Nota-se um costume malvado, todos os dias, de apontar. Os dedos, ou até o olhar, e isso incomoda. Apontar as lanças pra cravar no peito, que não lhe pertence. Apontar o gumo pra cortar mais fundo que em si mesmo;
Perde-se a noção de olhar pra dentro, de ver que o valeria a pena, às vezes nem sempre é o que de fato dá rumo as coisas. As escolhas formam-se desse fluxo-refluxo, grito surdo. O sim antecede o não, e as coisas se dissipam diante dos meus olhos, porque toda vez que penso nos teus, que logo pela manhã de hoje vi na face de um estranho, a tez que agora parece suave, mostra-se verdadeira, e derrete em preocupação e lamento.
Não me perdi no caminho, porque ele nunca existiu mas o chão ainda é parte do meu rosto, e quando olho, tudo que vejo é superior a mim. Não há como disfarçar que algumas palavras já tornaram-se uma reverberação no pleno vazio e que a configuração de ti é ausência em mim. Não há mais a ação do momento, nem o toque nos sentidos, logo não sabemos nunca do que falamos, e caímos nesse jogo agudo. De indicar o que há cá e acolá.
Botar fogo no chão da rua destruiria todos os nossos caminhos, e não há mais nada que eu possa fazer a não ser permitir que faças que o bem entendas, e que sigas nesses dizeres de interrupção de si mesmo. Ao passo que te interrompes, nos proíbe de seguir e nessa pausa o que vemos é que nada mais faz sentido já que a ...
Essas pausas no tempo dão a garantia de que a vida se preserva em algum lugar por aí. E que às vezes é melhor esquecer algumas palavras que poderiam com certeza virar fardos num caminho estreito que com certeza há de surgir.
E nesses apontamentos todos, no meio deles, parado no auto da rua, tem um espelho.

Naquela rua dos museus, ladrilhos tão trilhados, por caminhos nem sabe-se qual. Um espelho partido por uma pedra, nem sabe-se mais quem a atirou. Uma tela interminada na lixeira, e o choro pelo que podia ter sido, se a fome não houvesse matado o sensível no artista.
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