Hoje quero falar de uma intensidade impessoal, que surge na mediocridade simples de uma conversa.
Quando penso em coisas que me trazem ao encontro de mim mesmo, é como se esse sol forte que encerra o dia penetrasse no meu olho pra clarear tudo, deixar essa luz batendo no azul, cada vez mais claro, cada vez mais agudo. essas ranhuras todas são uma verdade bem crua, bem limpa, que toca e purifica os sons e tons dessa esquina suja, canteiro de lixo.
Enquanto a luz vai embora, meu corpo se joga com agonia prazerosa dentro dessa leitura de si mesmo. O corpo que se vê transporta-se para o corpo que sente e o sentido se encontra no pulsar de um semi-abraço, agradecido sem palavras. Quando a necessidade de uma meia-palavra existe nessas bocas que sempre querem falar, mas que dificilmente o conseguem, é um êxito gigante. Saber que é possível conversar por essas entrelinhas. O que se empurra é que o se diz, e tudo que eu poderia desejar fica resguardado pro aguardo de um depois. Depois do instante que o ônibus fizer a esquina e eu ainda estiver devaneando sobre o clarão das nuvens, projetado pelo sol. Ou o da pele clara, abaixada no chão, perto do espelho, que me remete a ver os dois lados de um vazio. A sala, e uma espera constante, tortuosa.
Busco na minha mente, uma forma mais simples de poder dizer que o que me inspira nem sempre é o que nos toca, mas que a parte boa disso tudo, dessa informalidade-formal, é saber que nos fins parecem que os percalços todos nos levaram pra uma mesma direção, onde o momento de esclarecimento se dá quando dizemos que nos bastamos nessa luz que nos afasta. Se pensarmos mais a fundo, acho que nos veríamos de fato numa luz-sombra, porque ambas são alentos de um distúrbio que não se diz por si só. É um distúrbio discursivo, falado, e entregue aos prazeres de sua própria dor. Esse é o supra-sumo daquilo que encontramos em nossas capacidades. Tanto as da fala, quando do olhar. É nesses momentos de desprendimento que nos encontramos agarrados a nós mesmos. E isso que fortalece, a cada dia, pra poder seguir em frente.

E nesse tapa-carinhoso, deixo-me esvair pela fumaça que ficou na rua, entrecortada por esses raios de sol que vão encerrando o dia.

O aviso amigo de que a procrastinação do desejo que se perde nas meias palavras foi o tapa mais carinhoso que eu poderia receber na vida.:)
ResponderExcluirLãv u!
agora tem mais isso, metaforas pra falar das tuas viagens de maconha!
ResponderExcluirvai se tratar, seu imundo!
Ja te disse q podes sair dessa e ainda seres TU MESMO.
Deixa de tentar ser os outros, seu perdedor.
Pra quem nao sabe, esse desgraçado roubou minha vida de mim e me deixa apodrecendo enquanto se entorpece de maconha todos os dias.