O silêncio era o que trazia à mente tudo o que precisava, e ele havia começado antes de o barulho terminar:
-Para não dizer tudo de novo, é daqui que começo, do ponto de partida que é meu fôlego, agora preso pelo desejo de contar um segredo. Cada palavra que sai de minha boca, soa como um segredo que nunca disse nem pra mim mesmo, que só aconteceu, como a chuva pela manhã que apagou o sol e esfriou de novo minha face. Estou violentamente feliz, como alguém já disse antes- estou voltando às raízes do que penso que sou.
A cadeira ao meu lado me serve de palanque, e dali conquisto o mundo. A palavra é minha didatura sobre mim mesmo, ou o dono da verdade e da mentira que foge de minha boca; sou a impressão gélida de alguém nem tão triste, mas tão feliz. O som metálico que acompanha o ritmo frenético de minha fala não acelera, mantém-se o mesmo enquanto o tempo atinge velocidade suficiente pra fazer cada palavra ser dita em menos de um segundo. Ele é o limite entre os paralelos. E enquanto eu estiver aqui, esta é minha casa, minha nova percepção. A ousadia ilimitada, a pornografia poética que vive sob o mar.
Na idade do metal, onde o pós é o que denomina o agora, fico preso. Com as pernas formando um v. Sou uma ponte entre o passado e o futuro, um ato em construção de algumas vontades e um mural de lamúrias. Encontram-se alguns em meus ombros para dizer-me amores, outros batem em meus braços como se fossem o vento. E nem sempre me reconfortam.
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é que quando o vento abraça há sempre um espaço por onde passa a dúvida...
ResponderExcluirsopros de luz...
=***
afirmações e reafirmações, buscas por incontáveis caminhos.. e a penumbra que para mim é sempre presente e incômoda..
ResponderExcluiré o preço que pagamos por viver nos dias em que vivemos.
(não sei ao certo se é isso, mas enfim ^^)
cara, o teu caos me ordena.
ResponderExcluir''A palavra é minha didatura sobre mim mesmo, ou o dono da verdade e da mentira que foge de minha boca''
na tua boca se esconde o mundo!
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