quarta-feira, novembro 26, 2014

Antes de sair, e
enfrentar a chuva,
escreva um poema.
Por que não
falar do óbvio
ao invés de transcender,
o que procurar no dia
pode a noite aparecer?

Há o que na flor
depois que murcha?

Apontamentos cosméticos
e representações subjetivas
adubam o barro
da poesia que
alimenta minhocas.
Mordida na boca

a vida no meio

furo no pé.
Um quarto num lugar
onde era uma garagem.

Um quarto
não de permanência
sim de passagem.

Espaço feito de ausência
para o repouso.
Uma barreira teus olhos
sólida interrupção
cerrada sob o céu.

Sórdido o engano
que dissolve os dias
nessa insossa esperança.

Frágil o dia
em que a dor
desperta.

A transpassagem
não é um erro
da semântica, posto
que tudo é transitório.

quinta-feira, outubro 30, 2014

A cama cheirava a suor e teor embriagado da imagem de um quarto envelhecido pelas roupas de brechó e pelas mantas de carneiro que traziam ao vazio um pequeno conforto a respeito de sua condição.

Pernas jogadas ao alto reluziam fortemente, quase espelhos.

Boca que não conhecia ruína nem miséria:

- Lindo dia hoje, não?

Comprovado até mesmo pelo diálogo
cada instante confirmo
solitária rotina

eco que fala.

Reis e os Leões

Inspiração quente dança dentro de mim.
Coisa sem tamanho.
Dez segundos duram horas,
minutos infinitos.

E deito sobre a nuvem
pensamento não existe e,
durmo acordado mesmo.
Sabendo que a qualquer instante
a realidade puxa pra cá.

Ritmos mudam pra dançar.
Reis governam leões,
leões sacodem reis.
Interno, pouco sublime,
gera vícios mas gera estrondos.

Me fez movimento,
faz canção.
Mudo acrescento.

Me expresso. Me encontro.
Me busco. Me entrego.


quero abraça
evidentemente abraço
há braço
e quero.

segunda-feira, outubro 20, 2014

quarta-feira, setembro 10, 2014

Numa e em tantas
Noites lindas,
Limpas
Noites estreladas,
Pontilhadas noites
Refletidas no chão
Dessa nau.

Noite cheia
De gente da noite,
Esperando partir
A noite e chegar
Brilhando o dia.

Vertical a noite,
Borracha do Horizonte.

Horizontal meu olhar
Procurador noturno:
Quero te achar noite.

Deusa noite estás? Na manhã?
Escondida à parte
À tarde? Noite
Entalhada  no destino
Dos meus dias.

Noite cravejada de dia
Teus brilhantes mais
Puros e reluzentes
Teus trunfos mais
Ébrios, eloquentes.

Noite limpa,
Paradoxo denso
Sujo e também
Transparente.

Há em ti algo
Que eu penso
Ser meu.

quinta-feira, julho 31, 2014

Tenho acredito flores
Pelo grilhão do ninho
Onde se encontram
Velhos passarinhos.

Trancafiando odores
Esqueço a forma
Do teu cheiro
Brilhante e nu.

Em troca de migalhas
E toques cativos
Alimento a fera
Na ponta do bico.

Rasteja em mim
A sobra do dia
E tua ausência.
Aqui operam rastros
do tempo na forma
das lesmas
de minha casa.

Escorrem úmidos
os fungos dos dias
nas rachaduras de sombra.

Encolhe-se aqui
tudo o que se reduz
em mim, uma cama
em um quarto.
Ai!, a chuva:
agora
só falta
o café.
Tem certos sopros
Invadindo as manhãs.
Escuto-os contar
o vento sempre
na curva de um morro.
Em alguns espaços
mármores endeusados
repousam.

Nuances arcaicas,
tempos num
relógio adornado.

E enfeites, tantos,
filigranas e enlaços e
os pelos fofos do gato
circundam.
Este, é o poeta
sonhando em cena
encena junto à platéia.

O rio do poeta
escorre lágrimas
na canela do encosto.

O aplauso dele
um silêncio em poucas
palavras que
juntas fazem,
e conseguem,

algum barulho.
Amor tua escuridão
minha escuridão
e toda lucidez esta
que se nos põe.

Em opostos imaginados
no fundo estamos
mirando reflexos.

Há um jogo amor
Há também uma cor:
escolho a quê colore.

Te respondo mesmo
sem perguntares que
É teu olho que me tinge.
Sempre dileções
Sem predileções.

quarta-feira, julho 23, 2014

There is an idea 
Surrounding nerves
Proclaiming peace and
Enjoying the sense of being
Restless.

domingo, outubro 20, 2013

terça-feira, junho 18, 2013

Unificar-se ao todo quando
não há como
abraçá-lo por inteiro é
o grande desafio.
É e é porque é dedicado ao intenso profundo distante azul horizonte que a palavra se deleita à espreita de um facho da luz transformadora.
A ausência de espaços tirando o fôlego traz-me o cansaço insuportável que é falar e respirar quando todas as operações são dificultadas.
Produzir, então, nem se fala nem se respira, nem se pensa. A palavra silenciosa é diferente, e igual, a pronunciada.
Estar doente é o bicho da emoção, não sobrando barreira alguma pra esconder qualquer dilacerante-enorme ferida que se alimenta, na metáfora, da humanidade em mim. Sentar-me ao lado do banco vazio simulando tua companhia produzindo esse desejo, antes fluxo, na máquina minha: meu corpo sente todos os órgãos, antes invisíveis, maquinando desejosamente. Claro que as emoções estão inflamadas e não estourá-las é essa resistência sintomática entre melhorar ou adoecer de vez. Metáforas como seres a luz que ilumina meu dia, o calor que aquece o frio em mim e metonímias como tu seres o cálice que comporta minha vida, seres o copo d'água que mata sede, nada sorvem. De nada preenchem pois que todos os suportes, em caso nosso, estão vazios. Errantes às avessas, batem-me à porta a pedir-me que resista, serás forte, tens de o ser pois que já o fostes até então. Bradando aos quatro cantos em esquinas pela vida-toda-vida, as vias - de meu corpo, meu gozo, meu lugar - vão se preenchendo de arrepios, esperanças fortuitas e coquetéis salutares explodindo pelas gargantas que clamam.
Muito tem somado-se ao nós dos últimos tempos e a contemporaneidade do nós é maior que os dois primeiros pronomes pessoais da gramática. Ainda que gigantes consigam andar pelas ruas, esse corpo que sente é múltiplo de órgãos, desejos e produções: o uníssono das massas cria o gigante. Que se desperta, quebra a barreira à força e escancara da emoção doente de nossos dias algo maior, onde realidade e expectativa excederam seus próprios limites reais e fictícios.

domingo, abril 07, 2013

Se de símbolos é que necessito
Proibido será escolher
ser a pétala caída.

Figuras para construir um mito?
a ascese repousa no ver
a coisa construída?

Então sem conclusão
me erguerei
e amando, usarei da Razão
e Me esquecerei.
Vou pegar Isso
da causa maior
e dar sumiço:
surgirá algo melhor.

Do improviso, voo
mas ao ir, demoro
Então, repouso
Mas ainda, choro.
Eu acho que a puta que pariu seja uma boa mãe, uma - eu não consigo ler -, mesmo distante não assistirei isso. Nem as músicas porque não há como confiar no gosto popular.

quarta-feira, março 27, 2013

sexta-feira, março 15, 2013

Ágora

Um pequeno fim
relegado ao eterno
do que há em mim.

A marca da memória
fixada numa pedra
de ideias, na história.

Entre esquecer e a morte
não muito longe está
a linha que define a sorte.

Manter vivo defunto
não abre precedente
ao novo do assunto. 
"Também já houveram épocas
de assimilar o perigo
num perfeccionismo barroco".

sexta-feira, março 08, 2013

E são somente estes
oito segundos que bastam.
Pra que no piscar dum instante,
tudo: e as coisas em mim se arrastam.

E cheio duma gastura
as palavras me afongentam
numa noturna ruptura,
os sentidos que faltam me orientam.

Mas é uma reticência a farfalhar
um abismo de orgulho,
porque ao invés de gargalhar
fico a pensar-me nos embrulhos

Que tive comigo quando
Contigo me esqueci
e ao tentar fazer-me brando,
com a rotina, enegreci.

E de encontro ao fim,
sou a tontura mista na areia.
Mesmo não querendo ser assim
quando penso-te, corres nas daqui veias.
Largastes o novelo e
Aqui ficou um embaraço.
Não importa o meu apelo
Sozinho isso eu não desfaço.

Toda junta a linha
em pleno desalinho;
que tolice a minha
em pensar que não seria sozinho.

Porque é desses intervalos
entre tudo e nada
que a vida mostra os lados:
e ao canto, alma quebrada.

Puxo do novelo o novo
desenrolar dum caminho.
De novo envolto em meio ao povo
Reconquisto o meu alinho.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Meus olhos 'inda apaixonados
Querem, de longe, te ver
E todos os precisos cuidados
Relembrando pra esquecer.

A tua figura não existe,
Nenhum vulto a passar.
Só esse amor que persiste
sentado, às arvores, a te esperar.

Não és como a barca, que passou
tampouco o futuro que não veio,
'inda junto cacos do que restou,
tua ausência tornada entremeio.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Está chorando lá fora
Posso chover aqui dentro.
A cigarra sai de si.
E tal qual, a secura na árvore - a casca seca.
Fixado calor da secura, aos poucos, saio.
O que é isso de viver um luto da coisa viva? Que morte é essa que não há morto?
Só a presença fenece na longitude dos dias e, em cores densas, a realidade de agora, rumorosa relembra o espaço movido pelo singelo andar dos passos.
A sombra d'antes (pedante) se torna vulto no resoluto abstrato do meu silêncio. Aqui, algo existe vivendo tua morte em meus dias.
A noite toda sofro, tendo que ouvir(ver) sobre o interessante intervalo das ausências.
Imagens fugídias
Silhuetas movimentam-se.

A confundida imagem
ingênua do espelho.

Casca grossa da experiência
as cenas que jorram sentir,

E pontos, só eu, 'nada más'
A latência dum pulsar
Redundante nutrir-sofrer.

terça-feira, fevereiro 05, 2013

A numerologia coincidida
com o abstrair da tua figura,
Nossa mútua alma partida
Revolta-se na rasura

De dias que se buscam
sem um norte oferecer
E os truqes que todos usam
pra atenuar o esquecer.

Então encha-me os copos
de um sumo  torpor puro entendimento
rumo, somente, ao alto topo
do lógico pensamento.

Abstral

O tempo ponto do desejo
e o mais fino significado
sublimado na fala de um lampejo
de paralelos desencontrados.

A linha esticada de extremos;
o caminho, não um seguir
todos são os mesmos
na variável maneira de ir.

E tudo-tanto se encontra
a fala e o silêncio sentido
olhando para a coisa, outra:
nem afetado nem atingido.

A primeira pessoa: saio do tempo
e todo reticente, zero ponto.
Do passado sobra o pó
fruto abstrato do pensamento.

Retirar do início o artigo
Desusar a mania desse nutrir
O uso é uso, não é castigo,
há momentos de só querer rir.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Um isqueiro verde
eu sou.
Chama crescente
pequena lampejante
eu vou.
Viver a dura experiência
quente queimar e sobreviver,
é amadurecer.
E logo amarrar-me e depois deixar-me. De charme. Ai, tão distante que nada exprime além do pesar que se dá certo quando falta palavra da ordem simples ou da ordem plena que me diga, sei lá, "a vida é uma grande ilusão", o seguinte: não se tem problema. O transeunte aumenta tudo daquilo que ele próprio inventa e daí o desgraçado, eu menor, pequenino, se arregaça na discrepância de amargura e não encontra fundura que o esconda no chão. Fundura de cabeça de avestruz.
E disso emaranhado de palavras nasce o alento de esquecer-bicho que solenemente impresso nas coisas-almas que escapam de meu ser. E transitam como moscas as palavras (de borboletas só cuidam as belas), sujas amontoadas e entoadas pelo hino automático uníssono ZZZZZMMMM das asas de confirmar; e até ali de novo, depois que cagam e botam ovo, a vida troca e vai. Devagar.
Da mosca de volta pra palavra, quem ficou vivo mais tempo?

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Elo

O tempo da emoção
não tem com o relógio
a mínima devoção,
então meu elogio:

À verdade pura,
veredas transformadas.
E minh'alma então segura
pra não pensar velhas jornadas.

Poucos despertam o valorar
o teor, sumo dos sentidos.
Na vida, aprender a amar:
incumbência a Poucos cupidos.

E ali me vou, ocupado
numa primeva busca
de um calor apaixonado-
brihante, que nada ofusca.
Apesar dos pesares, apesar de tanto tempo, de pouco fosse todo em partes, desfigurando-se de um íntimo pensamento.

Um silencioso.

Um não poema,
um pouco vazio.
Um cem palavras,
um estado doido,
um dolor que só.
Um sozinho de pé
um sentado fincado
um eu ao chão.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Soltar-se ao chão sob os trilhos do trem-tempo corredor incansável e cair-se e de todo doer-se. Sentir-se pulsante jorrando, e vivendo o sangue que escorre enquanto ali estás, lento. Vagoroso teu olhar acompanha o distanciar do trem-tempo. Alguém ficou para trás, dos extremos. Na singularidade tudo que há é um seguir, sem definidas diferenciadas direções. Cair-se do inerte trem e caminhar nos trilhos. Andar sobre si e reconhecer os pés. O trilho é o verbo objetado, o trem o desejo que, tão rápido, se perde. A busca não é uma personagem, só o sentir. Porque todo ralado da queda o corpo ainda pulsa. E pulsará depois, ademais. Nessa verve habita um torpor em repetir-se porque logo em seguida, um trem. O tempo. Embarque-se abarcado consigo e feridas nos já então pés, e depois dessa deixa digna de doido ou duque do trilho, tente trazer-se. Exteriorizar-se e, na viagem, esquecer-se.
Nem mais um minuto
dessa espera deve durar,
porque fico de todo diminuto,
parecendo que vivo a sonhar.

Aconselham-me dar a corda,
ajustar o relógio do sentir.
Impedindo o sofrer que transborda
de meu peito fugir.

O que já foi não tem sido,
não hei de querer o agora, omisso.
Tão poucos és livro lido
e por tal fascínio, firmo compromisso.

A ideia fixa é pedra,
que estanca o sangue da ferida.
Agora me diga:
que paciência?
ao paciente
sem rim,
na fila da
emergência.
Sem fim.

Quase Beijo

Surpreso, disse que já sabia.
Confesso que menti.
Não pude notar, óbvio que virias,
e deu-se o que senti.

Indiossincrasia toda minha
eu quero te transformar.
Que à margem do rio não se caminha,
pois que tal navegar?

A luz que, isolada, nos reflete
sim, nos sugere um caminho
da vontade que nos acomete.

Em instantes próximos de distância,
some o frio de estar sozinho.
Fica na memória, de herança.
Maior que sofrer é amar
A dor desmedida.
Sugere-nos algo a encontrar
e mais, a dar partida.

E queremos o ser como quem não mente
Amar os lados todos dos dias,
Não esconder que o que se sente
é a lenha queimada das poesias.

Nessa carga intocável e pesada,
os ânimos suscitam a verve.
Se há mazela, está descontrolada
E anseio o bem para o qual serve.

Precisão

Como tudo, meu caro
Segredo se esvaiu.
Tornou a ser raro
E meu mundo caiu.

Algo alegre que seja
Maior que essa chama
Que ardente lampeja
Meu ser até na cama.

D'antes não havia sorriso,
Agora encontro motivo.
Pra ser, então, preciso
Não agir como um esquivo.

Mas ao amante não basta
Dar-se o tempo do além do agora
O relógio não se arrasta.
A decisão não quer demora.

Ponto de pausa

Depois da faxina ficou um horroroso cheiro doce, copiosamente atentando a Chanel nº5, só que com a leve capacidade de causar espirros arrepios. Mais do que outros aí. Pior do que uma referenciação assim é buscar ouvir antigas músicas, olhar as paredes e ver se as sonatas apaixonadas combinam em suas dimensões poéticas com as do quadrilátero aposento. Onde solitário, ouve-se o ranger desse metal de mesa que soma-se desarmonioso com velhos metais, nomes que desconheço. O sax, o trompete trombone etc. Que bom! ai que bom! O passado mais que correto e como sempre, deu de presente toda essa imensa celebração. Tudo cresce na saudade e as emoções viram possibilitadoras vontades do novo querer. Deixe-me ficar nos teus braços e mesmo não mais os mesmos, os novos. Neles que se quer viver, mas sempre há um porém a surgir no mar, um pulsante resplandecer de novas heranças melosas, melódicas. E nostálgicas se constroem as vidas somadas às lembranças de uns com outros e de uns sozinhos que se juntam e se despedaçam. Com pontos de pausa. Pelo. Caminho.
Meu pulsante
e desejoso
- o coração,
quer outro lugar
para forte bater
e abstrair-se
em ser menos meu.
Observante e vigoroso,
florescer.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Acabar-se tem com dar-se um começo. Encerrando um caminho é necessário abrir outro. Os carros não se param nem se podem bater. A carruagem dos dias é irrefreavelmente cruel. Embarque-se antes mesmo de reconhecer-se passageiro.
Tu não te partes,
porque inteiro
eu te sinto faltar.

Mas só a mim,
completo em si, sobro
sem um pedaço que
tu levastes.

Ainda reticente,
reconhecido presente
da sozinha quadra
por onde caminho.

Ah!, sem angústias
e por mais firmeza,
pairo num infinito
horizonte de incertezas.

sexta-feira, dezembro 14, 2012

Agora é o som alto do silêncio. Já trocou. Estou narrando uma perspectiva do eu. E isso criado não é criativo, ao passo que perde seu valor propositivo de um diálogo do subjetivo ao encontro de um objeto ao encontro do subjetivo do outro. Como o sentir torna-se um sentido objetado/objetificado mecanista de reação? A resposta e a pergunta se dão por si numa camada que é do campo sutil.
Pode ser que seja chato
ouvir a pouca fala do outro
e pensar se ouço
se esqueço, se escolho
ou se deixo ser chato.
Chato de que ainda
não criou o volume
Subir é pra cima
e não há lados no muro.
Comprou um saco
Desconto-porrada de dentro
No saco, pensando no chefe
no outro, o motorista.
Agonia jogada na cara
sem pouco ser altruísta.
Situação!
No claustro do ego
A busca do sentido
Que me rebate vira eco
Do que tenho ouvido.

Resposta que me reponho
da pergunta esquecida;
coisa que se me envergonho,
põe a alma enfraquecida.

O prazer dos meus olhos se encerra
No resplandecido explodir da nuvem,
Sonho mais alto que uma serra,
esse presente de agoras que surgem.

Quatro versos nas três quadras
Atenção carbura feito isqueiro
E as palavras, já corroboradas
Aceitam seu cárater passageiro.

segunda-feira, novembro 26, 2012

E por tão pouco
o sumo quente
nos escorre
por entre o vão ralo.

Mesa

Por mais que o empecilho
Ali onde olho há brilho
Estavando sentado olhando
produzindo o sonho-se juntando.

Uma realidade jogada
Junto com o sutiã
e cueca no amanhã
Conversa-glória batalhada.

Isso é a coisa que percebi em mim
e tem os dois passos
quero ver o que tem nos enlaços
pra eu sair - vai dar-, assim.

Competitiva assumida
a coisa é salutar
bruta batalha, frente na corrida
quem está a beleza exemplar.

Linha

Entre a luz e a sombra
Há uma linha, que esconde
Que reluz por entre onde
os meios perdem-se freios
E eu não sei quê lhe dizer.

As palavras, esses risos
Vontade só minha, meu ser.
Os dados que jogados
buscam, erram.

Olha o erro
trocou a letra
essa é a espera
a coisa toda carne
vermelha da quimera.

Meticuloso se regula o
traço, de ânsia parece erro
mas é esse o produto o
teor;
o elixir, sair daqui
meu amor.

Paleta

O azul das hortências
Combina com o marrom da bosta
Aqui é, proposta experiência
do conviver sem resposta.
Um abuso de quem duvida

Daqueles olhos em súplica e
O rolar da bola
Pega. Ofegante subida.
O azul das hortências
combina com o marrom da bosta.

quarta-feira, novembro 14, 2012

De vista

Tentando, reconheço ser
eu somente fonte e poder.
Sopro forte o clarim
da vontade o alarde, sim!

Já que num cheio céu,
Eu notívago pelas
horas dadas às estrelas
da noite que me é o véu.

Olhos sem saber no brilho
O passado na distância,
Dessa luz tão macia
Do plural, sou um grilho.

Diluído nessa máxima paisagem
daquilo que mim é só passagem,
fundido, corro perigo em dizer
o tempo se propõe a perder.

terça-feira, outubro 30, 2012

A neve reflete tuas peles
mais o som doce, prazeres.
São baixos os dizeres
e teus estranhos, leves.

E a mão ao lugar certo,
a ponta inspira na cabeça.
Nosso conhecer é um deserto
Enorme na noite escura espessa

Onde para a qual viestes
De outra cabeça lá de tribo,
Confundistes tuas vestes
aumentado está teu brilho.

Mesmo simples, isso é tudo
O tempo foi o espaço das horas
Saber silenciar atenuou as demoras
Porque eu não trouxe escudo.

Irrefletido

Nem mais há o que ser lido,
Mal reconheço-me perante a folha,
Linha torta e caminho interrompido,
O mundo se faz baseado em escolha.

Aquilo que outrora claramente via,
Tornou-se parte dum escuro,
O sentido tátil da poesia,
O esvair de um aroma puro.

Sobra da repetição, o exercício
E não o acúmulo prático
que, disso se faria ofício
até chegar ao ponto pragmático.

Abr-alas

Pois que tudo venha
Do bom, do ruim, da sorte,
É da provação que sairei forte.
E ainda que não tenha

Sido claro o caminho
Assim é que o amor anda:
Um pé pisa no espinho
enquanto o outro comanda.

Sempre há um pouco de dor,
Não importa o caminho
ou se está sozinho,
Encontra-se o vigor.
Ele infeliz com a ocasião e ela, toda pronta pra sair, psicologicamente só lhe falta o vestir. Só precisam ser descritos pela nota. Por exemplo, seu significado não sai da mera observação. Para saber se o ato ofende ou não, no largo campo do subjetivo psíquico-espiritual. E aos disparates, iniciam-se esses delitos de intenção:

- Determinados pontos que aqui se encontram para por fim algo solucionar, nada solucionam. A especulação não articula os movimentos necessários a qualquer mudança que seja. E há, daquilo que se tem dito, muito de inércia. É possível? É possível mudar. Caminhar.
 -E não é na verbalização que se constroem os atos, é nessa realidade estéril e sedada que me construí - já que se há culpa, ela não possa ser de outrém -, aqui no agora em constante, há muito que deva vir ao meu encontro. Que eu deva encontrar. Encher estas páginas não é um livro. Nisso de acreditar, ver e achar, tenho-me perdido.
-Qual é a linha que não anula o pensamento; que de atividade constante se faz cessar frente à plena covardia embustida na roupagem da preguiça, da impossibilidade de realizar. Realmente, dentro do jogo, dei-me o que chama-se pausa. Absurdamente fiz-me morrer numa vida de pulsão e agora, auto-controle e subserviência.
-Alguém ganhou de mim no momento em que deixei-me perder. A moldura continua alargando, a possibilidade múltipla é ainda mais vasta. Mas sofro, antes num mundo do sofrer na vida de quem for.
A TV ligada O som ligado.
A luz acesa O calor do corpo.
A gata no colo O ronronar.
A sala fria O punho quente.
A casa vazia O pensar presente.
A mãe dorme O filho acorda.
A paz distancia O pesar se transborda.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Ajuste

Construir figuras
Sem ver imagem
Alargar molduras
Fornecer Paisagem.

Cá está
o mau da obra
Malacabada:

Fica ruim
uma coisa pouca
só, é
meia esparsa.

Pouso


À sombra das folhas
trançados verdes - escuros
arrastam-se a subir os muros
na selvageria das escolhas.

E maior é o pássaro
parado acima delas
seu canto aspero
atenua a minha espera.

Nota

Ainda bem que
vindo aqui
veio a poesia
de encontro a
música ressoar
o que em palavra
não se diz muda
e em som não
se ouve o falar.
Esse povo, em particular
que são poucos
Escolhidos a lutar
pelo novo.

Ao invés disso
preferem brilhar
ao se dar o devido sumiço.

Assumir o impreciso
distante compromisso
que vai para além
do luar.

O GROSSO

Ainda não que fosse eu
O sumo doce teu
Pra ti me guardaria
ao nosso amor, honraria.

quarta-feira, agosto 29, 2012

Caminho

Não, é o primeiro sim
que faz-se tremer ao nascer
na dor que afunda em mim.

Tremula o Sol ao anoitecer
o passeio segues sem fim.

Como em solo firme
trema a terra às rodas.

Aguenta o caminho íngrime
Te redime ao fluxo da hora.

E o chão que treme
treme às rodas.

Demora

Era outono,
as folhas secas
Demoraram.
Mas caíram.
E decidi eu
ser livre, então
atirei-me pela janela.

Minhas mãos

Mais atadas que eu
depois de tantos nãos
durante o constante apogeu
estão muito cansadas
pois não se mexem
tentam, sós, envergar espadas
e logo se esquecem
duma força maior
vem do ventre de dentro
e de mais sutil se faz melhor
ajuda-me a encontrar o centro
ao ponto
de desatar nós.

E segue que da vontade
é o nó que quero que fique
trancando-me tenro na realidade
acelerando de todo o meu pique
volta nós.

Adelaide

Tenho um pé em
em
em experiências
sociais. Sou simples
como diz Ana,
do meu romance
de balconista.
Pobre, sempre possuí
sobre aquilo que era.

Raquel

No Brasil
Fashion
a marca.
Ela é hoje,
número 1 do mundo
(referência modelos.com).
Seu estilo como
um pouco de Led
ama música
anda escutando
poético,
na hora de
conforto.
Marca chamada
Dela, por ter uma
boca mais larga.

Relação

Não é fácil,
guerra velada
tão nobre de coração.
Difícil ir
faz uns cinco anos que não vou
tocar. A última vez
lá foi
nas comunidades, era
um trabalhão
ir fazer,
enviar dinheiro
para sustentar,
muito tenso.

Há muita gente
por nada.

Frutos

O impacto causado pelo caos
Fonográfico
Traz à luz outro esquema
alternativo
que se utiliza
de filosofia inversa
que pautava o
agora, lucro.

sexta-feira, agosto 24, 2012

Abre

Desde que dê
do meu lembrar e daí
não mais esquecer
deve ficar pelo menos
restando ao amanhecer
um de espertar
pedaços daqui.

Já que sai nada
Te ter te vai
ai como quero
a jornada
contigo, mas ajuda
ai, meu pai

que ele não vem
pra essa região
que se distrai
porque é uma coisa
de cada vez
tem que ser
e quando todas vem
ele diz que não
e vai.

É uma dor doída
que me amoa
ver nele longe
esse meu bicho
que voa.

sexta-feira, agosto 03, 2012

Então

Não está por certa
qual tem sido a maior burrada
tudo o que é descoberta
a coisa louca, desaprumada
já pouco esperta
onde parece-nos que o que era dia
agora virou madrugada

ou aquelas tardes viradas
que ao tardar da poesia
algumas coisas ficaram jogadas
como se de palavras
forrasse-se a heresia
de arrojos e aladas.

Cintilantes jorram as falas
e como voam e correm
elas todas que semên engolem
quando me veem, explodem asas

e pra longe voam
num céu de perder-se
enquanto raivam, entoam
"espera o teu amanhecer-se".

sexta-feira, julho 27, 2012

Faísca

Olhar na escura altura,
fundo horizonte
mas no antes
notar que a faísca fulgura
e que da chaminé pula
ardentes cintilantes
aos montes.

Checando, parado
olho o instante
para dizer que faísca o que é
esse avermelhado
da madeira quente subindo a lata
que toda velha casa aquece.

Quente mesmo é chegar na hora exata
esse detalhe que acontece.

quarta-feira, julho 18, 2012

-

Não sei o que lhe dizer
mas te vou dizer que
dizer eu não sei o quê:
nada a me parecer

pois que nada me ocorre
em dizer apenas
de amor ou dor,
coisa que nunca morre

fraco sopro desse poema
faísca, lúdico torpor
que pelo lábio me escorre
ao emanar fonema

se me fraquejo, sobejo
amor maior que o meu
almejo

não vejo problema
no amor teu.

terça-feira, julho 10, 2012

Vindouro

Nunca haverá o dia
Em que me causará arrepio
Ouvir essa pífia poesia
No alvorecer dum dia frio.

Enigmático o que trazias
Palavras em flores
Bem trajadas alegorias
Mas se é com aplausos e dores
Que alimentas tua morada
Não esperas que eu tenha pudores
Para dizeres que és o mesmo que nada.

Teu solo tem de ser limpo e puro
E que te calces sincero
Não te escondas atrás dum muro
Desprezando e sendo austero.

De tudo que sabemos
Dos teus poucos passos
Curto caminho o que vemos
Andar sozinho não é fracasso
No futuro do acaso
                             [nos juntaremos.

quarta-feira, julho 04, 2012

Entre meios

Não convém e nem sente
não faz e desmente
com verdade alguma em loucura
aprofunda-se às funduras
de si como se em partida
estivesse indo e voltasse
pra onde jamais estive
sólido, petrífico
incólume austero.

Imperfeito em si, espero
do repente luzir
repleto
de mágica lucidez
atônito e perplexo
por dissolver a acidez
da rubra palavra
que crua me lavra
do fundo do peito
ao olhar dum sujeito
que nem aqui está.

De querências e sossegos
queria estar em desapego
pairar no céu e flutuar.

terça-feira, junho 19, 2012

quarta-feira, junho 13, 2012

sexta-feira, junho 01, 2012

O que tem
Vem com ordem
Não só convém
Ser de todo jovem
Sem guentar o que vem.

Vale à pena
Despertar a tempo
Porque a vida é pequena
Melhor ir mais lento.

Corrigir o que parece que erro
Entender e transformar num acerto
Se Eu não ficar por perto
Perecerei sem conserto.

A primeira coisa que cultivo o gosto

A primeira coisa que cultivo o gosto em fazer
é pegar esta coisa e me devastar,
me dissolver em escrever.
O léxico disléxico e abusivo
que  emerge desse pesar que me leva
rumo a um caminho exaustivo,
frente as coisas que não podem esperar: o meu despertar.
Calma.
Parar e parar.

O dia todo com vigor de agonia e calor, suor pouca energia.
A dominança do que me remete longe é só isso; é drama, suplício, impreciso.
O saber que me chama e logo eu não sei
de novo
que linha que eu passei adiante e torna-se ISSO que ao começar transtorna,
um irradiar que transborda.

Mas como em todo início
Amadurecer parece suplício
Só quero de volta uma manhã morna.