A maior pedra que poderia aparecer em seu caminho, que serve de ponto de parada, é agora uma bola quente e dura, onde clareza e compreensão se conquistam com dor de ferro e fogo. O saber torna-se disponível somente aqueles que sentem-se plenos na maturidade das decisões. E seu corpo, não se importando com feridas, vai e queima-se, transpondo o que as palavras não conseguem nem sequer explanar. Mas as tentativas são as filhas da falha e do acerto, por isso a tensão, por isso a pressão sentida:
-O espírito ancião é o que guia meu corpo nesse lugar escuro, quente, com estalidos dos meus próprios ossos e com a dor, aguda, de meus fracos músculos, pra me dizer que há a esperança de transpor os níveis rasos. De baixa consciência. Não há como medir em níveis aquilo que meu coração sente. Meço em batidas. As de desespero são muito mais eficazes que as de felicidade. Abrem os olhos diante do horror real. Fecham as mãos, preparando-nos para a batalha. E a reclusão de todos os sentidos me esconde atrás desse biombo de vidro, onde mesmo não aparecendo, os outros me vêem. Como algo que não sou. Como algo que não sabem de mim. Como uma impressão que, sem ver, deixei transparecer.
A visão do real impulsiona suas mãos aos olhos, sua boca aos braços, formando a prece. A prece sufocada, que não fala, mas que lateja o crânio, que machuca as pálpebras, que não conseguem ficar fechadas. A luz pede para que se abram. Mas o escuro é caminho incerto, e a incerteza o guia dentro das impossibilidades que configuram-se quase reais. É quase real ser amigo de quem nunca será visto, é quase certo estar próximo de uma porta que nunca vai ser aberta. É meio óbvio que o erro de abertura esteja ali, escancarado, mas nunca verá, nunca verá.
Porque mesmo com a dor, aguda, agora em todo seu corpo, seus sentidos intocáveis mostram-se resignados a negar a dor. A negar a desesperança.
E seu amor, cresce. Explode nas nuves que ficam acima de sua cabeça. Transcendem a si, que está prestes, a depois de ter rezado e ter se sufocado, pegar tudo que lhe é devido e que lhe pertence, por direito. Desconhece de seus artíficios. Seu corpo cai, sempre antes da queda. Quando sente a dor do impacto, já está lá há muito tempo.
É como se estivesse sentindo em câmera lenta.
quarta-feira, novembro 25, 2009
sexta-feira, novembro 20, 2009
A visão que sobressai dos lençóis
O que os olhos podem ver ainda é muito maior do que a boca é capaz de explicar, e a visão das coisas efêmeras é o que assola os corações insubordinados. A estrutura que se concretiza para a criação dessa atmosfera cheia de gostos e desgastes, leva a inconsciência a um patamar elevado. Ao patamar ínfimo do que se perde no meio do caminho. E a isso, Josué dá o nome de liberdade. A liberdade da desenvoltura de seu corpo, não é a mesma quando acorda e muda sempre que vai dormir. São anestesias análogas, mas com intenções diferentes.
O corpo, murcho, cai leve ao chão, como se fosse pena, quando o único desejo é fechar os olhos.
Levanta-se mole quando o dia novo vai começar, para que ele caia de novo. Todo os começos sempre acabam sendo grandes e indomáveis encontros com a ruína; e mesmo quando dormi sorrindo, sente-se...
no chão.
sexta-feira, novembro 13, 2009
Saindo para um hiato
Conduzido por algum tipo de pena, dessa que não se sabe de onde vem, nem pra onde vai, o cachorro se guia pela rua. Guia-se pra dentro de uma metáfora que vai perdendo rumo.
Sua língua saliva enlouquecidamente por essa água que vive bebendo e que nunca mata a sede. Abana o rabo pra dizer que não liga e que de certa forma é independente, enquanto urra em seus próprios ouvidos. A fome tornou sua barriga uma cova de vermes. Ao menos sabe que dentro de si tem um mundo inteiro, só desconhece os motivos que levam a selvageria gloriosa pra um degrau de selvageria incontrolável. Se descobre tão selvagem que se desbrava em si. Esse cão tem milagres dentro de si e tem uma narrativa completa a seu redor. E enquanto apalpa com almofadas pequeninas seu rosto, conhece as feições, mas no fundo não distingue os traços.
Se falasse humanamente, se diria o rei dos oprimidos.
Mas se oprime por nada, se oprime por ter todos os ossos ao seu redor, se oprime por ser amigo do cão sitiado e o graceja assim que bem lhe apetece.
Ao cão é inegável a qualidade de arredio. De rebelde sem fronteira, sempre rumando ao norte. Busca norte e nunca teve seu próprio. O norte pode variar de acordo com os termos.
Quando ladra, pretende morder, mas como não tem todos os dentes formados, protela. É ainda um filhote, na verdade. Uma criança buscando, sozinha, um ninho independente no meio de uma multidão. Uma revolução para poder se aproximar da matilha. Ser lobo é muito mais importante do que ser raposa. Ter a beleza dentro da esperteza e fazer dela ícone de escapatória é lampejo brilhoso nesses olhos escuros encobertos por pelos lisos. De tão lisos, que esquece da fronte e seus olhos entram mais e mais.
Os olhos são a entrada da cova dos vermes. Os vermes são o convite. O chamado. São brinquedos maravilhosos assim como combustível prazeroso, mas são mesmo assim vermes. O cão não discute se são bons ou ruins, apenas sabe que o são. O são. E dele. A sua mordida delimita a corrosão e o prazer. Seu movimento é o limiar entre a inércia e a ação.
Para esse cão, o uivo independente não se completa sozinho. Seu choro tem que ser um espetáculo, porque afinal de contas, ele é o rei dos oprimidos.
Sua língua saliva enlouquecidamente por essa água que vive bebendo e que nunca mata a sede. Abana o rabo pra dizer que não liga e que de certa forma é independente, enquanto urra em seus próprios ouvidos. A fome tornou sua barriga uma cova de vermes. Ao menos sabe que dentro de si tem um mundo inteiro, só desconhece os motivos que levam a selvageria gloriosa pra um degrau de selvageria incontrolável. Se descobre tão selvagem que se desbrava em si. Esse cão tem milagres dentro de si e tem uma narrativa completa a seu redor. E enquanto apalpa com almofadas pequeninas seu rosto, conhece as feições, mas no fundo não distingue os traços.
Se falasse humanamente, se diria o rei dos oprimidos.
Mas se oprime por nada, se oprime por ter todos os ossos ao seu redor, se oprime por ser amigo do cão sitiado e o graceja assim que bem lhe apetece.
Ao cão é inegável a qualidade de arredio. De rebelde sem fronteira, sempre rumando ao norte. Busca norte e nunca teve seu próprio. O norte pode variar de acordo com os termos.
Quando ladra, pretende morder, mas como não tem todos os dentes formados, protela. É ainda um filhote, na verdade. Uma criança buscando, sozinha, um ninho independente no meio de uma multidão. Uma revolução para poder se aproximar da matilha. Ser lobo é muito mais importante do que ser raposa. Ter a beleza dentro da esperteza e fazer dela ícone de escapatória é lampejo brilhoso nesses olhos escuros encobertos por pelos lisos. De tão lisos, que esquece da fronte e seus olhos entram mais e mais.
Os olhos são a entrada da cova dos vermes. Os vermes são o convite. O chamado. São brinquedos maravilhosos assim como combustível prazeroso, mas são mesmo assim vermes. O cão não discute se são bons ou ruins, apenas sabe que o são. O são. E dele. A sua mordida delimita a corrosão e o prazer. Seu movimento é o limiar entre a inércia e a ação.
Para esse cão, o uivo independente não se completa sozinho. Seu choro tem que ser um espetáculo, porque afinal de contas, ele é o rei dos oprimidos.
Espiral
Estava pensando sobre a verdade de algumas coisas e sobre a mentira de outras tantas.
Chego a superficial conclusão de que o peso de atos pode refletir na carreira de um sonho.
Que o percurso torna-se fardo em determinado ponto.
Que a noite é densa e palpável e que o dia é tormento iluminado.
Não prentende-se mais a retórica lírica porque os dias perdem a noção de um sentido.
Não guia-se mais pelo padrão de se guiar. Guia-se pelo prazer de não olhar.
E quando olha-se, o prazer continua ali.
Parado e investigando o próximo orgasmo.
Mas não é o prazer que move.
É não ver.
E não ver é como estar correndo numa velocidade absurda.
Parar e olhar pra trás é arrependimento certo.
As cores cafonas da estação passada se renovam. A moda, pra todos, morrerá sendo uma espiral.
E para os cegos que continuam a se movimentar, fica a sensação de fluxo e renovação.
Todo momento de visão é um retrocesso.
Uma lembrança nostálgica daquilo que foi um dia o atual.
Chego a superficial conclusão de que o peso de atos pode refletir na carreira de um sonho.
Que o percurso torna-se fardo em determinado ponto.
Que a noite é densa e palpável e que o dia é tormento iluminado.
Não prentende-se mais a retórica lírica porque os dias perdem a noção de um sentido.
Não guia-se mais pelo padrão de se guiar. Guia-se pelo prazer de não olhar.
E quando olha-se, o prazer continua ali.
Parado e investigando o próximo orgasmo.
Mas não é o prazer que move.
É não ver.
E não ver é como estar correndo numa velocidade absurda.
Parar e olhar pra trás é arrependimento certo.
As cores cafonas da estação passada se renovam. A moda, pra todos, morrerá sendo uma espiral.
E para os cegos que continuam a se movimentar, fica a sensação de fluxo e renovação.
Todo momento de visão é um retrocesso.
Uma lembrança nostálgica daquilo que foi um dia o atual.
O mofo azul do ninho
As decisões mofam numa gaveta vazia, ao lado de um bloco de palavras velhas, com um bando de folhas secas e um pouco de água derramada no rosto. Água salgada, que vem de dentro, e saí suave, como se fosse um carinho triste:
-Preciso sair daqui agora, tanto que o nome do que toca naquele rádio que não é rádio, é sobre sair de lá. Mas de lá prefiro aproximação. Proximação. Não existe. Então as músicas mudam, e o sentido que as ofereço, troca de novo. Troca sempre que ofereço algo. Na verdade, tudo que ofereço é um algo que de nada serve. Não há como se esbaldar com o que tenho: nada. Esses pontos que remetem a "está para" não estão para me fazer bem nenhum. Nenhum arrependimento condiz com a noção de tempo real. O tempo real é o enredo de um filme que nunca acaba. O enredo desse filme, os outros lá chamam de vida. A ilusão faz parte. Faz parte da vida a ilusão. E a colcha de retalhos se forma abundantemente. Não falo do Brasil. Não falo da pluralidade. Esse pensamento no plural foi o que destruiu as coisas e me fez parecer egoísta. Egoísta por acreditar talvez no que nunca cri até então. Cri. Barulho de grilo. Grilo é um bicho esperto. Fica sozinho, invisível, sabe provocar medo, pode pular pra longe quando precisa. Até a hora que é pisado por alguém. Dentro de uma casa, há quem tire sua coragem de pular. E daí ele morre. Entrar na casa de outro é suicídio ou escolha? Isso é chato.
-Preciso sair daqui agora, tanto que o nome do que toca naquele rádio que não é rádio, é sobre sair de lá. Mas de lá prefiro aproximação. Proximação. Não existe. Então as músicas mudam, e o sentido que as ofereço, troca de novo. Troca sempre que ofereço algo. Na verdade, tudo que ofereço é um algo que de nada serve. Não há como se esbaldar com o que tenho: nada. Esses pontos que remetem a "está para" não estão para me fazer bem nenhum. Nenhum arrependimento condiz com a noção de tempo real. O tempo real é o enredo de um filme que nunca acaba. O enredo desse filme, os outros lá chamam de vida. A ilusão faz parte. Faz parte da vida a ilusão. E a colcha de retalhos se forma abundantemente. Não falo do Brasil. Não falo da pluralidade. Esse pensamento no plural foi o que destruiu as coisas e me fez parecer egoísta. Egoísta por acreditar talvez no que nunca cri até então. Cri. Barulho de grilo. Grilo é um bicho esperto. Fica sozinho, invisível, sabe provocar medo, pode pular pra longe quando precisa. Até a hora que é pisado por alguém. Dentro de uma casa, há quem tire sua coragem de pular. E daí ele morre. Entrar na casa de outro é suicídio ou escolha? Isso é chato.
domingo, agosto 30, 2009
Distopia
No momento que se transcorre, não consigo ver-me, apenas um tipo de penumbra envolto por calor e som de motor me envolve nesse silêncio tremendo, silêncio do âmago, mas ruído do exterior, o som e a compenetração, as atividades quase mecânicas na sua primordial essência, não conseguiria descrever como as coisas tem parecido nesse instante, em que depois de harmonizar-se com meu ar, conseguir respirar livre de frente para um mundo, que eu agora possa dizer que completei algum ciclo.
O ponto exato para partir dessas lilnhas que se acabaram fora um alerta de linearidade, uma vontade estonteante de ser periódico. E a canção segue, acariciando minha pele eriçada em vibrações sultis, ouvindo vozes de amigos vivendo em outro mundo meus próprios sentimentos.
Quero poder abraçar essa teoria como se fose um presente, uma dádiva de vivência livre, consciente e translúcida, onde todas as idéias são frutos de pensamentos livres, d
imensões exatas e racionalidade crua.
Quando vermos que a tua casa não é mais importante do que a minha, só pelo fato de ser sua, o dia em que conseguir ver como todo e não como indivíduo, o dia em que a repetição alcançar a perfeição e o erro adestrar a postura, e não a opressão torcer o pescoço em direção ao horror, o dia em que o dia puder ter luz e sombra e horizonte infinito; esse dia, será o nirvana colossal. A felicidade estampada em todos sob todos os seus aspectos, olhares se cruzando por carinho, todos em uma mesma vertente.
Todos emoção racional
Facades - Part 5 of Glassworks - Phillip Glass
O ponto exato para partir dessas lilnhas que se acabaram fora um alerta de linearidade, uma vontade estonteante de ser periódico. E a canção segue, acariciando minha pele eriçada em vibrações sultis, ouvindo vozes de amigos vivendo em outro mundo meus próprios sentimentos.
Quero poder abraçar essa teoria como se fose um presente, uma dádiva de vivência livre, consciente e translúcida, onde todas as idéias são frutos de pensamentos livres, d
Quando vermos que a tua casa não é mais importante do que a minha, só pelo fato de ser sua, o dia em que conseguir ver como todo e não como indivíduo, o dia em que a repetição alcançar a perfeição e o erro adestrar a postura, e não a opressão torcer o pescoço em direção ao horror, o dia em que o dia puder ter luz e sombra e horizonte infinito; esse dia, será o nirvana colossal. A felicidade estampada em todos sob todos os seus aspectos, olhares se cruzando por carinho, todos em uma mesma vertente.
Todos emoção racional
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quinta-feira, junho 25, 2009
O que mais?
O agudo de uma voz estranha, mas ao mesmo tempo íntima, tem dito-me tanto, que o medo de ouvir a verdade só impulsiona-me à busca de algo novo. O novo dentro do mesmo, dentro do velho. A negação da fala afirma que o silêncio por si só, carrega tamanha turbulência, porque ao redor de minha mudez o mundo continua falando tanto, e aos poucos constrói todas as frases que eu, aqui, poderia dizer.
Esse leque de palavras, ao invés de abanar-me, sufoca-me cada vez mais. Cada vez mais e mais, por sempre ter que ser mais. Não contento-me com esse amor que jorra desse teu vazio, não digo-lhe o que sinto. Não falo-te, mundo, das minhas vontades, pois não as desejas e por isso mesmo enterro as minhas vontades em algum lugar muito perto do meu coração, pesando cada vez esse fardo que carrego sem perceber.
Se o manto da apatia caísse sobre mim, as cores seriam, quem sabe, mais fortes, as palavras mais significativas. Mas não. É acampado na distância, protegido pela tua sombra, que construo a morada onde por instantes escolho viver; olho o horizonte como se estivesse embaixo de meus pés.
Esse leque de palavras, ao invés de abanar-me, sufoca-me cada vez mais. Cada vez mais e mais, por sempre ter que ser mais. Não contento-me com esse amor que jorra desse teu vazio, não digo-lhe o que sinto. Não falo-te, mundo, das minhas vontades, pois não as desejas e por isso mesmo enterro as minhas vontades em algum lugar muito perto do meu coração, pesando cada vez esse fardo que carrego sem perceber.
Se o manto da apatia caísse sobre mim, as cores seriam, quem sabe, mais fortes, as palavras mais significativas. Mas não. É acampado na distância, protegido pela tua sombra, que construo a morada onde por instantes escolho viver; olho o horizonte como se estivesse embaixo de meus pés.
domingo, junho 07, 2009
Musique
I can't understand what makes a man
It's another man
Help me understand.
(Depeche Mode- People Are People)
It's another man
Help me understand.
(Depeche Mode- People Are People)
sábado, maio 16, 2009
Aridez
A proposta não passa de simples reflexão acerca daquilo que ao flutuar, me rodeia.
As palavras, comigo, são de baixa frequência. Chegam sempre quando consigo dizer "é tarde demais"... É mais um assunto que se encerra. Um fluxo contínuo, pós-moderno, capitalista, um fluxo romântico, onde as coisas deixam de ser no exato momento da possibilidade do acontecer.
É preciso medir a distância para a luz. Manter o afastamento pra não perder o foco... Maldita técnica, que abstrai aquilo que pouco tinha.
Sensibilidade gastou-se. Teus olhos perderam as cores, tua voz tornou-se lembrança vaga, música velha. Ultrapassada é a tua sombra.
Na verdade esse laudo chama-se mágoa. Que não fiz questão de guardar e por isso doei ao vento e aos sorrisos que flutuam sem ter aquilo de mais importante: verdade.
Às vezes até me pergunto o que acontece para que as palavras que tanto quis ouvir demorem tanto a serem ditas. Será que meu silêncio intimida? Mas mesmo não abrindo a boca, sei que digo muito. Acredito nas coisas que não necessitam ser ditas. Esse registro de diário - são linhas sem lirismo.
É um ex-romance, cru, atritando na pele e turvando minha vista.
A garganta trancada. As lágrimas preparadas para sair à jato. O olhos trêmulos, as mão firmes. E as letras indo e voltando... Resumo tudo dizendo"cansaço". E se voltar a falar, terei dito tudo, mais uma vez.
As palavras, comigo, são de baixa frequência. Chegam sempre quando consigo dizer "é tarde demais"... É mais um assunto que se encerra. Um fluxo contínuo, pós-moderno, capitalista, um fluxo romântico, onde as coisas deixam de ser no exato momento da possibilidade do acontecer.
É preciso medir a distância para a luz. Manter o afastamento pra não perder o foco... Maldita técnica, que abstrai aquilo que pouco tinha.
Sensibilidade gastou-se. Teus olhos perderam as cores, tua voz tornou-se lembrança vaga, música velha. Ultrapassada é a tua sombra.
Na verdade esse laudo chama-se mágoa. Que não fiz questão de guardar e por isso doei ao vento e aos sorrisos que flutuam sem ter aquilo de mais importante: verdade.
Às vezes até me pergunto o que acontece para que as palavras que tanto quis ouvir demorem tanto a serem ditas. Será que meu silêncio intimida? Mas mesmo não abrindo a boca, sei que digo muito. Acredito nas coisas que não necessitam ser ditas. Esse registro de diário - são linhas sem lirismo.
É um ex-romance, cru, atritando na pele e turvando minha vista.
A garganta trancada. As lágrimas preparadas para sair à jato. O olhos trêmulos, as mão firmes. E as letras indo e voltando... Resumo tudo dizendo"cansaço". E se voltar a falar, terei dito tudo, mais uma vez.
sábado, abril 11, 2009
Conservação e Manuseio
Ele aceitou ser um bobo da corte. Sim, da mesma forma em que aceitei o neutro abraço da distância. Os olhos treinados saberão distinguir e o coração sabido de mim, já decifrou.
Daquilo que me consome: deve ser o silêncio, que de tão tenro e denso, mascara-sede bem-estar-bem.
Logo ao lado há homens dizendo que não vão parar, não! de cantar e amar. Ensaio maldito, não é domingo. Beatles embala a vizinhança. Eu acho que é beatles.
Há quem sugira que isso seja uma tentativa de ser cult. COME'ON BABY! Shake it out now!
Rodeio pra chegar à corte. Para tocar no bobo. Para fugir do hoje, e alcançar o novo.
Daquilo que me consome: deve ser o silêncio, que de tão tenro e denso, mascara-sede bem-estar-bem.
Logo ao lado há homens dizendo que não vão parar, não! de cantar e amar. Ensaio maldito, não é domingo. Beatles embala a vizinhança. Eu acho que é beatles.
Há quem sugira que isso seja uma tentativa de ser cult. COME'ON BABY! Shake it out now!
Rodeio pra chegar à corte. Para tocar no bobo. Para fugir do hoje, e alcançar o novo.
quarta-feira, março 18, 2009
Palpitação
Retoco-me ao ponto em que a essência se busca em mim.
Perco-me na febre da consciência, suando todo o vazio que até então me flutuava.
Sigo-me febril, encontro-me vazio.
Repleto de nada, continuo.
Racionalizo-me em uma só pessoa e busco o ponto, longínquo, em que posso ter perdido
Aquilo que eu não sei ser.
Perco-me na febre da consciência, suando todo o vazio que até então me flutuava.
Sigo-me febril, encontro-me vazio.
Repleto de nada, continuo.
Racionalizo-me em uma só pessoa e busco o ponto, longínquo, em que posso ter perdido
Aquilo que eu não sei ser.
sábado, fevereiro 14, 2009
Tons
Não há música, mas há som. Não há abraço, mas há uma força que me repele ao encolhimento. Encolhimento do que sou, organizado dentro de mim. Uma força de dois que agora só sai de um. Um território de tragédia. É o corpo. O corpo. Quero sim repetir. O corpo o amor os dois o casal a união: nada disso é. Inventa-se o que se quer. Exausto meu corpo: só explora uma criação que não se compreende. Não se compreende. Rosado meu rosto se encontra diante de um espelho.
Reflexo oxelfeR.
De tanto que se amam, morrem no final. E percebem que não são os dois, mas sim quem são os dois que machucam tudo. Não precisam deles próprios. Amam-se à distância. Com poucas palavras dão o tom do que é o amor.
Reflexo oxelfeR.
Não há mais o que mostrar. Vaguidão rumando à busca de um sentido. Tentativa: isso que se torna erro programado dentro de uma questão de segundos; onde encontra-se a sensibilidade tangível aos teus lábios? já que tudo agora, no auge dos dias, é sempre tão previsível. Me assistes enquanto eu te vejo, eu sofrendo em qualquer trajeto do meu dia. Seja com sol no rosto ou com lágrimas nas mãos.
Aqueles dias se foram, o inverno hoje queima o corpo de agonia. Só a solidão da madrugada perigosa é que dá o tom do existir: o coração que palpita o tempo todo enquanto o escuto com destreza. Para quê diabos música se tenho coração?: batida cabível as minhas necessidades quando não há ninguém.
Peito: gelo. Mão: calo. Boca: silêncio.
Impressão ruim;fluxo fluxo. Congelado dentro de mim. Regojitando. Dando o tom da modernidade. Agressiva enquanto pode, porque não há mais sentido em contemplar a ruína, agora tão perceptível, dos nossos.
Aqueles dias se foram, o inverno hoje queima o corpo de agonia. Só a solidão da madrugada perigosa é que dá o tom do existir: o coração que palpita o tempo todo enquanto o escuto com destreza. Para quê diabos música se tenho coração?: batida cabível as minhas necessidades quando não há ninguém.
Peito: gelo. Mão: calo. Boca: silêncio.
Impressão ruim;fluxo fluxo. Congelado dentro de mim. Regojitando. Dando o tom da modernidade. Agressiva enquanto pode, porque não há mais sentido em contemplar a ruína, agora tão perceptível, dos nossos.
De tanto que se amam, morrem no final. E percebem que não são os dois, mas sim quem são os dois que machucam tudo. Não precisam deles próprios. Amam-se à distância. Com poucas palavras dão o tom do que é o amor.
domingo, fevereiro 08, 2009
O que não se vê
Imperceptível aos olhos da compreensão e trancafiado numa memória. O que tudo tornou-se. Agora ando nestes cômodos com olhos vazios, o sentido pulsa nas paredes mas não na carne.
Faço parte íntegra desse espaço vazio, renegando a evolução hipócrita desse espírito; que por incrível, parece-me sujo.
Sujo de escuro, torna-se cego. E minhas mão tão pouco calejadas fraquejam na premissa de ir até teu posto e pousar sobre teu corpo.
As lágrimas são o veneno que sorvo,mas não só. Só estou como sempre; a tristeza é expansão exata desse lirismo fraco. Trancafiado num frasco. Posso vaguear e devanear até encontrar qualquer resposta longe da tua lembrança, porque longe de meu corpo, minha razão é o que basta.
E dessa expressão de fraqueza - a qual denomino força- surge o inesperado: o desejo de condensar-se à tua palavra, a tua queda disfarçada de ascensão.
Tentar, entender, por via de dúvidas, compreender. A dificuldade de minhas forças encontra-se na facilidade de teus movimentos.
É por isso que fico só; do outro lado há quem viva, quem pulse ao som do meu respirar.
E galgo degraus, invisível, indo atrás da sombra que me refresca o corpo e me alenta a alma;
Faço parte íntegra desse espaço vazio, renegando a evolução hipócrita desse espírito; que por incrível, parece-me sujo.
Sujo de escuro, torna-se cego. E minhas mão tão pouco calejadas fraquejam na premissa de ir até teu posto e pousar sobre teu corpo.
As lágrimas são o veneno que sorvo,mas não só. Só estou como sempre; a tristeza é expansão exata desse lirismo fraco. Trancafiado num frasco. Posso vaguear e devanear até encontrar qualquer resposta longe da tua lembrança, porque longe de meu corpo, minha razão é o que basta.
E dessa expressão de fraqueza - a qual denomino força- surge o inesperado: o desejo de condensar-se à tua palavra, a tua queda disfarçada de ascensão.
Tentar, entender, por via de dúvidas, compreender. A dificuldade de minhas forças encontra-se na facilidade de teus movimentos.
É por isso que fico só; do outro lado há quem viva, quem pulse ao som do meu respirar.
E galgo degraus, invisível, indo atrás da sombra que me refresca o corpo e me alenta a alma;
sábado, janeiro 31, 2009
Estrada direto para o teu lado
É nessa distância silenciosa que o corpo paira, sôfrego; indo de encontro a braços de veludo, de leveza imensurável.
Esse destino que se choca ao meu lado torna-se passado; a vida plena agora é papel rasgado.
E mesmo assim o amor jorra do meu peito, sem sentir o coração palpitar. Só a roupa esquentando a carne.
Meu sentimento é tão tocável quanto aquilo que nunca senti. Te escondas em mim, para sentir que nosso destino longínquo e fardo prazeroso, que no fundo, não queremos, jamais, soltar!
Esse destino que se choca ao meu lado torna-se passado; a vida plena agora é papel rasgado.
E mesmo assim o amor jorra do meu peito, sem sentir o coração palpitar. Só a roupa esquentando a carne.
Meu sentimento é tão tocável quanto aquilo que nunca senti. Te escondas em mim, para sentir que nosso destino longínquo e fardo prazeroso, que no fundo, não queremos, jamais, soltar!
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Um trecho ao extenso
Quando a tua consciência atravessa a cidade, lembras de mim.
E assim que repousas, o surreal te abraça. Lembras de mim.
O meu pensamento estraçalha o que és; me guardas no ar mas lembras de mim.
A memória desse dia é sopro pra aí.
Lembras de mim?
E assim que repousas, o surreal te abraça. Lembras de mim.
O meu pensamento estraçalha o que és; me guardas no ar mas lembras de mim.
A memória desse dia é sopro pra aí.
Lembras de mim?
sábado, janeiro 24, 2009
A Voz e O Surdo
As sensações o fazem viver de passado, e o frio que fazia lhe presenteava com lágrimas nos olhos. De amor estava morrendo e nascia, em seguida, cheio de uma curiosidade carnal.
Sua boca não guardava palavras: ele sempre fora um péssimo túmulo para si próprio. Portanto, sua solidão transfere-se a mim. Torno-me o que sou, e neste movimento da barca, meus pés se molham. É água nova. A amizade firmou-se e agora é alicerce valioso, a fuga desejada e o conhecimento necessário estão perto do que às vezes quer-se longe. Não pode ser tão simples compreender o que o frio faz com a pele dos homens: nele reside a saudade e o calor de um abraço.
O solitário fala consigo: a isso chamo paciência; porque homem, como animal consciente, não anda sozinho por muito tempo. E não, renego-me a aceitar a solidão como precedente da doença. Todo alarme e toda a precaução só existem pela doença, e as almas livres que experimentam a cura por puro gozo, são sempre as que mais sofrem. E meu sofrimento torna-se o dele.
Sua boca já tão seca ainda revela muito, porque o cansaço escorrendo pelo corpo é um alerta fatal de que ele, em vida, torna-se moribundo. A cada dia que passa. Não é forte para determinar um espaço, mas o choro no vazio de sua casa delimita, com carinho amargo, cada pedaço de seu corpo. O que o pertence além de si próprio e algumas quinquilharias? O som de sua própria voz já o torna surdo, e o véu sombrio da cegueira já não o permite ver que a verdade sempre se manteve a poucos passos. E é nessa distância que eu me encontro. Perdido, mesmo parado; esperando toque desse deslocado à minha frente. Meus ouvidos aguentam tão estridentes gritos, meus olhos vêm tamanha moral destruidora; e meu corpo, cheio de vagas virtudes, nos liberta. Sou tão dele, que fico dando saltos entre uma alma e outra.
Sua boca não guardava palavras: ele sempre fora um péssimo túmulo para si próprio. Portanto, sua solidão transfere-se a mim. Torno-me o que sou, e neste movimento da barca, meus pés se molham. É água nova. A amizade firmou-se e agora é alicerce valioso, a fuga desejada e o conhecimento necessário estão perto do que às vezes quer-se longe. Não pode ser tão simples compreender o que o frio faz com a pele dos homens: nele reside a saudade e o calor de um abraço.
O solitário fala consigo: a isso chamo paciência; porque homem, como animal consciente, não anda sozinho por muito tempo. E não, renego-me a aceitar a solidão como precedente da doença. Todo alarme e toda a precaução só existem pela doença, e as almas livres que experimentam a cura por puro gozo, são sempre as que mais sofrem. E meu sofrimento torna-se o dele.
Sua boca já tão seca ainda revela muito, porque o cansaço escorrendo pelo corpo é um alerta fatal de que ele, em vida, torna-se moribundo. A cada dia que passa. Não é forte para determinar um espaço, mas o choro no vazio de sua casa delimita, com carinho amargo, cada pedaço de seu corpo. O que o pertence além de si próprio e algumas quinquilharias? O som de sua própria voz já o torna surdo, e o véu sombrio da cegueira já não o permite ver que a verdade sempre se manteve a poucos passos. E é nessa distância que eu me encontro. Perdido, mesmo parado; esperando toque desse deslocado à minha frente. Meus ouvidos aguentam tão estridentes gritos, meus olhos vêm tamanha moral destruidora; e meu corpo, cheio de vagas virtudes, nos liberta. Sou tão dele, que fico dando saltos entre uma alma e outra.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
A volta
Aquele coelho, que mais parece gato, em cima da mesinha é prova que o real ainda é palpável. E de que o sentir, é hoje, nada mais que só significado. Significado perdido na trava da minha língua, encadeado no fio do meu cabelo. Raspado pelo tempo as coisas seguem, com a lógica de que são sempre libertas pela inconsciência da arte. Da arte da comédia que grita por espaço, do teatro, ABSURDO, que chega como bomba.
Essa mesa é informada, calma e precisada de carinho. O que falta aqui É espaço pra se abrir um caminho que leve á liberdade da informação sem os dogmas do moralismo. Ismo é a doença da palavra, a precedência da enfermidade.
O livro aberto e fechado, aberto e fechado, ao lado da cama é o campo de criação. Troca de artistas. Dizem que é coisa de homem. ELE está, à vontade, só de cuecas, no escuro. NARRANDO QUALQUER COISA. Mas a trilha sonora do - eu te amo- não carece de resposta. É bonito, silencioso e distante.
Que sirva de alento para o momento, porque o compromisso de não magoar mais é resposta certa; no desfecho de qualquer novo projeto. Seis, na verdade. Seis, numa contagem que poderia ser longínqua se não fosse a barreira que não faz questão de se deixar ser transposta.
Esse novo acordo da língua, não altera o sotaque. O livro na hora do banheiro vai ter o mesmo sentindo com ou sem hífen. O pós moderno assusta a contemporaneidade. Olha-se para o passado para se entender o futuro. Essa mesa nunca foi tão mal informada. Essa conta de energia está tão apagada.
A intensidade da obra, leia-se do momento, é a imaginação da fala. Pensas, aí de longe, que isso não é uma posse. Isso é empréstimo efêmero. Sem subjetividade. O grito da tua palavra, suja com qualquer coisa do sexo, torna inimigo aquele que sai às ruas para viver o irreal.
Essa mesa é informada, calma e precisada de carinho. O que falta aqui É espaço pra se abrir um caminho que leve á liberdade da informação sem os dogmas do moralismo. Ismo é a doença da palavra, a precedência da enfermidade.
O livro aberto e fechado, aberto e fechado, ao lado da cama é o campo de criação. Troca de artistas. Dizem que é coisa de homem. ELE está, à vontade, só de cuecas, no escuro. NARRANDO QUALQUER COISA. Mas a trilha sonora do - eu te amo- não carece de resposta. É bonito, silencioso e distante.
Que sirva de alento para o momento, porque o compromisso de não magoar mais é resposta certa; no desfecho de qualquer novo projeto. Seis, na verdade. Seis, numa contagem que poderia ser longínqua se não fosse a barreira que não faz questão de se deixar ser transposta.
Esse novo acordo da língua, não altera o sotaque. O livro na hora do banheiro vai ter o mesmo sentindo com ou sem hífen. O pós moderno assusta a contemporaneidade. Olha-se para o passado para se entender o futuro. Essa mesa nunca foi tão mal informada. Essa conta de energia está tão apagada.
A intensidade da obra, leia-se do momento, é a imaginação da fala. Pensas, aí de longe, que isso não é uma posse. Isso é empréstimo efêmero. Sem subjetividade. O grito da tua palavra, suja com qualquer coisa do sexo, torna inimigo aquele que sai às ruas para viver o irreal.
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Da cor: a suposta saudade
Deita-te:
"Há de voltar à luz aquele que ainda me olha nos olhos. De olhos fechados, com medo, agudo, da dor. Dessa dor que corta a cabeça de ponta a ponta, que faz pesar o ar, que pontua cada palavra. Que cria fendas no instante da caminhada.
Eu, minusculamente, acompanho. Divagando acompanhado, mas falando sozinho sobre a abrangência do tema mais cortante. Deixo no ar jogado o pouco que resta da verdade.
A verdade tem sabor amargo, não desce garganta a baixo, fica presa nos olhos. Esvai-se em lágrimas. A verdade.
Na busca de elementos para construção do que poderíamos ser, termino por encontrar aquilo que éramos, e então com a leveza do meu corpo, já tão cansado, atiro-me de cabeça no azul dos teus olhos... Dos olhos que na verdade nunca vi, mas que com amor sempre olhei.
A casa, com a mobília inchada pelo tempo, quiçá pelas lágrimas, agora é parte da memória que nos corta. A memória é o movimento desse silêncio. Desse silêncio que pesa, como o som do piano costumava fazer ao embalar o romance que fazíamos da vida. Com beleza. Sem verdade.
Com a esperança vaga de que as fundações da morada seriam cada vez maiores e fortes enquanto o mato crescesse do lado de fora; pronto para cobrir naturalmente os corpos, a mobília e as lembranças. A adição do metafísico à carne. A carne toca o corpo, vira alma e volta para o nada. Para o mato, lá de fora, que naturalmente vem.
E na busca incansável por uma condição para poder continuar, tuas forças acabam assim que bates à minha porta, com os braços estendidos esperando o cheiro de mofo que existe. Os panos brancos estão até no espelho, onde costumavam ser refletidos os corpos humedecidos de tanta raiva depois de calorosas disputas de reconhecimento. "Eu quero ser mais amado", era o que eu ouvia como "Estou aqui a teu dispor, teu amor é o reflexo do meu rosto".
A verdade, a casa vazia, a mobília sozinha, criam vida própria, dizem-me pra voltar. E eu volto, pra fingir que até aqui, no poço fundo que são teus olhos, que olhar pra cima durante à tarde simula o passado escuro e dolorido. Onde não via nada mas ouvia. Dos teus gemidos de prazer ao teu balbúcio de dor".
"Há de voltar à luz aquele que ainda me olha nos olhos. De olhos fechados, com medo, agudo, da dor. Dessa dor que corta a cabeça de ponta a ponta, que faz pesar o ar, que pontua cada palavra. Que cria fendas no instante da caminhada.
Eu, minusculamente, acompanho. Divagando acompanhado, mas falando sozinho sobre a abrangência do tema mais cortante. Deixo no ar jogado o pouco que resta da verdade.
A verdade tem sabor amargo, não desce garganta a baixo, fica presa nos olhos. Esvai-se em lágrimas. A verdade.
Na busca de elementos para construção do que poderíamos ser, termino por encontrar aquilo que éramos, e então com a leveza do meu corpo, já tão cansado, atiro-me de cabeça no azul dos teus olhos... Dos olhos que na verdade nunca vi, mas que com amor sempre olhei.
A casa, com a mobília inchada pelo tempo, quiçá pelas lágrimas, agora é parte da memória que nos corta. A memória é o movimento desse silêncio. Desse silêncio que pesa, como o som do piano costumava fazer ao embalar o romance que fazíamos da vida. Com beleza. Sem verdade.
Com a esperança vaga de que as fundações da morada seriam cada vez maiores e fortes enquanto o mato crescesse do lado de fora; pronto para cobrir naturalmente os corpos, a mobília e as lembranças. A adição do metafísico à carne. A carne toca o corpo, vira alma e volta para o nada. Para o mato, lá de fora, que naturalmente vem.
E na busca incansável por uma condição para poder continuar, tuas forças acabam assim que bates à minha porta, com os braços estendidos esperando o cheiro de mofo que existe. Os panos brancos estão até no espelho, onde costumavam ser refletidos os corpos humedecidos de tanta raiva depois de calorosas disputas de reconhecimento. "Eu quero ser mais amado", era o que eu ouvia como "Estou aqui a teu dispor, teu amor é o reflexo do meu rosto".
A verdade, a casa vazia, a mobília sozinha, criam vida própria, dizem-me pra voltar. E eu volto, pra fingir que até aqui, no poço fundo que são teus olhos, que olhar pra cima durante à tarde simula o passado escuro e dolorido. Onde não via nada mas ouvia. Dos teus gemidos de prazer ao teu balbúcio de dor".
segunda-feira, dezembro 15, 2008
A ponte: fala silenciosa bem próxima do teu corpo
-Eles estavam de perto, se olhando. Dizendo palavras que eram quase mudas, por estarem tão perto do silêncio.
A busca pelo desejo de ser ainda consome, com calor, cada pedaço do teu corpo. O desejo de falar que o dia tinha sido cheio levou-te ao patamar mais baixo de consciência: Digo que estou vivo só para saber que estarás por perto quando eu gritar.
Quando o ruído passar e todo o som tiver deixado o teu corpo, eu deitarei-me em teu peito e hei de esquentar-te num sopro. O gelo nunca pareceu-me tão encantador como hoje, mas só em tuas mãos.
Abro mão de louvar teus poucos atos. A união consolida-se num vazio que não me cabe, mesmo enchendo-se de sorrisos. Se eu tivesse que transformar-te em algo bonito, serias um poço.
Bem fundo, vazio, e escuro. Não me irradia essa solidão. Nem esse cárcere de espera.
Como o teu sorriso, que vem pra abrandar as coisas, colocando-as em uma inércia que eu ainda desconheço.
A busca pelo desejo de ser ainda consome, com calor, cada pedaço do teu corpo. O desejo de falar que o dia tinha sido cheio levou-te ao patamar mais baixo de consciência: Digo que estou vivo só para saber que estarás por perto quando eu gritar.
Quando o ruído passar e todo o som tiver deixado o teu corpo, eu deitarei-me em teu peito e hei de esquentar-te num sopro. O gelo nunca pareceu-me tão encantador como hoje, mas só em tuas mãos.
Abro mão de louvar teus poucos atos. A união consolida-se num vazio que não me cabe, mesmo enchendo-se de sorrisos. Se eu tivesse que transformar-te em algo bonito, serias um poço.
Bem fundo, vazio, e escuro. Não me irradia essa solidão. Nem esse cárcere de espera.
Como o teu sorriso, que vem pra abrandar as coisas, colocando-as em uma inércia que eu ainda desconheço.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Corrente: tua boca, minha palavra
De me colocar dentro de falas. De criar algo pra imaginar saindo de tua boca. Disso, realmente, parece que estou farto. Desse pulo de excitação que me assalta só pelo desejo. De pontuar cada traço do meu corpo, tornando-o o teu.
A falta de sentido leva-me, não forçosamente, a esquecer de analisar qualquer coisa. Minha raiva cresce tão rápido, que cobre meus olhos com tristeza. E preciso de gritos, dentro da cabeça, pra sentir-me acariciado. Um carinho inatingível, que vai e volta pra mim. como o rodeio interminável.
Ao redor da tragédia, criei meu próprio drama, que não envolve nada além das minhas próprias lágrimas, que inundam meu peito. E me derretem por dentro. Me derretam por tanto e em tão pouco tempo que cá estou esquecendo que vim pra dizer; e talvez querer escutar.
-Estive atrás de você.
-Pra quê?
-Pra contar que com essa mentira toda, essa casa sem teto e sem chão, tornou-se uma desejada morada. Que essa suposta verdade que encontra-se por trás do teu sorriso já me disse tão pouco; que eu passo achar que qualquer sinal significa muito.
-Posso estar errado - e esfrega o rosto- mas o que vês aqui, nada mais é que o meu todo.
Entrando com o corpo dentro da fala: Claro que sim, isso tudo que vejo é teu todo, o que me provas que pra mim ainda és pouco. Quero-te mais, sem o medo de sentir o frio subindo pela minha barriga até encostar minha garganta. Quero mais uma chance pra explodir.
-Cansado de tanto errar, decidi entregar-me ao vento. E... Fico circulando.
A falta de sentido leva-me, não forçosamente, a esquecer de analisar qualquer coisa. Minha raiva cresce tão rápido, que cobre meus olhos com tristeza. E preciso de gritos, dentro da cabeça, pra sentir-me acariciado. Um carinho inatingível, que vai e volta pra mim. como o rodeio interminável.
Ao redor da tragédia, criei meu próprio drama, que não envolve nada além das minhas próprias lágrimas, que inundam meu peito. E me derretem por dentro. Me derretam por tanto e em tão pouco tempo que cá estou esquecendo que vim pra dizer; e talvez querer escutar.
-Estive atrás de você.
-Pra quê?
-Pra contar que com essa mentira toda, essa casa sem teto e sem chão, tornou-se uma desejada morada. Que essa suposta verdade que encontra-se por trás do teu sorriso já me disse tão pouco; que eu passo achar que qualquer sinal significa muito.
-Posso estar errado - e esfrega o rosto- mas o que vês aqui, nada mais é que o meu todo.
Entrando com o corpo dentro da fala: Claro que sim, isso tudo que vejo é teu todo, o que me provas que pra mim ainda és pouco. Quero-te mais, sem o medo de sentir o frio subindo pela minha barriga até encostar minha garganta. Quero mais uma chance pra explodir.
-Cansado de tanto errar, decidi entregar-me ao vento. E... Fico circulando.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Há algo sobre nós que preciso dizer:
O ranger desta mesa dá-me impressão de que parei, por um tempo, de ser eu mesmo. De que passei a emitir outros sons. Na realidade, emiti o som doce a minha voz, que parecia ranger, ao lado da tua. Como se de ti, viesse música. Não canso-me de repetir, que parcialmente, és incansável. Mas te ter por inteiro, a todo tempo ao meu lado, seria exaustivo. Um fardo que eu não teria capacidade de carregar. Teus ares pesariam e confrontariam os meus. Terminaríamos em lágrimas, com raiva.
Mas é com raiva que desligo o telefone, para subir com pressa e dizer, feliz, pra mim, que conversei contigo. Hoje [...] sei que não tenho, mas quero morada. Quero ter meus braços quentes e meu corpo rígido, mas não quero esperar o concretizar do meu desejo. E não esperaria que virias até mim com sua linda face, de comprador de corações. Prefiro a nobreza despretenciosa. Ai, como repito. Sou quase um computador. Deve ser essa nova cultura. Que me abraça toda vez que digo teu nome, prometendo-me morte mas enchendo-me de carinho.
Sou teu enfermo. Mas ao ver acabar as linhas do caderno, me curo; não deixo que meu orgulho adoeça. Prefiro não continuar dizendo. Antes que eu morra, minha cabeça estará doendo por, meticulosamente, organizar palavras; que depois não serão lidas por outro par de olhos que não os desejados: seus.
Não imprima novas folhas com este segredos. Eles são tão teus, que não cabem em mim. E é por isso que os mando longe: porque tenho tanto medo de te perder para algo vil, que te sustento e te inflo. -Mais uma caixa, guardada - Esta carta não é de mi para ti. É de uma posse tua para inflar-te o ego. Teu homem-selvagem há de caminhar veloz depois destas inacabadas linhas. Porque antes de acabar, o medo vem dizer-me que eu, ao contrário, tenho muito a perder. e este pedaço que escreve não sou eu. É maior. Se existe posse, és o demônio. Personifica-te naquilo que não acredito e vens dizer-me juras, de amor a todo instante. Eu sou prisioneiro de um desejo. Que controla-me. E impulsivamente perco-me em qualquer entendimento com a esperança de não estar me contradizendo, mas sim de estar levando-te algo de bom e belo. Já não acredito mais em mim sem antes acreditar no meu amor. E hoje, platonicamente, deixo em too o meu corpo; too o sentimento amoroso que eu posso dar: eu mundo de ódio. Um extremo doloroso, mas que por fim, acaba belo. Não hei de finalizar dizendo "te amo", mas sou capaz de declarar meu ódio para ver tua indiferença e desejar-te cada vez mais.
Mas é com raiva que desligo o telefone, para subir com pressa e dizer, feliz, pra mim, que conversei contigo. Hoje [...] sei que não tenho, mas quero morada. Quero ter meus braços quentes e meu corpo rígido, mas não quero esperar o concretizar do meu desejo. E não esperaria que virias até mim com sua linda face, de comprador de corações. Prefiro a nobreza despretenciosa. Ai, como repito. Sou quase um computador. Deve ser essa nova cultura. Que me abraça toda vez que digo teu nome, prometendo-me morte mas enchendo-me de carinho.
Sou teu enfermo. Mas ao ver acabar as linhas do caderno, me curo; não deixo que meu orgulho adoeça. Prefiro não continuar dizendo. Antes que eu morra, minha cabeça estará doendo por, meticulosamente, organizar palavras; que depois não serão lidas por outro par de olhos que não os desejados: seus.
Não imprima novas folhas com este segredos. Eles são tão teus, que não cabem em mim. E é por isso que os mando longe: porque tenho tanto medo de te perder para algo vil, que te sustento e te inflo. -Mais uma caixa, guardada - Esta carta não é de mi para ti. É de uma posse tua para inflar-te o ego. Teu homem-selvagem há de caminhar veloz depois destas inacabadas linhas. Porque antes de acabar, o medo vem dizer-me que eu, ao contrário, tenho muito a perder. e este pedaço que escreve não sou eu. É maior. Se existe posse, és o demônio. Personifica-te naquilo que não acredito e vens dizer-me juras, de amor a todo instante. Eu sou prisioneiro de um desejo. Que controla-me. E impulsivamente perco-me em qualquer entendimento com a esperança de não estar me contradizendo, mas sim de estar levando-te algo de bom e belo. Já não acredito mais em mim sem antes acreditar no meu amor. E hoje, platonicamente, deixo em too o meu corpo; too o sentimento amoroso que eu posso dar: eu mundo de ódio. Um extremo doloroso, mas que por fim, acaba belo. Não hei de finalizar dizendo "te amo", mas sou capaz de declarar meu ódio para ver tua indiferença e desejar-te cada vez mais.
segunda-feira, dezembro 01, 2008
O trêmulo movimento da boca, a minha
De novo, sem cuidados, o mural vai construindo-se. E ele vai, rumando calmamente, para a própria ruína. É a escolha.
-Ir embora. Foco minha vontade na alegria do ficar. Mas a ambigüidade ordena-me ir... Ir aonde? Aonde meus pés não são capazes de pisar, obviamente. Peço, encarecidamente, que algo fuja daqui.
Cansei-me da covardia toda. Da coisa que me envolve e que eu não sei contar. Acho, às vezes Moço, que tenho que criar personagens pra desvendar melhor quem eu realmente sou. Quando finjo não estar em mim, parece que o vento sopra mais. A brisa me faz lembrar da praia. Vês só, é tudo um amontoar de recordações, estampado em cada centímetro de mim. A minha última noite fora vívida, amável. Calorosamente tocante. E nesses pontos irrequietos encontro-me, junto de um ambiente em que, Moço, ninguém sabe o que se passa.
Não quero mais direcionar minhas palavras, quero até mesmo achar uma fonte, mas uma das boas. Posso até fazer pessoas lembrarem de mim por causa de alguma música muito chata, mas posso fazer alguém me esquecer em função de minhas frases ruins. Que bom que existe esse divã; deito-me nele, e a consciência parece até que melhor flui.
Invisto meus fundos, e escuto coisas do tipo: "Olha só, ele é guei?". Ainda bem que meu barulho individual, feito de um orgulho sintetizado, às vezes me protege de ouvir alguns tipos de barbáries. Quais?
Moço, eu quero dizer que estive num esconderijo hoje, mas não sei se posso entrar. Sei onde fica, fico sentado em frente olhando, mas não paro de pensar: a música pela manhã revelou-me novas percepções.
-Ir embora. Foco minha vontade na alegria do ficar. Mas a ambigüidade ordena-me ir... Ir aonde? Aonde meus pés não são capazes de pisar, obviamente. Peço, encarecidamente, que algo fuja daqui.
Cansei-me da covardia toda. Da coisa que me envolve e que eu não sei contar. Acho, às vezes Moço, que tenho que criar personagens pra desvendar melhor quem eu realmente sou. Quando finjo não estar em mim, parece que o vento sopra mais. A brisa me faz lembrar da praia. Vês só, é tudo um amontoar de recordações, estampado em cada centímetro de mim. A minha última noite fora vívida, amável. Calorosamente tocante. E nesses pontos irrequietos encontro-me, junto de um ambiente em que, Moço, ninguém sabe o que se passa.
Não quero mais direcionar minhas palavras, quero até mesmo achar uma fonte, mas uma das boas. Posso até fazer pessoas lembrarem de mim por causa de alguma música muito chata, mas posso fazer alguém me esquecer em função de minhas frases ruins. Que bom que existe esse divã; deito-me nele, e a consciência parece até que melhor flui.
Invisto meus fundos, e escuto coisas do tipo: "Olha só, ele é guei?". Ainda bem que meu barulho individual, feito de um orgulho sintetizado, às vezes me protege de ouvir alguns tipos de barbáries. Quais?
Moço, eu quero dizer que estive num esconderijo hoje, mas não sei se posso entrar. Sei onde fica, fico sentado em frente olhando, mas não paro de pensar: a música pela manhã revelou-me novas percepções.
domingo, novembro 30, 2008
A imensidão escura
Posso descarregar com milhões de palavras um só sentimento: o de sentir. O puro sentimento de sentir que eleva-me a reflexões que só eu, num dia distante, serei capaz de entender. E que este estenda-se até tua morada. Distante, como o dia do entendimento.
Sou capaz de ficar aqui, quieto, olhando-te, porque agora és o único desejo que sou capaz de esconder. Todos os outros são de um conhecimento quase público. E ao redor da desgraça, paira um ar desconhecido. Outrora até gostaria de ouvir tua voz novamente. Vozes têm sido o maior desafio de minha vida. E não restrinjo-me a ti. Restrinjo-me a qualquer vontade, a qualquer brotar de emoção. A qualquer jorrar de verdade que pode ser lágrima, escondida num bocejo, carinhoso, de sono.
Na noite que não acaba, eu aceno para o horizonte esperando uma resposta que talvez nunca venha.
Sou capaz de ficar aqui, quieto, olhando-te, porque agora és o único desejo que sou capaz de esconder. Todos os outros são de um conhecimento quase público. E ao redor da desgraça, paira um ar desconhecido. Outrora até gostaria de ouvir tua voz novamente. Vozes têm sido o maior desafio de minha vida. E não restrinjo-me a ti. Restrinjo-me a qualquer vontade, a qualquer brotar de emoção. A qualquer jorrar de verdade que pode ser lágrima, escondida num bocejo, carinhoso, de sono.
Na noite que não acaba, eu aceno para o horizonte esperando uma resposta que talvez nunca venha.
sábado, novembro 29, 2008
Aos olhos que sempre se fecham
Penso em qualquer canção que defina nosso estigma. Não encontro, porque somos o estereótipo do indefínivel. E para o que não se define, usam-se palavras complicadas. Prefiro simplificar e retificar que despedir-se não é bravo diante de mim. É covarde dizer-me adeus antes do dia acabar. As coisas não podem mudar e não peço que mudem, elas sabem a hora de partir e quem sabe o momento não seja este. Não me peça, nunca, para parar.
Me diga, se o amor é mentira. Sei que é algo que fazemos, simplesmente por fazer.
Não aguento a pausa. A distância de tua voz, soando estranha perto da minha, faz com que as coisas pareçam estranhas.
Adoraria poder simplificar, sempre poder simplificar, mas todo sentimento sempre há de andar nos lados em que não posso estar. Torno-me incapaz de dizer o que sinto, agora.
Preciso ver-nos sentados em qualquer lugar, sujo por sinal, pra poder tomar uma dimensão, imprecisa como todas do que pode estar passando-se a frente.
Esses carros todos, tentam explicar o que aquela mulher, grande, disse sobre a forma. Mas esse movimento nojento, não explica a forma de nada. Só complica o desenrolar até o fim. Essa língua presa só guarda as lágrimas, gritantes, aqui dentro da minha garganta. A córnea infla-se e por pouco não vejo nada. Estou entrando no estado teu estado. De excitação ludibriada, prometendo os fins, sem nunca ter um começo. Sem jamais existir um momento, eu imagino que sempre beijo-te a testa. Já que em tamanho és menor, aproveito-me de tua grandeza para beijar-te como rebaixado. Ínfimo, coloco-me, sem olhos impecáveis ao teu lado. E minhas palavras, querida, não conseguem, jamais dizer nada, quando meus olhos vêem o sol se pondo em mais um dia em que sinto nosso casamento cada vez mais forte. Somos mais dois, que não precisamos de contato para existir. Tua matéria, por vezes, pontua as linhas do meu dia. Transfiguras imagens para minhas cenas, és tão tênue que te perdes na névoa dos meus sonhos. E nem em poesia, eu sou capaz de dizer-te algo.
Terás sempre alguém para te abraçar, mas sinto que, mesmo de longe, sou corajoso o suficiente para sentar-me em qualquer lado e ver-te feliz, de longe. Bebendo voluptuosos goles de mais um clichê, que podemos chamar de amor. Mas a ele eu dou a forma da morbidez. Do inexplicável, que se complica em pensamentos difíceis e intrincados.
Quando acostumo-me com as regras, entre elas a de te ver, fica difícil burlá-las e fingir que não estás mais por perto. A distância, quando não existe, é só uma desculpa que criamos junto com o tempo que não existe.
Torno-te atemporal na decadência de minha consciência.
Me diga, se o amor é mentira. Sei que é algo que fazemos, simplesmente por fazer.
Não aguento a pausa. A distância de tua voz, soando estranha perto da minha, faz com que as coisas pareçam estranhas.
Adoraria poder simplificar, sempre poder simplificar, mas todo sentimento sempre há de andar nos lados em que não posso estar. Torno-me incapaz de dizer o que sinto, agora.
Preciso ver-nos sentados em qualquer lugar, sujo por sinal, pra poder tomar uma dimensão, imprecisa como todas do que pode estar passando-se a frente.
Esses carros todos, tentam explicar o que aquela mulher, grande, disse sobre a forma. Mas esse movimento nojento, não explica a forma de nada. Só complica o desenrolar até o fim. Essa língua presa só guarda as lágrimas, gritantes, aqui dentro da minha garganta. A córnea infla-se e por pouco não vejo nada. Estou entrando no estado teu estado. De excitação ludibriada, prometendo os fins, sem nunca ter um começo. Sem jamais existir um momento, eu imagino que sempre beijo-te a testa. Já que em tamanho és menor, aproveito-me de tua grandeza para beijar-te como rebaixado. Ínfimo, coloco-me, sem olhos impecáveis ao teu lado. E minhas palavras, querida, não conseguem, jamais dizer nada, quando meus olhos vêem o sol se pondo em mais um dia em que sinto nosso casamento cada vez mais forte. Somos mais dois, que não precisamos de contato para existir. Tua matéria, por vezes, pontua as linhas do meu dia. Transfiguras imagens para minhas cenas, és tão tênue que te perdes na névoa dos meus sonhos. E nem em poesia, eu sou capaz de dizer-te algo.
Terás sempre alguém para te abraçar, mas sinto que, mesmo de longe, sou corajoso o suficiente para sentar-me em qualquer lado e ver-te feliz, de longe. Bebendo voluptuosos goles de mais um clichê, que podemos chamar de amor. Mas a ele eu dou a forma da morbidez. Do inexplicável, que se complica em pensamentos difíceis e intrincados.
Quando acostumo-me com as regras, entre elas a de te ver, fica difícil burlá-las e fingir que não estás mais por perto. A distância, quando não existe, é só uma desculpa que criamos junto com o tempo que não existe.
Torno-te atemporal na decadência de minha consciência.
quarta-feira, novembro 19, 2008
Da confusa, verdade
De costas para seu principal ouvinte, tinha um mundo vazio à sua frente: uma parede branca expressava a suficiência de seus anseios; e com voz cansada, pausada, de desabafo, jogou palavras quase coloridas. Criou um mural:
-Há de chegar o momento em que poderei pensar em ser e remetido a um vazio sem nome. O nome do vazio, posso enganar dizendo que estou com um pouco de fome. Mas minto, lindamente, enrolando minha língua dentro da boca para dizer com outras palavras que fiquei muito surpreso com aparições inesperadas. Às vezes finjo acreditar em fantasmas, e burlo a minha própria vida.
É a isso que dou o nome de vazio: ao ato de burlar-me. De olhar ao redor e não me enxergar mais. Chego a ponto de pensar que me burlar é perder minha pequena paz. Nesse inferno segregado por mim, não há mais ninguém. Nem eu, que de longe da velhice só me sinto, por inteiro, dono de uma supostas juventude.
É então que perco a órbita, tiro-a do ponto comum, meus olhos se arregalam.
Hoje, olhar para frente fora difícil, quase gritante. Meu olhar quase substituiu minha voz; às vezes é bem melhor ficar calado. Assim, afasto-me de redundâncias, e não repito as mesmas coisas, como de costume.
Estou cansando, fraquejando, enquanto caminho sem dar passos.
O barulho desse desabafo soma-se infernal a medida que me enlaço num auto-abraço.
-Há de chegar o momento em que poderei pensar em ser e remetido a um vazio sem nome. O nome do vazio, posso enganar dizendo que estou com um pouco de fome. Mas minto, lindamente, enrolando minha língua dentro da boca para dizer com outras palavras que fiquei muito surpreso com aparições inesperadas. Às vezes finjo acreditar em fantasmas, e burlo a minha própria vida.
É a isso que dou o nome de vazio: ao ato de burlar-me. De olhar ao redor e não me enxergar mais. Chego a ponto de pensar que me burlar é perder minha pequena paz. Nesse inferno segregado por mim, não há mais ninguém. Nem eu, que de longe da velhice só me sinto, por inteiro, dono de uma supostas juventude.
É então que perco a órbita, tiro-a do ponto comum, meus olhos se arregalam.
Hoje, olhar para frente fora difícil, quase gritante. Meu olhar quase substituiu minha voz; às vezes é bem melhor ficar calado. Assim, afasto-me de redundâncias, e não repito as mesmas coisas, como de costume.
Estou cansando, fraquejando, enquanto caminho sem dar passos.
O barulho desse desabafo soma-se infernal a medida que me enlaço num auto-abraço.
domingo, novembro 09, 2008
Realidade [in]completa
Mas que coisa é essa de ficar sempre tão calado?, esperando minha volta no meio da noite? Pensas que sou a personificação do trair? Não, na realidade eu sou uma questão sem fim. Não é mesmo? Desafio-te a ir até o lado de fora. Ver a realidade. O seu surrealismo, ainda não saiu de casa, e não precisa de mais nada. A realidade está do lado de fora e o esconderijo é o avesso.
Beijo-te só com meus olhares e minha boca inunda-te de vontades. Desafio-te a sair de mim, a correr sozinho, achando que estás ao meu lado. Não olhes para trás. NÃO! NÃO! Proíbo que tua pele toque em qualquer outro que não o chão. Apenas permito um elemento, o ar, a sentir tua pele. Corres nu de teus princípios, porque sei que tens tudo sem eles. Sem esse medo que aprisiona-te e que nunca te deixa ver aonde andam os camuflados. Os inimigos não usam mais verde. O velório é a sensação do agora; preferimos parar; andar, e continuar dando a impressão de que estamos mortos. Nos ditados da ordem, a moda é o comando primordial da ascensão. Se não, teu futuro é infinita queda.
Desafio-te a respeitar as regras: sou a proposta paradoxal. Corras nu e respeite as regras. Ande na moda. Tuas roupas são teus conceitos, teus princípios começam sem respeito. As palavras devem ser milimetricamente previstas, é a exigência para uma possível admissão. O beijo é o sinal de aceitação. Meu olhar severo, certamente quer dizer que te ama.
Desafio-te a esquecer o futuro, a ignorar o passado e conviver com o presente na velocidade dos três tempos. Que teus irremediáveis atos tragam frutos de inverno. Faça, e pense. Pilares da liberté.
Coesão é para fracos. Estamos na era do conceito. Na era da inexatidão, da coragem. Andamos armados de insegurança. Nossa arma favorita é o medo, que deve apavorar qualquer um. O teu medo das coisas é teu meio de sobrevivência. A revisão é a covardia do ato.
Beijo-te só com meus olhares e minha boca inunda-te de vontades. Desafio-te a sair de mim, a correr sozinho, achando que estás ao meu lado. Não olhes para trás. NÃO! NÃO! Proíbo que tua pele toque em qualquer outro que não o chão. Apenas permito um elemento, o ar, a sentir tua pele. Corres nu de teus princípios, porque sei que tens tudo sem eles. Sem esse medo que aprisiona-te e que nunca te deixa ver aonde andam os camuflados. Os inimigos não usam mais verde. O velório é a sensação do agora; preferimos parar; andar, e continuar dando a impressão de que estamos mortos. Nos ditados da ordem, a moda é o comando primordial da ascensão. Se não, teu futuro é infinita queda.
Desafio-te a respeitar as regras: sou a proposta paradoxal. Corras nu e respeite as regras. Ande na moda. Tuas roupas são teus conceitos, teus princípios começam sem respeito. As palavras devem ser milimetricamente previstas, é a exigência para uma possível admissão. O beijo é o sinal de aceitação. Meu olhar severo, certamente quer dizer que te ama.
Desafio-te a esquecer o futuro, a ignorar o passado e conviver com o presente na velocidade dos três tempos. Que teus irremediáveis atos tragam frutos de inverno. Faça, e pense. Pilares da liberté.
Coesão é para fracos. Estamos na era do conceito. Na era da inexatidão, da coragem. Andamos armados de insegurança. Nossa arma favorita é o medo, que deve apavorar qualquer um. O teu medo das coisas é teu meio de sobrevivência. A revisão é a covardia do ato.
sábado, novembro 01, 2008
Fraqueza exprimindo energia
O silêncio era o que trazia à mente tudo o que precisava, e ele havia começado antes de o barulho terminar:
-Para não dizer tudo de novo, é daqui que começo, do ponto de partida que é meu fôlego, agora preso pelo desejo de contar um segredo. Cada palavra que sai de minha boca, soa como um segredo que nunca disse nem pra mim mesmo, que só aconteceu, como a chuva pela manhã que apagou o sol e esfriou de novo minha face. Estou violentamente feliz, como alguém já disse antes- estou voltando às raízes do que penso que sou.
A cadeira ao meu lado me serve de palanque, e dali conquisto o mundo. A palavra é minha didatura sobre mim mesmo, ou o dono da verdade e da mentira que foge de minha boca; sou a impressão gélida de alguém nem tão triste, mas tão feliz. O som metálico que acompanha o ritmo frenético de minha fala não acelera, mantém-se o mesmo enquanto o tempo atinge velocidade suficiente pra fazer cada palavra ser dita em menos de um segundo. Ele é o limite entre os paralelos. E enquanto eu estiver aqui, esta é minha casa, minha nova percepção. A ousadia ilimitada, a pornografia poética que vive sob o mar.
Na idade do metal, onde o pós é o que denomina o agora, fico preso. Com as pernas formando um v. Sou uma ponte entre o passado e o futuro, um ato em construção de algumas vontades e um mural de lamúrias. Encontram-se alguns em meus ombros para dizer-me amores, outros batem em meus braços como se fossem o vento. E nem sempre me reconfortam.
-Para não dizer tudo de novo, é daqui que começo, do ponto de partida que é meu fôlego, agora preso pelo desejo de contar um segredo. Cada palavra que sai de minha boca, soa como um segredo que nunca disse nem pra mim mesmo, que só aconteceu, como a chuva pela manhã que apagou o sol e esfriou de novo minha face. Estou violentamente feliz, como alguém já disse antes- estou voltando às raízes do que penso que sou.
A cadeira ao meu lado me serve de palanque, e dali conquisto o mundo. A palavra é minha didatura sobre mim mesmo, ou o dono da verdade e da mentira que foge de minha boca; sou a impressão gélida de alguém nem tão triste, mas tão feliz. O som metálico que acompanha o ritmo frenético de minha fala não acelera, mantém-se o mesmo enquanto o tempo atinge velocidade suficiente pra fazer cada palavra ser dita em menos de um segundo. Ele é o limite entre os paralelos. E enquanto eu estiver aqui, esta é minha casa, minha nova percepção. A ousadia ilimitada, a pornografia poética que vive sob o mar.
Na idade do metal, onde o pós é o que denomina o agora, fico preso. Com as pernas formando um v. Sou uma ponte entre o passado e o futuro, um ato em construção de algumas vontades e um mural de lamúrias. Encontram-se alguns em meus ombros para dizer-me amores, outros batem em meus braços como se fossem o vento. E nem sempre me reconfortam.
domingo, outubro 26, 2008
Rascunho
Agora, diante do meu silêncio, estou fixadamente olhando, a porta.
Na realidade, não é nada disso; não quero entrar num tema de infernos. Acho que estou sentindo um ciúme que nunca havia sentido antes. Um ciúme que nasce na distância das falas e no desencontro. Um ciúme que deixei crescer e que alimentei. Porque a falta que me fazes torna-me infantil demais a ponto de não reconhecer que sentir ciúmes é comum. Não sei se arrancarei alguma coisa dessa sua alma crescida e forte (a minha continua pequena e frágil... digo sem dramas).
Mas na última noite, escrevi uma poesia, com letras de sonho. Dizia que eras a beleza em forma de gente e que o sonho nunca acabava. Não havia ritmo e rima, eu escrevia certo no vão da minha mente. Literatura inconsciente.
-Como as coisas podem ter ocorrido assim? Da forma mais mascarada possível?
-Eu sei falar sobre o que quisermos, a menos que queiras dormir.
Na realidade, não é nada disso; não quero entrar num tema de infernos. Acho que estou sentindo um ciúme que nunca havia sentido antes. Um ciúme que nasce na distância das falas e no desencontro. Um ciúme que deixei crescer e que alimentei. Porque a falta que me fazes torna-me infantil demais a ponto de não reconhecer que sentir ciúmes é comum. Não sei se arrancarei alguma coisa dessa sua alma crescida e forte (a minha continua pequena e frágil... digo sem dramas).
Mas na última noite, escrevi uma poesia, com letras de sonho. Dizia que eras a beleza em forma de gente e que o sonho nunca acabava. Não havia ritmo e rima, eu escrevia certo no vão da minha mente. Literatura inconsciente.
-Como as coisas podem ter ocorrido assim? Da forma mais mascarada possível?
-Eu sei falar sobre o que quisermos, a menos que queiras dormir.
A cama ainda cheirava a suor e teor embriagado da imagem de um quarto envelhecido pelas roupas de brechó e pelas mantas de carneiro que traziam para o vazio um pequeno alívio à respeito de sua condição.
As pernas jogadas para o alto reluziam fortemente, eram quase espelhos.
A boca não conhecia a ruína nem a miséria:
-- Ah, lindo dia hoje, não?
domingo, outubro 19, 2008
Um tipo esnobe
As luzes acesas, surpreendentemente acesas, na sala de estar, não precisam estar ligadas, já que não havia ninguém em casa. Perdoando a fraqueza da narração da TV, ele estava deitado no seu novo divã, esperando que a história do dia começasse. Mas a propaganda de sempre, enrolava e aumentava a demora, tornando tudo muito cansativo.
Viajou os olhos até o outro lado, onde não havia luz, e até lá foi. Onde não consegue ver, consegue imaginar e quando imagina vai mais longe. Está onde não conseguiria chegar, acordado e lúcido. É como quando usa drogas, sente-se dentro de uma leitura fútil juvenil e eleva-se, pesado até onde pensa que é um local sublime.
Ele, como de costume, não consegue fazer com que ninguém o ame, até porque esse amor não é de verdade. Tudo é uma regra de contato, um novo protocolo de sobrevivência. Mas ao redor está escuro, os seus olhos cerrados dão a dimensão de que precisa. E no seu pensamento divaga.
"Se hoje possível fosse, explodiria um trem e voltaria a pé pra casa, beijaria meu pai na boca e me deitaria, incestuoso,na cama. O susto que a destruição do símbolo me traz é abstrato. Eu sou enjoativo, nauseabundo quando consigo. Porque geralmente meu ego não infla-se sutilmente. Não quero reservar minhas fontes... Estou acusando quem não conheço de algo que não sei se é real, por raiva de mim mesmo. Sou invejoso. Eu dilacero-me ao ver as coisas ruindo ao meu redor; as coisas que eu amo ruindo. E eu sei que posso fazer muitas coisas. Coisas coisas coisas, palavra que ficou em minha mente. Coisa, oia asco aí com as corisas. Tenho de rir para não me machucar."
A trajetória do relato não chega a lugar algum e a emergência de si, pretenciosa, o empurra a ficar sozinho. Parece que o que precisa é reconhecimento. É mentira. O que quer, é uma conversa de fora pra dentro. E quando imagina, está tendo.
Ele transforma seus ciúmes em raiva, sua raiva em lágrima, sua lágrima em desejo, seu desejo em excitação, sua excitação em gozo, e seu gozo em segredo. Ele representa, de forma concreta e real, o ciclo pútrefo do que é o humano no seu menor estado de graça. Mesmo com alguém por perto, não consegue sustentar-se. Ele é o tipo de gajo que despreza alicerces, pois tem orgulho e quer ser independentemente feroz.
Viajou os olhos até o outro lado, onde não havia luz, e até lá foi. Onde não consegue ver, consegue imaginar e quando imagina vai mais longe. Está onde não conseguiria chegar, acordado e lúcido. É como quando usa drogas, sente-se dentro de uma leitura fútil juvenil e eleva-se, pesado até onde pensa que é um local sublime.
Ele, como de costume, não consegue fazer com que ninguém o ame, até porque esse amor não é de verdade. Tudo é uma regra de contato, um novo protocolo de sobrevivência. Mas ao redor está escuro, os seus olhos cerrados dão a dimensão de que precisa. E no seu pensamento divaga.
"Se hoje possível fosse, explodiria um trem e voltaria a pé pra casa, beijaria meu pai na boca e me deitaria, incestuoso,na cama. O susto que a destruição do símbolo me traz é abstrato. Eu sou enjoativo, nauseabundo quando consigo. Porque geralmente meu ego não infla-se sutilmente. Não quero reservar minhas fontes... Estou acusando quem não conheço de algo que não sei se é real, por raiva de mim mesmo. Sou invejoso. Eu dilacero-me ao ver as coisas ruindo ao meu redor; as coisas que eu amo ruindo. E eu sei que posso fazer muitas coisas. Coisas coisas coisas, palavra que ficou em minha mente. Coisa, oia asco aí com as corisas. Tenho de rir para não me machucar."
A trajetória do relato não chega a lugar algum e a emergência de si, pretenciosa, o empurra a ficar sozinho. Parece que o que precisa é reconhecimento. É mentira. O que quer, é uma conversa de fora pra dentro. E quando imagina, está tendo.
Ele transforma seus ciúmes em raiva, sua raiva em lágrima, sua lágrima em desejo, seu desejo em excitação, sua excitação em gozo, e seu gozo em segredo. Ele representa, de forma concreta e real, o ciclo pútrefo do que é o humano no seu menor estado de graça. Mesmo com alguém por perto, não consegue sustentar-se. Ele é o tipo de gajo que despreza alicerces, pois tem orgulho e quer ser independentemente feroz.
domingo, outubro 05, 2008
Fragmento
sábado, setembro 27, 2008
Sense in the meaningless
(Gran Colosso)
No campo tão verde, que contrasta com a hélices de energia seu vestido amarelo com de flor dança, desperta a alma que mora. Tão leve, seus olhos azuis parecem pequenas luzes que refletem o panorama indizível à sua frente. Ela ama, de soslaio, o mundo que não conhece e gosta como se não fosse sua casa. De menina aprendeu a desgostar do que era seu, já que admirava tão fielmente as outras garotas. "eu quero viver tudo fora de mim antes que o tempo passe e me prenda em minha própria eternidade".
quinta-feira, setembro 18, 2008
Manifesto, ou A chaga que nunca se cura
Como deveria começar a viver, se o silêncio da madrugada não o impulsionava ao mundo, mas sim, o trancafiava cada vez mais em seu quarto? Que questionamento vago diante da saudade.
- Não estou aqui; hoje sozinho, diante desta pequena luz, para celebrar em mim os dias de glória. Os dias próximos do fim. Não queira entender nada do que disse, já que sabes que o que digo jamais é o que interessa. Sou apenas um bobo enclausurado; atirado ao fardo... De encontrar em mim o coração.
- O coração que parece fugir toda vez que se aproxima e que não deixa espaço para outro desejo: o coração é o objetivo de minha vida. E posso estar há horas andando, pois meus pés ainda não cansaram. Não me canso de correr atrás, e esconder-me, do que quero. É o suor do perigo que me põe a arriscar e é a ele que dôo a culpa da falta de meu fôlego.
- Na distância não ouço o palpitar de teu coração, assim como ouço, quase nada, o meu. Acordei hoje e não tenho vontade de dormir. Dormir para mim seria como morrer e hoje estou vivendo demais parar morrer em um mundo em que ninguém dorme.
- Parece que ainda não me banhei; ainda sinto o suor pastoso e o cheiro forte de minha pele; que não me reconheço em mim. Costumava ser mais Narciso, parecia que tinha muito que esconder.
- No canto do conto e canto. O ritmo de minha fala quer compor melodia.
- Tenho dois pequenos tesouros, que dormem, atrás da parede ao lado; um velho que dorme. E abaixo talvez habite o motivo do meu ser. Não seria eu se não me pegassem na hora da divisão. Comecei num divisor de águas e deixo tudo explícito; como meus pêlos arrepiados num banho de água gelada.
- Qual a minha pergunta? Ante o quê fico de sobreaviso à máscara? Falso falso falso falso falso. É o que sou. Tudo até hoje pode ter sido pura mentira, a mentira mais bem interpretada do homem. O que faço, só homem, em seu traje noturno, é capaz de fazer. Deixo minha esperança registrada no som seco, quase surdo, de um tapa. Meu tapa, minha verdade; sem flagelo, preciso de Realidade.
- Realidade esta que me mata. Cada segundo é consumidor de meu vazio, de mim e da primeira pessoa. Odeio-a. Quero acabar com ela. A intenção é suicídio, fim do ego. Tudo, com a força simples das palavras. Com o movimento de minha boca: quero destruir o ego. É a partir daí que começo.
- Destruindo, despindo e raspando; um mundo novo começa. Desesperançoso em relação ao Um, mas ansioso com o conjunto. Estou aqui sem utopias, sem comunistas e que morramos anarquistas. Venho começar, diante do mundo, a negação de meu corpo. Renego-me. Depois me construo longe de bandeiras e, quem sabe, perto do espírito. Mas nunca longe da instituição.
- Amor, fraternidade, espírito, ódio, individualidade, vazio. Instituições que giram em torno de outras e estou no meio (do escuro estão meus olhos e vejo: nada). O nada é a instituição do absurdo. A profundeza do humano: absurdo. À clareza do absurdo: nada. A mudança deste mundo?: absurdo. Eu esperando quê?: nada. Perdi na igreja a fé no Absoluto, beijei no vento o aroma do novo; senti vários perfumes e não me iludi com o aroma do Paraíso. Beirando convulsão, aceitaria provocar os teus títulos.
- Primeira e segunda pessoa: duelo sem fim. O paradoxo é interminável; quando falo de ti, entro em mim e esqueço que nós estamos preenchendo Eles. Meus braços tremem como todos os fundamentos que rompem-se com as novas certezas. As novas certezas da indiferença. E que não seja só humana! Dentro de cada homem habita algo mais, uma outra instituição.
- No meio de tantas cores, não escolho nenhuma; sou como tu, e preferimos não ver. Veja que nossos olhos se fecham. Impossível ver de olhos fechados? Pois que sintas para onde caminhamos: para um fim sem previsão, que talvez não seja fim. Estou desvencilhando-me de mim e deixarei a culpa ao lado de tua cama a culpa de minha existência. É esse o fim de mim. Matei meu ego.
Foi a palavra mais difícil de se escrever. A ele é a mais intrínseca. O verbete que nunca diz.

domingo, setembro 14, 2008
Jogando etc
"A música de maquinário torna perfeita a trilha angustiada por onde meu corpo se faz ir a frente. A pedante forma das avenidas faz-me querer voltar. É o vento de novo despertando a sensação fria, que o sol parece perder o poder de esquentar. Renasce em mim até mesmo aquilo que não morre, porque pode ir e vir, ser e ficar; o coração dói, bate devagar".
(Gran Colosso)
E neste ritmo vazio, sigo como se os dias continuassem os mesmos dentro de sua mudança. Extensa mudança. Depois de enxergar através da cegueira, tive cheia de dor a cabeça e lotado de algo o espírito. A descrença no desconhecido transfere-se à uma nova visão, lúcida, que monta-se majestosa em mente como lirismo, expressão de arte.
Muitos olhares de l(i)(u)xo por trás e um ambiente milimetricamente gritante. Pedindo por socorro!
Da diversidade, da mudança, e do autônomo.
Transexual, assexual, bissexual.
Me vesti, cortei e amarrei. Fui ao lado, olhei-me de novo e parei. Em frente a porta, duas passarelas, entrei.
"E com marcas na pele mostro, que de leve, o mundo pode ser o lugar mais travestido do universo e que a consciência agrava-se no homem como em qualquer animal que pouco pensa. Mas ainda quero ver tudo e vestir. Peças de maquinário ritmando meus dias. Grande máquina, homem-humano. Poético animal. Terrorista. Abissal".
(Gran Colosso)
(Gran Colosso)
E neste ritmo vazio, sigo como se os dias continuassem os mesmos dentro de sua mudança. Extensa mudança. Depois de enxergar através da cegueira, tive cheia de dor a cabeça e lotado de algo o espírito. A descrença no desconhecido transfere-se à uma nova visão, lúcida, que monta-se majestosa em mente como lirismo, expressão de arte.
Muitos olhares de l(i)(u)xo por trás e um ambiente milimetricamente gritante. Pedindo por socorro!
Da diversidade, da mudança, e do autônomo.
Transexual, assexual, bissexual.
Me vesti, cortei e amarrei. Fui ao lado, olhei-me de novo e parei. Em frente a porta, duas passarelas, entrei.
"E com marcas na pele mostro, que de leve, o mundo pode ser o lugar mais travestido do universo e que a consciência agrava-se no homem como em qualquer animal que pouco pensa. Mas ainda quero ver tudo e vestir. Peças de maquinário ritmando meus dias. Grande máquina, homem-humano. Poético animal. Terrorista. Abissal".(Gran Colosso)
quarta-feira, julho 30, 2008
Reproduzindo a interrogação
Assim, no meio do nada, andava como que sem rumo; desajeitado, sem camisa e com uma pequena página em branco na mão. E mais uma fórmula na cabeça.
De como falar sem ficar tonto o que consumia suas vontades e doí-lha a cabeça agudamente.
Sentou-se, olhou ao lado, recostado em um muro salpicado, fechou os olhos e suspirou: "Ah..."
Sua mente, um poço interminável e vazio, hoje projeta-se palpável às suas compreensões e acelera o ritmo, costumeiro caramujo, de seu coração.
Perguntou-se...
se o lado oposto de si era realmente ele mesmo. Viu de soslaio sua sombra passar no chão lentamente como se nada estivesse rondando os seus pensamentos. Quem se move é o mundo e ele é um pequeno espectador; de pé em qualquer ponto do cenário que é o vazio dos olhos fechados.
A realidade devastadora ficou do lado de fora de suas pálbebras, continuando com seu fluxo lento pela natureza e acelerado pelos homens. E ele, sentado enconstado no muro salpicado, não sente a dorzinha leve que atormenta suas costas cansadas de um dia que mal começou e já o cansara por demasiado.
Com a luz vespertina, mesmo que queira, não consegue disfarçar os ruídos, gravíssimos!, de seus traços da pele. Sôfrega, jovem e ritmada, sua boquinha fechada mantém intacta a jovialidade de seu precoce dono - que pena que pena que este homem-menino disfarça tão bem a grandeza de seu estado num descanso anônimo pelos cantos do centro da cidade.
De como falar sem ficar tonto o que consumia suas vontades e doí-lha a cabeça agudamente.
Sentou-se, olhou ao lado, recostado em um muro salpicado, fechou os olhos e suspirou: "Ah..."
Sua mente, um poço interminável e vazio, hoje projeta-se palpável às suas compreensões e acelera o ritmo, costumeiro caramujo, de seu coração.
Perguntou-se...
se o lado oposto de si era realmente ele mesmo. Viu de soslaio sua sombra passar no chão lentamente como se nada estivesse rondando os seus pensamentos. Quem se move é o mundo e ele é um pequeno espectador; de pé em qualquer ponto do cenário que é o vazio dos olhos fechados.
A realidade devastadora ficou do lado de fora de suas pálbebras, continuando com seu fluxo lento pela natureza e acelerado pelos homens. E ele, sentado enconstado no muro salpicado, não sente a dorzinha leve que atormenta suas costas cansadas de um dia que mal começou e já o cansara por demasiado.
Com a luz vespertina, mesmo que queira, não consegue disfarçar os ruídos, gravíssimos!, de seus traços da pele. Sôfrega, jovem e ritmada, sua boquinha fechada mantém intacta a jovialidade de seu precoce dono - que pena que pena que este homem-menino disfarça tão bem a grandeza de seu estado num descanso anônimo pelos cantos do centro da cidade.
sábado, julho 26, 2008
De carne e osso
O vazio de seu organizado quarto demonstra que o tempo ocioso passou. Ocupando-se esquece de ninharias como a cama com cheiro de corpo e as mudas desorganizadas pelo assoalho. A limpeza esconde a sujeira de seu habitante. Ele é um homem como qualquer outro. Os pêlos já se espalharam pelo corpo, a voz tornou-se austera e ríspida o suficiente e seu olhar já é capaz de congelar passos. É maduro, perto de ser podre.
Acostumado a olhar somente o horror, porque o tempo vzio não o dominava, era iludido pelas curvas artificias que exibiam-se no quadrado de vidro. Com o acúmulo de tarefas não havia minuto para silêncio. E agora que há, tranca-se no quarto e vê tudo. Novo. A morada não precisa de baderna para ser rebelde. Ele de veludo e seda é rebelde. Seus lábios de tão grossos aparentam estar junto o tempo todo; até mesmo quando grita parece estar calmamente falando.
Com os olhos fechados constrói corpos admiráveis, mundos perfeitos, pessoas incomuns e revoltas; no fundo, por mais belo, ele é a paisagem do pandemônio. É o paradoxo do equilíbrio.
Até mesmo seu corpo, por inteiro sozinho, diante de outro não acalma. Ele gera a violência sem pressa, tornando-se alvo de vontade que só o corpo sacia.
O tempo vazio em seu mundo conseguiu transformá-lo num agridoce inconfundível, que desperta felicidade e logo em seguida acorda a amargura.
Ele transformou-se, novamente, em homem
Acostumado a olhar somente o horror, porque o tempo vzio não o dominava, era iludido pelas curvas artificias que exibiam-se no quadrado de vidro. Com o acúmulo de tarefas não havia minuto para silêncio. E agora que há, tranca-se no quarto e vê tudo. Novo. A morada não precisa de baderna para ser rebelde. Ele de veludo e seda é rebelde. Seus lábios de tão grossos aparentam estar junto o tempo todo; até mesmo quando grita parece estar calmamente falando.
Com os olhos fechados constrói corpos admiráveis, mundos perfeitos, pessoas incomuns e revoltas; no fundo, por mais belo, ele é a paisagem do pandemônio. É o paradoxo do equilíbrio.
Até mesmo seu corpo, por inteiro sozinho, diante de outro não acalma. Ele gera a violência sem pressa, tornando-se alvo de vontade que só o corpo sacia.
O tempo vazio em seu mundo conseguiu transformá-lo num agridoce inconfundível, que desperta felicidade e logo em seguida acorda a amargura.
Ele transformou-se, novamente, em homem
A velocidade do desejo
Sentada consigo mesma consegue perceber a beleza sutil dos transeuntes. Não deseja deitar-se com este ou aquele. Na sua cama encontra todo o desejo que procura e no seu ninho habita o sexo que almeja. E o amor que a segura.
Num compasso acelerado seu coração bate, pois fora árduo o dia e a noite vinha calma do horizonte para esconder a pureza simples da natureza. Com calma ajeitava seus cabelos porque o penteado à noite precisa mostrar o animal que dentro dela está. Ela tem uma criatura irracional guardada no peito. E os cabelos que exibe durante o dia ofuscam e abafam o que se esconde.
Por um breve momento seus olhos encontram outros tão negros quanto os seus. Seus pêlos arrepiam-se.
Ela olhava-a, de pé, do outro lado do ponto onde a mulher que acabara de surgir, a da noite. Houve intenso olhar. Havia um flerte que jamais haveria no costume monótono da tradição.
Ela, sentada, não conseguia procurar outra paisagem senão aquele lago escuro, profundo, sem fim. Levantou-se e foi em direção do novo, esquecendo-se do amor que te em sua cama e do corpo que sempre pode usar.
Ela quer algo igual, não diferente. Quer aspectos gêmeos. Quer algo novo. Não ama; quer provar. E com todo o calor que há em seu colo fugindo do corte suave da seda decotada, dá alguns passos, aproxima-se e.
-Oi...
Num compasso acelerado seu coração bate, pois fora árduo o dia e a noite vinha calma do horizonte para esconder a pureza simples da natureza. Com calma ajeitava seus cabelos porque o penteado à noite precisa mostrar o animal que dentro dela está. Ela tem uma criatura irracional guardada no peito. E os cabelos que exibe durante o dia ofuscam e abafam o que se esconde.
Por um breve momento seus olhos encontram outros tão negros quanto os seus. Seus pêlos arrepiam-se.
Ela olhava-a, de pé, do outro lado do ponto onde a mulher que acabara de surgir, a da noite. Houve intenso olhar. Havia um flerte que jamais haveria no costume monótono da tradição.
Ela, sentada, não conseguia procurar outra paisagem senão aquele lago escuro, profundo, sem fim. Levantou-se e foi em direção do novo, esquecendo-se do amor que te em sua cama e do corpo que sempre pode usar.
Ela quer algo igual, não diferente. Quer aspectos gêmeos. Quer algo novo. Não ama; quer provar. E com todo o calor que há em seu colo fugindo do corte suave da seda decotada, dá alguns passos, aproxima-se e.
-Oi...
quinta-feira, julho 10, 2008
Pausa para interrogação
Assim, no meio do nada, andava como que sem rumo; desajeitado, sem camisa e com uma pequena página em branco na mão. E mais uma fórmula na cabeça.
De como falar sem ficar tonto o que consumia suas vontades e doí-lha a cabeça agudamente.
Sentou-se, olhou ao lado, recostado em um muro salpicado, fechou os olhos e suspirou: "Ah..."
Sua mente, um poço interminável e vazio, hoje projeta-se palpável às suas compreensões e acelera o ritmo, costumeiro caramujo, de seu coração.
Perguntou-se...
segunda-feira, junho 30, 2008
O relato à nudez eólica
Na distância dos dias perdeu-se a canção de rumores sobre a tua existência ainda tênue. Sem linhas a demarcar teu mundo, a essência da vastidão não tem sentido. O caminho torna-se curto numa estrada sem fim, e sem começo.
Teu som marcante acompanha um paralelo que não se conhece; tua palavra arrebata a alma pra longe, e pra perto de qualquer fonte. És a fonte que jorra lirismos.
O berço onde criam-se entidades. Do mal e bem.
No movimento sutil de teus lábios, a grandeza de teu ser mostra-se completamente irreconhecível ao meu ego. Meu ego esconde de minha superfície quem sabemos que és. Minha mente domina, pequena, o espaço que me concedestes.
E nestes passos, o caminho não tem fim, a estrada não é passageira. Arquiva-se em amor e lembrança tudo que queres sentir. Até a dor é a tua flor sem espinhos, na beleza que emana de teus olhos.
Abrigas vários em teus braços sem a cobrança de um abraço e nos sorrisos escondem-se todos os abraços de agradecimento que deverias ganhar, mas que não pedes. O que transforma o amor em cortesia e a desgraça da companhia sem influência em companhia certa?
A morada que constróis é a pousada que me aconchega e as palavras que não dizes são os sopros retratados nus, no vento.
Teu som marcante acompanha um paralelo que não se conhece; tua palavra arrebata a alma pra longe, e pra perto de qualquer fonte. És a fonte que jorra lirismos.
O berço onde criam-se entidades. Do mal e bem.
No movimento sutil de teus lábios, a grandeza de teu ser mostra-se completamente irreconhecível ao meu ego. Meu ego esconde de minha superfície quem sabemos que és. Minha mente domina, pequena, o espaço que me concedestes.
E nestes passos, o caminho não tem fim, a estrada não é passageira. Arquiva-se em amor e lembrança tudo que queres sentir. Até a dor é a tua flor sem espinhos, na beleza que emana de teus olhos.
Abrigas vários em teus braços sem a cobrança de um abraço e nos sorrisos escondem-se todos os abraços de agradecimento que deverias ganhar, mas que não pedes. O que transforma o amor em cortesia e a desgraça da companhia sem influência em companhia certa?
A morada que constróis é a pousada que me aconchega e as palavras que não dizes são os sopros retratados nus, no vento.
terça-feira, junho 03, 2008
Aquecida, a madrugada
Hoje ele é frágil, fraco, indeciso e não prende mais a respiração por medo de realmente parar. Parar de ser tudo que é de uma vez só, para aprender em outros livros as medidas de seus sentimentos relacionados ao mundo de fora. Ao mundo de longe, perto do mar.
Os seus olhos, dois frascos do veneno da alma, estão bem vazios e secos. Já despejaram veneno na janela, corroendo a madeira do parapeito e manchando as roupas novas que ganhou de um velho amigo.
Ao ouvir a rádio pela manhã, ele esquece que de novo, foi preso por si próprio numa jaula de emoções. E que são tão concretas... que nunca se quebram. Derretem com o resfriamento de seu corpo ao longo dos dias de cárcere. Aprendeu no cárcere dos sentidos que a convicção é uma jaula e que cada barra é um significado. Que cada gesto é como um beijo, que não existe.
Os seus olhos, dois frascos do veneno da alma, estão bem vazios e secos. Já despejaram veneno na janela, corroendo a madeira do parapeito e manchando as roupas novas que ganhou de um velho amigo.
Ao ouvir a rádio pela manhã, ele esquece que de novo, foi preso por si próprio numa jaula de emoções. E que são tão concretas... que nunca se quebram. Derretem com o resfriamento de seu corpo ao longo dos dias de cárcere. Aprendeu no cárcere dos sentidos que a convicção é uma jaula e que cada barra é um significado. Que cada gesto é como um beijo, que não existe.
segunda-feira, junho 02, 2008
No deserto de alguém
Num campo coberto por folhas secas, pairava o sentimento de isolamento. E ela sem saber o que sentir, entregava-se totalmente ao ambiente. Era uma flor morta. Com beleza renovada.
Do seu perfume, que já não tem mais graça, ficou só a lembrança. É o odor fétido que afeta os arredores agora! Sem a música dos pássaros e todos os outros chavões da alegria.
Seus olhos tão pequenos são os espelhos da tristeza. Um lago profundo que reflete a amargura da alma. Um pedaço de loucura jogado perto do profundo azul onde afogam-se os contempladores do desespero...
Tornou-se já tão usual caminhar sobre a sofreguidão, que os galhos que ao se quebraram, furam seus pés, já não fazem-na sentir nada. É o suave toque da percepção que faz lembrá-la de que ainda está viva. E quase morta.
Morta ao ponto de não ver horizontes. Só os mesmos campos vazios, e opacos.
É uma beleza que transmuta a alma e volta ao corpo com efeito negativo. Com efeito de existência.
Ela odeia a beleza que não mente; a realidade feriu-a demais e caminhar com o corpo coberto com cicatrizes apenas torna o contato com o mundo mais difícil.
Sua carne é mais sensível e suculenta que qualquer outra. Todos querem atrocidá-la com gozo nobre, sincero, e horrível.
Eis o terror da existência: o medo da deterioração carinhosa. Do espinho da mais bela rosa, que secou. Do galho da cerejeira que lhe fura os pés. Sempre.
E de sempre ruir aos pedaços, ela cai. Só existe a pequena alma. O corpo...morreu vivo; e a bondade do céu permite que o sol mostre-se, seque-a e conserve-a. A conserve aos abustres. Apreciadores da carne seca e merecedores de sua matéria. E aos vermes que surgem no fim da apoteose, resta apenas o espasmo da presença.
Ela sabe que o topo belo antecede o caos e a desavença. Que o mundo não é honesto, E que seu corpo é frágil.
Pequena, morta, sentindo e apodrecida ela vê a ruína do amor em nome da benevolência e sente o sofrimento da felicidade por tanto pensar que ama.
Ela está asfixiada. De tanto ar.
Do seu perfume, que já não tem mais graça, ficou só a lembrança. É o odor fétido que afeta os arredores agora! Sem a música dos pássaros e todos os outros chavões da alegria.
Seus olhos tão pequenos são os espelhos da tristeza. Um lago profundo que reflete a amargura da alma. Um pedaço de loucura jogado perto do profundo azul onde afogam-se os contempladores do desespero...
Tornou-se já tão usual caminhar sobre a sofreguidão, que os galhos que ao se quebraram, furam seus pés, já não fazem-na sentir nada. É o suave toque da percepção que faz lembrá-la de que ainda está viva. E quase morta.
Morta ao ponto de não ver horizontes. Só os mesmos campos vazios, e opacos.
É uma beleza que transmuta a alma e volta ao corpo com efeito negativo. Com efeito de existência.
Ela odeia a beleza que não mente; a realidade feriu-a demais e caminhar com o corpo coberto com cicatrizes apenas torna o contato com o mundo mais difícil.
Sua carne é mais sensível e suculenta que qualquer outra. Todos querem atrocidá-la com gozo nobre, sincero, e horrível.
Eis o terror da existência: o medo da deterioração carinhosa. Do espinho da mais bela rosa, que secou. Do galho da cerejeira que lhe fura os pés. Sempre.
E de sempre ruir aos pedaços, ela cai. Só existe a pequena alma. O corpo...morreu vivo; e a bondade do céu permite que o sol mostre-se, seque-a e conserve-a. A conserve aos abustres. Apreciadores da carne seca e merecedores de sua matéria. E aos vermes que surgem no fim da apoteose, resta apenas o espasmo da presença.
Ela sabe que o topo belo antecede o caos e a desavença. Que o mundo não é honesto, E que seu corpo é frágil.
Pequena, morta, sentindo e apodrecida ela vê a ruína do amor em nome da benevolência e sente o sofrimento da felicidade por tanto pensar que ama.
Ela está asfixiada. De tanto ar.
sábado, maio 10, 2008
O efeito do reflexo.
- Estou vendo mais que qualquer coisa. E sentindo melhor também. Quando sozinho aprendo a apertar sem pressa minhas mãos, tenho tempo de me conhecer. Medo de me conhecer é comum;ninguém quer a auto-destruição. Estou ali, parado, e todos vêm. Não porque me querem e nem porque convém, é simples acompanhar alguém. A dedicação a mim situa-se a dois. Dois passos de distância para que meus braços possam envolver e que lhe permitam respirar. Quando lhe sufoco, sinto a dor do silêncio. Pressionado fortemente minhas mãos. E meu medo.
Sem importar-se, deitou-se e adormeceu. A confissão dos sentidos, por mais confusos que fossem, era a única segurança para um casal feito de um. Um corpo pensando por dois. Por dois defeitos, por dois beijos, por duas horas, por dois olhares. A claridade não o espantava já que adentrava à luz.
De olhos cerrados "sente que o amanhã demora pra vir e que hoje parece não acabar. Senta-se ao lado do espelho e se olha pondo-se a chorar".
Sem importar-se, deitou-se e adormeceu. A confissão dos sentidos, por mais confusos que fossem, era a única segurança para um casal feito de um. Um corpo pensando por dois. Por dois defeitos, por dois beijos, por duas horas, por dois olhares. A claridade não o espantava já que adentrava à luz.
De olhos cerrados "sente que o amanhã demora pra vir e que hoje parece não acabar. Senta-se ao lado do espelho e se olha pondo-se a chorar".
segunda-feira, abril 21, 2008
Corrida
Os gritos eram tão estridentes, tão estranhos, que nenhuma outra coisa podia ser ouvida. E a dor da balburdia era insuportável. Aonde haviam portas de esperança apareceram placas de aviso para a inexistência de caminhos.
A vontade se esvai com o tempo. O objetivo dorme para virar sonho e o sonho transcende em conto e vira fé. O mito perfeito que movimenta o corpo cego pelo caminho que não tem volta. Nada é o ponto final.
Existia apenas a faixa, o marco inicial, que depois de ultrapassados mostram um caminho tão difícil que se torna resistência. Maratona por acreditar.
Nas veias pulsantes de desejo fervoroso corre o sentimento tenro de motivação; rompido pelo do fluxo de impurezas que vêm para acordar o moribundo fervoroso que clama por verdadeira vida.
Onde não há conceito relativo, nem paradigma. Onde há plena compreensão de sentidos e utopia. Fantasia que traja o corpo diariamente, que veste o disfarce para não enganar.
A máscara do não-rosto que não precisa mais expressão latente em alma.
Que corre pra não mais existir.
A vontade se esvai com o tempo. O objetivo dorme para virar sonho e o sonho transcende em conto e vira fé. O mito perfeito que movimenta o corpo cego pelo caminho que não tem volta. Nada é o ponto final.
Existia apenas a faixa, o marco inicial, que depois de ultrapassados mostram um caminho tão difícil que se torna resistência. Maratona por acreditar.
Nas veias pulsantes de desejo fervoroso corre o sentimento tenro de motivação; rompido pelo do fluxo de impurezas que vêm para acordar o moribundo fervoroso que clama por verdadeira vida.
Onde não há conceito relativo, nem paradigma. Onde há plena compreensão de sentidos e utopia. Fantasia que traja o corpo diariamente, que veste o disfarce para não enganar.
A máscara do não-rosto que não precisa mais expressão latente em alma.
Que corre pra não mais existir.
sexta-feira, março 21, 2008
Alguma hora
"Se ela não fosse ela, se odiaria profundamente. Até os olhos ficrem vermelhos, tirando todo o azul que há para ser contemplado. Dolores se sente incompleta.
Não viva.
E o vazio de cada minuto não pode ser preenchido por nada. Nem pelo aterrador silêncio que a envolve a cada instante.
As cores já perderam o tom. O verde é cinza e o vermelho é amarelo. O batom de todos os dias não lhe proporciona mais a mesma sensualidade de outrora. Doloresé como morta. E morta daquelas que vive.
O seu perfume sumiu, sua carne é como se tivesse apodrecido. Já nçao lembra mais com que ares inalava o mundo. É só pó. Dolores não é capaz de sentir.
O relógio indica cada minuto que se prende a seu corpo decompondo-a em vermes e estilhaços do que um dia foi amor.
As dores todas presas, numa fração de segundos, explodem e o passado: volta como uma torrente de água fervendo contra seu rosto. O passado e a diz que já era hora de perecer.
E sem titubear, Dolores está caindo. Sem a audácia de levantar, só a angústia que corta a garganta, ela cai. E seu rosto enrugado já bate ao chão antes das lágrimas.
E acaba tudo num ruir de silêncio que destrói os mundos."
Não viva.
E o vazio de cada minuto não pode ser preenchido por nada. Nem pelo aterrador silêncio que a envolve a cada instante.
As cores já perderam o tom. O verde é cinza e o vermelho é amarelo. O batom de todos os dias não lhe proporciona mais a mesma sensualidade de outrora. Doloresé como morta. E morta daquelas que vive.
O seu perfume sumiu, sua carne é como se tivesse apodrecido. Já nçao lembra mais com que ares inalava o mundo. É só pó. Dolores não é capaz de sentir.
O relógio indica cada minuto que se prende a seu corpo decompondo-a em vermes e estilhaços do que um dia foi amor.
As dores todas presas, numa fração de segundos, explodem e o passado: volta como uma torrente de água fervendo contra seu rosto. O passado e a diz que já era hora de perecer.
E sem titubear, Dolores está caindo. Sem a audácia de levantar, só a angústia que corta a garganta, ela cai. E seu rosto enrugado já bate ao chão antes das lágrimas.
E acaba tudo num ruir de silêncio que destrói os mundos."
sábado, março 08, 2008
Caixa
Cai. Acha. Chá. ABAIXA!
Baixa. Baia. AI!
Aí. Caí. CAIXA!
Chia. Shhhh.
Abaixa aí! Ai a caixa!
AI. AI. AI. AI. AI.
Baixa. Baia. AI!
Aí. Caí. CAIXA!
Chia. Shhhh.
Abaixa aí! Ai a caixa!
AI. AI. AI. AI. AI.
(RE) Forma
Reestrutura. Recondição. Reforma. Redução.
Forma aleatória de entender e compactar os núcleos urbanos. Casas. Pessoas. Cidades.
Arranjos. Sem Arcanjos. Telhado. Cota.
Modo uniforme de raciocinar no meio do movimento do ar. Pulmão novo para não intoxicar. Alternativa biodegradávelpara evitar o atolamento gastrointestinal.
Fumaça de gelo laboritorial como conserva de cérebro.
Distopia do século.
Utopia o agora.
Pensar. Articular.Executar. Pontuar. Dormir. Mecanizar. Assimilar.
Assimilar.
Assmilar.
Ass:meu lar.
Forma aleatória de entender e compactar os núcleos urbanos. Casas. Pessoas. Cidades.
Arranjos. Sem Arcanjos. Telhado. Cota.
Modo uniforme de raciocinar no meio do movimento do ar. Pulmão novo para não intoxicar. Alternativa biodegradávelpara evitar o atolamento gastrointestinal.
Fumaça de gelo laboritorial como conserva de cérebro.
Distopia do século.
Utopia o agora.
Pensar. Articular.Executar. Pontuar. Dormir. Mecanizar. Assimilar.
Assimilar.
Assmilar.
Ass:meu lar.
Alternação
Alterna a vida e idade.
Altenatividade. Vida de idades.
Alterna a ti de verdade.
Alternativo. Ativo de motivo.
Alterna ativo de motivos.
Alternatividade de motivo.
Altera, ativa, terna, nativa, vaidade, ativo.
Motivo. Ativo.
Altenatividade. Vida de idades.
Alterna a ti de verdade.
Alternativo. Ativo de motivo.
Alterna ativo de motivos.
Alternatividade de motivo.
Altera, ativa, terna, nativa, vaidade, ativo.
Motivo. Ativo.
Sobre a ausência dos corpos que me completam.
Estive pensando sobre saudade. De verdade. Não encontrei ninguém e ninguém me viu, não dramatizei e nem fui premiado. Caminhei por um vazio. Desconhecido o espaço, só o ponto de parar e sentir que não há. Mas há, há saudade. De verdade.
Do modo, do trejeito, do Amigo, do abraço contra o peito. Da emoção eloquente que jorra. De verdade.
Desculpas que peço;
De humildade.
Quão grato sou por tê-los em mim.
"És eternamente responsável por aquilo que cativas". - Exupéry.
Do modo, do trejeito, do Amigo, do abraço contra o peito. Da emoção eloquente que jorra. De verdade.
Desculpas que peço;
De humildade.
Quão grato sou por tê-los em mim.
"És eternamente responsável por aquilo que cativas". - Exupéry.
domingo, fevereiro 24, 2008
Repito, escrevo e pontuo.
Ponto de destruir o ponto de equílibrio pra perder o controle de ganhar o ponto de manter a calma por tentar pôr um ponto final.
Calma constante na cama calma da noite calma de vento calmo com a almacalma cuidando do corpo na cama.
Perto do abismo chego perto daluz perto da abertura do poço perto da minha cabeça perto do seu rosto perto de seus olhos que estão perto do pensamento que está perto do meu.
Experimento viver um experimento de desordem que experimento ser o que experimento o que experimento que sou para dizer aos outros que experimento coisas novas e que experimento para viver a vida que é um experimento além do experimento científico.
Repito as falhas da gramática porque gosto do que repito as palavras sem vírgula já que repito o príncipio da frase que começou com repito e termino porque se não repito tudo de novo e de novo eu sou capaz de dizer que repito.
Calma constante na cama calma da noite calma de vento calmo com a almacalma cuidando do corpo na cama.
Perto do abismo chego perto daluz perto da abertura do poço perto da minha cabeça perto do seu rosto perto de seus olhos que estão perto do pensamento que está perto do meu.
Experimento viver um experimento de desordem que experimento ser o que experimento o que experimento que sou para dizer aos outros que experimento coisas novas e que experimento para viver a vida que é um experimento além do experimento científico.
Repito as falhas da gramática porque gosto do que repito as palavras sem vírgula já que repito o príncipio da frase que começou com repito e termino porque se não repito tudo de novo e de novo eu sou capaz de dizer que repito.
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Colisão
Dentro da linha que distancia o tempo do espaço, cá estou.
Fora do centro entre o errado e o direito, meu ar não ficou.
Ao lado da esfera que circunda o cérebro não se ouve nada.
Os cabelos caem.
A roda fica quadrada.
E aos poucos bons que sobram, sobra água contaminada.
Esforços se dissipam num estrondo de palavras.
Fora do centro entre o errado e o direito, meu ar não ficou.
Ao lado da esfera que circunda o cérebro não se ouve nada.
Os cabelos caem.
A roda fica quadrada.
E aos poucos bons que sobram, sobra água contaminada.
Esforços se dissipam num estrondo de palavras.
sábado, dezembro 15, 2007
Vôo
Estive pensando sobre os lirismos que envolvem o depois e os seus conceitos pouco prováveis.Desconheci por completo o sentido dos pensamentos e das idéias. Me lembro apenas de um dia. E de algo. Sinto o ar abaixo e o nada acima. Atrás, logicamente, o passado. À frente, o fruto do agora.
Estive gritando às paredes os meus segredos mais profundos. Desenhei alguns olhos para não me sentir só. Precisava de algo que voasse comigo... Que ficasse comigo. Não tenho nem notícias, nem certezas e muito menos, verdades.Durmo com uma coberta de dúvidas que me banha todas as manhãs depois de sonhos febris.
Estive acordado. Planejando sonhar.
Estive livre.
Estive junto.
Estive só.
Estive, estive... para estar.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Pecado Incompleto
SINTO tão perto de mim a vibração do ar que sai quente na tua boca. Como se falássemos bem de perto.
Bom é saber que há um fio, invísivel, que nos une e que é interminável. Onde quer que estejamos, lá estará. Mas não é o fio que importa; o que importa é justamente a não-importância que damos a esse fio que ignoramos que existe.
Essa loucura de não ter começo e de se planejar um fim; essa vergonha que me castiga todas as noites depois de um dia de pecados mortais imaginados.
Amor que me prende em pensamento e torna meus sonhos mais febris, quando o que quero, é apenas um delírio lúdico.
Preciso. Tenho que precisar.
Dessa leveza que te envolve.
Um golpe teu não deve pesar mais que uma gota d'água. Para o meu corpo pequeno, um carinho; para minha mente insólita, um assombro.
Guia-me no desencontro, pois não traço meus dias sozinho.
Encontra-me em ti, porque já não há mais formas de me esconder.
Bom é saber que há um fio, invísivel, que nos une e que é interminável. Onde quer que estejamos, lá estará. Mas não é o fio que importa; o que importa é justamente a não-importância que damos a esse fio que ignoramos que existe.
Essa loucura de não ter começo e de se planejar um fim; essa vergonha que me castiga todas as noites depois de um dia de pecados mortais imaginados.
Amor que me prende em pensamento e torna meus sonhos mais febris, quando o que quero, é apenas um delírio lúdico.
Preciso. Tenho que precisar.
Dessa leveza que te envolve.
Um golpe teu não deve pesar mais que uma gota d'água. Para o meu corpo pequeno, um carinho; para minha mente insólita, um assombro.
Guia-me no desencontro, pois não traço meus dias sozinho.
Encontra-me em ti, porque já não há mais formas de me esconder.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Glória
ELA ACORDOU. Mas o fato de ter acordado não revelava que estava presente. Ainda estava em seu sonho, seu dócil e amável sonho. Os sonhos eram a única forma de fazer com que as coisas continuassem vivas e acontecendo em qualquer hora ou lugar.
Sonhava com seu sonho realizável, que não tornava-se real por causa da distância. E a distância fazia com que sonhasse tanto, mas tanto, para que tivesse sua falsa concretização mais perto. O sonho era o fim de uma estrada que parecia interminável mas possível de caminhar. Era o que mantinha seus olhos fechados sob o azul do céu e sobre o negro da mente. Era o escape da realidade que a fazia criar o possível, o que ela sustentava sozinha todos os dias. Uma fuga. Assustadora, mas com o intuito de encontrar do que se foge...
Acordou e a consciência de um novo desencontro e da distância tomaram conta de seus pensamentos tão pouco humanos. E o seu amor por olhos fará com que os seus se fechem para poder procurar no escuro o brilho distante daquilo que busca, em sonhos.
Sonhava com seu sonho realizável, que não tornava-se real por causa da distância. E a distância fazia com que sonhasse tanto, mas tanto, para que tivesse sua falsa concretização mais perto. O sonho era o fim de uma estrada que parecia interminável mas possível de caminhar. Era o que mantinha seus olhos fechados sob o azul do céu e sobre o negro da mente. Era o escape da realidade que a fazia criar o possível, o que ela sustentava sozinha todos os dias. Uma fuga. Assustadora, mas com o intuito de encontrar do que se foge...
Acordou e a consciência de um novo desencontro e da distância tomaram conta de seus pensamentos tão pouco humanos. E o seu amor por olhos fará com que os seus se fechem para poder procurar no escuro o brilho distante daquilo que busca, em sonhos.
sexta-feira, novembro 30, 2007
Em linha reta, sou o primeiro
UMA HORA SOU UM. Uma hora sou outro. Mas sempre sou eu. Eu, que sei mudar a minha voz e minhas palavras. Eu, o primeiro pronome do caso reto. Me entrego em mim; comigo fico feliz. Busco uma nova experiência como eu. Eu sei tão bem que não e que amanhã posso saber de novo. Sou preto no branco. Minha melodia igual a do piano. Minhas encenações deixo no banheiro ou dou a descarga. Um embalo sonoro me leva à uma nova introspecção.
Será que sou capaz de aguentar o amor que trouxe no bolso da calça? Ou rasgo todos os papéis.
Quero incendiar minha crença. Só posso acreditar em mim... Cada um é diferente. Um ponto me separa para começar a linha do segundo. Eu sou o primeiro. Primo de Narciso.
A covardia... O que tem ela mesmo? Sim. Uma fuga que planejo sempre quando vou dormir. Uma forma a mais de negar o que quero sentir.
Eu disse algo? Não sei.
Corri.
Será que sou capaz de aguentar o amor que trouxe no bolso da calça? Ou rasgo todos os papéis.
Quero incendiar minha crença. Só posso acreditar em mim... Cada um é diferente. Um ponto me separa para começar a linha do segundo. Eu sou o primeiro. Primo de Narciso.
A covardia... O que tem ela mesmo? Sim. Uma fuga que planejo sempre quando vou dormir. Uma forma a mais de negar o que quero sentir.
Eu disse algo? Não sei.
Corri.
quinta-feira, novembro 29, 2007
Espadas
OLÁ! POIS É! Queria contar coisas para um ouvido. Os meus já se cansaram de me ouvir. A minha boca cansou de falar, mas eu preciso dizer algo. Que ficou trancafiado aqui desde semana passada mas que parece estar comigo desde que nasci. Nasci pra isso. Parece às vezes que isso me quer, quer que eu me cale e ouça mais um pouco a aula teórica intensiva que estou cursando. Aprendendo por fases a ter paciência maior do que a que tenho para aguardar quietinho num canto a chegada de algo que não existe. Os passos solitários na calçada logo pelo fim da noite. O adeus.
Ouvir o silêncio das suas palavras que me vêm como grafia perturba até o coração mais feliz. Até a felicidade sente agonia. Como quando nos agarramos em pescoços.
Não quero ficar na mesma linha e nem falar comigo.
Eis uma pequena tentativa de dizer o que não sei. A indecisão toma conta da calma e força. Impossíveis de se ter quando os campos nos convidam à corrida até o nada.
Falar um pouco sem ver os olhos é como sonhar. Incompreensível até o momento certo. E o momento certo fica distante e cravado numa pedra alta. Que pede que não sejamos nada para subir, e ao chegar lá em cima, encontra-se uma espada. Com punho em coração sangrando. Foi a primeira verdadeira conquista. A espada não existe mais.
Só o que pode estar além das nuvens é a cor dos olhos que são os únicos opostos a se atraírem por despertarem tanta curiosidade nos planetas. O azul do além fica parado tentando compreender a expansão bela do negro.
E devaneia, devaneia...
Ouvir o silêncio das suas palavras que me vêm como grafia perturba até o coração mais feliz. Até a felicidade sente agonia. Como quando nos agarramos em pescoços.
Não quero ficar na mesma linha e nem falar comigo.
Eis uma pequena tentativa de dizer o que não sei. A indecisão toma conta da calma e força. Impossíveis de se ter quando os campos nos convidam à corrida até o nada.
Falar um pouco sem ver os olhos é como sonhar. Incompreensível até o momento certo. E o momento certo fica distante e cravado numa pedra alta. Que pede que não sejamos nada para subir, e ao chegar lá em cima, encontra-se uma espada. Com punho em coração sangrando. Foi a primeira verdadeira conquista. A espada não existe mais.
Só o que pode estar além das nuvens é a cor dos olhos que são os únicos opostos a se atraírem por despertarem tanta curiosidade nos planetas. O azul do além fica parado tentando compreender a expansão bela do negro.
E devaneia, devaneia...
terça-feira, outubro 16, 2007
Troca de ordem
Submerso em meus próprios sonhos
Poderia colher os frutos de um passado amargo onde plantei com dor um pouco de amor.
Caso ousasse lhe dizer o que penso,
Estaria perdido e sem rumo algum
Se fosse possível esquecer dentro de mim o silêncio e lançar aos ventos as minhas bravuras.
Poderia colher os frutos de um passado amargo onde plantei com dor um pouco de amor.
Caso ousasse lhe dizer o que penso,
Estaria perdido e sem rumo algum
Se fosse possível esquecer dentro de mim o silêncio e lançar aos ventos as minhas bravuras.
quarta-feira, setembro 12, 2007
Mecanismo Natural do Medo
Deu-se por perdido no instante em que vagou para a outra condução, sentindo-se empurrado por bolhas fortes, que sem querer, o faziam flutuar enquanto andava na agitação frenética que é uma despedida.
Todos os cristais que amava todos os dias, não poderia mais amar. Nunca mais. Tornaram-se vírus novamente, uma nova doença a ser condenada. Um fóssil prestes a ser queimado, prestes a se tornar combustível de ódio num mecanismo de medo.
Com os movimentos que fazia, os ruídos saíam milimetricamente de sua boca:
- Como seria difícil olhar para teus braços agora e vê-los jogando-se a outros mares, à outras praças. O meu nome já não é o mais belo da paróquia e os doces que estocamos vencem de inseguros. Estou a jorrar a última gota d'água que caiu de minha fronte, e sinto que o suor sob teus olhos não são lágrimas de uma emoção saudosa, mas sim um pequeno pedaço querendo um pouco mais de si própria. Minha cara flor, tuas pétalas ainda me iluminam e teu verde é um lago onde transparece a essência de teu ser puro e consumível. A natureza.
"Se todos os instantes em que folhas caíssem ao lado de meus olhos, e se todos os papéis caíssem em meus lábios novamente, choraria as dores que encheriam um rio novo de esperança."
Todos os cristais que amava todos os dias, não poderia mais amar. Nunca mais. Tornaram-se vírus novamente, uma nova doença a ser condenada. Um fóssil prestes a ser queimado, prestes a se tornar combustível de ódio num mecanismo de medo.
Com os movimentos que fazia, os ruídos saíam milimetricamente de sua boca:
- Como seria difícil olhar para teus braços agora e vê-los jogando-se a outros mares, à outras praças. O meu nome já não é o mais belo da paróquia e os doces que estocamos vencem de inseguros. Estou a jorrar a última gota d'água que caiu de minha fronte, e sinto que o suor sob teus olhos não são lágrimas de uma emoção saudosa, mas sim um pequeno pedaço querendo um pouco mais de si própria. Minha cara flor, tuas pétalas ainda me iluminam e teu verde é um lago onde transparece a essência de teu ser puro e consumível. A natureza.
"Se todos os instantes em que folhas caíssem ao lado de meus olhos, e se todos os papéis caíssem em meus lábios novamente, choraria as dores que encheriam um rio novo de esperança."
terça-feira, setembro 11, 2007
Felino-cobra
"Aos meios de alma que me deixei transparecer, viram que as flores que carregava em meus pés não exalavam mais a mesma fragrância e fitaram com angústia a ausência de minha voz, deram a importância desnecessária à uma árvore que poderia cair sem frutos."
Mais um segundo brilhando nos olhos que viam atentamente o desenrolar de um tapete vermelho-sangue que tinha o tamanho de uma língua, que era capaz de ludibriar as veias daquele pobre felino e jogá-lo num fluxo que não pertencia. O desenrolar palpável deste pano era um modo de refrescar o coração que fervia no peito do felino que não ousava mais declarar seu amor com exatidão. A convicção de sentimentos o feria enquanto a água corria nas sarjetas do lado seu quarto aveludado.
Os ouvidos já não tinham mais a egoísta pretensão de tentar ouvir os grunhidos que o amor fazia ao seu lado, era muito mais fácil esperar até que eles viessem num bilhete, se rastejando aos pés da morbidez florida que as patas peludas conseguiam esconder.
Os elementos o jogavam numa atmosfera existencialmente humana:
- Fala que teu comportamento é o mesmo que antes?!, Fala?! -as pernas cruzadas denunciavam a impotência que cuspia sem vergonha sua ignorância- Não escondas de mim tuas entregas e nem fujas do que és... Eu, eu sou uma mosca-de-gato. Eu não existo. Enquanto tu estás existindo fluentemente e fazendo com que lhe odeie mais ainda. Mas meu amor, sabes o que pra mim é o ódio? Conheces essa bala muito doce que degusto todas as noites em minha cama enquanto julgo os Paranhos tão bem conservados no teto olhando para mim com desdém.
Não pretendo monologar com sombras! Tentarei continuar olhando as casas bege com o mesmo sorriso e estarei me vendo sorridente no reflexo das vestes pretas que carregas contigo todas as manhãs.
Não deixava nunca de negar a negatividade que plantava sem escrúpulos em sua pequena língua sem ponta.
Um pequeno diamante nascia nos olhos, que depois de muito tempo esperando, viam a beleza fluir nas letras que estavam no céu, atrás de sua janela, ao lado de seu rosto deitado. Mas ainda assim, superior.
Mais um segundo brilhando nos olhos que viam atentamente o desenrolar de um tapete vermelho-sangue que tinha o tamanho de uma língua, que era capaz de ludibriar as veias daquele pobre felino e jogá-lo num fluxo que não pertencia. O desenrolar palpável deste pano era um modo de refrescar o coração que fervia no peito do felino que não ousava mais declarar seu amor com exatidão. A convicção de sentimentos o feria enquanto a água corria nas sarjetas do lado seu quarto aveludado.
Os ouvidos já não tinham mais a egoísta pretensão de tentar ouvir os grunhidos que o amor fazia ao seu lado, era muito mais fácil esperar até que eles viessem num bilhete, se rastejando aos pés da morbidez florida que as patas peludas conseguiam esconder.
Os elementos o jogavam numa atmosfera existencialmente humana:
- Fala que teu comportamento é o mesmo que antes?!, Fala?! -as pernas cruzadas denunciavam a impotência que cuspia sem vergonha sua ignorância- Não escondas de mim tuas entregas e nem fujas do que és... Eu, eu sou uma mosca-de-gato. Eu não existo. Enquanto tu estás existindo fluentemente e fazendo com que lhe odeie mais ainda. Mas meu amor, sabes o que pra mim é o ódio? Conheces essa bala muito doce que degusto todas as noites em minha cama enquanto julgo os Paranhos tão bem conservados no teto olhando para mim com desdém.
Não pretendo monologar com sombras! Tentarei continuar olhando as casas bege com o mesmo sorriso e estarei me vendo sorridente no reflexo das vestes pretas que carregas contigo todas as manhãs.
Não deixava nunca de negar a negatividade que plantava sem escrúpulos em sua pequena língua sem ponta.
Um pequeno diamante nascia nos olhos, que depois de muito tempo esperando, viam a beleza fluir nas letras que estavam no céu, atrás de sua janela, ao lado de seu rosto deitado. Mas ainda assim, superior.
segunda-feira, setembro 10, 2007
Indestrutível forma de recepcionar sensações
Fitava os grãos de areia no chão com ângulo tão curvado que mostrava toda sua sensação de não ter feito nada de especial. Seu ânimo era acessível (coisa difícil de ver-se em dias tempestuosos), porém a angústia derramava sangue nos seus olhos. Tudo que fitava tornava-se um pouco mais reto, horrível e indecifrável.
A grande afronta que fazia a si próprio era maior agora. E desconhecida, sua boca rogava pragas de ódio ao ventos que voavam nas linhas sonoras que caíam como estacas cravadas no chão duro de diamantes que cravejavam a área de um corpo pequeno. O teor de agonia e aperto era gigante, e o peso todo caía por terra quando extraía seu tormento.
- Por mais demorado que fosse esperar por estar aqui. Estou e arrependo-me de te jogado apenas tábuas insustentadas para que todos pisassem e andassem um pouco, sorrindo e brincando de nada. Por mais que as folhas insistam em me tornar maleável e em paz, mais as mudanças de rotina e de segmentos me torturam. Constatei que há muito tempo não batias a minha porta. Dependias de um empurrão de amor, um pequeno toque aveludado de belas mãos para que eu contemplasse os olhos distantes que sempre mostras em resposta de teus arredores sensitivos. A ordem já não é mais a mesma...
Os ruídos o interrompem e um pouco de náusea estoura em sua barriga inchada de tanto engolir carícias e gentilezas, mas parece que a náusea virará vomito logo depois que virar os olhos para o escuro e notar um pequeno brilho, se é que ele existe.
Virou-se, notou o pequeno brilho existente no escuro que insistia em não ver. Usou de metáforas e desculpas para não ficar solitário. A solidão é algo que atormenta as almas angustiantemente felizes e seu único remédio é a solidão conjunta. Pares de olhos parados esperando uma reação nova, uma mostra de dentes amarelados com olhos de icterícia e um pouco de cabelos caindo ao chão com o objetivo de mostrar que estava tudo tão correto.
- Preciso mesmo continuar exercendo minhas funções ordinárias e conceber prazeres que voltam a mim com grave tortura?- ajunta o fio de cabelo do chão- Refazer os estágios de minha mudança para constatar assim novas formas lógicas de constatações que jorram em dor; negociar os lucros de meus lamentos comigo mesmo e sentir melancólico prazer adocicado ao fitar a sensibilidade da flor mais bela, que pende nas costas da montanha mais ingríme que nenhum homem pôde alcançar?... Lamentavelmente não.
A grande afronta que fazia a si próprio era maior agora. E desconhecida, sua boca rogava pragas de ódio ao ventos que voavam nas linhas sonoras que caíam como estacas cravadas no chão duro de diamantes que cravejavam a área de um corpo pequeno. O teor de agonia e aperto era gigante, e o peso todo caía por terra quando extraía seu tormento.
- Por mais demorado que fosse esperar por estar aqui. Estou e arrependo-me de te jogado apenas tábuas insustentadas para que todos pisassem e andassem um pouco, sorrindo e brincando de nada. Por mais que as folhas insistam em me tornar maleável e em paz, mais as mudanças de rotina e de segmentos me torturam. Constatei que há muito tempo não batias a minha porta. Dependias de um empurrão de amor, um pequeno toque aveludado de belas mãos para que eu contemplasse os olhos distantes que sempre mostras em resposta de teus arredores sensitivos. A ordem já não é mais a mesma...
Os ruídos o interrompem e um pouco de náusea estoura em sua barriga inchada de tanto engolir carícias e gentilezas, mas parece que a náusea virará vomito logo depois que virar os olhos para o escuro e notar um pequeno brilho, se é que ele existe.
Virou-se, notou o pequeno brilho existente no escuro que insistia em não ver. Usou de metáforas e desculpas para não ficar solitário. A solidão é algo que atormenta as almas angustiantemente felizes e seu único remédio é a solidão conjunta. Pares de olhos parados esperando uma reação nova, uma mostra de dentes amarelados com olhos de icterícia e um pouco de cabelos caindo ao chão com o objetivo de mostrar que estava tudo tão correto.
- Preciso mesmo continuar exercendo minhas funções ordinárias e conceber prazeres que voltam a mim com grave tortura?- ajunta o fio de cabelo do chão- Refazer os estágios de minha mudança para constatar assim novas formas lógicas de constatações que jorram em dor; negociar os lucros de meus lamentos comigo mesmo e sentir melancólico prazer adocicado ao fitar a sensibilidade da flor mais bela, que pende nas costas da montanha mais ingríme que nenhum homem pôde alcançar?... Lamentavelmente não.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Transição corpórea
Tão mais cansado, debilitado e fragilizado, sua alma parecia um cristal. Todos viam com medo intenso de tocar. Estava tão quebrado, quase doente. Não seria ele mais fonte alguma de inspiração. Apenas o mundo, essa grande bola de lama dura que ousamos chamar de lar. Lar.
A boca seca fazia de seus gostos os mais horríveis que já sentira e as pedras que colocava em seu caminho eram por pura correção, queria saber andar. Tropeçava insistentemente nos próprios acertos, corroía com lamúrias as virtudes e depredava com fúria a sua inocência:
- O que há de mais sensato numa cobra, senão as suas escamas?, que definem e que caracterizam seu veneno, sua mortalidade! Está no sangue! Hoje sou vermelho porquê explodi. Ainda uma pequena cobra chorosa saindo do ovo e mordendo o próprio rabo! Quisera eu emancipar meus sentidos e abandonar essa angústia que é ser um filhote, rastejando-me para tudo: comer, andar, ser, viver. Um submisso, um grande corrompido pelo amor de mãe. Que vontade estonteante que tenho de me morder, promover meu sangue, aliviar minha raiva e cuspir como remédio a minha pequena gota letal de dor!
Os olhos sempre virando, pararam diante de um pequeno espelho de borda dourada, que não significava nada mais que uma plenitude soberana falha sobre si mesmo, pensando na imensa podridão que acabara de semear em seu próprio interior e com risada demoníaca que saía de um pobre anjo cético:
- Corpo, doce chave que prende minha liberdade, limita meu espaço, destroça minha área, degrine meu ser; o que há em você, corpo? Se dizes meu e estás aí, a envelhecer enquanto sou uma víbora ainda jovem, trocando de pele e de vida. És um baú, pequeno e que serve apenas para guardar um carcaça que jaz putrefata no meu eu. Não me serves pra nada, agora sou um réptil com pele mais forte. Corpo, nada mais és do que um prelúdio da minha morte, um aviso, e um refúgio pra minha chegada.
A boca seca fazia de seus gostos os mais horríveis que já sentira e as pedras que colocava em seu caminho eram por pura correção, queria saber andar. Tropeçava insistentemente nos próprios acertos, corroía com lamúrias as virtudes e depredava com fúria a sua inocência:
- O que há de mais sensato numa cobra, senão as suas escamas?, que definem e que caracterizam seu veneno, sua mortalidade! Está no sangue! Hoje sou vermelho porquê explodi. Ainda uma pequena cobra chorosa saindo do ovo e mordendo o próprio rabo! Quisera eu emancipar meus sentidos e abandonar essa angústia que é ser um filhote, rastejando-me para tudo: comer, andar, ser, viver. Um submisso, um grande corrompido pelo amor de mãe. Que vontade estonteante que tenho de me morder, promover meu sangue, aliviar minha raiva e cuspir como remédio a minha pequena gota letal de dor!
Os olhos sempre virando, pararam diante de um pequeno espelho de borda dourada, que não significava nada mais que uma plenitude soberana falha sobre si mesmo, pensando na imensa podridão que acabara de semear em seu próprio interior e com risada demoníaca que saía de um pobre anjo cético:
- Corpo, doce chave que prende minha liberdade, limita meu espaço, destroça minha área, degrine meu ser; o que há em você, corpo? Se dizes meu e estás aí, a envelhecer enquanto sou uma víbora ainda jovem, trocando de pele e de vida. És um baú, pequeno e que serve apenas para guardar um carcaça que jaz putrefata no meu eu. Não me serves pra nada, agora sou um réptil com pele mais forte. Corpo, nada mais és do que um prelúdio da minha morte, um aviso, e um refúgio pra minha chegada.
terça-feira, setembro 04, 2007
Zelando o comodismo
Joga no chão o olho e cai em cima de um papel gasto pelo tempo e pela chuva. Ajunta-o, surpreende-se e voa com os olhos sobre o papel marrom. Senta-se no chão e lê em voz alta, confiante de que não serão asneiras:
-" 'Benditas sejam as cobras que zelam meu pescoço e que me servem de cabelo enquanto caio com demasiada raiva por sobre os ombros do meu pequeno príncipe guardião! Quisera eu andar sob as águas e nadar nos céus. Se meus braços ainda tão cansados batessem contra o rosto de um mundo inteiro, não seria mais uma fonte de sangue. Restaria em minha carne apenas um monte de farpas, dentes e gravetos.'
Ao término do seu próprio bilhete, a única sensação era de erro. Tudo o que faria a partir daí seria falho e sem vida. Os cachorros, sentados, aplaudiam cautelosamente cada palavra e enfraqueciam suas pequenas mãos querendo parar. A febre agora pulsava dentro daquele alegre coração:
- Pois bem, meus companheiros e amigos, se aqui não estivesse hoje, jamais saberia da alegria que é compartilhar com alguém e com o Maior os meus anseios e as minhas poucas angústias.
Os cães uivavam agora sem parar diante das imagens fixadas na parede. A luz tornava aquele ambiente ainda maior e mais amplo, porém arrancava a fé que qualquer homem pudesse ter, assim como faz a verdade. Todos os olhos voltados para uma escada, as línguas balançando e pendendo da boca, alertavam a entrada de um Supremo.
Vestimentas amarelas e floridas faziam daquele enorme bolo uma pequena árvore:
- O que ouvimos aqui agora nada mais é que um sussurro da morte aclamando por um pouco de vida, meus amigos. As idéias dispersas sem amor não podem dar ao homem nenhuma racionalidade!
O orador da carta toma-se possesso:
- Enquanto tua racionalidade, ó irmão, se faz com amor e solidariedade! As casas estão escondidas em teus braços, sentindo-se acolhidas pela farça que chamas verdade, e tua colcha é costurada com ouro, teu travesseiro de diamantes e a tua língua é suja com lama. A tua cura é o Tormento!
- ... Vejam, Todos!, o que há diante de nós! Um grande enganador, manipulador, enriquecedor da vaidade humana blasfemando contras as verdades do Supremo! Venha até aqui e continue a oração de tuas lamúrias, criatura desprezável.
Levanta-se da cadeira vermelha e desliza suavemente através do tapete dourado, dominado por selvageria e brutalidade nos olhos:
- Não há mais o que ler, somente o que se observar. A lógica plena dos meus sentidos não se aguça só na argumentação. Há viva em alguns de meus instintos. Em escolhas emocionais dir-se-ia que uso de malícia, mas nelas apenas esqueço de racionalizar. Vivo como vocês, irracional e frágil, pensando na plenitude de pensamento que se afugentou em minhas costas... Bem, não perderei minha raiva dentro de uma casa de bárbaries."
A mente um pouco interditada. Uma nova fé abalada e contradições inúteis em vista do que já houvera pensado agora o transformam em uma velha carcaça sem mudança e sem esperança de tentar falar consigo próprio.
-" 'Benditas sejam as cobras que zelam meu pescoço e que me servem de cabelo enquanto caio com demasiada raiva por sobre os ombros do meu pequeno príncipe guardião! Quisera eu andar sob as águas e nadar nos céus. Se meus braços ainda tão cansados batessem contra o rosto de um mundo inteiro, não seria mais uma fonte de sangue. Restaria em minha carne apenas um monte de farpas, dentes e gravetos.'
Ao término do seu próprio bilhete, a única sensação era de erro. Tudo o que faria a partir daí seria falho e sem vida. Os cachorros, sentados, aplaudiam cautelosamente cada palavra e enfraqueciam suas pequenas mãos querendo parar. A febre agora pulsava dentro daquele alegre coração:
- Pois bem, meus companheiros e amigos, se aqui não estivesse hoje, jamais saberia da alegria que é compartilhar com alguém e com o Maior os meus anseios e as minhas poucas angústias.
Os cães uivavam agora sem parar diante das imagens fixadas na parede. A luz tornava aquele ambiente ainda maior e mais amplo, porém arrancava a fé que qualquer homem pudesse ter, assim como faz a verdade. Todos os olhos voltados para uma escada, as línguas balançando e pendendo da boca, alertavam a entrada de um Supremo.
Vestimentas amarelas e floridas faziam daquele enorme bolo uma pequena árvore:
- O que ouvimos aqui agora nada mais é que um sussurro da morte aclamando por um pouco de vida, meus amigos. As idéias dispersas sem amor não podem dar ao homem nenhuma racionalidade!
O orador da carta toma-se possesso:
- Enquanto tua racionalidade, ó irmão, se faz com amor e solidariedade! As casas estão escondidas em teus braços, sentindo-se acolhidas pela farça que chamas verdade, e tua colcha é costurada com ouro, teu travesseiro de diamantes e a tua língua é suja com lama. A tua cura é o Tormento!
- ... Vejam, Todos!, o que há diante de nós! Um grande enganador, manipulador, enriquecedor da vaidade humana blasfemando contras as verdades do Supremo! Venha até aqui e continue a oração de tuas lamúrias, criatura desprezável.
Levanta-se da cadeira vermelha e desliza suavemente através do tapete dourado, dominado por selvageria e brutalidade nos olhos:
- Não há mais o que ler, somente o que se observar. A lógica plena dos meus sentidos não se aguça só na argumentação. Há viva em alguns de meus instintos. Em escolhas emocionais dir-se-ia que uso de malícia, mas nelas apenas esqueço de racionalizar. Vivo como vocês, irracional e frágil, pensando na plenitude de pensamento que se afugentou em minhas costas... Bem, não perderei minha raiva dentro de uma casa de bárbaries."
A mente um pouco interditada. Uma nova fé abalada e contradições inúteis em vista do que já houvera pensado agora o transformam em uma velha carcaça sem mudança e sem esperança de tentar falar consigo próprio.
segunda-feira, setembro 03, 2007
Um sopro amargo
A luz entrava no quarto como uma arma, sujando o corpo esticado sobre a cama. Tão exausto, pairava sobre os braços um semblante de derrota. Os pêlos estavam eriçados. A boca lacrimejava doces balbucias de desespero. A garganta se cortava:
-Não poderia ser mais fraco do que hoje! Os dias tão sublimes fogem do meu alcance e as condições da minha rotina estão me puxando ao além dos sonhos e das fábulas.- cai um pouco de veneno nos cotovelos - E essa história que estar vivo me cansa. O decorrer das palavras fará minha existência! Ah!
Cai no chão como uma pedra e agora a luz corta o azul dos olhos cobertos por fios prateados. Passos podem ser ouvidos vindos do lado de fora, as pedrinhas denunciam um novo criminoso. Batem na porta e a cólera domina a boca:
- Quem é o demônio que aqui vem para me importunar com desgraças?!
E a voz mais doce dos ventos responde:
- Sou eu, meu réptil, o sopro gelado do vento querendo entrar e te petrificar! - alguns risos - Cale essa boca maldita e abra a porta logo!
Levanta-se atordoado com pensamentos de morte, anda até a entrada de corpo limpo e abre a porta com as órbitas voltadas para o chão:
- Olá, meu caro tormento!, o que trazes de tão belo para um leão com sede? - e o abraço foi forte, quase um desmaio.
- Vim dizer-lhe que esta é a nossa última conversa. Minha metamorfose, transitei muito nos últimos dias. O tráfego dos meus pensamentos não é mais o mesmo e meu anseio de lhe ser muito veloz me assombra todas as noites em que não durmo. - tamborila os dedos no trinco dourado daquela porta devorada por cupins - E agora quero que entendas que minhas filosofias não serão mais as mesmas, mas que ainda és meu grande amor e nosso matrimônio é eterno até o último corpo se render à terra.
Atônito com tal notícia que já vinha aguardando há dias, e que era um fator para a raiva, não sabia o que lhe dizer. Cuspiria naquele rosto sujo e sincero mas não podia derreter uma obra que a natureza esculpira com tanta devoção. Levantou as órbitas e as mãos:
-Esperava por tudo isso até na minha última lágrima. Mas isso quer dizer que não nos veremos nunca mais? E que estás aqui hoje só para comer de minha carne e sair com a boca suja de um pouco de sangue amável?
- Não e sim. Vim aqui para lhe dizer que o conteúdo que sobrou em nosso frasco é guardado por leões e baleias e que todo o resto do mundo saberá de tua existência. A febre que pulsa no teu sangue é culpa do mundo que está me levando para esse rumo inacreditável que é a revolução. - o peito estufa- E eu irei daqui a três horas. Façamos delas as mais belas horas do Universo!
- Não, meu bem, não! Meu sangue jorra dentro de meu peito. Meus pés estão tão pesados agora que não sou capaz de andar rumo ao teus lábios. Tua face me mostra uma divindade terrível que me assusta e me repele. Então saiba que meu amor agora é febre e que tudo que há em nosso frasco nada mais são que lembranças de uma bela época percorrida com pulos. Agora meu amor está chorando e o sonho ficará para a outra vida que não existe.
- Estou indo.
- Adeus.
Virou as costas e as pedrinhas denunciaram o criminoso abandonando a prisão que o manteve ali por dias. Eternos dias de desespero e medo pela partida.
Àquela alma nada mais restava do que gritos e arranhões. As paredes viraram telas e os violinos do rádio eram dragões cuspindo fogo nos cabelos prateados que reluziam dentro daquele quarto mestiço.
Agora o que sobra é um pouco de vinho jogado sobre o colo e um papel escrito com palavras de despedida.
-Não poderia ser mais fraco do que hoje! Os dias tão sublimes fogem do meu alcance e as condições da minha rotina estão me puxando ao além dos sonhos e das fábulas.- cai um pouco de veneno nos cotovelos - E essa história que estar vivo me cansa. O decorrer das palavras fará minha existência! Ah!
Cai no chão como uma pedra e agora a luz corta o azul dos olhos cobertos por fios prateados. Passos podem ser ouvidos vindos do lado de fora, as pedrinhas denunciam um novo criminoso. Batem na porta e a cólera domina a boca:
- Quem é o demônio que aqui vem para me importunar com desgraças?!
E a voz mais doce dos ventos responde:
- Sou eu, meu réptil, o sopro gelado do vento querendo entrar e te petrificar! - alguns risos - Cale essa boca maldita e abra a porta logo!
Levanta-se atordoado com pensamentos de morte, anda até a entrada de corpo limpo e abre a porta com as órbitas voltadas para o chão:
- Olá, meu caro tormento!, o que trazes de tão belo para um leão com sede? - e o abraço foi forte, quase um desmaio.
- Vim dizer-lhe que esta é a nossa última conversa. Minha metamorfose, transitei muito nos últimos dias. O tráfego dos meus pensamentos não é mais o mesmo e meu anseio de lhe ser muito veloz me assombra todas as noites em que não durmo. - tamborila os dedos no trinco dourado daquela porta devorada por cupins - E agora quero que entendas que minhas filosofias não serão mais as mesmas, mas que ainda és meu grande amor e nosso matrimônio é eterno até o último corpo se render à terra.
Atônito com tal notícia que já vinha aguardando há dias, e que era um fator para a raiva, não sabia o que lhe dizer. Cuspiria naquele rosto sujo e sincero mas não podia derreter uma obra que a natureza esculpira com tanta devoção. Levantou as órbitas e as mãos:
-Esperava por tudo isso até na minha última lágrima. Mas isso quer dizer que não nos veremos nunca mais? E que estás aqui hoje só para comer de minha carne e sair com a boca suja de um pouco de sangue amável?
- Não e sim. Vim aqui para lhe dizer que o conteúdo que sobrou em nosso frasco é guardado por leões e baleias e que todo o resto do mundo saberá de tua existência. A febre que pulsa no teu sangue é culpa do mundo que está me levando para esse rumo inacreditável que é a revolução. - o peito estufa- E eu irei daqui a três horas. Façamos delas as mais belas horas do Universo!
- Não, meu bem, não! Meu sangue jorra dentro de meu peito. Meus pés estão tão pesados agora que não sou capaz de andar rumo ao teus lábios. Tua face me mostra uma divindade terrível que me assusta e me repele. Então saiba que meu amor agora é febre e que tudo que há em nosso frasco nada mais são que lembranças de uma bela época percorrida com pulos. Agora meu amor está chorando e o sonho ficará para a outra vida que não existe.
- Estou indo.
- Adeus.
Virou as costas e as pedrinhas denunciaram o criminoso abandonando a prisão que o manteve ali por dias. Eternos dias de desespero e medo pela partida.
Àquela alma nada mais restava do que gritos e arranhões. As paredes viraram telas e os violinos do rádio eram dragões cuspindo fogo nos cabelos prateados que reluziam dentro daquele quarto mestiço.
Agora o que sobra é um pouco de vinho jogado sobre o colo e um papel escrito com palavras de despedida.
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