O que era antes confissão, agora são tons de uma conversa, que se inicia em ponteiros zerados e ruma em direção ao silêncio. O que antes era desabafo, agora concreta-se em suspiro de esperança, porque começa a fazer sentido notável que as falhas, são alicerces para um acerto. E nesse diálogo, que desenrola-se mudo, as situações transformam-se em coisas e criam forma. Forma que fala, que direciona, dá sentido.
E nesse sentido cravado nas ranhuras é onde eu encontro a fala de um sonho que ainda não morreu, porque se a fome matasse os meus problemas, os sonhos famintos por uma lembrança remeteriam tudo a um passado ideal, onde as falhas podem ser todas corrigidas, e a morte não ronda. Não faz escala e não cria problemas. Não a morte da carne, mas essa morte diária e constante de si mesmo, de tudo que dá tom, som, cor, forma e peso às coisas. Essa matança é naturalmente interminável, e nesse ciclo encontra-se o sentido pleno pra entender que quão mais cru estamos beira a essas razões, as coisas mantém-se como são. E não saem correndo por aí, esquecendo da gente.
Uma grande falha são todas as luzes vermelhas que indicam um perigo que muita gente ainda não conhece por ver glória. É o perigo do progresso, que forma uma fila gigante e sinuosa, seduzindo a quem vier ver. Em certos momentos, a fila vira cobra e toma movimento, mas nesses mesmos horários, todos os dias, se ficar observando, é possível ver ela rastejando a frente, rumo ao descanso, ou acaso. Insignificados sem sentido incondizentes deploravelmente ligados por incongruências de medidas pueris de desvios do descaso. E nisso tudo, as coisas beiram.
E os bafos que ardiam dentro da boca, agora criam sons e isso dá fome de novo, pra continuar a comer, sempre que preciso, enquanto tudo não for confissão e segredo.
sexta-feira, maio 07, 2010
quinta-feira, maio 06, 2010
A resposta (espaço) pra pessoa (espaço)
Nota-se um costume malvado, todos os dias, de apontar. Os dedos, ou até o olhar, e isso incomoda. Apontar as lanças pra cravar no peito, que não lhe pertence. Apontar o gumo pra cortar mais fundo que em si mesmo;
Perde-se a noção de olhar pra dentro, de ver que o valeria a pena, às vezes nem sempre é o que de fato dá rumo as coisas. As escolhas formam-se desse fluxo-refluxo, grito surdo. O sim antecede o não, e as coisas se dissipam diante dos meus olhos, porque toda vez que penso nos teus, que logo pela manhã de hoje vi na face de um estranho, a tez que agora parece suave, mostra-se verdadeira, e derrete em preocupação e lamento.
Não me perdi no caminho, porque ele nunca existiu mas o chão ainda é parte do meu rosto, e quando olho, tudo que vejo é superior a mim. Não há como disfarçar que algumas palavras já tornaram-se uma reverberação no pleno vazio e que a configuração de ti é ausência em mim. Não há mais a ação do momento, nem o toque nos sentidos, logo não sabemos nunca do que falamos, e caímos nesse jogo agudo. De indicar o que há cá e acolá.
Botar fogo no chão da rua destruiria todos os nossos caminhos, e não há mais nada que eu possa fazer a não ser permitir que faças que o bem entendas, e que sigas nesses dizeres de interrupção de si mesmo. Ao passo que te interrompes, nos proíbe de seguir e nessa pausa o que vemos é que nada mais faz sentido já que a ...
Essas pausas no tempo dão a garantia de que a vida se preserva em algum lugar por aí. E que às vezes é melhor esquecer algumas palavras que poderiam com certeza virar fardos num caminho estreito que com certeza há de surgir.
E nesses apontamentos todos, no meio deles, parado no auto da rua, tem um espelho.
terça-feira, maio 04, 2010
Do que podemos ser em prazer, de ser cruel
Hoje quero falar de uma intensidade impessoal, que surge na mediocridade simples de uma conversa.
Quando penso em coisas que me trazem ao encontro de mim mesmo, é como se esse sol forte que encerra o dia penetrasse no meu olho pra clarear tudo, deixar essa luz batendo no azul, cada vez mais claro, cada vez mais agudo. essas ranhuras todas são uma verdade bem crua, bem limpa, que toca e purifica os sons e tons dessa esquina suja, canteiro de lixo.
Enquanto a luz vai embora, meu corpo se joga com agonia prazerosa dentro dessa leitura de si mesmo. O corpo que se vê transporta-se para o corpo que sente e o sentido se encontra no pulsar de um semi-abraço, agradecido sem palavras. Quando a necessidade de uma meia-palavra existe nessas bocas que sempre querem falar, mas que dificilmente o conseguem, é um êxito gigante. Saber que é possível conversar por essas entrelinhas. O que se empurra é que o se diz, e tudo que eu poderia desejar fica resguardado pro aguardo de um depois. Depois do instante que o ônibus fizer a esquina e eu ainda estiver devaneando sobre o clarão das nuvens, projetado pelo sol. Ou o da pele clara, abaixada no chão, perto do espelho, que me remete a ver os dois lados de um vazio. A sala, e uma espera constante, tortuosa.
Busco na minha mente, uma forma mais simples de poder dizer que o que me inspira nem sempre é o que nos toca, mas que a parte boa disso tudo, dessa informalidade-formal, é saber que nos fins parecem que os percalços todos nos levaram pra uma mesma direção, onde o momento de esclarecimento se dá quando dizemos que nos bastamos nessa luz que nos afasta. Se pensarmos mais a fundo, acho que nos veríamos de fato numa luz-sombra, porque ambas são alentos de um distúrbio que não se diz por si só. É um distúrbio discursivo, falado, e entregue aos prazeres de sua própria dor. Esse é o supra-sumo daquilo que encontramos em nossas capacidades. Tanto as da fala, quando do olhar. É nesses momentos de desprendimento que nos encontramos agarrados a nós mesmos. E isso que fortalece, a cada dia, pra poder seguir em frente.

E nesse tapa-carinhoso, deixo-me esvair pela fumaça que ficou na rua, entrecortada por esses raios de sol que vão encerrando o dia.
terça-feira, março 23, 2010
domingo, janeiro 24, 2010
O vitral e as duas sombras
As coisas se passaram num curso que aos poucos se mostrava irrefreável, e o escuro veio demonstrar que os teus passos não são mais os que me seguiam. Eis que me entrego ao que posso sentir, e nesse vácuo pressiono-me em retorcidos movimentos de mim mesmo, resistindo perante a retrocesso. Todo processo de volta me coloca em repetição. Ao passo que me liberto sinto que atinjo o mesmo chão de outrora. E amargurado, o olho se fecha pra tentar ver mais oblíquo, mais certeiro. Erro a direção e vou atrás do lado que não quero.
Vejo de repente que não fui convidado a nada, mas ao mesmo tempo a minha compania torna-se último refúgio na hora de um maior aperto. A entrega aos sorrisos não me põe motivos para a dança, e as reações aos meus gritos, não me deixam entrar nessa janela...
Peguei o que restava da minha atenção, misturei ao teu escapismo e encontrei-me. Só, olhando pra trás e não vendo o sentido de nada; de nenhuma luz e de nenhum ruído, porque com tantos olhares e motivos que não eram meus também, não há modos de se atingir uma certa plenitude.
E quem já conhece o infinito, esforça-se por saciar na finitude os goles da anestesia suntuosa.
É uma proposta que não convence, um pedido que não se ganha.
Olhar pro lado, remete à uma distância que pede pela proximidade dos passos.
Afastar-se é benefício, quando penso que estou errado.
Vejo de repente que não fui convidado a nada, mas ao mesmo tempo a minha compania torna-se último refúgio na hora de um maior aperto. A entrega aos sorrisos não me põe motivos para a dança, e as reações aos meus gritos, não me deixam entrar nessa janela...
Peguei o que restava da minha atenção, misturei ao teu escapismo e encontrei-me. Só, olhando pra trás e não vendo o sentido de nada; de nenhuma luz e de nenhum ruído, porque com tantos olhares e motivos que não eram meus também, não há modos de se atingir uma certa plenitude.
E quem já conhece o infinito, esforça-se por saciar na finitude os goles da anestesia suntuosa.
É uma proposta que não convence, um pedido que não se ganha.
Olhar pro lado, remete à uma distância que pede pela proximidade dos passos.
Afastar-se é benefício, quando penso que estou errado.
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Descarrégo
Se ficasse um vestígio de doença ao teu redor, sinto que o eliminarias com a força de teu grito, pois a hostilidade que vos fala é muito mais influente do que o choro que te circundas. Os ciúmes e as competições são exemplos de um comportamento bem comum. Mas a voz rouca, num momento que deveria ser pura, é inaceitável. Não dá pra compreender isso. Às vezes ficamos a pensas na improbabilidade das coisas e é óbvio que em nada chegamos. E não sou nada diferente. Prefiro descarregar em primeira pessoa do que me disfarçar em alguém diferente. É fato que as coisas não andam bem, mas não fazemos nada ao redor também. Se incluir altera os fatos, mas não a situação. A inclusão torna-se mais uma perspectiva dentro dessa chateação. Se não existissemos, há promessa de que serias melhor, mas ao passar do tempo que vejo que teu inimigosó te torna pior. E a fraqueza de cada uma das palavras espelha com exatidão a miséria de uma concepção. A vaguidão desta sala não tem dimensões pra calcular a vastidão dessa solidão.
quarta-feira, janeiro 20, 2010
À força
Subindo as escadas cheias de lama, depois de chuva torrencial ter caído sobre o rosto, de ter sentido chuva fina espetando a palma da mão; de sentir a água morna do banho, parecendo carinho que não existe, esvai-se em energias que desconhece. Entrega-se a cores que ainda não viu, que sente saudade de ver e a outras que queimam a casa inteira.
- Vontade de estar longe, longe dessa cama, desse calor nas pernas, desse som de vento quente, dessa música monofônica, dessas pessoas, desse lugar. Desse bailado, desse trançado. Desse laranja. Vontade de cair de cabeça, no escuro e profundo. Sem definição para o que seja. Vai, atira logo. Não conseguiria. Me desculpe, o fluxo. É demais pra você aguentar sentir. A verdade tormenta. Tormenta.
-Lavar o rosto em meio à fumaça de plástico, continua deixando a pele suja. De futuro, de passado e de mim. Sujo de mim, enquanto não estiver prestes a aceitar que outro possa me sujar. Meus inimigos sempre foram eu mesmo, meu Diabo católico é meu amigo mais íntimo, meu ego espelhado. A ruína das sensações nasce da mais pura covardia em admitir meus próprios erros. E os dias se passam, e as palavras nunca bastam.
- Vontade de estar longe, longe dessa cama, desse calor nas pernas, desse som de vento quente, dessa música monofônica, dessas pessoas, desse lugar. Desse bailado, desse trançado. Desse laranja. Vontade de cair de cabeça, no escuro e profundo. Sem definição para o que seja. Vai, atira logo. Não conseguiria. Me desculpe, o fluxo. É demais pra você aguentar sentir. A verdade tormenta. Tormenta.
-Lavar o rosto em meio à fumaça de plástico, continua deixando a pele suja. De futuro, de passado e de mim. Sujo de mim, enquanto não estiver prestes a aceitar que outro possa me sujar. Meus inimigos sempre foram eu mesmo, meu Diabo católico é meu amigo mais íntimo, meu ego espelhado. A ruína das sensações nasce da mais pura covardia em admitir meus próprios erros. E os dias se passam, e as palavras nunca bastam.
Uma pergunta no escuro, movimento invísivel
A percepção estende-se ao silêncio porque as perguntas levam ao questionamento de minhas próprias ações. É o mesmo que estar preso a própria cama, sendo atormentado pelos próprios sonhos. Não há saída mais cômoda do que o entorpecer-se de ruídos e buscar-se em canções que me identifiquem. Colocar-se dentro de um ritmo, mesmo que desconhecido, pra tecer no silêncio as sensações que ofertadas foram com movimentos. A dança é mesmo algo que surpreende, porque nos torna arredios, arrepios e livres de nós. Enquanto entrega, somos dançarinos infinitos. E quanto a sermos humanos,
Por que te bailas à humanidade?
Por que te bailas à humanidade?
terça-feira, janeiro 19, 2010
Ao grito de uma criança
A inconsistência do que consideras maduro ou não, ainda não se relaciona com quantos passos destes até agora. Por isso respeito a precariedade de teus muscúlos, que quando aperto, sinto torcer. Porque sei que ao passo que alguma dor é provocada, dilacera-se algo a mais, que seria impossível entender, salvo o elo que temos, inquebrável. A ciência das coisas desliga-nos, mas a misticidade delas é o que nos mantém sempre próximos.
Estamos aqui, conectados por aquilo que desconhecemos, sempre.
Estamos aqui, conectados por aquilo que desconhecemos, sempre.
Do que a varanda me diz
-Das coisas fáceis que eu havia imaginado, nenhuma incluía pensar a respeito da indecisão. Que por mais complicada que vos pareça, acrescenta-me à ausência de mim. O quanto daquilo que se perde, pode ser o que se gaha. Os riscos de um jogo receoso, em que as minúcias são pontos na construção de um desejo, mas nunca trunfos no instante de uma conquista. As coisas tem a mania de se enganar e por isso, provam-se cada vez menos do que são. O escuro, profundo, tem dominado a mente desse lugar, que ainda ouso dizer meu. É preciso clarear as coisas pra vê-las melhor.
Com a cabeça inclinada de razão, fica mais complicado argumentar as facilidades de um porquê:
- De certa forma, eu estava aqui deitado no gramado, olhando o céu pensando nas coisas: até que aparecestes e distraístes o meu foco. Perdi o tato, por buscá-lo onde não podia lhe alcançar, e nesse fluxo irrefreável de observar o que há para ser observado, quis o toque. A malícia do sentido engana-me por mostrar algum tipo de certeza que eu desconheço. E quando tudo estava ficando denso, apareceu algo com ares de cumprimento. O que eu há pouco tempo não tinha, tornou-se o que eu sempre esperei.
Com a cabeça inclinada de razão, fica mais complicado argumentar as facilidades de um porquê:
- De certa forma, eu estava aqui deitado no gramado, olhando o céu pensando nas coisas: até que aparecestes e distraístes o meu foco. Perdi o tato, por buscá-lo onde não podia lhe alcançar, e nesse fluxo irrefreável de observar o que há para ser observado, quis o toque. A malícia do sentido engana-me por mostrar algum tipo de certeza que eu desconheço. E quando tudo estava ficando denso, apareceu algo com ares de cumprimento. O que eu há pouco tempo não tinha, tornou-se o que eu sempre esperei.
domingo, janeiro 17, 2010
Me fale
Que os dias não se perdem assim, diante daquilo que lhe pedi, que tinha a ver com acreditar no que eu digo. Mesmo que eu nao tenha fé em mim mesmo, aqueles sentimentos cravam-se na minha pele.A longa solidão que nos distancia já não é mais motivo.
Saia desse lugar, o som das folhas no parque é muito atrativo do que esse som que sai da máquina.
As vozes da máquina completam, um pouco, uma solidão.
Esperava que as coisas acontecessem de forma um pouco mais branda, mas a vista arrebata, distorce os sentidos. E eu fico pensando se dominar as coisas transforma-as em algo positivamente humano. Sendo que compreende-se que o comportamento de sua mão, frenético, quer dizer algo sobre quem somos.
Mostre alguma coisa, enquanto eu ainda não encontro o sentido. O sentido de uma direção em que eu possa acreditar. Não me tire desse lugar, não tenha a coragem que eu tive. De sair, sair para dentro de si e se esconder num silencio. Um silencio sincero, mas sempre silencio...
Até lhe deixaria abrir a porta de novo, mas ja escureceu, vejo somente o clarão das idéias. A hora de partir, perdestes. Então fique fora, porque dentro não podemos nunca nos unir.
Nunca é um ruído que certamente nunca compreenderemos, assim como a nós mesmos. Então dançamos e nos entregamos ao banhar-se de nossa própria água. Tornamo-nos, sozinhos, perfume, roupagem e sensação.
É cada vez mais possível acreditar que somos um universo de um só.
E que o redor, são as nossas estrelas. E a covardia de dizer de verdade, que a paixão é fogo que arrebata. Não o canto úmido de uma sereia. Que refresca. Esse canto, é o que mantém o olhar preso. Mas o que arrebata é esse fogo, que parte do mais profundo jazigo, escondido em algum canto desse universo, que eu palpitaria, saltitando, em dizer: coração.
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Círculo
Naquela sala enorme, de portas amplas a um jardim verde e simples, mas etéreo, as palavras fluem. De uma cadeira confortável, onde a música tocável embala o pensamento à plenitude dos sentidos:
Pega a caneca com chocolate, acaricia-a de leve com a ponta dos dedos.
- Não é mais o mundo que irá te guiar depois que eu surgir, sabes disso. Sabes que o impacto que causo sobre teu corpo é mais forte do que teu espírito que julgas ser poderoso. Sabes da universalidade de meus gestos, e da supremacia de meus sentimentos sobre teu coração. E que presente mais glorioso do que a consciência de um sumo real. Não há. És o meu trunfo, assim como ainda sou o teu. E sempre hei de ser. Porque plenamente, em mim, reside o sentimento de tudo ao teu redor, torna-se palpável. E todas as palvras que digo, direcionam-me a ti. E o ciclo que isso exerce, me confunde, tornando o que somos, plurais e extremos, em um único prensado de tudo. Dos pensamentos que te fervem a cabeça, da moral que te espanta, da liberdade que te reprime, do amor que nos amedronta e nos assusta.
Dobra os dedos da mão, enquanto encosta-os no joelho.
- E se a sabedoria é o estopim disso tudo, saiba que o amor é o fim. A explosão que nos corrói. A mensagem que sempre tentarás decifrar. Os motivos de uma trajetória são sempre os que julgamos bons, mesmo que não o sejam, e desta vez sabes que andar ao meu lado só pode guiar-nos ao entendimento mútuo e pra longe da solidão. Mesmo no vazio de nossas consolações, não estamos sós. Pois sabemos de nossos lugares, em nós.
Abraçam-se, beijam-se, com a esperança e vontade do para sempre, que os prende no medo do nunca.
quarta-feira, novembro 25, 2009
O escuro que barra a luz que queima
A maior pedra que poderia aparecer em seu caminho, que serve de ponto de parada, é agora uma bola quente e dura, onde clareza e compreensão se conquistam com dor de ferro e fogo. O saber torna-se disponível somente aqueles que sentem-se plenos na maturidade das decisões. E seu corpo, não se importando com feridas, vai e queima-se, transpondo o que as palavras não conseguem nem sequer explanar. Mas as tentativas são as filhas da falha e do acerto, por isso a tensão, por isso a pressão sentida:
-O espírito ancião é o que guia meu corpo nesse lugar escuro, quente, com estalidos dos meus próprios ossos e com a dor, aguda, de meus fracos músculos, pra me dizer que há a esperança de transpor os níveis rasos. De baixa consciência. Não há como medir em níveis aquilo que meu coração sente. Meço em batidas. As de desespero são muito mais eficazes que as de felicidade. Abrem os olhos diante do horror real. Fecham as mãos, preparando-nos para a batalha. E a reclusão de todos os sentidos me esconde atrás desse biombo de vidro, onde mesmo não aparecendo, os outros me vêem. Como algo que não sou. Como algo que não sabem de mim. Como uma impressão que, sem ver, deixei transparecer.
A visão do real impulsiona suas mãos aos olhos, sua boca aos braços, formando a prece. A prece sufocada, que não fala, mas que lateja o crânio, que machuca as pálpebras, que não conseguem ficar fechadas. A luz pede para que se abram. Mas o escuro é caminho incerto, e a incerteza o guia dentro das impossibilidades que configuram-se quase reais. É quase real ser amigo de quem nunca será visto, é quase certo estar próximo de uma porta que nunca vai ser aberta. É meio óbvio que o erro de abertura esteja ali, escancarado, mas nunca verá, nunca verá.
Porque mesmo com a dor, aguda, agora em todo seu corpo, seus sentidos intocáveis mostram-se resignados a negar a dor. A negar a desesperança.
E seu amor, cresce. Explode nas nuves que ficam acima de sua cabeça. Transcendem a si, que está prestes, a depois de ter rezado e ter se sufocado, pegar tudo que lhe é devido e que lhe pertence, por direito. Desconhece de seus artíficios. Seu corpo cai, sempre antes da queda. Quando sente a dor do impacto, já está lá há muito tempo.
É como se estivesse sentindo em câmera lenta.
-O espírito ancião é o que guia meu corpo nesse lugar escuro, quente, com estalidos dos meus próprios ossos e com a dor, aguda, de meus fracos músculos, pra me dizer que há a esperança de transpor os níveis rasos. De baixa consciência. Não há como medir em níveis aquilo que meu coração sente. Meço em batidas. As de desespero são muito mais eficazes que as de felicidade. Abrem os olhos diante do horror real. Fecham as mãos, preparando-nos para a batalha. E a reclusão de todos os sentidos me esconde atrás desse biombo de vidro, onde mesmo não aparecendo, os outros me vêem. Como algo que não sou. Como algo que não sabem de mim. Como uma impressão que, sem ver, deixei transparecer.
A visão do real impulsiona suas mãos aos olhos, sua boca aos braços, formando a prece. A prece sufocada, que não fala, mas que lateja o crânio, que machuca as pálpebras, que não conseguem ficar fechadas. A luz pede para que se abram. Mas o escuro é caminho incerto, e a incerteza o guia dentro das impossibilidades que configuram-se quase reais. É quase real ser amigo de quem nunca será visto, é quase certo estar próximo de uma porta que nunca vai ser aberta. É meio óbvio que o erro de abertura esteja ali, escancarado, mas nunca verá, nunca verá.
Porque mesmo com a dor, aguda, agora em todo seu corpo, seus sentidos intocáveis mostram-se resignados a negar a dor. A negar a desesperança.
E seu amor, cresce. Explode nas nuves que ficam acima de sua cabeça. Transcendem a si, que está prestes, a depois de ter rezado e ter se sufocado, pegar tudo que lhe é devido e que lhe pertence, por direito. Desconhece de seus artíficios. Seu corpo cai, sempre antes da queda. Quando sente a dor do impacto, já está lá há muito tempo.
É como se estivesse sentindo em câmera lenta.
sexta-feira, novembro 20, 2009
A visão que sobressai dos lençóis
O que os olhos podem ver ainda é muito maior do que a boca é capaz de explicar, e a visão das coisas efêmeras é o que assola os corações insubordinados. A estrutura que se concretiza para a criação dessa atmosfera cheia de gostos e desgastes, leva a inconsciência a um patamar elevado. Ao patamar ínfimo do que se perde no meio do caminho. E a isso, Josué dá o nome de liberdade. A liberdade da desenvoltura de seu corpo, não é a mesma quando acorda e muda sempre que vai dormir. São anestesias análogas, mas com intenções diferentes.
O corpo, murcho, cai leve ao chão, como se fosse pena, quando o único desejo é fechar os olhos.
Levanta-se mole quando o dia novo vai começar, para que ele caia de novo. Todo os começos sempre acabam sendo grandes e indomáveis encontros com a ruína; e mesmo quando dormi sorrindo, sente-se...
no chão.
sexta-feira, novembro 13, 2009
Saindo para um hiato
Conduzido por algum tipo de pena, dessa que não se sabe de onde vem, nem pra onde vai, o cachorro se guia pela rua. Guia-se pra dentro de uma metáfora que vai perdendo rumo.
Sua língua saliva enlouquecidamente por essa água que vive bebendo e que nunca mata a sede. Abana o rabo pra dizer que não liga e que de certa forma é independente, enquanto urra em seus próprios ouvidos. A fome tornou sua barriga uma cova de vermes. Ao menos sabe que dentro de si tem um mundo inteiro, só desconhece os motivos que levam a selvageria gloriosa pra um degrau de selvageria incontrolável. Se descobre tão selvagem que se desbrava em si. Esse cão tem milagres dentro de si e tem uma narrativa completa a seu redor. E enquanto apalpa com almofadas pequeninas seu rosto, conhece as feições, mas no fundo não distingue os traços.
Se falasse humanamente, se diria o rei dos oprimidos.
Mas se oprime por nada, se oprime por ter todos os ossos ao seu redor, se oprime por ser amigo do cão sitiado e o graceja assim que bem lhe apetece.
Ao cão é inegável a qualidade de arredio. De rebelde sem fronteira, sempre rumando ao norte. Busca norte e nunca teve seu próprio. O norte pode variar de acordo com os termos.
Quando ladra, pretende morder, mas como não tem todos os dentes formados, protela. É ainda um filhote, na verdade. Uma criança buscando, sozinha, um ninho independente no meio de uma multidão. Uma revolução para poder se aproximar da matilha. Ser lobo é muito mais importante do que ser raposa. Ter a beleza dentro da esperteza e fazer dela ícone de escapatória é lampejo brilhoso nesses olhos escuros encobertos por pelos lisos. De tão lisos, que esquece da fronte e seus olhos entram mais e mais.
Os olhos são a entrada da cova dos vermes. Os vermes são o convite. O chamado. São brinquedos maravilhosos assim como combustível prazeroso, mas são mesmo assim vermes. O cão não discute se são bons ou ruins, apenas sabe que o são. O são. E dele. A sua mordida delimita a corrosão e o prazer. Seu movimento é o limiar entre a inércia e a ação.
Para esse cão, o uivo independente não se completa sozinho. Seu choro tem que ser um espetáculo, porque afinal de contas, ele é o rei dos oprimidos.
Sua língua saliva enlouquecidamente por essa água que vive bebendo e que nunca mata a sede. Abana o rabo pra dizer que não liga e que de certa forma é independente, enquanto urra em seus próprios ouvidos. A fome tornou sua barriga uma cova de vermes. Ao menos sabe que dentro de si tem um mundo inteiro, só desconhece os motivos que levam a selvageria gloriosa pra um degrau de selvageria incontrolável. Se descobre tão selvagem que se desbrava em si. Esse cão tem milagres dentro de si e tem uma narrativa completa a seu redor. E enquanto apalpa com almofadas pequeninas seu rosto, conhece as feições, mas no fundo não distingue os traços.
Se falasse humanamente, se diria o rei dos oprimidos.
Mas se oprime por nada, se oprime por ter todos os ossos ao seu redor, se oprime por ser amigo do cão sitiado e o graceja assim que bem lhe apetece.
Ao cão é inegável a qualidade de arredio. De rebelde sem fronteira, sempre rumando ao norte. Busca norte e nunca teve seu próprio. O norte pode variar de acordo com os termos.
Quando ladra, pretende morder, mas como não tem todos os dentes formados, protela. É ainda um filhote, na verdade. Uma criança buscando, sozinha, um ninho independente no meio de uma multidão. Uma revolução para poder se aproximar da matilha. Ser lobo é muito mais importante do que ser raposa. Ter a beleza dentro da esperteza e fazer dela ícone de escapatória é lampejo brilhoso nesses olhos escuros encobertos por pelos lisos. De tão lisos, que esquece da fronte e seus olhos entram mais e mais.
Os olhos são a entrada da cova dos vermes. Os vermes são o convite. O chamado. São brinquedos maravilhosos assim como combustível prazeroso, mas são mesmo assim vermes. O cão não discute se são bons ou ruins, apenas sabe que o são. O são. E dele. A sua mordida delimita a corrosão e o prazer. Seu movimento é o limiar entre a inércia e a ação.
Para esse cão, o uivo independente não se completa sozinho. Seu choro tem que ser um espetáculo, porque afinal de contas, ele é o rei dos oprimidos.
Espiral
Estava pensando sobre a verdade de algumas coisas e sobre a mentira de outras tantas.
Chego a superficial conclusão de que o peso de atos pode refletir na carreira de um sonho.
Que o percurso torna-se fardo em determinado ponto.
Que a noite é densa e palpável e que o dia é tormento iluminado.
Não prentende-se mais a retórica lírica porque os dias perdem a noção de um sentido.
Não guia-se mais pelo padrão de se guiar. Guia-se pelo prazer de não olhar.
E quando olha-se, o prazer continua ali.
Parado e investigando o próximo orgasmo.
Mas não é o prazer que move.
É não ver.
E não ver é como estar correndo numa velocidade absurda.
Parar e olhar pra trás é arrependimento certo.
As cores cafonas da estação passada se renovam. A moda, pra todos, morrerá sendo uma espiral.
E para os cegos que continuam a se movimentar, fica a sensação de fluxo e renovação.
Todo momento de visão é um retrocesso.
Uma lembrança nostálgica daquilo que foi um dia o atual.
Chego a superficial conclusão de que o peso de atos pode refletir na carreira de um sonho.
Que o percurso torna-se fardo em determinado ponto.
Que a noite é densa e palpável e que o dia é tormento iluminado.
Não prentende-se mais a retórica lírica porque os dias perdem a noção de um sentido.
Não guia-se mais pelo padrão de se guiar. Guia-se pelo prazer de não olhar.
E quando olha-se, o prazer continua ali.
Parado e investigando o próximo orgasmo.
Mas não é o prazer que move.
É não ver.
E não ver é como estar correndo numa velocidade absurda.
Parar e olhar pra trás é arrependimento certo.
As cores cafonas da estação passada se renovam. A moda, pra todos, morrerá sendo uma espiral.
E para os cegos que continuam a se movimentar, fica a sensação de fluxo e renovação.
Todo momento de visão é um retrocesso.
Uma lembrança nostálgica daquilo que foi um dia o atual.
O mofo azul do ninho
As decisões mofam numa gaveta vazia, ao lado de um bloco de palavras velhas, com um bando de folhas secas e um pouco de água derramada no rosto. Água salgada, que vem de dentro, e saí suave, como se fosse um carinho triste:
-Preciso sair daqui agora, tanto que o nome do que toca naquele rádio que não é rádio, é sobre sair de lá. Mas de lá prefiro aproximação. Proximação. Não existe. Então as músicas mudam, e o sentido que as ofereço, troca de novo. Troca sempre que ofereço algo. Na verdade, tudo que ofereço é um algo que de nada serve. Não há como se esbaldar com o que tenho: nada. Esses pontos que remetem a "está para" não estão para me fazer bem nenhum. Nenhum arrependimento condiz com a noção de tempo real. O tempo real é o enredo de um filme que nunca acaba. O enredo desse filme, os outros lá chamam de vida. A ilusão faz parte. Faz parte da vida a ilusão. E a colcha de retalhos se forma abundantemente. Não falo do Brasil. Não falo da pluralidade. Esse pensamento no plural foi o que destruiu as coisas e me fez parecer egoísta. Egoísta por acreditar talvez no que nunca cri até então. Cri. Barulho de grilo. Grilo é um bicho esperto. Fica sozinho, invisível, sabe provocar medo, pode pular pra longe quando precisa. Até a hora que é pisado por alguém. Dentro de uma casa, há quem tire sua coragem de pular. E daí ele morre. Entrar na casa de outro é suicídio ou escolha? Isso é chato.
-Preciso sair daqui agora, tanto que o nome do que toca naquele rádio que não é rádio, é sobre sair de lá. Mas de lá prefiro aproximação. Proximação. Não existe. Então as músicas mudam, e o sentido que as ofereço, troca de novo. Troca sempre que ofereço algo. Na verdade, tudo que ofereço é um algo que de nada serve. Não há como se esbaldar com o que tenho: nada. Esses pontos que remetem a "está para" não estão para me fazer bem nenhum. Nenhum arrependimento condiz com a noção de tempo real. O tempo real é o enredo de um filme que nunca acaba. O enredo desse filme, os outros lá chamam de vida. A ilusão faz parte. Faz parte da vida a ilusão. E a colcha de retalhos se forma abundantemente. Não falo do Brasil. Não falo da pluralidade. Esse pensamento no plural foi o que destruiu as coisas e me fez parecer egoísta. Egoísta por acreditar talvez no que nunca cri até então. Cri. Barulho de grilo. Grilo é um bicho esperto. Fica sozinho, invisível, sabe provocar medo, pode pular pra longe quando precisa. Até a hora que é pisado por alguém. Dentro de uma casa, há quem tire sua coragem de pular. E daí ele morre. Entrar na casa de outro é suicídio ou escolha? Isso é chato.
domingo, agosto 30, 2009
Distopia
No momento que se transcorre, não consigo ver-me, apenas um tipo de penumbra envolto por calor e som de motor me envolve nesse silêncio tremendo, silêncio do âmago, mas ruído do exterior, o som e a compenetração, as atividades quase mecânicas na sua primordial essência, não conseguiria descrever como as coisas tem parecido nesse instante, em que depois de harmonizar-se com meu ar, conseguir respirar livre de frente para um mundo, que eu agora possa dizer que completei algum ciclo.
O ponto exato para partir dessas lilnhas que se acabaram fora um alerta de linearidade, uma vontade estonteante de ser periódico. E a canção segue, acariciando minha pele eriçada em vibrações sultis, ouvindo vozes de amigos vivendo em outro mundo meus próprios sentimentos.
Quero poder abraçar essa teoria como se fose um presente, uma dádiva de vivência livre, consciente e translúcida, onde todas as idéias são frutos de pensamentos livres, d
imensões exatas e racionalidade crua.
Quando vermos que a tua casa não é mais importante do que a minha, só pelo fato de ser sua, o dia em que conseguir ver como todo e não como indivíduo, o dia em que a repetição alcançar a perfeição e o erro adestrar a postura, e não a opressão torcer o pescoço em direção ao horror, o dia em que o dia puder ter luz e sombra e horizonte infinito; esse dia, será o nirvana colossal. A felicidade estampada em todos sob todos os seus aspectos, olhares se cruzando por carinho, todos em uma mesma vertente.
Todos emoção racional
Facades - Part 5 of Glassworks - Phillip Glass
O ponto exato para partir dessas lilnhas que se acabaram fora um alerta de linearidade, uma vontade estonteante de ser periódico. E a canção segue, acariciando minha pele eriçada em vibrações sultis, ouvindo vozes de amigos vivendo em outro mundo meus próprios sentimentos.
Quero poder abraçar essa teoria como se fose um presente, uma dádiva de vivência livre, consciente e translúcida, onde todas as idéias são frutos de pensamentos livres, d
Quando vermos que a tua casa não é mais importante do que a minha, só pelo fato de ser sua, o dia em que conseguir ver como todo e não como indivíduo, o dia em que a repetição alcançar a perfeição e o erro adestrar a postura, e não a opressão torcer o pescoço em direção ao horror, o dia em que o dia puder ter luz e sombra e horizonte infinito; esse dia, será o nirvana colossal. A felicidade estampada em todos sob todos os seus aspectos, olhares se cruzando por carinho, todos em uma mesma vertente.
Todos emoção racional
Facades - Part 5 of Glassworks - Phillip Glass
quinta-feira, junho 25, 2009
O que mais?
O agudo de uma voz estranha, mas ao mesmo tempo íntima, tem dito-me tanto, que o medo de ouvir a verdade só impulsiona-me à busca de algo novo. O novo dentro do mesmo, dentro do velho. A negação da fala afirma que o silêncio por si só, carrega tamanha turbulência, porque ao redor de minha mudez o mundo continua falando tanto, e aos poucos constrói todas as frases que eu, aqui, poderia dizer.
Esse leque de palavras, ao invés de abanar-me, sufoca-me cada vez mais. Cada vez mais e mais, por sempre ter que ser mais. Não contento-me com esse amor que jorra desse teu vazio, não digo-lhe o que sinto. Não falo-te, mundo, das minhas vontades, pois não as desejas e por isso mesmo enterro as minhas vontades em algum lugar muito perto do meu coração, pesando cada vez esse fardo que carrego sem perceber.
Se o manto da apatia caísse sobre mim, as cores seriam, quem sabe, mais fortes, as palavras mais significativas. Mas não. É acampado na distância, protegido pela tua sombra, que construo a morada onde por instantes escolho viver; olho o horizonte como se estivesse embaixo de meus pés.
Esse leque de palavras, ao invés de abanar-me, sufoca-me cada vez mais. Cada vez mais e mais, por sempre ter que ser mais. Não contento-me com esse amor que jorra desse teu vazio, não digo-lhe o que sinto. Não falo-te, mundo, das minhas vontades, pois não as desejas e por isso mesmo enterro as minhas vontades em algum lugar muito perto do meu coração, pesando cada vez esse fardo que carrego sem perceber.
Se o manto da apatia caísse sobre mim, as cores seriam, quem sabe, mais fortes, as palavras mais significativas. Mas não. É acampado na distância, protegido pela tua sombra, que construo a morada onde por instantes escolho viver; olho o horizonte como se estivesse embaixo de meus pés.
domingo, junho 07, 2009
Musique
I can't understand what makes a man
It's another man
Help me understand.
(Depeche Mode- People Are People)
It's another man
Help me understand.
(Depeche Mode- People Are People)
sábado, maio 16, 2009
Aridez
A proposta não passa de simples reflexão acerca daquilo que ao flutuar, me rodeia.
As palavras, comigo, são de baixa frequência. Chegam sempre quando consigo dizer "é tarde demais"... É mais um assunto que se encerra. Um fluxo contínuo, pós-moderno, capitalista, um fluxo romântico, onde as coisas deixam de ser no exato momento da possibilidade do acontecer.
É preciso medir a distância para a luz. Manter o afastamento pra não perder o foco... Maldita técnica, que abstrai aquilo que pouco tinha.
Sensibilidade gastou-se. Teus olhos perderam as cores, tua voz tornou-se lembrança vaga, música velha. Ultrapassada é a tua sombra.
Na verdade esse laudo chama-se mágoa. Que não fiz questão de guardar e por isso doei ao vento e aos sorrisos que flutuam sem ter aquilo de mais importante: verdade.
Às vezes até me pergunto o que acontece para que as palavras que tanto quis ouvir demorem tanto a serem ditas. Será que meu silêncio intimida? Mas mesmo não abrindo a boca, sei que digo muito. Acredito nas coisas que não necessitam ser ditas. Esse registro de diário - são linhas sem lirismo.
É um ex-romance, cru, atritando na pele e turvando minha vista.
A garganta trancada. As lágrimas preparadas para sair à jato. O olhos trêmulos, as mão firmes. E as letras indo e voltando... Resumo tudo dizendo"cansaço". E se voltar a falar, terei dito tudo, mais uma vez.
As palavras, comigo, são de baixa frequência. Chegam sempre quando consigo dizer "é tarde demais"... É mais um assunto que se encerra. Um fluxo contínuo, pós-moderno, capitalista, um fluxo romântico, onde as coisas deixam de ser no exato momento da possibilidade do acontecer.
É preciso medir a distância para a luz. Manter o afastamento pra não perder o foco... Maldita técnica, que abstrai aquilo que pouco tinha.
Sensibilidade gastou-se. Teus olhos perderam as cores, tua voz tornou-se lembrança vaga, música velha. Ultrapassada é a tua sombra.
Na verdade esse laudo chama-se mágoa. Que não fiz questão de guardar e por isso doei ao vento e aos sorrisos que flutuam sem ter aquilo de mais importante: verdade.
Às vezes até me pergunto o que acontece para que as palavras que tanto quis ouvir demorem tanto a serem ditas. Será que meu silêncio intimida? Mas mesmo não abrindo a boca, sei que digo muito. Acredito nas coisas que não necessitam ser ditas. Esse registro de diário - são linhas sem lirismo.
É um ex-romance, cru, atritando na pele e turvando minha vista.
A garganta trancada. As lágrimas preparadas para sair à jato. O olhos trêmulos, as mão firmes. E as letras indo e voltando... Resumo tudo dizendo"cansaço". E se voltar a falar, terei dito tudo, mais uma vez.
sábado, abril 11, 2009
Conservação e Manuseio
Ele aceitou ser um bobo da corte. Sim, da mesma forma em que aceitei o neutro abraço da distância. Os olhos treinados saberão distinguir e o coração sabido de mim, já decifrou.
Daquilo que me consome: deve ser o silêncio, que de tão tenro e denso, mascara-sede bem-estar-bem.
Logo ao lado há homens dizendo que não vão parar, não! de cantar e amar. Ensaio maldito, não é domingo. Beatles embala a vizinhança. Eu acho que é beatles.
Há quem sugira que isso seja uma tentativa de ser cult. COME'ON BABY! Shake it out now!
Rodeio pra chegar à corte. Para tocar no bobo. Para fugir do hoje, e alcançar o novo.
Daquilo que me consome: deve ser o silêncio, que de tão tenro e denso, mascara-sede bem-estar-bem.
Logo ao lado há homens dizendo que não vão parar, não! de cantar e amar. Ensaio maldito, não é domingo. Beatles embala a vizinhança. Eu acho que é beatles.
Há quem sugira que isso seja uma tentativa de ser cult. COME'ON BABY! Shake it out now!
Rodeio pra chegar à corte. Para tocar no bobo. Para fugir do hoje, e alcançar o novo.
quarta-feira, março 18, 2009
Palpitação
Retoco-me ao ponto em que a essência se busca em mim.
Perco-me na febre da consciência, suando todo o vazio que até então me flutuava.
Sigo-me febril, encontro-me vazio.
Repleto de nada, continuo.
Racionalizo-me em uma só pessoa e busco o ponto, longínquo, em que posso ter perdido
Aquilo que eu não sei ser.
Perco-me na febre da consciência, suando todo o vazio que até então me flutuava.
Sigo-me febril, encontro-me vazio.
Repleto de nada, continuo.
Racionalizo-me em uma só pessoa e busco o ponto, longínquo, em que posso ter perdido
Aquilo que eu não sei ser.
sábado, fevereiro 14, 2009
Tons
Não há música, mas há som. Não há abraço, mas há uma força que me repele ao encolhimento. Encolhimento do que sou, organizado dentro de mim. Uma força de dois que agora só sai de um. Um território de tragédia. É o corpo. O corpo. Quero sim repetir. O corpo o amor os dois o casal a união: nada disso é. Inventa-se o que se quer. Exausto meu corpo: só explora uma criação que não se compreende. Não se compreende. Rosado meu rosto se encontra diante de um espelho.
Reflexo oxelfeR.
De tanto que se amam, morrem no final. E percebem que não são os dois, mas sim quem são os dois que machucam tudo. Não precisam deles próprios. Amam-se à distância. Com poucas palavras dão o tom do que é o amor.
Reflexo oxelfeR.
Não há mais o que mostrar. Vaguidão rumando à busca de um sentido. Tentativa: isso que se torna erro programado dentro de uma questão de segundos; onde encontra-se a sensibilidade tangível aos teus lábios? já que tudo agora, no auge dos dias, é sempre tão previsível. Me assistes enquanto eu te vejo, eu sofrendo em qualquer trajeto do meu dia. Seja com sol no rosto ou com lágrimas nas mãos.
Aqueles dias se foram, o inverno hoje queima o corpo de agonia. Só a solidão da madrugada perigosa é que dá o tom do existir: o coração que palpita o tempo todo enquanto o escuto com destreza. Para quê diabos música se tenho coração?: batida cabível as minhas necessidades quando não há ninguém.
Peito: gelo. Mão: calo. Boca: silêncio.
Impressão ruim;fluxo fluxo. Congelado dentro de mim. Regojitando. Dando o tom da modernidade. Agressiva enquanto pode, porque não há mais sentido em contemplar a ruína, agora tão perceptível, dos nossos.
Aqueles dias se foram, o inverno hoje queima o corpo de agonia. Só a solidão da madrugada perigosa é que dá o tom do existir: o coração que palpita o tempo todo enquanto o escuto com destreza. Para quê diabos música se tenho coração?: batida cabível as minhas necessidades quando não há ninguém.
Peito: gelo. Mão: calo. Boca: silêncio.
Impressão ruim;fluxo fluxo. Congelado dentro de mim. Regojitando. Dando o tom da modernidade. Agressiva enquanto pode, porque não há mais sentido em contemplar a ruína, agora tão perceptível, dos nossos.
De tanto que se amam, morrem no final. E percebem que não são os dois, mas sim quem são os dois que machucam tudo. Não precisam deles próprios. Amam-se à distância. Com poucas palavras dão o tom do que é o amor.
domingo, fevereiro 08, 2009
O que não se vê
Imperceptível aos olhos da compreensão e trancafiado numa memória. O que tudo tornou-se. Agora ando nestes cômodos com olhos vazios, o sentido pulsa nas paredes mas não na carne.
Faço parte íntegra desse espaço vazio, renegando a evolução hipócrita desse espírito; que por incrível, parece-me sujo.
Sujo de escuro, torna-se cego. E minhas mão tão pouco calejadas fraquejam na premissa de ir até teu posto e pousar sobre teu corpo.
As lágrimas são o veneno que sorvo,mas não só. Só estou como sempre; a tristeza é expansão exata desse lirismo fraco. Trancafiado num frasco. Posso vaguear e devanear até encontrar qualquer resposta longe da tua lembrança, porque longe de meu corpo, minha razão é o que basta.
E dessa expressão de fraqueza - a qual denomino força- surge o inesperado: o desejo de condensar-se à tua palavra, a tua queda disfarçada de ascensão.
Tentar, entender, por via de dúvidas, compreender. A dificuldade de minhas forças encontra-se na facilidade de teus movimentos.
É por isso que fico só; do outro lado há quem viva, quem pulse ao som do meu respirar.
E galgo degraus, invisível, indo atrás da sombra que me refresca o corpo e me alenta a alma;
Faço parte íntegra desse espaço vazio, renegando a evolução hipócrita desse espírito; que por incrível, parece-me sujo.
Sujo de escuro, torna-se cego. E minhas mão tão pouco calejadas fraquejam na premissa de ir até teu posto e pousar sobre teu corpo.
As lágrimas são o veneno que sorvo,mas não só. Só estou como sempre; a tristeza é expansão exata desse lirismo fraco. Trancafiado num frasco. Posso vaguear e devanear até encontrar qualquer resposta longe da tua lembrança, porque longe de meu corpo, minha razão é o que basta.
E dessa expressão de fraqueza - a qual denomino força- surge o inesperado: o desejo de condensar-se à tua palavra, a tua queda disfarçada de ascensão.
Tentar, entender, por via de dúvidas, compreender. A dificuldade de minhas forças encontra-se na facilidade de teus movimentos.
É por isso que fico só; do outro lado há quem viva, quem pulse ao som do meu respirar.
E galgo degraus, invisível, indo atrás da sombra que me refresca o corpo e me alenta a alma;
sábado, janeiro 31, 2009
Estrada direto para o teu lado
É nessa distância silenciosa que o corpo paira, sôfrego; indo de encontro a braços de veludo, de leveza imensurável.
Esse destino que se choca ao meu lado torna-se passado; a vida plena agora é papel rasgado.
E mesmo assim o amor jorra do meu peito, sem sentir o coração palpitar. Só a roupa esquentando a carne.
Meu sentimento é tão tocável quanto aquilo que nunca senti. Te escondas em mim, para sentir que nosso destino longínquo e fardo prazeroso, que no fundo, não queremos, jamais, soltar!
Esse destino que se choca ao meu lado torna-se passado; a vida plena agora é papel rasgado.
E mesmo assim o amor jorra do meu peito, sem sentir o coração palpitar. Só a roupa esquentando a carne.
Meu sentimento é tão tocável quanto aquilo que nunca senti. Te escondas em mim, para sentir que nosso destino longínquo e fardo prazeroso, que no fundo, não queremos, jamais, soltar!
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Um trecho ao extenso
Quando a tua consciência atravessa a cidade, lembras de mim.
E assim que repousas, o surreal te abraça. Lembras de mim.
O meu pensamento estraçalha o que és; me guardas no ar mas lembras de mim.
A memória desse dia é sopro pra aí.
Lembras de mim?
E assim que repousas, o surreal te abraça. Lembras de mim.
O meu pensamento estraçalha o que és; me guardas no ar mas lembras de mim.
A memória desse dia é sopro pra aí.
Lembras de mim?
sábado, janeiro 24, 2009
A Voz e O Surdo
As sensações o fazem viver de passado, e o frio que fazia lhe presenteava com lágrimas nos olhos. De amor estava morrendo e nascia, em seguida, cheio de uma curiosidade carnal.
Sua boca não guardava palavras: ele sempre fora um péssimo túmulo para si próprio. Portanto, sua solidão transfere-se a mim. Torno-me o que sou, e neste movimento da barca, meus pés se molham. É água nova. A amizade firmou-se e agora é alicerce valioso, a fuga desejada e o conhecimento necessário estão perto do que às vezes quer-se longe. Não pode ser tão simples compreender o que o frio faz com a pele dos homens: nele reside a saudade e o calor de um abraço.
O solitário fala consigo: a isso chamo paciência; porque homem, como animal consciente, não anda sozinho por muito tempo. E não, renego-me a aceitar a solidão como precedente da doença. Todo alarme e toda a precaução só existem pela doença, e as almas livres que experimentam a cura por puro gozo, são sempre as que mais sofrem. E meu sofrimento torna-se o dele.
Sua boca já tão seca ainda revela muito, porque o cansaço escorrendo pelo corpo é um alerta fatal de que ele, em vida, torna-se moribundo. A cada dia que passa. Não é forte para determinar um espaço, mas o choro no vazio de sua casa delimita, com carinho amargo, cada pedaço de seu corpo. O que o pertence além de si próprio e algumas quinquilharias? O som de sua própria voz já o torna surdo, e o véu sombrio da cegueira já não o permite ver que a verdade sempre se manteve a poucos passos. E é nessa distância que eu me encontro. Perdido, mesmo parado; esperando toque desse deslocado à minha frente. Meus ouvidos aguentam tão estridentes gritos, meus olhos vêm tamanha moral destruidora; e meu corpo, cheio de vagas virtudes, nos liberta. Sou tão dele, que fico dando saltos entre uma alma e outra.
Sua boca não guardava palavras: ele sempre fora um péssimo túmulo para si próprio. Portanto, sua solidão transfere-se a mim. Torno-me o que sou, e neste movimento da barca, meus pés se molham. É água nova. A amizade firmou-se e agora é alicerce valioso, a fuga desejada e o conhecimento necessário estão perto do que às vezes quer-se longe. Não pode ser tão simples compreender o que o frio faz com a pele dos homens: nele reside a saudade e o calor de um abraço.
O solitário fala consigo: a isso chamo paciência; porque homem, como animal consciente, não anda sozinho por muito tempo. E não, renego-me a aceitar a solidão como precedente da doença. Todo alarme e toda a precaução só existem pela doença, e as almas livres que experimentam a cura por puro gozo, são sempre as que mais sofrem. E meu sofrimento torna-se o dele.
Sua boca já tão seca ainda revela muito, porque o cansaço escorrendo pelo corpo é um alerta fatal de que ele, em vida, torna-se moribundo. A cada dia que passa. Não é forte para determinar um espaço, mas o choro no vazio de sua casa delimita, com carinho amargo, cada pedaço de seu corpo. O que o pertence além de si próprio e algumas quinquilharias? O som de sua própria voz já o torna surdo, e o véu sombrio da cegueira já não o permite ver que a verdade sempre se manteve a poucos passos. E é nessa distância que eu me encontro. Perdido, mesmo parado; esperando toque desse deslocado à minha frente. Meus ouvidos aguentam tão estridentes gritos, meus olhos vêm tamanha moral destruidora; e meu corpo, cheio de vagas virtudes, nos liberta. Sou tão dele, que fico dando saltos entre uma alma e outra.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
A volta
Aquele coelho, que mais parece gato, em cima da mesinha é prova que o real ainda é palpável. E de que o sentir, é hoje, nada mais que só significado. Significado perdido na trava da minha língua, encadeado no fio do meu cabelo. Raspado pelo tempo as coisas seguem, com a lógica de que são sempre libertas pela inconsciência da arte. Da arte da comédia que grita por espaço, do teatro, ABSURDO, que chega como bomba.
Essa mesa é informada, calma e precisada de carinho. O que falta aqui É espaço pra se abrir um caminho que leve á liberdade da informação sem os dogmas do moralismo. Ismo é a doença da palavra, a precedência da enfermidade.
O livro aberto e fechado, aberto e fechado, ao lado da cama é o campo de criação. Troca de artistas. Dizem que é coisa de homem. ELE está, à vontade, só de cuecas, no escuro. NARRANDO QUALQUER COISA. Mas a trilha sonora do - eu te amo- não carece de resposta. É bonito, silencioso e distante.
Que sirva de alento para o momento, porque o compromisso de não magoar mais é resposta certa; no desfecho de qualquer novo projeto. Seis, na verdade. Seis, numa contagem que poderia ser longínqua se não fosse a barreira que não faz questão de se deixar ser transposta.
Esse novo acordo da língua, não altera o sotaque. O livro na hora do banheiro vai ter o mesmo sentindo com ou sem hífen. O pós moderno assusta a contemporaneidade. Olha-se para o passado para se entender o futuro. Essa mesa nunca foi tão mal informada. Essa conta de energia está tão apagada.
A intensidade da obra, leia-se do momento, é a imaginação da fala. Pensas, aí de longe, que isso não é uma posse. Isso é empréstimo efêmero. Sem subjetividade. O grito da tua palavra, suja com qualquer coisa do sexo, torna inimigo aquele que sai às ruas para viver o irreal.
Essa mesa é informada, calma e precisada de carinho. O que falta aqui É espaço pra se abrir um caminho que leve á liberdade da informação sem os dogmas do moralismo. Ismo é a doença da palavra, a precedência da enfermidade.
O livro aberto e fechado, aberto e fechado, ao lado da cama é o campo de criação. Troca de artistas. Dizem que é coisa de homem. ELE está, à vontade, só de cuecas, no escuro. NARRANDO QUALQUER COISA. Mas a trilha sonora do - eu te amo- não carece de resposta. É bonito, silencioso e distante.
Que sirva de alento para o momento, porque o compromisso de não magoar mais é resposta certa; no desfecho de qualquer novo projeto. Seis, na verdade. Seis, numa contagem que poderia ser longínqua se não fosse a barreira que não faz questão de se deixar ser transposta.
Esse novo acordo da língua, não altera o sotaque. O livro na hora do banheiro vai ter o mesmo sentindo com ou sem hífen. O pós moderno assusta a contemporaneidade. Olha-se para o passado para se entender o futuro. Essa mesa nunca foi tão mal informada. Essa conta de energia está tão apagada.
A intensidade da obra, leia-se do momento, é a imaginação da fala. Pensas, aí de longe, que isso não é uma posse. Isso é empréstimo efêmero. Sem subjetividade. O grito da tua palavra, suja com qualquer coisa do sexo, torna inimigo aquele que sai às ruas para viver o irreal.
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Da cor: a suposta saudade
Deita-te:
"Há de voltar à luz aquele que ainda me olha nos olhos. De olhos fechados, com medo, agudo, da dor. Dessa dor que corta a cabeça de ponta a ponta, que faz pesar o ar, que pontua cada palavra. Que cria fendas no instante da caminhada.
Eu, minusculamente, acompanho. Divagando acompanhado, mas falando sozinho sobre a abrangência do tema mais cortante. Deixo no ar jogado o pouco que resta da verdade.
A verdade tem sabor amargo, não desce garganta a baixo, fica presa nos olhos. Esvai-se em lágrimas. A verdade.
Na busca de elementos para construção do que poderíamos ser, termino por encontrar aquilo que éramos, e então com a leveza do meu corpo, já tão cansado, atiro-me de cabeça no azul dos teus olhos... Dos olhos que na verdade nunca vi, mas que com amor sempre olhei.
A casa, com a mobília inchada pelo tempo, quiçá pelas lágrimas, agora é parte da memória que nos corta. A memória é o movimento desse silêncio. Desse silêncio que pesa, como o som do piano costumava fazer ao embalar o romance que fazíamos da vida. Com beleza. Sem verdade.
Com a esperança vaga de que as fundações da morada seriam cada vez maiores e fortes enquanto o mato crescesse do lado de fora; pronto para cobrir naturalmente os corpos, a mobília e as lembranças. A adição do metafísico à carne. A carne toca o corpo, vira alma e volta para o nada. Para o mato, lá de fora, que naturalmente vem.
E na busca incansável por uma condição para poder continuar, tuas forças acabam assim que bates à minha porta, com os braços estendidos esperando o cheiro de mofo que existe. Os panos brancos estão até no espelho, onde costumavam ser refletidos os corpos humedecidos de tanta raiva depois de calorosas disputas de reconhecimento. "Eu quero ser mais amado", era o que eu ouvia como "Estou aqui a teu dispor, teu amor é o reflexo do meu rosto".
A verdade, a casa vazia, a mobília sozinha, criam vida própria, dizem-me pra voltar. E eu volto, pra fingir que até aqui, no poço fundo que são teus olhos, que olhar pra cima durante à tarde simula o passado escuro e dolorido. Onde não via nada mas ouvia. Dos teus gemidos de prazer ao teu balbúcio de dor".
"Há de voltar à luz aquele que ainda me olha nos olhos. De olhos fechados, com medo, agudo, da dor. Dessa dor que corta a cabeça de ponta a ponta, que faz pesar o ar, que pontua cada palavra. Que cria fendas no instante da caminhada.
Eu, minusculamente, acompanho. Divagando acompanhado, mas falando sozinho sobre a abrangência do tema mais cortante. Deixo no ar jogado o pouco que resta da verdade.
A verdade tem sabor amargo, não desce garganta a baixo, fica presa nos olhos. Esvai-se em lágrimas. A verdade.
Na busca de elementos para construção do que poderíamos ser, termino por encontrar aquilo que éramos, e então com a leveza do meu corpo, já tão cansado, atiro-me de cabeça no azul dos teus olhos... Dos olhos que na verdade nunca vi, mas que com amor sempre olhei.
A casa, com a mobília inchada pelo tempo, quiçá pelas lágrimas, agora é parte da memória que nos corta. A memória é o movimento desse silêncio. Desse silêncio que pesa, como o som do piano costumava fazer ao embalar o romance que fazíamos da vida. Com beleza. Sem verdade.
Com a esperança vaga de que as fundações da morada seriam cada vez maiores e fortes enquanto o mato crescesse do lado de fora; pronto para cobrir naturalmente os corpos, a mobília e as lembranças. A adição do metafísico à carne. A carne toca o corpo, vira alma e volta para o nada. Para o mato, lá de fora, que naturalmente vem.
E na busca incansável por uma condição para poder continuar, tuas forças acabam assim que bates à minha porta, com os braços estendidos esperando o cheiro de mofo que existe. Os panos brancos estão até no espelho, onde costumavam ser refletidos os corpos humedecidos de tanta raiva depois de calorosas disputas de reconhecimento. "Eu quero ser mais amado", era o que eu ouvia como "Estou aqui a teu dispor, teu amor é o reflexo do meu rosto".
A verdade, a casa vazia, a mobília sozinha, criam vida própria, dizem-me pra voltar. E eu volto, pra fingir que até aqui, no poço fundo que são teus olhos, que olhar pra cima durante à tarde simula o passado escuro e dolorido. Onde não via nada mas ouvia. Dos teus gemidos de prazer ao teu balbúcio de dor".
segunda-feira, dezembro 15, 2008
A ponte: fala silenciosa bem próxima do teu corpo
-Eles estavam de perto, se olhando. Dizendo palavras que eram quase mudas, por estarem tão perto do silêncio.
A busca pelo desejo de ser ainda consome, com calor, cada pedaço do teu corpo. O desejo de falar que o dia tinha sido cheio levou-te ao patamar mais baixo de consciência: Digo que estou vivo só para saber que estarás por perto quando eu gritar.
Quando o ruído passar e todo o som tiver deixado o teu corpo, eu deitarei-me em teu peito e hei de esquentar-te num sopro. O gelo nunca pareceu-me tão encantador como hoje, mas só em tuas mãos.
Abro mão de louvar teus poucos atos. A união consolida-se num vazio que não me cabe, mesmo enchendo-se de sorrisos. Se eu tivesse que transformar-te em algo bonito, serias um poço.
Bem fundo, vazio, e escuro. Não me irradia essa solidão. Nem esse cárcere de espera.
Como o teu sorriso, que vem pra abrandar as coisas, colocando-as em uma inércia que eu ainda desconheço.
A busca pelo desejo de ser ainda consome, com calor, cada pedaço do teu corpo. O desejo de falar que o dia tinha sido cheio levou-te ao patamar mais baixo de consciência: Digo que estou vivo só para saber que estarás por perto quando eu gritar.
Quando o ruído passar e todo o som tiver deixado o teu corpo, eu deitarei-me em teu peito e hei de esquentar-te num sopro. O gelo nunca pareceu-me tão encantador como hoje, mas só em tuas mãos.
Abro mão de louvar teus poucos atos. A união consolida-se num vazio que não me cabe, mesmo enchendo-se de sorrisos. Se eu tivesse que transformar-te em algo bonito, serias um poço.
Bem fundo, vazio, e escuro. Não me irradia essa solidão. Nem esse cárcere de espera.
Como o teu sorriso, que vem pra abrandar as coisas, colocando-as em uma inércia que eu ainda desconheço.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Corrente: tua boca, minha palavra
De me colocar dentro de falas. De criar algo pra imaginar saindo de tua boca. Disso, realmente, parece que estou farto. Desse pulo de excitação que me assalta só pelo desejo. De pontuar cada traço do meu corpo, tornando-o o teu.
A falta de sentido leva-me, não forçosamente, a esquecer de analisar qualquer coisa. Minha raiva cresce tão rápido, que cobre meus olhos com tristeza. E preciso de gritos, dentro da cabeça, pra sentir-me acariciado. Um carinho inatingível, que vai e volta pra mim. como o rodeio interminável.
Ao redor da tragédia, criei meu próprio drama, que não envolve nada além das minhas próprias lágrimas, que inundam meu peito. E me derretem por dentro. Me derretam por tanto e em tão pouco tempo que cá estou esquecendo que vim pra dizer; e talvez querer escutar.
-Estive atrás de você.
-Pra quê?
-Pra contar que com essa mentira toda, essa casa sem teto e sem chão, tornou-se uma desejada morada. Que essa suposta verdade que encontra-se por trás do teu sorriso já me disse tão pouco; que eu passo achar que qualquer sinal significa muito.
-Posso estar errado - e esfrega o rosto- mas o que vês aqui, nada mais é que o meu todo.
Entrando com o corpo dentro da fala: Claro que sim, isso tudo que vejo é teu todo, o que me provas que pra mim ainda és pouco. Quero-te mais, sem o medo de sentir o frio subindo pela minha barriga até encostar minha garganta. Quero mais uma chance pra explodir.
-Cansado de tanto errar, decidi entregar-me ao vento. E... Fico circulando.
A falta de sentido leva-me, não forçosamente, a esquecer de analisar qualquer coisa. Minha raiva cresce tão rápido, que cobre meus olhos com tristeza. E preciso de gritos, dentro da cabeça, pra sentir-me acariciado. Um carinho inatingível, que vai e volta pra mim. como o rodeio interminável.
Ao redor da tragédia, criei meu próprio drama, que não envolve nada além das minhas próprias lágrimas, que inundam meu peito. E me derretem por dentro. Me derretam por tanto e em tão pouco tempo que cá estou esquecendo que vim pra dizer; e talvez querer escutar.
-Estive atrás de você.
-Pra quê?
-Pra contar que com essa mentira toda, essa casa sem teto e sem chão, tornou-se uma desejada morada. Que essa suposta verdade que encontra-se por trás do teu sorriso já me disse tão pouco; que eu passo achar que qualquer sinal significa muito.
-Posso estar errado - e esfrega o rosto- mas o que vês aqui, nada mais é que o meu todo.
Entrando com o corpo dentro da fala: Claro que sim, isso tudo que vejo é teu todo, o que me provas que pra mim ainda és pouco. Quero-te mais, sem o medo de sentir o frio subindo pela minha barriga até encostar minha garganta. Quero mais uma chance pra explodir.
-Cansado de tanto errar, decidi entregar-me ao vento. E... Fico circulando.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Há algo sobre nós que preciso dizer:
O ranger desta mesa dá-me impressão de que parei, por um tempo, de ser eu mesmo. De que passei a emitir outros sons. Na realidade, emiti o som doce a minha voz, que parecia ranger, ao lado da tua. Como se de ti, viesse música. Não canso-me de repetir, que parcialmente, és incansável. Mas te ter por inteiro, a todo tempo ao meu lado, seria exaustivo. Um fardo que eu não teria capacidade de carregar. Teus ares pesariam e confrontariam os meus. Terminaríamos em lágrimas, com raiva.
Mas é com raiva que desligo o telefone, para subir com pressa e dizer, feliz, pra mim, que conversei contigo. Hoje [...] sei que não tenho, mas quero morada. Quero ter meus braços quentes e meu corpo rígido, mas não quero esperar o concretizar do meu desejo. E não esperaria que virias até mim com sua linda face, de comprador de corações. Prefiro a nobreza despretenciosa. Ai, como repito. Sou quase um computador. Deve ser essa nova cultura. Que me abraça toda vez que digo teu nome, prometendo-me morte mas enchendo-me de carinho.
Sou teu enfermo. Mas ao ver acabar as linhas do caderno, me curo; não deixo que meu orgulho adoeça. Prefiro não continuar dizendo. Antes que eu morra, minha cabeça estará doendo por, meticulosamente, organizar palavras; que depois não serão lidas por outro par de olhos que não os desejados: seus.
Não imprima novas folhas com este segredos. Eles são tão teus, que não cabem em mim. E é por isso que os mando longe: porque tenho tanto medo de te perder para algo vil, que te sustento e te inflo. -Mais uma caixa, guardada - Esta carta não é de mi para ti. É de uma posse tua para inflar-te o ego. Teu homem-selvagem há de caminhar veloz depois destas inacabadas linhas. Porque antes de acabar, o medo vem dizer-me que eu, ao contrário, tenho muito a perder. e este pedaço que escreve não sou eu. É maior. Se existe posse, és o demônio. Personifica-te naquilo que não acredito e vens dizer-me juras, de amor a todo instante. Eu sou prisioneiro de um desejo. Que controla-me. E impulsivamente perco-me em qualquer entendimento com a esperança de não estar me contradizendo, mas sim de estar levando-te algo de bom e belo. Já não acredito mais em mim sem antes acreditar no meu amor. E hoje, platonicamente, deixo em too o meu corpo; too o sentimento amoroso que eu posso dar: eu mundo de ódio. Um extremo doloroso, mas que por fim, acaba belo. Não hei de finalizar dizendo "te amo", mas sou capaz de declarar meu ódio para ver tua indiferença e desejar-te cada vez mais.
Mas é com raiva que desligo o telefone, para subir com pressa e dizer, feliz, pra mim, que conversei contigo. Hoje [...] sei que não tenho, mas quero morada. Quero ter meus braços quentes e meu corpo rígido, mas não quero esperar o concretizar do meu desejo. E não esperaria que virias até mim com sua linda face, de comprador de corações. Prefiro a nobreza despretenciosa. Ai, como repito. Sou quase um computador. Deve ser essa nova cultura. Que me abraça toda vez que digo teu nome, prometendo-me morte mas enchendo-me de carinho.
Sou teu enfermo. Mas ao ver acabar as linhas do caderno, me curo; não deixo que meu orgulho adoeça. Prefiro não continuar dizendo. Antes que eu morra, minha cabeça estará doendo por, meticulosamente, organizar palavras; que depois não serão lidas por outro par de olhos que não os desejados: seus.
Não imprima novas folhas com este segredos. Eles são tão teus, que não cabem em mim. E é por isso que os mando longe: porque tenho tanto medo de te perder para algo vil, que te sustento e te inflo. -Mais uma caixa, guardada - Esta carta não é de mi para ti. É de uma posse tua para inflar-te o ego. Teu homem-selvagem há de caminhar veloz depois destas inacabadas linhas. Porque antes de acabar, o medo vem dizer-me que eu, ao contrário, tenho muito a perder. e este pedaço que escreve não sou eu. É maior. Se existe posse, és o demônio. Personifica-te naquilo que não acredito e vens dizer-me juras, de amor a todo instante. Eu sou prisioneiro de um desejo. Que controla-me. E impulsivamente perco-me em qualquer entendimento com a esperança de não estar me contradizendo, mas sim de estar levando-te algo de bom e belo. Já não acredito mais em mim sem antes acreditar no meu amor. E hoje, platonicamente, deixo em too o meu corpo; too o sentimento amoroso que eu posso dar: eu mundo de ódio. Um extremo doloroso, mas que por fim, acaba belo. Não hei de finalizar dizendo "te amo", mas sou capaz de declarar meu ódio para ver tua indiferença e desejar-te cada vez mais.
segunda-feira, dezembro 01, 2008
O trêmulo movimento da boca, a minha
De novo, sem cuidados, o mural vai construindo-se. E ele vai, rumando calmamente, para a própria ruína. É a escolha.
-Ir embora. Foco minha vontade na alegria do ficar. Mas a ambigüidade ordena-me ir... Ir aonde? Aonde meus pés não são capazes de pisar, obviamente. Peço, encarecidamente, que algo fuja daqui.
Cansei-me da covardia toda. Da coisa que me envolve e que eu não sei contar. Acho, às vezes Moço, que tenho que criar personagens pra desvendar melhor quem eu realmente sou. Quando finjo não estar em mim, parece que o vento sopra mais. A brisa me faz lembrar da praia. Vês só, é tudo um amontoar de recordações, estampado em cada centímetro de mim. A minha última noite fora vívida, amável. Calorosamente tocante. E nesses pontos irrequietos encontro-me, junto de um ambiente em que, Moço, ninguém sabe o que se passa.
Não quero mais direcionar minhas palavras, quero até mesmo achar uma fonte, mas uma das boas. Posso até fazer pessoas lembrarem de mim por causa de alguma música muito chata, mas posso fazer alguém me esquecer em função de minhas frases ruins. Que bom que existe esse divã; deito-me nele, e a consciência parece até que melhor flui.
Invisto meus fundos, e escuto coisas do tipo: "Olha só, ele é guei?". Ainda bem que meu barulho individual, feito de um orgulho sintetizado, às vezes me protege de ouvir alguns tipos de barbáries. Quais?
Moço, eu quero dizer que estive num esconderijo hoje, mas não sei se posso entrar. Sei onde fica, fico sentado em frente olhando, mas não paro de pensar: a música pela manhã revelou-me novas percepções.
-Ir embora. Foco minha vontade na alegria do ficar. Mas a ambigüidade ordena-me ir... Ir aonde? Aonde meus pés não são capazes de pisar, obviamente. Peço, encarecidamente, que algo fuja daqui.
Cansei-me da covardia toda. Da coisa que me envolve e que eu não sei contar. Acho, às vezes Moço, que tenho que criar personagens pra desvendar melhor quem eu realmente sou. Quando finjo não estar em mim, parece que o vento sopra mais. A brisa me faz lembrar da praia. Vês só, é tudo um amontoar de recordações, estampado em cada centímetro de mim. A minha última noite fora vívida, amável. Calorosamente tocante. E nesses pontos irrequietos encontro-me, junto de um ambiente em que, Moço, ninguém sabe o que se passa.
Não quero mais direcionar minhas palavras, quero até mesmo achar uma fonte, mas uma das boas. Posso até fazer pessoas lembrarem de mim por causa de alguma música muito chata, mas posso fazer alguém me esquecer em função de minhas frases ruins. Que bom que existe esse divã; deito-me nele, e a consciência parece até que melhor flui.
Invisto meus fundos, e escuto coisas do tipo: "Olha só, ele é guei?". Ainda bem que meu barulho individual, feito de um orgulho sintetizado, às vezes me protege de ouvir alguns tipos de barbáries. Quais?
Moço, eu quero dizer que estive num esconderijo hoje, mas não sei se posso entrar. Sei onde fica, fico sentado em frente olhando, mas não paro de pensar: a música pela manhã revelou-me novas percepções.
domingo, novembro 30, 2008
A imensidão escura
Posso descarregar com milhões de palavras um só sentimento: o de sentir. O puro sentimento de sentir que eleva-me a reflexões que só eu, num dia distante, serei capaz de entender. E que este estenda-se até tua morada. Distante, como o dia do entendimento.
Sou capaz de ficar aqui, quieto, olhando-te, porque agora és o único desejo que sou capaz de esconder. Todos os outros são de um conhecimento quase público. E ao redor da desgraça, paira um ar desconhecido. Outrora até gostaria de ouvir tua voz novamente. Vozes têm sido o maior desafio de minha vida. E não restrinjo-me a ti. Restrinjo-me a qualquer vontade, a qualquer brotar de emoção. A qualquer jorrar de verdade que pode ser lágrima, escondida num bocejo, carinhoso, de sono.
Na noite que não acaba, eu aceno para o horizonte esperando uma resposta que talvez nunca venha.
Sou capaz de ficar aqui, quieto, olhando-te, porque agora és o único desejo que sou capaz de esconder. Todos os outros são de um conhecimento quase público. E ao redor da desgraça, paira um ar desconhecido. Outrora até gostaria de ouvir tua voz novamente. Vozes têm sido o maior desafio de minha vida. E não restrinjo-me a ti. Restrinjo-me a qualquer vontade, a qualquer brotar de emoção. A qualquer jorrar de verdade que pode ser lágrima, escondida num bocejo, carinhoso, de sono.
Na noite que não acaba, eu aceno para o horizonte esperando uma resposta que talvez nunca venha.
sábado, novembro 29, 2008
Aos olhos que sempre se fecham
Penso em qualquer canção que defina nosso estigma. Não encontro, porque somos o estereótipo do indefínivel. E para o que não se define, usam-se palavras complicadas. Prefiro simplificar e retificar que despedir-se não é bravo diante de mim. É covarde dizer-me adeus antes do dia acabar. As coisas não podem mudar e não peço que mudem, elas sabem a hora de partir e quem sabe o momento não seja este. Não me peça, nunca, para parar.
Me diga, se o amor é mentira. Sei que é algo que fazemos, simplesmente por fazer.
Não aguento a pausa. A distância de tua voz, soando estranha perto da minha, faz com que as coisas pareçam estranhas.
Adoraria poder simplificar, sempre poder simplificar, mas todo sentimento sempre há de andar nos lados em que não posso estar. Torno-me incapaz de dizer o que sinto, agora.
Preciso ver-nos sentados em qualquer lugar, sujo por sinal, pra poder tomar uma dimensão, imprecisa como todas do que pode estar passando-se a frente.
Esses carros todos, tentam explicar o que aquela mulher, grande, disse sobre a forma. Mas esse movimento nojento, não explica a forma de nada. Só complica o desenrolar até o fim. Essa língua presa só guarda as lágrimas, gritantes, aqui dentro da minha garganta. A córnea infla-se e por pouco não vejo nada. Estou entrando no estado teu estado. De excitação ludibriada, prometendo os fins, sem nunca ter um começo. Sem jamais existir um momento, eu imagino que sempre beijo-te a testa. Já que em tamanho és menor, aproveito-me de tua grandeza para beijar-te como rebaixado. Ínfimo, coloco-me, sem olhos impecáveis ao teu lado. E minhas palavras, querida, não conseguem, jamais dizer nada, quando meus olhos vêem o sol se pondo em mais um dia em que sinto nosso casamento cada vez mais forte. Somos mais dois, que não precisamos de contato para existir. Tua matéria, por vezes, pontua as linhas do meu dia. Transfiguras imagens para minhas cenas, és tão tênue que te perdes na névoa dos meus sonhos. E nem em poesia, eu sou capaz de dizer-te algo.
Terás sempre alguém para te abraçar, mas sinto que, mesmo de longe, sou corajoso o suficiente para sentar-me em qualquer lado e ver-te feliz, de longe. Bebendo voluptuosos goles de mais um clichê, que podemos chamar de amor. Mas a ele eu dou a forma da morbidez. Do inexplicável, que se complica em pensamentos difíceis e intrincados.
Quando acostumo-me com as regras, entre elas a de te ver, fica difícil burlá-las e fingir que não estás mais por perto. A distância, quando não existe, é só uma desculpa que criamos junto com o tempo que não existe.
Torno-te atemporal na decadência de minha consciência.
Me diga, se o amor é mentira. Sei que é algo que fazemos, simplesmente por fazer.
Não aguento a pausa. A distância de tua voz, soando estranha perto da minha, faz com que as coisas pareçam estranhas.
Adoraria poder simplificar, sempre poder simplificar, mas todo sentimento sempre há de andar nos lados em que não posso estar. Torno-me incapaz de dizer o que sinto, agora.
Preciso ver-nos sentados em qualquer lugar, sujo por sinal, pra poder tomar uma dimensão, imprecisa como todas do que pode estar passando-se a frente.
Esses carros todos, tentam explicar o que aquela mulher, grande, disse sobre a forma. Mas esse movimento nojento, não explica a forma de nada. Só complica o desenrolar até o fim. Essa língua presa só guarda as lágrimas, gritantes, aqui dentro da minha garganta. A córnea infla-se e por pouco não vejo nada. Estou entrando no estado teu estado. De excitação ludibriada, prometendo os fins, sem nunca ter um começo. Sem jamais existir um momento, eu imagino que sempre beijo-te a testa. Já que em tamanho és menor, aproveito-me de tua grandeza para beijar-te como rebaixado. Ínfimo, coloco-me, sem olhos impecáveis ao teu lado. E minhas palavras, querida, não conseguem, jamais dizer nada, quando meus olhos vêem o sol se pondo em mais um dia em que sinto nosso casamento cada vez mais forte. Somos mais dois, que não precisamos de contato para existir. Tua matéria, por vezes, pontua as linhas do meu dia. Transfiguras imagens para minhas cenas, és tão tênue que te perdes na névoa dos meus sonhos. E nem em poesia, eu sou capaz de dizer-te algo.
Terás sempre alguém para te abraçar, mas sinto que, mesmo de longe, sou corajoso o suficiente para sentar-me em qualquer lado e ver-te feliz, de longe. Bebendo voluptuosos goles de mais um clichê, que podemos chamar de amor. Mas a ele eu dou a forma da morbidez. Do inexplicável, que se complica em pensamentos difíceis e intrincados.
Quando acostumo-me com as regras, entre elas a de te ver, fica difícil burlá-las e fingir que não estás mais por perto. A distância, quando não existe, é só uma desculpa que criamos junto com o tempo que não existe.
Torno-te atemporal na decadência de minha consciência.
quarta-feira, novembro 19, 2008
Da confusa, verdade
De costas para seu principal ouvinte, tinha um mundo vazio à sua frente: uma parede branca expressava a suficiência de seus anseios; e com voz cansada, pausada, de desabafo, jogou palavras quase coloridas. Criou um mural:
-Há de chegar o momento em que poderei pensar em ser e remetido a um vazio sem nome. O nome do vazio, posso enganar dizendo que estou com um pouco de fome. Mas minto, lindamente, enrolando minha língua dentro da boca para dizer com outras palavras que fiquei muito surpreso com aparições inesperadas. Às vezes finjo acreditar em fantasmas, e burlo a minha própria vida.
É a isso que dou o nome de vazio: ao ato de burlar-me. De olhar ao redor e não me enxergar mais. Chego a ponto de pensar que me burlar é perder minha pequena paz. Nesse inferno segregado por mim, não há mais ninguém. Nem eu, que de longe da velhice só me sinto, por inteiro, dono de uma supostas juventude.
É então que perco a órbita, tiro-a do ponto comum, meus olhos se arregalam.
Hoje, olhar para frente fora difícil, quase gritante. Meu olhar quase substituiu minha voz; às vezes é bem melhor ficar calado. Assim, afasto-me de redundâncias, e não repito as mesmas coisas, como de costume.
Estou cansando, fraquejando, enquanto caminho sem dar passos.
O barulho desse desabafo soma-se infernal a medida que me enlaço num auto-abraço.
-Há de chegar o momento em que poderei pensar em ser e remetido a um vazio sem nome. O nome do vazio, posso enganar dizendo que estou com um pouco de fome. Mas minto, lindamente, enrolando minha língua dentro da boca para dizer com outras palavras que fiquei muito surpreso com aparições inesperadas. Às vezes finjo acreditar em fantasmas, e burlo a minha própria vida.
É a isso que dou o nome de vazio: ao ato de burlar-me. De olhar ao redor e não me enxergar mais. Chego a ponto de pensar que me burlar é perder minha pequena paz. Nesse inferno segregado por mim, não há mais ninguém. Nem eu, que de longe da velhice só me sinto, por inteiro, dono de uma supostas juventude.
É então que perco a órbita, tiro-a do ponto comum, meus olhos se arregalam.
Hoje, olhar para frente fora difícil, quase gritante. Meu olhar quase substituiu minha voz; às vezes é bem melhor ficar calado. Assim, afasto-me de redundâncias, e não repito as mesmas coisas, como de costume.
Estou cansando, fraquejando, enquanto caminho sem dar passos.
O barulho desse desabafo soma-se infernal a medida que me enlaço num auto-abraço.
domingo, novembro 09, 2008
Realidade [in]completa
Mas que coisa é essa de ficar sempre tão calado?, esperando minha volta no meio da noite? Pensas que sou a personificação do trair? Não, na realidade eu sou uma questão sem fim. Não é mesmo? Desafio-te a ir até o lado de fora. Ver a realidade. O seu surrealismo, ainda não saiu de casa, e não precisa de mais nada. A realidade está do lado de fora e o esconderijo é o avesso.
Beijo-te só com meus olhares e minha boca inunda-te de vontades. Desafio-te a sair de mim, a correr sozinho, achando que estás ao meu lado. Não olhes para trás. NÃO! NÃO! Proíbo que tua pele toque em qualquer outro que não o chão. Apenas permito um elemento, o ar, a sentir tua pele. Corres nu de teus princípios, porque sei que tens tudo sem eles. Sem esse medo que aprisiona-te e que nunca te deixa ver aonde andam os camuflados. Os inimigos não usam mais verde. O velório é a sensação do agora; preferimos parar; andar, e continuar dando a impressão de que estamos mortos. Nos ditados da ordem, a moda é o comando primordial da ascensão. Se não, teu futuro é infinita queda.
Desafio-te a respeitar as regras: sou a proposta paradoxal. Corras nu e respeite as regras. Ande na moda. Tuas roupas são teus conceitos, teus princípios começam sem respeito. As palavras devem ser milimetricamente previstas, é a exigência para uma possível admissão. O beijo é o sinal de aceitação. Meu olhar severo, certamente quer dizer que te ama.
Desafio-te a esquecer o futuro, a ignorar o passado e conviver com o presente na velocidade dos três tempos. Que teus irremediáveis atos tragam frutos de inverno. Faça, e pense. Pilares da liberté.
Coesão é para fracos. Estamos na era do conceito. Na era da inexatidão, da coragem. Andamos armados de insegurança. Nossa arma favorita é o medo, que deve apavorar qualquer um. O teu medo das coisas é teu meio de sobrevivência. A revisão é a covardia do ato.
Beijo-te só com meus olhares e minha boca inunda-te de vontades. Desafio-te a sair de mim, a correr sozinho, achando que estás ao meu lado. Não olhes para trás. NÃO! NÃO! Proíbo que tua pele toque em qualquer outro que não o chão. Apenas permito um elemento, o ar, a sentir tua pele. Corres nu de teus princípios, porque sei que tens tudo sem eles. Sem esse medo que aprisiona-te e que nunca te deixa ver aonde andam os camuflados. Os inimigos não usam mais verde. O velório é a sensação do agora; preferimos parar; andar, e continuar dando a impressão de que estamos mortos. Nos ditados da ordem, a moda é o comando primordial da ascensão. Se não, teu futuro é infinita queda.
Desafio-te a respeitar as regras: sou a proposta paradoxal. Corras nu e respeite as regras. Ande na moda. Tuas roupas são teus conceitos, teus princípios começam sem respeito. As palavras devem ser milimetricamente previstas, é a exigência para uma possível admissão. O beijo é o sinal de aceitação. Meu olhar severo, certamente quer dizer que te ama.
Desafio-te a esquecer o futuro, a ignorar o passado e conviver com o presente na velocidade dos três tempos. Que teus irremediáveis atos tragam frutos de inverno. Faça, e pense. Pilares da liberté.
Coesão é para fracos. Estamos na era do conceito. Na era da inexatidão, da coragem. Andamos armados de insegurança. Nossa arma favorita é o medo, que deve apavorar qualquer um. O teu medo das coisas é teu meio de sobrevivência. A revisão é a covardia do ato.
sábado, novembro 01, 2008
Fraqueza exprimindo energia
O silêncio era o que trazia à mente tudo o que precisava, e ele havia começado antes de o barulho terminar:
-Para não dizer tudo de novo, é daqui que começo, do ponto de partida que é meu fôlego, agora preso pelo desejo de contar um segredo. Cada palavra que sai de minha boca, soa como um segredo que nunca disse nem pra mim mesmo, que só aconteceu, como a chuva pela manhã que apagou o sol e esfriou de novo minha face. Estou violentamente feliz, como alguém já disse antes- estou voltando às raízes do que penso que sou.
A cadeira ao meu lado me serve de palanque, e dali conquisto o mundo. A palavra é minha didatura sobre mim mesmo, ou o dono da verdade e da mentira que foge de minha boca; sou a impressão gélida de alguém nem tão triste, mas tão feliz. O som metálico que acompanha o ritmo frenético de minha fala não acelera, mantém-se o mesmo enquanto o tempo atinge velocidade suficiente pra fazer cada palavra ser dita em menos de um segundo. Ele é o limite entre os paralelos. E enquanto eu estiver aqui, esta é minha casa, minha nova percepção. A ousadia ilimitada, a pornografia poética que vive sob o mar.
Na idade do metal, onde o pós é o que denomina o agora, fico preso. Com as pernas formando um v. Sou uma ponte entre o passado e o futuro, um ato em construção de algumas vontades e um mural de lamúrias. Encontram-se alguns em meus ombros para dizer-me amores, outros batem em meus braços como se fossem o vento. E nem sempre me reconfortam.
-Para não dizer tudo de novo, é daqui que começo, do ponto de partida que é meu fôlego, agora preso pelo desejo de contar um segredo. Cada palavra que sai de minha boca, soa como um segredo que nunca disse nem pra mim mesmo, que só aconteceu, como a chuva pela manhã que apagou o sol e esfriou de novo minha face. Estou violentamente feliz, como alguém já disse antes- estou voltando às raízes do que penso que sou.
A cadeira ao meu lado me serve de palanque, e dali conquisto o mundo. A palavra é minha didatura sobre mim mesmo, ou o dono da verdade e da mentira que foge de minha boca; sou a impressão gélida de alguém nem tão triste, mas tão feliz. O som metálico que acompanha o ritmo frenético de minha fala não acelera, mantém-se o mesmo enquanto o tempo atinge velocidade suficiente pra fazer cada palavra ser dita em menos de um segundo. Ele é o limite entre os paralelos. E enquanto eu estiver aqui, esta é minha casa, minha nova percepção. A ousadia ilimitada, a pornografia poética que vive sob o mar.
Na idade do metal, onde o pós é o que denomina o agora, fico preso. Com as pernas formando um v. Sou uma ponte entre o passado e o futuro, um ato em construção de algumas vontades e um mural de lamúrias. Encontram-se alguns em meus ombros para dizer-me amores, outros batem em meus braços como se fossem o vento. E nem sempre me reconfortam.
domingo, outubro 26, 2008
Rascunho
Agora, diante do meu silêncio, estou fixadamente olhando, a porta.
Na realidade, não é nada disso; não quero entrar num tema de infernos. Acho que estou sentindo um ciúme que nunca havia sentido antes. Um ciúme que nasce na distância das falas e no desencontro. Um ciúme que deixei crescer e que alimentei. Porque a falta que me fazes torna-me infantil demais a ponto de não reconhecer que sentir ciúmes é comum. Não sei se arrancarei alguma coisa dessa sua alma crescida e forte (a minha continua pequena e frágil... digo sem dramas).
Mas na última noite, escrevi uma poesia, com letras de sonho. Dizia que eras a beleza em forma de gente e que o sonho nunca acabava. Não havia ritmo e rima, eu escrevia certo no vão da minha mente. Literatura inconsciente.
-Como as coisas podem ter ocorrido assim? Da forma mais mascarada possível?
-Eu sei falar sobre o que quisermos, a menos que queiras dormir.
Na realidade, não é nada disso; não quero entrar num tema de infernos. Acho que estou sentindo um ciúme que nunca havia sentido antes. Um ciúme que nasce na distância das falas e no desencontro. Um ciúme que deixei crescer e que alimentei. Porque a falta que me fazes torna-me infantil demais a ponto de não reconhecer que sentir ciúmes é comum. Não sei se arrancarei alguma coisa dessa sua alma crescida e forte (a minha continua pequena e frágil... digo sem dramas).
Mas na última noite, escrevi uma poesia, com letras de sonho. Dizia que eras a beleza em forma de gente e que o sonho nunca acabava. Não havia ritmo e rima, eu escrevia certo no vão da minha mente. Literatura inconsciente.
-Como as coisas podem ter ocorrido assim? Da forma mais mascarada possível?
-Eu sei falar sobre o que quisermos, a menos que queiras dormir.
A cama ainda cheirava a suor e teor embriagado da imagem de um quarto envelhecido pelas roupas de brechó e pelas mantas de carneiro que traziam para o vazio um pequeno alívio à respeito de sua condição.
As pernas jogadas para o alto reluziam fortemente, eram quase espelhos.
A boca não conhecia a ruína nem a miséria:
-- Ah, lindo dia hoje, não?
domingo, outubro 19, 2008
Um tipo esnobe
As luzes acesas, surpreendentemente acesas, na sala de estar, não precisam estar ligadas, já que não havia ninguém em casa. Perdoando a fraqueza da narração da TV, ele estava deitado no seu novo divã, esperando que a história do dia começasse. Mas a propaganda de sempre, enrolava e aumentava a demora, tornando tudo muito cansativo.
Viajou os olhos até o outro lado, onde não havia luz, e até lá foi. Onde não consegue ver, consegue imaginar e quando imagina vai mais longe. Está onde não conseguiria chegar, acordado e lúcido. É como quando usa drogas, sente-se dentro de uma leitura fútil juvenil e eleva-se, pesado até onde pensa que é um local sublime.
Ele, como de costume, não consegue fazer com que ninguém o ame, até porque esse amor não é de verdade. Tudo é uma regra de contato, um novo protocolo de sobrevivência. Mas ao redor está escuro, os seus olhos cerrados dão a dimensão de que precisa. E no seu pensamento divaga.
"Se hoje possível fosse, explodiria um trem e voltaria a pé pra casa, beijaria meu pai na boca e me deitaria, incestuoso,na cama. O susto que a destruição do símbolo me traz é abstrato. Eu sou enjoativo, nauseabundo quando consigo. Porque geralmente meu ego não infla-se sutilmente. Não quero reservar minhas fontes... Estou acusando quem não conheço de algo que não sei se é real, por raiva de mim mesmo. Sou invejoso. Eu dilacero-me ao ver as coisas ruindo ao meu redor; as coisas que eu amo ruindo. E eu sei que posso fazer muitas coisas. Coisas coisas coisas, palavra que ficou em minha mente. Coisa, oia asco aí com as corisas. Tenho de rir para não me machucar."
A trajetória do relato não chega a lugar algum e a emergência de si, pretenciosa, o empurra a ficar sozinho. Parece que o que precisa é reconhecimento. É mentira. O que quer, é uma conversa de fora pra dentro. E quando imagina, está tendo.
Ele transforma seus ciúmes em raiva, sua raiva em lágrima, sua lágrima em desejo, seu desejo em excitação, sua excitação em gozo, e seu gozo em segredo. Ele representa, de forma concreta e real, o ciclo pútrefo do que é o humano no seu menor estado de graça. Mesmo com alguém por perto, não consegue sustentar-se. Ele é o tipo de gajo que despreza alicerces, pois tem orgulho e quer ser independentemente feroz.
Viajou os olhos até o outro lado, onde não havia luz, e até lá foi. Onde não consegue ver, consegue imaginar e quando imagina vai mais longe. Está onde não conseguiria chegar, acordado e lúcido. É como quando usa drogas, sente-se dentro de uma leitura fútil juvenil e eleva-se, pesado até onde pensa que é um local sublime.
Ele, como de costume, não consegue fazer com que ninguém o ame, até porque esse amor não é de verdade. Tudo é uma regra de contato, um novo protocolo de sobrevivência. Mas ao redor está escuro, os seus olhos cerrados dão a dimensão de que precisa. E no seu pensamento divaga.
"Se hoje possível fosse, explodiria um trem e voltaria a pé pra casa, beijaria meu pai na boca e me deitaria, incestuoso,na cama. O susto que a destruição do símbolo me traz é abstrato. Eu sou enjoativo, nauseabundo quando consigo. Porque geralmente meu ego não infla-se sutilmente. Não quero reservar minhas fontes... Estou acusando quem não conheço de algo que não sei se é real, por raiva de mim mesmo. Sou invejoso. Eu dilacero-me ao ver as coisas ruindo ao meu redor; as coisas que eu amo ruindo. E eu sei que posso fazer muitas coisas. Coisas coisas coisas, palavra que ficou em minha mente. Coisa, oia asco aí com as corisas. Tenho de rir para não me machucar."
A trajetória do relato não chega a lugar algum e a emergência de si, pretenciosa, o empurra a ficar sozinho. Parece que o que precisa é reconhecimento. É mentira. O que quer, é uma conversa de fora pra dentro. E quando imagina, está tendo.
Ele transforma seus ciúmes em raiva, sua raiva em lágrima, sua lágrima em desejo, seu desejo em excitação, sua excitação em gozo, e seu gozo em segredo. Ele representa, de forma concreta e real, o ciclo pútrefo do que é o humano no seu menor estado de graça. Mesmo com alguém por perto, não consegue sustentar-se. Ele é o tipo de gajo que despreza alicerces, pois tem orgulho e quer ser independentemente feroz.
domingo, outubro 05, 2008
Fragmento
sábado, setembro 27, 2008
Sense in the meaningless
(Gran Colosso)
No campo tão verde, que contrasta com a hélices de energia seu vestido amarelo com de flor dança, desperta a alma que mora. Tão leve, seus olhos azuis parecem pequenas luzes que refletem o panorama indizível à sua frente. Ela ama, de soslaio, o mundo que não conhece e gosta como se não fosse sua casa. De menina aprendeu a desgostar do que era seu, já que admirava tão fielmente as outras garotas. "eu quero viver tudo fora de mim antes que o tempo passe e me prenda em minha própria eternidade".
quinta-feira, setembro 18, 2008
Manifesto, ou A chaga que nunca se cura
Como deveria começar a viver, se o silêncio da madrugada não o impulsionava ao mundo, mas sim, o trancafiava cada vez mais em seu quarto? Que questionamento vago diante da saudade.
- Não estou aqui; hoje sozinho, diante desta pequena luz, para celebrar em mim os dias de glória. Os dias próximos do fim. Não queira entender nada do que disse, já que sabes que o que digo jamais é o que interessa. Sou apenas um bobo enclausurado; atirado ao fardo... De encontrar em mim o coração.
- O coração que parece fugir toda vez que se aproxima e que não deixa espaço para outro desejo: o coração é o objetivo de minha vida. E posso estar há horas andando, pois meus pés ainda não cansaram. Não me canso de correr atrás, e esconder-me, do que quero. É o suor do perigo que me põe a arriscar e é a ele que dôo a culpa da falta de meu fôlego.
- Na distância não ouço o palpitar de teu coração, assim como ouço, quase nada, o meu. Acordei hoje e não tenho vontade de dormir. Dormir para mim seria como morrer e hoje estou vivendo demais parar morrer em um mundo em que ninguém dorme.
- Parece que ainda não me banhei; ainda sinto o suor pastoso e o cheiro forte de minha pele; que não me reconheço em mim. Costumava ser mais Narciso, parecia que tinha muito que esconder.
- No canto do conto e canto. O ritmo de minha fala quer compor melodia.
- Tenho dois pequenos tesouros, que dormem, atrás da parede ao lado; um velho que dorme. E abaixo talvez habite o motivo do meu ser. Não seria eu se não me pegassem na hora da divisão. Comecei num divisor de águas e deixo tudo explícito; como meus pêlos arrepiados num banho de água gelada.
- Qual a minha pergunta? Ante o quê fico de sobreaviso à máscara? Falso falso falso falso falso. É o que sou. Tudo até hoje pode ter sido pura mentira, a mentira mais bem interpretada do homem. O que faço, só homem, em seu traje noturno, é capaz de fazer. Deixo minha esperança registrada no som seco, quase surdo, de um tapa. Meu tapa, minha verdade; sem flagelo, preciso de Realidade.
- Realidade esta que me mata. Cada segundo é consumidor de meu vazio, de mim e da primeira pessoa. Odeio-a. Quero acabar com ela. A intenção é suicídio, fim do ego. Tudo, com a força simples das palavras. Com o movimento de minha boca: quero destruir o ego. É a partir daí que começo.
- Destruindo, despindo e raspando; um mundo novo começa. Desesperançoso em relação ao Um, mas ansioso com o conjunto. Estou aqui sem utopias, sem comunistas e que morramos anarquistas. Venho começar, diante do mundo, a negação de meu corpo. Renego-me. Depois me construo longe de bandeiras e, quem sabe, perto do espírito. Mas nunca longe da instituição.
- Amor, fraternidade, espírito, ódio, individualidade, vazio. Instituições que giram em torno de outras e estou no meio (do escuro estão meus olhos e vejo: nada). O nada é a instituição do absurdo. A profundeza do humano: absurdo. À clareza do absurdo: nada. A mudança deste mundo?: absurdo. Eu esperando quê?: nada. Perdi na igreja a fé no Absoluto, beijei no vento o aroma do novo; senti vários perfumes e não me iludi com o aroma do Paraíso. Beirando convulsão, aceitaria provocar os teus títulos.
- Primeira e segunda pessoa: duelo sem fim. O paradoxo é interminável; quando falo de ti, entro em mim e esqueço que nós estamos preenchendo Eles. Meus braços tremem como todos os fundamentos que rompem-se com as novas certezas. As novas certezas da indiferença. E que não seja só humana! Dentro de cada homem habita algo mais, uma outra instituição.
- No meio de tantas cores, não escolho nenhuma; sou como tu, e preferimos não ver. Veja que nossos olhos se fecham. Impossível ver de olhos fechados? Pois que sintas para onde caminhamos: para um fim sem previsão, que talvez não seja fim. Estou desvencilhando-me de mim e deixarei a culpa ao lado de tua cama a culpa de minha existência. É esse o fim de mim. Matei meu ego.
Foi a palavra mais difícil de se escrever. A ele é a mais intrínseca. O verbete que nunca diz.

domingo, setembro 14, 2008
Jogando etc
"A música de maquinário torna perfeita a trilha angustiada por onde meu corpo se faz ir a frente. A pedante forma das avenidas faz-me querer voltar. É o vento de novo despertando a sensação fria, que o sol parece perder o poder de esquentar. Renasce em mim até mesmo aquilo que não morre, porque pode ir e vir, ser e ficar; o coração dói, bate devagar".
(Gran Colosso)
E neste ritmo vazio, sigo como se os dias continuassem os mesmos dentro de sua mudança. Extensa mudança. Depois de enxergar através da cegueira, tive cheia de dor a cabeça e lotado de algo o espírito. A descrença no desconhecido transfere-se à uma nova visão, lúcida, que monta-se majestosa em mente como lirismo, expressão de arte.
Muitos olhares de l(i)(u)xo por trás e um ambiente milimetricamente gritante. Pedindo por socorro!
Da diversidade, da mudança, e do autônomo.
Transexual, assexual, bissexual.
Me vesti, cortei e amarrei. Fui ao lado, olhei-me de novo e parei. Em frente a porta, duas passarelas, entrei.
"E com marcas na pele mostro, que de leve, o mundo pode ser o lugar mais travestido do universo e que a consciência agrava-se no homem como em qualquer animal que pouco pensa. Mas ainda quero ver tudo e vestir. Peças de maquinário ritmando meus dias. Grande máquina, homem-humano. Poético animal. Terrorista. Abissal".
(Gran Colosso)
(Gran Colosso)
E neste ritmo vazio, sigo como se os dias continuassem os mesmos dentro de sua mudança. Extensa mudança. Depois de enxergar através da cegueira, tive cheia de dor a cabeça e lotado de algo o espírito. A descrença no desconhecido transfere-se à uma nova visão, lúcida, que monta-se majestosa em mente como lirismo, expressão de arte.
Muitos olhares de l(i)(u)xo por trás e um ambiente milimetricamente gritante. Pedindo por socorro!
Da diversidade, da mudança, e do autônomo.
Transexual, assexual, bissexual.
Me vesti, cortei e amarrei. Fui ao lado, olhei-me de novo e parei. Em frente a porta, duas passarelas, entrei.
"E com marcas na pele mostro, que de leve, o mundo pode ser o lugar mais travestido do universo e que a consciência agrava-se no homem como em qualquer animal que pouco pensa. Mas ainda quero ver tudo e vestir. Peças de maquinário ritmando meus dias. Grande máquina, homem-humano. Poético animal. Terrorista. Abissal".(Gran Colosso)
quarta-feira, julho 30, 2008
Reproduzindo a interrogação
Assim, no meio do nada, andava como que sem rumo; desajeitado, sem camisa e com uma pequena página em branco na mão. E mais uma fórmula na cabeça.
De como falar sem ficar tonto o que consumia suas vontades e doí-lha a cabeça agudamente.
Sentou-se, olhou ao lado, recostado em um muro salpicado, fechou os olhos e suspirou: "Ah..."
Sua mente, um poço interminável e vazio, hoje projeta-se palpável às suas compreensões e acelera o ritmo, costumeiro caramujo, de seu coração.
Perguntou-se...
se o lado oposto de si era realmente ele mesmo. Viu de soslaio sua sombra passar no chão lentamente como se nada estivesse rondando os seus pensamentos. Quem se move é o mundo e ele é um pequeno espectador; de pé em qualquer ponto do cenário que é o vazio dos olhos fechados.
A realidade devastadora ficou do lado de fora de suas pálbebras, continuando com seu fluxo lento pela natureza e acelerado pelos homens. E ele, sentado enconstado no muro salpicado, não sente a dorzinha leve que atormenta suas costas cansadas de um dia que mal começou e já o cansara por demasiado.
Com a luz vespertina, mesmo que queira, não consegue disfarçar os ruídos, gravíssimos!, de seus traços da pele. Sôfrega, jovem e ritmada, sua boquinha fechada mantém intacta a jovialidade de seu precoce dono - que pena que pena que este homem-menino disfarça tão bem a grandeza de seu estado num descanso anônimo pelos cantos do centro da cidade.
De como falar sem ficar tonto o que consumia suas vontades e doí-lha a cabeça agudamente.
Sentou-se, olhou ao lado, recostado em um muro salpicado, fechou os olhos e suspirou: "Ah..."
Sua mente, um poço interminável e vazio, hoje projeta-se palpável às suas compreensões e acelera o ritmo, costumeiro caramujo, de seu coração.
Perguntou-se...
se o lado oposto de si era realmente ele mesmo. Viu de soslaio sua sombra passar no chão lentamente como se nada estivesse rondando os seus pensamentos. Quem se move é o mundo e ele é um pequeno espectador; de pé em qualquer ponto do cenário que é o vazio dos olhos fechados.
A realidade devastadora ficou do lado de fora de suas pálbebras, continuando com seu fluxo lento pela natureza e acelerado pelos homens. E ele, sentado enconstado no muro salpicado, não sente a dorzinha leve que atormenta suas costas cansadas de um dia que mal começou e já o cansara por demasiado.
Com a luz vespertina, mesmo que queira, não consegue disfarçar os ruídos, gravíssimos!, de seus traços da pele. Sôfrega, jovem e ritmada, sua boquinha fechada mantém intacta a jovialidade de seu precoce dono - que pena que pena que este homem-menino disfarça tão bem a grandeza de seu estado num descanso anônimo pelos cantos do centro da cidade.
sábado, julho 26, 2008
De carne e osso
O vazio de seu organizado quarto demonstra que o tempo ocioso passou. Ocupando-se esquece de ninharias como a cama com cheiro de corpo e as mudas desorganizadas pelo assoalho. A limpeza esconde a sujeira de seu habitante. Ele é um homem como qualquer outro. Os pêlos já se espalharam pelo corpo, a voz tornou-se austera e ríspida o suficiente e seu olhar já é capaz de congelar passos. É maduro, perto de ser podre.
Acostumado a olhar somente o horror, porque o tempo vzio não o dominava, era iludido pelas curvas artificias que exibiam-se no quadrado de vidro. Com o acúmulo de tarefas não havia minuto para silêncio. E agora que há, tranca-se no quarto e vê tudo. Novo. A morada não precisa de baderna para ser rebelde. Ele de veludo e seda é rebelde. Seus lábios de tão grossos aparentam estar junto o tempo todo; até mesmo quando grita parece estar calmamente falando.
Com os olhos fechados constrói corpos admiráveis, mundos perfeitos, pessoas incomuns e revoltas; no fundo, por mais belo, ele é a paisagem do pandemônio. É o paradoxo do equilíbrio.
Até mesmo seu corpo, por inteiro sozinho, diante de outro não acalma. Ele gera a violência sem pressa, tornando-se alvo de vontade que só o corpo sacia.
O tempo vazio em seu mundo conseguiu transformá-lo num agridoce inconfundível, que desperta felicidade e logo em seguida acorda a amargura.
Ele transformou-se, novamente, em homem
Acostumado a olhar somente o horror, porque o tempo vzio não o dominava, era iludido pelas curvas artificias que exibiam-se no quadrado de vidro. Com o acúmulo de tarefas não havia minuto para silêncio. E agora que há, tranca-se no quarto e vê tudo. Novo. A morada não precisa de baderna para ser rebelde. Ele de veludo e seda é rebelde. Seus lábios de tão grossos aparentam estar junto o tempo todo; até mesmo quando grita parece estar calmamente falando.
Com os olhos fechados constrói corpos admiráveis, mundos perfeitos, pessoas incomuns e revoltas; no fundo, por mais belo, ele é a paisagem do pandemônio. É o paradoxo do equilíbrio.
Até mesmo seu corpo, por inteiro sozinho, diante de outro não acalma. Ele gera a violência sem pressa, tornando-se alvo de vontade que só o corpo sacia.
O tempo vazio em seu mundo conseguiu transformá-lo num agridoce inconfundível, que desperta felicidade e logo em seguida acorda a amargura.
Ele transformou-se, novamente, em homem
A velocidade do desejo
Sentada consigo mesma consegue perceber a beleza sutil dos transeuntes. Não deseja deitar-se com este ou aquele. Na sua cama encontra todo o desejo que procura e no seu ninho habita o sexo que almeja. E o amor que a segura.
Num compasso acelerado seu coração bate, pois fora árduo o dia e a noite vinha calma do horizonte para esconder a pureza simples da natureza. Com calma ajeitava seus cabelos porque o penteado à noite precisa mostrar o animal que dentro dela está. Ela tem uma criatura irracional guardada no peito. E os cabelos que exibe durante o dia ofuscam e abafam o que se esconde.
Por um breve momento seus olhos encontram outros tão negros quanto os seus. Seus pêlos arrepiam-se.
Ela olhava-a, de pé, do outro lado do ponto onde a mulher que acabara de surgir, a da noite. Houve intenso olhar. Havia um flerte que jamais haveria no costume monótono da tradição.
Ela, sentada, não conseguia procurar outra paisagem senão aquele lago escuro, profundo, sem fim. Levantou-se e foi em direção do novo, esquecendo-se do amor que te em sua cama e do corpo que sempre pode usar.
Ela quer algo igual, não diferente. Quer aspectos gêmeos. Quer algo novo. Não ama; quer provar. E com todo o calor que há em seu colo fugindo do corte suave da seda decotada, dá alguns passos, aproxima-se e.
-Oi...
Num compasso acelerado seu coração bate, pois fora árduo o dia e a noite vinha calma do horizonte para esconder a pureza simples da natureza. Com calma ajeitava seus cabelos porque o penteado à noite precisa mostrar o animal que dentro dela está. Ela tem uma criatura irracional guardada no peito. E os cabelos que exibe durante o dia ofuscam e abafam o que se esconde.
Por um breve momento seus olhos encontram outros tão negros quanto os seus. Seus pêlos arrepiam-se.
Ela olhava-a, de pé, do outro lado do ponto onde a mulher que acabara de surgir, a da noite. Houve intenso olhar. Havia um flerte que jamais haveria no costume monótono da tradição.
Ela, sentada, não conseguia procurar outra paisagem senão aquele lago escuro, profundo, sem fim. Levantou-se e foi em direção do novo, esquecendo-se do amor que te em sua cama e do corpo que sempre pode usar.
Ela quer algo igual, não diferente. Quer aspectos gêmeos. Quer algo novo. Não ama; quer provar. E com todo o calor que há em seu colo fugindo do corte suave da seda decotada, dá alguns passos, aproxima-se e.
-Oi...
quinta-feira, julho 10, 2008
Pausa para interrogação
Assim, no meio do nada, andava como que sem rumo; desajeitado, sem camisa e com uma pequena página em branco na mão. E mais uma fórmula na cabeça.
De como falar sem ficar tonto o que consumia suas vontades e doí-lha a cabeça agudamente.
Sentou-se, olhou ao lado, recostado em um muro salpicado, fechou os olhos e suspirou: "Ah..."
Sua mente, um poço interminável e vazio, hoje projeta-se palpável às suas compreensões e acelera o ritmo, costumeiro caramujo, de seu coração.
Perguntou-se...
segunda-feira, junho 30, 2008
O relato à nudez eólica
Na distância dos dias perdeu-se a canção de rumores sobre a tua existência ainda tênue. Sem linhas a demarcar teu mundo, a essência da vastidão não tem sentido. O caminho torna-se curto numa estrada sem fim, e sem começo.
Teu som marcante acompanha um paralelo que não se conhece; tua palavra arrebata a alma pra longe, e pra perto de qualquer fonte. És a fonte que jorra lirismos.
O berço onde criam-se entidades. Do mal e bem.
No movimento sutil de teus lábios, a grandeza de teu ser mostra-se completamente irreconhecível ao meu ego. Meu ego esconde de minha superfície quem sabemos que és. Minha mente domina, pequena, o espaço que me concedestes.
E nestes passos, o caminho não tem fim, a estrada não é passageira. Arquiva-se em amor e lembrança tudo que queres sentir. Até a dor é a tua flor sem espinhos, na beleza que emana de teus olhos.
Abrigas vários em teus braços sem a cobrança de um abraço e nos sorrisos escondem-se todos os abraços de agradecimento que deverias ganhar, mas que não pedes. O que transforma o amor em cortesia e a desgraça da companhia sem influência em companhia certa?
A morada que constróis é a pousada que me aconchega e as palavras que não dizes são os sopros retratados nus, no vento.
Teu som marcante acompanha um paralelo que não se conhece; tua palavra arrebata a alma pra longe, e pra perto de qualquer fonte. És a fonte que jorra lirismos.
O berço onde criam-se entidades. Do mal e bem.
No movimento sutil de teus lábios, a grandeza de teu ser mostra-se completamente irreconhecível ao meu ego. Meu ego esconde de minha superfície quem sabemos que és. Minha mente domina, pequena, o espaço que me concedestes.
E nestes passos, o caminho não tem fim, a estrada não é passageira. Arquiva-se em amor e lembrança tudo que queres sentir. Até a dor é a tua flor sem espinhos, na beleza que emana de teus olhos.
Abrigas vários em teus braços sem a cobrança de um abraço e nos sorrisos escondem-se todos os abraços de agradecimento que deverias ganhar, mas que não pedes. O que transforma o amor em cortesia e a desgraça da companhia sem influência em companhia certa?
A morada que constróis é a pousada que me aconchega e as palavras que não dizes são os sopros retratados nus, no vento.
terça-feira, junho 03, 2008
Aquecida, a madrugada
Hoje ele é frágil, fraco, indeciso e não prende mais a respiração por medo de realmente parar. Parar de ser tudo que é de uma vez só, para aprender em outros livros as medidas de seus sentimentos relacionados ao mundo de fora. Ao mundo de longe, perto do mar.
Os seus olhos, dois frascos do veneno da alma, estão bem vazios e secos. Já despejaram veneno na janela, corroendo a madeira do parapeito e manchando as roupas novas que ganhou de um velho amigo.
Ao ouvir a rádio pela manhã, ele esquece que de novo, foi preso por si próprio numa jaula de emoções. E que são tão concretas... que nunca se quebram. Derretem com o resfriamento de seu corpo ao longo dos dias de cárcere. Aprendeu no cárcere dos sentidos que a convicção é uma jaula e que cada barra é um significado. Que cada gesto é como um beijo, que não existe.
Os seus olhos, dois frascos do veneno da alma, estão bem vazios e secos. Já despejaram veneno na janela, corroendo a madeira do parapeito e manchando as roupas novas que ganhou de um velho amigo.
Ao ouvir a rádio pela manhã, ele esquece que de novo, foi preso por si próprio numa jaula de emoções. E que são tão concretas... que nunca se quebram. Derretem com o resfriamento de seu corpo ao longo dos dias de cárcere. Aprendeu no cárcere dos sentidos que a convicção é uma jaula e que cada barra é um significado. Que cada gesto é como um beijo, que não existe.
segunda-feira, junho 02, 2008
No deserto de alguém
Num campo coberto por folhas secas, pairava o sentimento de isolamento. E ela sem saber o que sentir, entregava-se totalmente ao ambiente. Era uma flor morta. Com beleza renovada.
Do seu perfume, que já não tem mais graça, ficou só a lembrança. É o odor fétido que afeta os arredores agora! Sem a música dos pássaros e todos os outros chavões da alegria.
Seus olhos tão pequenos são os espelhos da tristeza. Um lago profundo que reflete a amargura da alma. Um pedaço de loucura jogado perto do profundo azul onde afogam-se os contempladores do desespero...
Tornou-se já tão usual caminhar sobre a sofreguidão, que os galhos que ao se quebraram, furam seus pés, já não fazem-na sentir nada. É o suave toque da percepção que faz lembrá-la de que ainda está viva. E quase morta.
Morta ao ponto de não ver horizontes. Só os mesmos campos vazios, e opacos.
É uma beleza que transmuta a alma e volta ao corpo com efeito negativo. Com efeito de existência.
Ela odeia a beleza que não mente; a realidade feriu-a demais e caminhar com o corpo coberto com cicatrizes apenas torna o contato com o mundo mais difícil.
Sua carne é mais sensível e suculenta que qualquer outra. Todos querem atrocidá-la com gozo nobre, sincero, e horrível.
Eis o terror da existência: o medo da deterioração carinhosa. Do espinho da mais bela rosa, que secou. Do galho da cerejeira que lhe fura os pés. Sempre.
E de sempre ruir aos pedaços, ela cai. Só existe a pequena alma. O corpo...morreu vivo; e a bondade do céu permite que o sol mostre-se, seque-a e conserve-a. A conserve aos abustres. Apreciadores da carne seca e merecedores de sua matéria. E aos vermes que surgem no fim da apoteose, resta apenas o espasmo da presença.
Ela sabe que o topo belo antecede o caos e a desavença. Que o mundo não é honesto, E que seu corpo é frágil.
Pequena, morta, sentindo e apodrecida ela vê a ruína do amor em nome da benevolência e sente o sofrimento da felicidade por tanto pensar que ama.
Ela está asfixiada. De tanto ar.
Do seu perfume, que já não tem mais graça, ficou só a lembrança. É o odor fétido que afeta os arredores agora! Sem a música dos pássaros e todos os outros chavões da alegria.
Seus olhos tão pequenos são os espelhos da tristeza. Um lago profundo que reflete a amargura da alma. Um pedaço de loucura jogado perto do profundo azul onde afogam-se os contempladores do desespero...
Tornou-se já tão usual caminhar sobre a sofreguidão, que os galhos que ao se quebraram, furam seus pés, já não fazem-na sentir nada. É o suave toque da percepção que faz lembrá-la de que ainda está viva. E quase morta.
Morta ao ponto de não ver horizontes. Só os mesmos campos vazios, e opacos.
É uma beleza que transmuta a alma e volta ao corpo com efeito negativo. Com efeito de existência.
Ela odeia a beleza que não mente; a realidade feriu-a demais e caminhar com o corpo coberto com cicatrizes apenas torna o contato com o mundo mais difícil.
Sua carne é mais sensível e suculenta que qualquer outra. Todos querem atrocidá-la com gozo nobre, sincero, e horrível.
Eis o terror da existência: o medo da deterioração carinhosa. Do espinho da mais bela rosa, que secou. Do galho da cerejeira que lhe fura os pés. Sempre.
E de sempre ruir aos pedaços, ela cai. Só existe a pequena alma. O corpo...morreu vivo; e a bondade do céu permite que o sol mostre-se, seque-a e conserve-a. A conserve aos abustres. Apreciadores da carne seca e merecedores de sua matéria. E aos vermes que surgem no fim da apoteose, resta apenas o espasmo da presença.
Ela sabe que o topo belo antecede o caos e a desavença. Que o mundo não é honesto, E que seu corpo é frágil.
Pequena, morta, sentindo e apodrecida ela vê a ruína do amor em nome da benevolência e sente o sofrimento da felicidade por tanto pensar que ama.
Ela está asfixiada. De tanto ar.
sábado, maio 10, 2008
O efeito do reflexo.
- Estou vendo mais que qualquer coisa. E sentindo melhor também. Quando sozinho aprendo a apertar sem pressa minhas mãos, tenho tempo de me conhecer. Medo de me conhecer é comum;ninguém quer a auto-destruição. Estou ali, parado, e todos vêm. Não porque me querem e nem porque convém, é simples acompanhar alguém. A dedicação a mim situa-se a dois. Dois passos de distância para que meus braços possam envolver e que lhe permitam respirar. Quando lhe sufoco, sinto a dor do silêncio. Pressionado fortemente minhas mãos. E meu medo.
Sem importar-se, deitou-se e adormeceu. A confissão dos sentidos, por mais confusos que fossem, era a única segurança para um casal feito de um. Um corpo pensando por dois. Por dois defeitos, por dois beijos, por duas horas, por dois olhares. A claridade não o espantava já que adentrava à luz.
De olhos cerrados "sente que o amanhã demora pra vir e que hoje parece não acabar. Senta-se ao lado do espelho e se olha pondo-se a chorar".
Sem importar-se, deitou-se e adormeceu. A confissão dos sentidos, por mais confusos que fossem, era a única segurança para um casal feito de um. Um corpo pensando por dois. Por dois defeitos, por dois beijos, por duas horas, por dois olhares. A claridade não o espantava já que adentrava à luz.
De olhos cerrados "sente que o amanhã demora pra vir e que hoje parece não acabar. Senta-se ao lado do espelho e se olha pondo-se a chorar".
segunda-feira, abril 21, 2008
Corrida
Os gritos eram tão estridentes, tão estranhos, que nenhuma outra coisa podia ser ouvida. E a dor da balburdia era insuportável. Aonde haviam portas de esperança apareceram placas de aviso para a inexistência de caminhos.
A vontade se esvai com o tempo. O objetivo dorme para virar sonho e o sonho transcende em conto e vira fé. O mito perfeito que movimenta o corpo cego pelo caminho que não tem volta. Nada é o ponto final.
Existia apenas a faixa, o marco inicial, que depois de ultrapassados mostram um caminho tão difícil que se torna resistência. Maratona por acreditar.
Nas veias pulsantes de desejo fervoroso corre o sentimento tenro de motivação; rompido pelo do fluxo de impurezas que vêm para acordar o moribundo fervoroso que clama por verdadeira vida.
Onde não há conceito relativo, nem paradigma. Onde há plena compreensão de sentidos e utopia. Fantasia que traja o corpo diariamente, que veste o disfarce para não enganar.
A máscara do não-rosto que não precisa mais expressão latente em alma.
Que corre pra não mais existir.
A vontade se esvai com o tempo. O objetivo dorme para virar sonho e o sonho transcende em conto e vira fé. O mito perfeito que movimenta o corpo cego pelo caminho que não tem volta. Nada é o ponto final.
Existia apenas a faixa, o marco inicial, que depois de ultrapassados mostram um caminho tão difícil que se torna resistência. Maratona por acreditar.
Nas veias pulsantes de desejo fervoroso corre o sentimento tenro de motivação; rompido pelo do fluxo de impurezas que vêm para acordar o moribundo fervoroso que clama por verdadeira vida.
Onde não há conceito relativo, nem paradigma. Onde há plena compreensão de sentidos e utopia. Fantasia que traja o corpo diariamente, que veste o disfarce para não enganar.
A máscara do não-rosto que não precisa mais expressão latente em alma.
Que corre pra não mais existir.
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