terça-feira, junho 03, 2008

Aquecida, a madrugada

Hoje ele é frágil, fraco, indeciso e não prende mais a respiração por medo de realmente parar. Parar de ser tudo que é de uma vez só, para aprender em outros livros as medidas de seus sentimentos relacionados ao mundo de fora. Ao mundo de longe, perto do mar.
Os seus olhos, dois frascos do veneno da alma, estão bem vazios e secos. Já despejaram veneno na janela, corroendo a madeira do parapeito e manchando as roupas novas que ganhou de um velho amigo.
Ao ouvir a rádio pela manhã, ele esquece que de novo, foi preso por si próprio numa jaula de emoções. E que são tão concretas... que nunca se quebram. Derretem com o resfriamento de seu corpo ao longo dos dias de cárcere. Aprendeu no cárcere dos sentidos que a convicção é uma jaula e que cada barra é um significado. Que cada gesto é como um beijo, que não existe.

7 comentários:

  1. Oi, mamãe (:
    Gostei da parte que os olhos são venenos d'alma, que corroem o parapeito da janela.
    Dá medo de olhar nos seus olhos, da próxima vez que nos encontrarmos.
    Eu gosto do que você escreve, é denso.
    Beijinhos.
    Minha educação não manda lembranças, ela aparece.
    :}}
    hahaha
    :*

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  2. Cara, eu não sei o que dizer; tuas palavras me consomem, teus sentidos me guiam de um modo que eu não consigo expicar; é lindo, lindo, lindo!

    até teu sofrer é magnífico;
    talvez tu não saiba quanto pois tudo o que mais se toca é o que menos se pede.

    ;******

    eu te amo.

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  3. Suas palavras, ali, conseguem ser concretas e abstratas
    Ao mesmo tempo
    Adorei

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  4. sempre passo por aqui e fico tao presa as suas palavras que o comentario me some...
    hoje essa nao existencia do beijo me intrigou tanto, esse paradoxo entre o amar e o nao-demonstrar, entre o velho e o novo, o frio e o calor humano...
    ah, eh realmente sempre bom vir aqui!
    sopros d luz!
    =***

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