que sem sucesso. O desenho nunca acaba nos ponteiros.
O tempo que sempre trás consigo a angústia, trazia naquele momento a incerteza; incerteza de que os seus desejos eram exatos.
O corpo jogado nos panos esperava por um momento inerte que fosse eterno. Só não esperava morrer.
A noite veio e as vozes se calaram já que não podiam estar mais ali. Os olhos não queriam mais abrir e a sua voz estava sumindo. O sangue jorrava dentro de seu peito mas não sabia como dizer que era chegada a hora do último abraço. Não podia dizer.
Os dentes quebrados, a língua aprisionada pelos lábios que tanto falavam, não podia lamber o toque suave que o amor lhe proporcionava em alguns períodos.
A chuva de lágrimas que invadiam os olhos cessara e agora só o que restava a ele, era tentar abrí-los e amenizar a angústia de não ver mais o resto do mundo que acolhia com suspiros suaves todos aqueles que o habitam.
Depois da chuva, nada mais existia... Pra sempre.
terça-feira, julho 24, 2007
Contexto ambíguo

quinta-feira, julho 19, 2007
À pessoas que ainda não conheci
Os dois corpos, ali, juntos, vestidos e presentes, não aparentavam uma necessidade única de se encontrar. Queriam calor, o calor do que os mantém vivos, o calor da alma, se é que ele existe.
A dança, os movimentos e os olhares os envolviam cada vez mais. O toque rápido e o beijo mostravam cada vez mais a busca de uma palavra--chave que libertasse o amor.
Mesmo não precisando, achavam. E era amor.
Espera por um final...
Estamos esperando o amor florescer denovo. A conversa desabrochar denovo. Sem medo. Oh, não! Estamos cansados, com sono pra abrir os olhos agora. Falamos de guerra e alguns fabricam armas. Falamos da vida e outros se entregam à morte. Estamos sentados, mas estamos correndo. Fugindo disso tudo. Acomodando? Resignando? Sonhando?
Estamos prestes a qualquer coisa, qualquer grito silencioso. Estamos boicotando, estamos em silêncio. Ninguém vê. Ninguém precisa saber que estamos estáticos, analisando, vendo e protestando. Estamos do lado.
Falamos, falamos e falamos.
terça-feira, julho 17, 2007
Retas
Viver por...
Buscar por...
Comer por...
Sair por...
Somar por...
Não existe um sentido exato. Exatidão que me tira de mim. Que me joga longe,longe... Me perdi. Não quero me encontrar.
Estou ficando velho...Isso é grave. Minhas mãos não mais tão retas. Minhas costas tão mais curvas. Meus pequenos segredos são mais piadas na cota de risos gratuitos.
A vida... Por si só... Já basta...?"
Por pensamentos perdidos na tarde
Bem que eu te disse que essa tremedeira toda, essa vontade de gritar, essa nostalgia, isso tudo ia te fazer um bem... Que podia soar a amor. Mas não. Eu não acredito, não!
Às vezes parece que exclamar é estar furioso, trovejando palavras de exaltação ou até mesmo um balbucio choroso. Mas não. Eu acredito que exclamar seja suspirar devagar, respirar fundo, encher os pulmões e declarar guerra.
Perdes a tua rotina, encontro meu caminho. Essa é a verdade, mas não. Eu não acredito, não.
E também não acredito que possa ser real um desejo tão pequeno e vazio. Parece até que meus pés estão na corda-bamba... Estáticos, mas prontos para cair. Prontos para uma ascensão sem lógica.
Eu quero viver no fogo, nadar com os tubarões, jogar flores no vento,quebrar a linha de pano, fumar os ares e jorrar o sangue da liberdade.
Eu acredito... No quê? Em quê? Milagres?!
Ah, cavalo branco... Inspira risada e risos. Sátiras maravilhosas são feitas de nossas vidas e histórias e nem sabemos. Aos leigos, nada mais que um preconceito social baseado numa crença ou num livro.
Bem sabes que não...
Não o és.
segunda-feira, julho 16, 2007
Euforia estendida
É um amor mascarado que não se vê, não se toca, não se respira, não se muda nunca dos corações. Eu não sou Jesus nem qualquer outro tipo de revolucionário, mas estou pronto pra bagunçar a minha mente. Pra mudar o meu sistema, pra me embalar na tua manta e me deixar ser sem depender de mim pra ser por ti. Somos por nós, por todos, por uns e por outros.
Que tal amarmos sem medida? Que tal forjarmos um amor que não existe? Quem topa dar amor? Quem quer amar sem saber?
Eu amo todos vocês, eu preciso de todos vocês.. Minhas pernas tremem ao pensar nisso. Minha solidão me gratifica tanto porquê sei da vossa existência e posso contemplar as imagens de longe sem precisar tocar.
O som grave da companhia é forte, porém a gravidade da solidão é tão mais forte que enlouquece os maus e fortalece os bons.. Os ruins? São tão bons que estragam. Os bons? Só precisam piorar...
*I'm not Jesus - Apocalyptica feat. Corey Taylor*
sexta-feira, julho 13, 2007
Hora de trabalhar
Espanta os pássaros, destrói a beleza
Que um dia restou do seu coração.
Foi máquina direto ao muro,
Saudou um coração de plástico
Como se fosse puro.
Não precisa mais saber de mágica,
Não precisa mais saber da filha.
O alimento na marmita,
Arroz com feijão
Com gosto do cigarro
Da esposa Rita.
Se reúnem os amigos
Pra contar mentiras
E continuar a empreitada.
Sem o auxílio de um carro
Trabalha todos os dias com o mesmo alívio,
Cuspindo no mesmo lugar
O mesmo catarro...
~~~~~~~~~~~
Me arrisco a indicar "O Rancho da Goiabada" de Elis Regina. Achei uma linda canção...
terça-feira, julho 10, 2007
Enfim, estou em mim à toa. Eu te quero há um tempo. Eu te vejo presa, colada no teu próprio rosto, acuada por nada.
As flores que se cultivam no chão, não consentem com a solidão da manhã nem com o calor vespertino que é uma inspiração libertina dos nossos atos inconsequentes. Palavras difíceis, olhares escondidos, pessoas doentes. Sabes bem que eu não sei a explicação disso.
Aliás, se eu tivesse um mapa do meu nada que te levasse até a marca do tesouro, o que faria? Risos muito doces para uma alma como a tua.
O tesouro escondido és tu, tudo. Aquela criatura saiu a noite à procura para querer ser livre. Se prendeu, se esqueceu.
Será que ela evolui?
segunda-feira, julho 09, 2007
Olhou mais perto de si e viu uma mulher. Aquelas que são elegantes até de manhã cedo, aquelas que guardam brilho e cor nas menores curvas. O seu cabelo ajeitado por trás das orelhas, longos e ondulados, o faziam viajar na criação de novos desenhos e novas texturas, as quais não podia tocar. Sua imensa vontade de tocar aqueles ombros e dizer que estava fazendo um lindo dia não podia se materializar. As pessoas costumam se assustar com algumas reações. Mas ele podia sentir as palavras de concordância saindo da boca. Arriscaria ou ficaria ali, ao lado, se penitenciando por não falar?
Não o disse e nem se arrependia por não ter dito. Era um covarde convicto. Sabia que falar e fazer era difícil, então pensava. Quase um filósofo prestes a alcançar sua máxima do pensamento, mas não chegava a nada. Pela manhã via, além de pessoas e máquinas, o lindo sol que esboçava linda luz por trás das nuvens que pareciam montanhas gigantes e a civilização abaixo, sempre tão pequenina e insignificante aos cuidados da luz. As manhãs cinzentas não arrebatavam-no à outra era.
As placas que ele via pela rua transformavam tudo em Eterno e tudo em realidade. Sempre saciando um desejo insaciável, esse desejo de eternizar, de sonhar. Essas placas mudam, voltam, mudam.Tudo pra eternizar uns momentos comprados, uns sonhos que virão realidade com a mão no bolso. Ele viu que não precisava sair de casa para ser eterno e feliz. Decidiu então, voltar ao primórdio da consciência ao modo de tentar ser gente. Fazia tudo muito devagar, mas não o queria assim. Sentia todos os dias o vento, mas não o via. E assim era com a determinação dele, sentia ela todos os dias, mas não a via.Não a via projetada em nenhum canto mas ela o motivava de alguma forma. O motivava a aprender por si só. A pernoitar no pensamento e na arte de ler, caminhar no nada e não dormir. Porque se dormisse, jamais iria acordar.
quinta-feira, julho 05, 2007
Criando desejos
Foi o bem que se instaurou nos corpos deitados, com suas cabeças uma sobre a outra, acariciando e cheirando e sentindo, tudo ao mesmo tempo.
Criando, desejando e querendo. Querendo ver denovo um cometa logo pela manhã. Desejando mais um pouco de alma e virtude. Criando um sonho que pro agora é distante. Usava frases que não cabem em nenhum papel, só na cabeça. Dizia coisas que não ficavam na memória, só no papel e na tela. Fazia rascunhos com as lembranças que estão arquivadas em qualquer lugar por aí.
É fácil entender e não precisa nem se entregar, só ler.
quarta-feira, julho 04, 2007
Ele, tão poderoso Ele
terça-feira, julho 03, 2007
Eu falo seu nome, por conforto, por espera de uma solução. Pela espera do fim de um coração eu estou esperando..
Os meus reflexos estão se multiplicando, e eu não me encontro mais.
Estou esperando uma nova solução para o fim de um coração.
segunda-feira, julho 02, 2007
O bar da libertinagem
Os dedos enlaçados, pareciam criar poucos traços abstratos que davam abertura para criação de novas figuras na paisagem cor-de-pele. Enquanto naquela sensação indiferente de sonho, ou de devaneio como os gênios costumam tratar, não sentiam sequer o ar. Ela sabia que ele estava tomado por um elemento mais forte que o álcool e mais corrosivo que o tabaco. Ela sabia que ele a amava.
Ele nem imaginava o que era amar. Era um rico inocente. Um libertino. Um pobre promíscuo que não pensava em mais nada a não ser sexo. As pernas já fortes pelas corridas e caminhadas, não o mostravam fortes. Mas ele queria boas pernas para atrair ela. E ela com certeza o queria assim.
Deram goles de alegria. Andaram nas ruas que não foram da amargura. Saíram do bar da libertinagem para que fossem para o quarto dos vagabundos. Lá absorveram corpo e alma. Entregaram-se ao nada. Morreram de tristeza. Não sabendo que era sempre amor.
sexta-feira, junho 29, 2007
A forma da alma esboçada no espelho
A imagem que se reflete no espelho, talvez não seja minha. A desfiguração da minha visão me deixar ver só o que eu supostamente não quero. O que eu quero, não sei.
O reflexo ali, diante de mim mesmo, possivelmente seja eu. As analogias previstas diante do espelho não estão levando meu ego a nenhuma elevação narcisista. Meu ego por vontade própria é Narciso. Narciso por amor - próprio? Não. Narciso por cultura? Jamais. Narciso por quê? Porque sim, oras.
Mas a visão então ofuscada não é por culpa desse complexo já antigo e desgastado. É por culpa do objeto que se reflete no espelho. Eu.
A forma do corpo no espelho, não é a minha. A materialização da alma se fez instantânea no instante que senti a força do pensamento eclodir e exteriorizar-se sem medo algum. A alma se esboça pelo corpo em frente ao espelho. E já não se conhece mais o corpo, que muda constantemente.
Reconheço só a alma. Que sozinha tem sua única importância e função, que é comer e manter vivo o corpo para que não apodreça.
Depois de muitos erros de figuração, a alma dá um passo.
E o esboço no espelho deixa de existir. Avante, alma. Avante, corpo, que só não vive. Avante luz, que ilumina o caminho dos desalmados. Avante, escuridão, que escurece o brilho do alto ego. Abaixo, fome que estraçalha a alma. Abaixo, corpo que se auto-flagela em pensar.
Narciso, serás meu companheiro, enquanto na vida se fazer o vidro e o cristal. Será meu companheiro "esboçal" e tens em mim um corpo tranquilo e uma alma confusa. Espelho, tem em ti um ente mitológico, uma criatura que até hoje se afunda na própria vaidade. Tens um amigo que transmite a alma e que desconfigura a carne.

terça-feira, junho 26, 2007
Atraso
Algumas com prazer, outras por dever. Faço. Uma letra possessiva se repete nas linhas e entrelinhas do meu caminho ainda prevísivel, só não sei por quanto tempo. Ritmos distintos, trocas constantes, mudanças de setores. Tudo, tudo ao mesmo instante.
Meu último passo foi um presságio de inércia. Meu último suspiro expressou a espera; espera pelo término. Espera que chega ao seu segundo estágio, enquanto o tempo passa. Meu coração, meu vasto e solitário coração não está doendo, nem sentindo. Não me falta o que eu não quero. O que eu quero me falta, mas o material não é mais tão necessário como antes.
Um atraso que me conturbara muito. Dois minutos pra surgir nervosismo. Descontrole. Temor. Joelhos trêmulos e outras coisas mais.
Mas dois minutos me trouxeram o encontro do acaso, que não significou mais do que um encontro social. Uma parte do convívio.
Assim que fujo, me busco. Assim que busco, me encontro. Quando me encontro, me canso. Mas esse cansaço desproporcional mostra minha constante vida, que por si só, já basta.
segunda-feira, junho 25, 2007
Estou sem inspiração
Mas talvez depois me venha alguma frase desencaixada à cabeça esperando por ordem e significado, que é o que mais nela importa.
Bem, pra falar a verdade, não escrevo nada que signifique algo pra alguém, a não ser pra eu mesmo. Não nasci conjugando os verbos ou falando certo, que nada, sempre escrevi errado. Nas minhas provas de português, o máximo que alcançara fora cinco pontos. Cinco pontos! O que são cinco pontos? É a vergonha, a grande vergonha pra um rapaz que tenta escrever alguma coisa. Uma grande frustração foi quando tirei zero. Mas não estou aqui pra falar disso. Estou aqui agora pra falar de inspiração, que é o que me falta há cinco dias.
Há cinco dias que a estrada se faz mais longa e que meus passos, por mais acelerados que sejam, parecem que não chegam nunca em lugar nenhum. Então que sejam bem vindos os fantasmas que virão, com certeza, encher a minha paciência durante as noites que vão se passar.
As ações disturbadas de outra hora, ficam pra agora. Pra aqui, já que o caderno às vezes me irrita. A caneta não quer funcionar quando quero escrever. Parece até que o Diabo chama nessas horas. Diabo...
Representação interessante para o que chamamos de mal. Diabo...
Deus... nome que não causa nenhuma impressão. Poucos prestam atenção quando se fala em Deus, mas quando se fala no Diabo, os olhares distantes querem chegar mais perto pra vez se o que assusta realmente repulsa. Ou apenas pra dizer que aquilo realmente não vale nada. São emoções falsas...

Se teu nome não estiver aqui depois, talvez foi porque não soubestes procurá-lo com a calma necessária. Até então, estava escrevendo um conto sobre um cavaleiro e uma donzela mas esses contos são tão babões que me irritam em muitas vezes. Acho que estes belos contos de amor eu deixo ao encargo de Shakespeare, onde quer que ele esteja. Escrever sobre a rotina fica com o Veríssimo. Escrever sobre outro mundo, por favor Tolkien, habilite-se. Mas escrever sobre o que eu quero, deixo aos meus cuidados. Escrever sobre minha falta de inspiração está me rendendo um monte de letras, que penso até em mudar o título. Mas isso não teria graça, porque foi por ele que eu comecei a escrever e a sair do desfecho desse artigo que nada diz.
Estou sem inspiração para o ensaio hoje. Hoje eu não quero planejar. Vou ficar aqui ouvindo a minha trilha sonora preferida, com minhas canções gritadas e dançantes que me fazem viajar por longos instantes.
E o dia segue- até quando, "só Deus sabe".
quinta-feira, junho 21, 2007
Olhar distante
Não consigo crer que o último do meu olhar distante se encerra em nada, se encerra em escrita arquivada, em pensamento frustrante, em idéia desconcertante.
Até o pensar está lamacento e pegajoso, mas não o quero assim. Mais flexibilidade seria necessário. Mas na minha atividade imaginária, não dá pra alcançar o término dos exercícios benéficos.
Estou conscinte de mim mesmo e de meu complexo de Peter Pan. Com o olhar distante, mas tão perto, fico matutando a respeito de onde encaixar a frase, o anúncio. Por fim, ele se repete. Isso me enfraquece por dentro.
Vou fazer fogo pra, sei lá, queimar neurônios porque a informação vaga que capto me irrita e na hora da busca aprofundada, algo acontece e me impede...
Minha personalidade talvez fique estampada no meu casaco verde que provém de morte, ou então nas teclas deste teclado, que aperto com uma paciência que soa a preguiça, quase inércia. Acho que nessa formulação toda de frases e palavras, acabo por me expressar dramaticamente, coisa que não quero. Se eu pudesse, iria rir o dia todo, mas só porque faz bem à saúde... Bem, mas que se dane minha saúde.
à Cláudia Iara Vetter
Com meus olhos e mãos, descobri o aconchego de tuas palavras. E elas me mostram um vasto campo de idéias, me modelam com o tempo, me altera com o nome, me leva ao nirvana...
Descobri com minhas mãos, que preciso de um esforço pra tirar a minha lama dos olhos e continuar ali, com vento frio secando eles a medida que o tempo passa e que me delício mais e mais...
Vi com meus olhos, a beleza estrutural de tua forma oculta por trás deste lugar. Vi a forma da palavra- no sentido figurado. Literalizei o que havia pra ser generalizado.
Toda vez que te leio, sinto teu toque lento, ingênuo e doce.
De uma sensibilidade tão plena e às vezes, de uma dor tão profunda. Que de tal, só se sai o amor.
Chega!
quarta-feira, junho 20, 2007
Hoje nada domina
Nem tuas mentiras, nem todas aquelas caras.
Hoje nada me trai!
Nem tua vizinha, nem o santo Pai.
Hoje nada me atinge!
Nem a estatueta, nem a esfinge.
Hoje nada me cria!
Nem Duchamp, nem nenhum outro dadaísta.
Hoje nada me canta!
Nem o rock com sua bela não-dança.
Hoje nada me escuta!
Nem eu, nem a chuva.
...
Hoje domina o agora do instante que se passou há algum tempo.
Estou elétrico
terça-feira, junho 19, 2007
Conto que não foi antes
O abraço do sol realmente enlouquece, a música constante não me agradece. Os artistas não apertam minhas mãos e muitos menos agradecem. Muito pelo contrário, ficam fazendo barulho enquanto se aproveitam de um silêncio não existente.
Homens precisam de animais que sigam a mesma forma que eles. O conto que não foi antes, foi pro canto, pra que agora surja esse dizer maldito. Homens precisam de sol que os abrace, que os aqueça e que os conserve no calor que degrada. E não de mulheres que os matam durante o sexo às escuras. (Risos), (risos), (risos) são as únicas que sobram. Mulheres precisam de homens que sejam animais como elas. Para que se completem. Pronto! Problema resolvido. Somos animais e o sol não nos abraça; só nos aquece.
O conto que não foi antes, foi mal dito agora. Pra que talvez me seja bendito depois, na hora de rir um pouco de mim mesmo.
.ocuoL
segunda-feira, junho 18, 2007
Hoje é poesia
{Vou confundir a ordem das margens para que eu seja mais feliz enquanto a compreensão é demorada e tola. Farei de meu melhor personagem o pior dramaturgo}
{O poeta, nobre poeta, viajou pra longe, pra além da memória. Pra depois do arco-íris, pra não ser descoberto. O admirador, escrivão, sumiu pensando que o amigo tinha fugido em busca de novas inspirações.}
Hoje eu vim falar de prontidão, de vigília e de paixão. Não quero saber de contos ou de confusão. Hoje a poesia é o remédio do coração. No desabrochar desse sorriso que estou vendo aqui dentro, sei o quanto me rendo diante de teu seio, aclamado e venerado seio de segurança, onde faço porto de espera, sem que seja seguro.
{Amanhã, na busca, eu falo de contos, porque hoje ele falou de poesia}
sexta-feira, junho 15, 2007
Por acaso, no caso de nos toparmos...

Quero ver teus lábios se moverem e pensar, "Nossa, que jeito esquisito de se falar", e olhar pra tua face de desprezo em relação ao que lhe parece estranho e grotesco. Se por um acaso, nos não nos toparmos, meus contos futuros não tem mais razão de ser. Porque quando inspirado, escrevo mal. E quando mal escrevo, é porque bem te quero.
Te salvar no aconchego da minha personalidade, foi díficil. E ainda achamos estranho o mundo imperfeito em que habitamos.
As milhões de estrelas que pairam no céu durante as noites de poucas nuvens, não se comparam ao brilho de teus olhos quando vejo teu semblante feliz e despreocupado. Já tua aflição, me aflinge, mesmo não parecendo que eu seja tão leal ou fiel como fora outrora.
Se por um acaso nos toparmos, não esqueça de me convidar pra tomar um café, ou comer um livro. Não me acanho mais perto de ti. Não tive medo na primeira hora, por que o teria agora?
Por acaso, no caso de nos toparmos, lembre-se de não me conhecer.
quinta-feira, junho 14, 2007
O não-sentido hoje, é pra você

Olhando pra figuras distorcidas em suas formas originais, presas nas paredes, figuro-as de modo que se movam. De faces escondidas, vejo os olhos que me seguem. Hoje escrevo pra você, meu modo preferido de tratamento, porque o tu fica pra depois. Fica no papinho de meio-fio, na risada frouxa, ou ainda, no meu pensamento de proibição.
Estou me proibindo neste exato momento de pensar em ver você, ou de pensar em encerrar o nosso caso que ainda não começou. Chegam turbilhões de risadas na boca agora mesmo. Sua face me faz lembrar do sorriso que você me deu.
As folhas, secas folhas do outono, já estão terminando de cair, e o resguardo do inverno virá austero. Farei o mesmo. Fico de prontidão aos meus passos, mas não aos meus cuidados em relação a você.
A minhoca Druba
quarta-feira, junho 13, 2007
Via
Há dias que troquei a minha primeira via da carteira de motorista, e há horas que não te via. Tua presença distante, está configurando, agora mesmo na minha mente, uma sensação conturbada. Uma presença imaginária. Uma situação, idade, século, hora! Tudo imaginário.
Te vejo entrando na casa de aviamentos, te vejo saindo toda avoada. Então o vento que soprou com força até derrubar suas coisas naquela estreita via, e ninguém te ajudou. Pelo contrário, pisaram nos seus aviamentos e nem te olharam a face. Enquanto vias aquilo pavorosa.
Mas eu!, eu te olho. De longe, como já disse em outra situação. Em outra estação. Em outra Terra. Em outra pessoa. Em outra Via Láctea
Beijo, se cuida e até depois.
(completamente fictício e sem imagens agora)
terça-feira, junho 12, 2007
O Corpo
A alma tão jovem, aprisionada por seu próprios pecados da carne, não é mais um castigo, é um dogma. Dogma esse que prende e que mata aos poucos.
Doença... ?
Os olhos ainda fechados, abrem as janelas da mente. As secreções visuais impedem que veja o horror, os crocodilos e os vermes. A boca serve pra ser cobra e pra berrar o não-sentido a todo instante...

...
Corpo podre, alma nova. Sentido abstrato, que não traz nada além de uma fusão de jóias e correntes, que não se chocam e nem prendem a vida.Que por mais que sofra ainda flui. Ainda emerge.
É tão livre e belo o movimento que não preciso descrever nada sobre, apenas necessita-se do olhar e da cautela.Por pequenos visores, as perspectivas se multiplicam por mil. Agora, que te soltastes, és livre pra que voes...
...
O corpo, aprendeu, a abrigar as almas em harmonia, e agora vive úmido e humilde. Sendo apodrecido por atitudes vermicídas...
Imagens por José Marafona
Não existe
Até porque não posso.
Ou seria impossível, porque espero.
Porquê, não quero poder parecer possesso.
Deveria ser mais fácil dizer o porquê.
Do que perguntar porquê.
Não existe porque eu eternizei
Aquilo que um dia pensei que fosse estranho, porque não era.
Porque pensei, parei.
Parei.
segunda-feira, junho 11, 2007
Eles não cantam no inverno

quinta-feira, junho 07, 2007
Nunca pensei também, em ser mais ou menos perto do tamanho de um grão de areia. Quis até, chegar mais perto de uma gota d'água, que por si só é densa.
Antes fora o momento exato pra que eu soubesse separar o mundo.
Separar a terra do mar, o mar da terra, a terra do homem e o homem da terra. Não fazemos mais parte desse conteúdo gélido e morto.
As amarras todas prendem-se a mim. E aonde, aonde estou?!
quarta-feira, junho 06, 2007
Nas mãos.
Bem, se fosse impossível dizer a mim mesmo que o tempo corre, diria. Diria para o tempo congelar e ficar assim, inerte, para todo o sempre. Ou para sempre quando eu quiser. Não quero culpar o trabalho e os calos pelas dores do tempo. Mas quero culpar o tempo que me presenteou com as dores e com a culpa do remorso.
A angústia ainda tão pouco vivida habitava de uma forma na alma da concha, que a casa perdia as suas poucas estruturas.
A posição das mãos em cura não se parece com o que um dia pensei em pensar que fosse possível chegar a tal pensamento conclusivo.
Os meios de análise falharam. E meu amor caiu por terra, no chão da estrada.
No tempo. No vento. No canto. No valo. No ralo. No fundo. No vazio. No estático. No parado. No intenso. No inerte. No tranquilo. No coração. No peito.
E as mãos trouxeram-no até onde seria mais prevísivel dentro da analogia construída com o tempo. Na dor. Na espera. Na frustração. Na angústia. Na felicidade. Na calmaria. Na tempestade. Na alma. Na concha. Na hora. Na cama.
Doente e tonto com visões monocromáticas que trazem vertigens aos pobres olhos da razão, que se faz forte e que não figura. E sim, literaliza.
*Imagem por Olga Gouveia
terça-feira, junho 05, 2007
Praça pública

Vou também, buscar palavras sem lógica nenhuma pra explicar uma suposta razão que eu próprio criei pra dizer que tu és uma pessoa assim, ou assado.
Preciso lembrar também que, nesse único dia que te vi, te avaliei por tudo. Pelos gestos, através dos olhares, das poucas falas, das risadas de canto de boca, das palavras soltas que saíram no meio do silêncio e também te avaliei pelo seu jeito de andar. Não olhei pro teu cabelo ou pro teu gosto intelectual. Olhei pra ti. E vi físico e alma.
Agora, como sei de tudo o mais que precisava saber, tiro as minhas próprias conclusões precipitadas a teu respeito e garanto que, minha mensagen subliminar não-dita, vai te tocar no âmago.
Sou um intrometido aos olhos alheios, mas é bem diferente.
Quando vejo passar lá embaixo na praça ou em qualquer outro lugar que seja, eu penso nos tropeços que poderias dar ao subir este ou aquele degrau. Imagino também que o amor de tua vida chegará e te beijará de imediato, me tirando as emoções e arrebatando-as às ruas.
A praça pública da tua vida é pra mim o que eu queria ver todos os dias. E vejo tua sombra diferente, todos os dias, correndo por lá. Mas não calculo as horas, os dias e muito menos os anos que passei olhando por esta varanda para a rua, que sempre me foi tão atrativa.
Oras, seria possível eu te dar um elogio mesmo nunca te vendo?
Claro que seria, afinal de contas, o meu poder de mentira (ou poderia chamar de criatividade?), é muito maior do que eu imagino.
E tu irias se deixar levar na hora pela amizade forjada em um segundo.
Me enganaria depois, e iria, com certeza cair em desespero súbito, por pensar que enganei a ti e a mim mesmo.
Mas agora que já te desvendei pela metade, é meio caminho andado até a praça pública. Lá onde a tua imagem se esconde e te transformas no que queria deixar de ver.
Contrário ao estivesse se como.

segunda-feira, junho 04, 2007
A tentativa.

Tentativa inicial.
Clamar as dores não compartilhadas para os ventos que não estão soprando hoje.
Tentativa dois.
Calcular as hipóteses, somando-as com as ações para que de modo estranho, encontre a razão.
Tentativa três.
Sair do medo e partir em busca da coragem mais racional possível para que ultrapasse as barreiras que prendem aqui.
Tentativa final.
Ingestão de dores, de estresse, de calúnias, de blasfêmias e de pouco amor, ou de amor sem doses. Overdose de existência. Quase inércia eterna.
Conclusão do processo: Falho; e constatou que não era o que queria.
Imagem por Olga Gouveia.
sexta-feira, junho 01, 2007
...?
Que sensação de mar é essa em teus ouvidos? Não escutas o som da alma e enlouquecestes com o mexer das águas, devido ao ritmo constante do mesmo.
Todas as tuas explicações levaram o que somos direto a um poço, um poço com luz. A fraqueza nos fortaleceu e o paradoxo, eterno paradoxo toma conta de tuas almas e te transforma em vários pseudônimos inconstantes e indecifráveis.
Se vistes o que tuas pequenas palavras proporcionam, verias que não é mais um corpo, e sentirias finalmente que esta carcaça que está a pesar por sobre a terra tem algum próposito, algum fim.
Por mais que teus passos ritmados vão e voltem, te desconheço a cada instante. Tuas imagens não são pra mim como um reflexo de teus pensamentos, porque não desvendo o que pensas. Mas se fosse possível te sentir, serias tão gélido quanto o gelo, e ao meu toque derreterias.
Serás aquilo que definires ser. Terás o quiseres ter. E ao mesmo tempo não terás nada, almejando sempre mais...
?
quinta-feira, maio 31, 2007
Uma nova rocha

quarta-feira, maio 30, 2007
No teu interior

Elevas as tuas indagações ao zero, assim como o calor evapora a água, levastes com tua desgraça toda a luz que via.
Por todo instante, te vejo gritar lamurias de perdão, de socorro e de saudade. Mas ainda não te vejo com a fronte erguida para o avanço.
Usas de tuas saídas com poucos, sendo que em tua alma, cabem milhões. Suja de corpo e pura de alma, estás criando a nova forma de podridão que provém de teu plantio involuntário. Ou seria de tua vontade inconsciente?
Os caminhos que se perderam, são reconstruídos. E toda a tua reconstrução não é nada mais que um novo e repetitivo fracasso.
Posso eu errar, sei muito bem. Mas sonho que tuas pétalas nunca terão mais a mesma cor e vejo que teu brilho será mais fosco que outrora.
Não deixais que morra. Nunca.
Foge pelo teu interior e vive no teu âmago.
terça-feira, maio 29, 2007
Chamou?
Ela me chamou agora. Tenho que rir.
Eu estou chamando, estou aqui...
Não, eu não sei. Mas vou estar esperando lá.
E o não-sentido, não importa,
As peças todas vão se juntando e formando o que?
O que as peças vão formando?
Ela chamou agora! Tenho que ir.
Ela gritou Agora! Tenho que rir.
Não ouço tuas vozes saltitantes, nem teu fervor...
Não quero teu sexo?! Não vejo teu sangue.
Mas viu? Estou lá sempre, esperando...
"...I'll be there waiting..."
segunda-feira, maio 28, 2007
Releitura 1
Há tempos que eu não ouvia belas palavras saindo de tua boca. Há dias que não vejo o teu sorriso te invadindo denovo! Há dias que eu não sinto tua falta, e que não almejo tua presença. E há dias que eu não ouço sua voz...
Pra falar e ouvir nossas verdades, não temos tempo. Pra tentar entender o mundo, quebramos nossa rotina. Pra reler os pensamentos, paramos o tempo. Pra criar, sou calmo.
Fronteiras da Mente

sexta-feira, maio 25, 2007
Estrada...
A fonte está secando, mas a fonte não pode secar!
Arranjo outros meios de pensamento, outras formas de viver, mas não essa... Não essa!
É só um meio, pra um talvez fim, ou nunca fim.
Sem fim... Estrada contínua, estrada (in)segura...
Uma parada abrupta, o que será?
Quem será? O que será? Por quê? Quem vai? Pra onde?
Preocupação... Futuro.
Nada é o que parece, e nos embalamos todos na dança do tempo, na canção geral da vida, na regra menor, na educação cordial, na escravidão legal. Mas por quê?
Futuro.
Tão comentado, tão pensado, tão horrorizante, tão preocupante, tão inseguro, tão longe...
Futuro...
quarta-feira, maio 23, 2007
A Cidade Está Queimando

terça-feira, maio 22, 2007
Fraca e Vaga
Alienação que faz esconder,
Ou aceitar
A conformada e suposta verdade.
Vago o espaço do homem cultural,
Rico o lado escasso da essência
Numa busca perdida por prazeres,
Vivendo sob uma ponte de deveres.
O que vos prende?
O que vos puxa?
A fraca e vaga sensação de estar vivo
Não é mais forte que a sensação
Da morte chegando com demasiada força
Por sobre uma vida ativa.
E nunca saberá da vida o homem que nunca pensou em ser nobre.
E jamais será nobre aquele que nunca cogitou em ser homem.
Forte, vigoroso, vago, feliz.
Fraco, cansado, preenchido, triste...
Demasiado.
Forte, vigoroso, vago, feliz.
Fraco, cansado, preenchido, triste....
Escasso.
quarta-feira, maio 16, 2007
Corpo presente

Não sei os motivos da decadência de teu espírito, não sei o motivo do apriosionamento material.
A existência é só um estágio, tem algo maior que nos espera além. Há uma existência mais pulsante em nosso espírito, mesmo que ainda não se faça existir, por assim dizer. Portanto, poderíamos julgar os nossos valores como certos ou errador? Dignos ou não?
Nessa sociedade ainda tão falha e tão acalmada por mentiras, nós vivemos, existimos. E deixaremos, por nossa existência, de valorizar o material? Será que somos tão fortes o quanto pensamos ser?
Será que ainda não nos vimos diante de nós mesmos?
Sim, infinitas questões pulsantes na nossa tão indefinida existência ainda nos assombram porque não sabemos o que há depois. Nos deparamos de forma tão cruel com o desconhecido, que ele não nos atrai(em parte), e sim, nos repulsa.
Humano tão humano, que só lembra de sua própria carne! Mas de que foi feito esse humano? De instinto? De prazer? De dinheiro? De espírito? De quê?!
Imposições sociais que nos levam a entender, ou a buscar questões e respostas para nossos problemas e (se preferirmos, chamemos de acasos), não nos trazem nada mais que a existência e a valorização do homem pelo estado bruto.
Não há nenhuma oposição no relato mas sim, algo a se pensar.
Por quê vivemos pensando no nosso futuro existente, no nosso corpo presente de amanhã? Por quê a consciência do amanhã tanto nos apavora? Por qual motivo somos ainda tão primitivos e ao mesmo tão modernos?
Aprendemos a ver e sentir a fraqueza alheia, mas ainda não aprendemos a sentir e ver a nossa própria fraqueza. Apegamo-nos então, ao material. Esse que nos tira do estado pensante do ser (ou não), e nos leva pra junto de algo, ou não.
Mas ao fim, não sabemos o que vem depois e isso nos assusta, nos atormenta. E pensar que morrer é o fim, é muita hipocrisia pra uma existência talvez ainda sem causa.
A morte nos assusta, é um balde de água gelada, mas que sabemos que virá! É a nossa única certeza para o futuro é que é nossa maior incerteza.
Existe uma eternidade esperando de braços abertos pra nos levar a estados de elevação nunca sentidos.
E, será que estamos em um destes?
Corpo presente em uma mente ainda distante, captando por imagens o material que no momento, ainda se faz pulsante.
quarta-feira, maio 09, 2007
Amizade Instantânea

Mas quero saber mesmo o que tens na cabeça.
terça-feira, maio 08, 2007
O Mal Chama
segunda-feira, maio 07, 2007
Dias e Mais Dias de Sofrimento
sexta-feira, maio 04, 2007
Palavras não Ditas

Explosões e Pensamentos

O que eu via não era eu, mas sim o que eu queria ver em mim, e isso me doía de um modo tão prazeroso que eu não pude mais conter as sensações e explodi. Explodi de ódio, explodi de amor.
E agora que pergunto qual é o momento certo pra realizar o que fora determinado antes?
Vou explodir a bomba mesmo com o relógio estando quebrado, mesmo não podendo mais contar o tempo. E sendo assim, sei qual é a hora certa, mas não qual é a hora. Te entende?
Não poderia eu simplesmente descartar todo um mundo que ainda não foi completamente criado. Não quero eu ser um estorvo na minha vida então, prefiro me neutralizar do que ser uma cópia mal reproduzida de mim mesmo.
Essa análises confusas ainda vão estourar, isso já não me estouraram.
Ou isso ou explodo.
Que seja hostil a libertação da alma que fora aprisionada por um corpo que se prendia! Que faça barulho a carga explosiva que estourará dentro de um só corpo e que destrói uma só cabeça!
Explosões no Sol a todo momento... Sou Sol.
Sou a explosão que busco, sou a explosão que me liberta.
Sou apenas eu pensando nas maiores futilidades da existência humana, que por si só, pode ser muito mais que fútil.
quinta-feira, maio 03, 2007
Ajuda-me, Vida!
- O que será melhor, a não ser a morte? Por quais motivos deveria eu continuar me massacrando?: Isso é muito sadismo da vida para comigo. Qual é o prazer que tu, vida, sente em me trazer do nada ao nada? Sei que tu estás a provar de que o que veio do nada, ao nada voltará.
- Mas veja bem se tu me entendes; eu não queria estar nestas condições que me ofertastes. E não me venha com estes termos clichês, de que só porque me oferecestes, tive que escolher, porque sabes bem que não é assim. É menos ou, mais. Bem menos ou, bem mais.
- Poderia eu ir numa lojinha de esquina e me entupir de doces e guloseimas, enquanto do outro lado do mundo o moribundo clama por comida? Poderia eu olhar pra mim mesmo e me ver belo e feliz diante de minha condição de espírito? Sei que não. Sei que posso ser feliz em estar me ajudando, em estar me preservando. E gosto mesmo de exagerar e de me contradizer ou então, pelo contrário, não seria eu.
- Gosto de exagerar nos meus gestos, gosto de me fazer expressivo até na alegria, gosto também de cantar ao silêncio as músicas que inventei. E sou ciente de que só tu sabes o que contruo; nem eu sei o que construo. Mas bem, isso não vai ao caso.
- Porque o que vai ao caso és tu, vida. Vida essa que me faz existir, vida essa que não me faz só um corpo inerte. Maldita vida esta que me faz sonhar! Maldita vida esta que me fez sonhar! Maldita vida que me deu o viver!
- Não quero mais todas aquelas palavras enjoativas que são proferidas nas praças públicas ou nas casas de família. Quero as minhas palavras, as minhas influências, quero me desdizer, quero voltar a ser, quero voltar e ser denovo. Vida, deixe-me viver!, ou tira-me o ser!
- Precisaria eu morrer mil vezes e ver mil vezes tudo denovo para absorver e drenar aquilo tudo que me saiu pela boca e deixar de ver as desgraças de minha existência. Vida, salve-me! Vida, exila-me! Ajuda-me, Vida!
...E em todos estes momentos, ele sonhou que era algo que não podia ser e se transmutou para o que hoje chama de humano. Será sempre um animal, imutável animal recorrendo à vida por qualquer motivo.


