As sensações o fazem viver de passado, e o frio que fazia lhe presenteava com lágrimas nos olhos. De amor estava morrendo e nascia, em seguida, cheio de uma curiosidade carnal.
Sua boca não guardava palavras: ele sempre fora um péssimo túmulo para si próprio. Portanto, sua solidão transfere-se a mim. Torno-me o que sou, e neste movimento da barca, meus pés se molham. É água nova. A amizade firmou-se e agora é alicerce valioso, a fuga desejada e o conhecimento necessário estão perto do que às vezes quer-se longe. Não pode ser tão simples compreender o que o frio faz com a pele dos homens: nele reside a saudade e o calor de um abraço.
O solitário fala consigo: a isso chamo paciência; porque homem, como animal consciente, não anda sozinho por muito tempo. E não, renego-me a aceitar a solidão como precedente da doença. Todo alarme e toda a precaução só existem pela doença, e as almas livres que experimentam a cura por puro gozo, são sempre as que mais sofrem. E meu sofrimento torna-se o dele.
Sua boca já tão seca ainda revela muito, porque o cansaço escorrendo pelo corpo é um alerta fatal de que ele, em vida, torna-se moribundo. A cada dia que passa. Não é forte para determinar um espaço, mas o choro no vazio de sua casa delimita, com carinho amargo, cada pedaço de seu corpo. O que o pertence além de si próprio e algumas quinquilharias? O som de sua própria voz já o torna surdo, e o véu sombrio da cegueira já não o permite ver que a verdade sempre se manteve a poucos passos. E é nessa distância que eu me encontro. Perdido, mesmo parado; esperando toque desse deslocado à minha frente. Meus ouvidos aguentam tão estridentes gritos, meus olhos vêm tamanha moral destruidora; e meu corpo, cheio de vagas virtudes, nos liberta. Sou tão dele, que fico dando saltos entre uma alma e outra.
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e mesmo sem eu vender, tens a minha [não valho nada emsmo (huaeheuh)].
ResponderExcluirinenarrável a sensação para além de tudo o que destes - mais fundo, é só etéreo.
Segundo oque eu acho que entendi de freud a organização social e cultural da sociedade dá-se através do recalque. Recalque seria o mascaramento do instinto: desejo de transar, matar, caçar, não fazer nada, etc. Mas há também a sublimação, que é transformação dessa enegia, que ele denomina de sexaul (instintiva), em sublimação, como na arte. Há pessoas que recalcam a vida inteira apenas vampirizando objetos ou pessoas que se fazem sublimadas. Para se sentir melhor domina-se o outro para que sinta-se um igual: recalcado. Uns percebem, outros não. O movimento mas satisfatório, segundo esses raciocínios freudianos, seria a sublimação.
ResponderExcluirBom Destino