Deu-se por perdido no instante em que vagou para a outra condução, sentindo-se empurrado por bolhas fortes, que sem querer, o faziam flutuar enquanto andava na agitação frenética que é uma despedida.
Todos os cristais que amava todos os dias, não poderia mais amar. Nunca mais. Tornaram-se vírus novamente, uma nova doença a ser condenada. Um fóssil prestes a ser queimado, prestes a se tornar combustível de ódio num mecanismo de medo.
Com os movimentos que fazia, os ruídos saíam milimetricamente de sua boca:
- Como seria difícil olhar para teus braços agora e vê-los jogando-se a outros mares, à outras praças. O meu nome já não é o mais belo da paróquia e os doces que estocamos vencem de inseguros. Estou a jorrar a última gota d'água que caiu de minha fronte, e sinto que o suor sob teus olhos não são lágrimas de uma emoção saudosa, mas sim um pequeno pedaço querendo um pouco mais de si própria. Minha cara flor, tuas pétalas ainda me iluminam e teu verde é um lago onde transparece a essência de teu ser puro e consumível. A natureza.
"Se todos os instantes em que folhas caíssem ao lado de meus olhos, e se todos os papéis caíssem em meus lábios novamente, choraria as dores que encheriam um rio novo de esperança."
quarta-feira, setembro 12, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
Felino-cobra
"Aos meios de alma que me deixei transparecer, viram que as flores que carregava em meus pés não exalavam mais a mesma fragrância e fitaram com angústia a ausência de minha voz, deram a importância desnecessária à uma árvore que poderia cair sem frutos."
Mais um segundo brilhando nos olhos que viam atentamente o desenrolar de um tapete vermelho-sangue que tinha o tamanho de uma língua, que era capaz de ludibriar as veias daquele pobre felino e jogá-lo num fluxo que não pertencia. O desenrolar palpável deste pano era um modo de refrescar o coração que fervia no peito do felino que não ousava mais declarar seu amor com exatidão. A convicção de sentimentos o feria enquanto a água corria nas sarjetas do lado seu quarto aveludado.
Os ouvidos já não tinham mais a egoísta pretensão de tentar ouvir os grunhidos que o amor fazia ao seu lado, era muito mais fácil esperar até que eles viessem num bilhete, se rastejando aos pés da morbidez florida que as patas peludas conseguiam esconder.
Os elementos o jogavam numa atmosfera existencialmente humana:
- Fala que teu comportamento é o mesmo que antes?!, Fala?! -as pernas cruzadas denunciavam a impotência que cuspia sem vergonha sua ignorância- Não escondas de mim tuas entregas e nem fujas do que és... Eu, eu sou uma mosca-de-gato. Eu não existo. Enquanto tu estás existindo fluentemente e fazendo com que lhe odeie mais ainda. Mas meu amor, sabes o que pra mim é o ódio? Conheces essa bala muito doce que degusto todas as noites em minha cama enquanto julgo os Paranhos tão bem conservados no teto olhando para mim com desdém.
Não pretendo monologar com sombras! Tentarei continuar olhando as casas bege com o mesmo sorriso e estarei me vendo sorridente no reflexo das vestes pretas que carregas contigo todas as manhãs.
Não deixava nunca de negar a negatividade que plantava sem escrúpulos em sua pequena língua sem ponta.
Um pequeno diamante nascia nos olhos, que depois de muito tempo esperando, viam a beleza fluir nas letras que estavam no céu, atrás de sua janela, ao lado de seu rosto deitado. Mas ainda assim, superior.
Mais um segundo brilhando nos olhos que viam atentamente o desenrolar de um tapete vermelho-sangue que tinha o tamanho de uma língua, que era capaz de ludibriar as veias daquele pobre felino e jogá-lo num fluxo que não pertencia. O desenrolar palpável deste pano era um modo de refrescar o coração que fervia no peito do felino que não ousava mais declarar seu amor com exatidão. A convicção de sentimentos o feria enquanto a água corria nas sarjetas do lado seu quarto aveludado.
Os ouvidos já não tinham mais a egoísta pretensão de tentar ouvir os grunhidos que o amor fazia ao seu lado, era muito mais fácil esperar até que eles viessem num bilhete, se rastejando aos pés da morbidez florida que as patas peludas conseguiam esconder.
Os elementos o jogavam numa atmosfera existencialmente humana:
- Fala que teu comportamento é o mesmo que antes?!, Fala?! -as pernas cruzadas denunciavam a impotência que cuspia sem vergonha sua ignorância- Não escondas de mim tuas entregas e nem fujas do que és... Eu, eu sou uma mosca-de-gato. Eu não existo. Enquanto tu estás existindo fluentemente e fazendo com que lhe odeie mais ainda. Mas meu amor, sabes o que pra mim é o ódio? Conheces essa bala muito doce que degusto todas as noites em minha cama enquanto julgo os Paranhos tão bem conservados no teto olhando para mim com desdém.
Não pretendo monologar com sombras! Tentarei continuar olhando as casas bege com o mesmo sorriso e estarei me vendo sorridente no reflexo das vestes pretas que carregas contigo todas as manhãs.
Não deixava nunca de negar a negatividade que plantava sem escrúpulos em sua pequena língua sem ponta.
Um pequeno diamante nascia nos olhos, que depois de muito tempo esperando, viam a beleza fluir nas letras que estavam no céu, atrás de sua janela, ao lado de seu rosto deitado. Mas ainda assim, superior.
segunda-feira, setembro 10, 2007
Indestrutível forma de recepcionar sensações
Fitava os grãos de areia no chão com ângulo tão curvado que mostrava toda sua sensação de não ter feito nada de especial. Seu ânimo era acessível (coisa difícil de ver-se em dias tempestuosos), porém a angústia derramava sangue nos seus olhos. Tudo que fitava tornava-se um pouco mais reto, horrível e indecifrável.
A grande afronta que fazia a si próprio era maior agora. E desconhecida, sua boca rogava pragas de ódio ao ventos que voavam nas linhas sonoras que caíam como estacas cravadas no chão duro de diamantes que cravejavam a área de um corpo pequeno. O teor de agonia e aperto era gigante, e o peso todo caía por terra quando extraía seu tormento.
- Por mais demorado que fosse esperar por estar aqui. Estou e arrependo-me de te jogado apenas tábuas insustentadas para que todos pisassem e andassem um pouco, sorrindo e brincando de nada. Por mais que as folhas insistam em me tornar maleável e em paz, mais as mudanças de rotina e de segmentos me torturam. Constatei que há muito tempo não batias a minha porta. Dependias de um empurrão de amor, um pequeno toque aveludado de belas mãos para que eu contemplasse os olhos distantes que sempre mostras em resposta de teus arredores sensitivos. A ordem já não é mais a mesma...
Os ruídos o interrompem e um pouco de náusea estoura em sua barriga inchada de tanto engolir carícias e gentilezas, mas parece que a náusea virará vomito logo depois que virar os olhos para o escuro e notar um pequeno brilho, se é que ele existe.
Virou-se, notou o pequeno brilho existente no escuro que insistia em não ver. Usou de metáforas e desculpas para não ficar solitário. A solidão é algo que atormenta as almas angustiantemente felizes e seu único remédio é a solidão conjunta. Pares de olhos parados esperando uma reação nova, uma mostra de dentes amarelados com olhos de icterícia e um pouco de cabelos caindo ao chão com o objetivo de mostrar que estava tudo tão correto.
- Preciso mesmo continuar exercendo minhas funções ordinárias e conceber prazeres que voltam a mim com grave tortura?- ajunta o fio de cabelo do chão- Refazer os estágios de minha mudança para constatar assim novas formas lógicas de constatações que jorram em dor; negociar os lucros de meus lamentos comigo mesmo e sentir melancólico prazer adocicado ao fitar a sensibilidade da flor mais bela, que pende nas costas da montanha mais ingríme que nenhum homem pôde alcançar?... Lamentavelmente não.
A grande afronta que fazia a si próprio era maior agora. E desconhecida, sua boca rogava pragas de ódio ao ventos que voavam nas linhas sonoras que caíam como estacas cravadas no chão duro de diamantes que cravejavam a área de um corpo pequeno. O teor de agonia e aperto era gigante, e o peso todo caía por terra quando extraía seu tormento.
- Por mais demorado que fosse esperar por estar aqui. Estou e arrependo-me de te jogado apenas tábuas insustentadas para que todos pisassem e andassem um pouco, sorrindo e brincando de nada. Por mais que as folhas insistam em me tornar maleável e em paz, mais as mudanças de rotina e de segmentos me torturam. Constatei que há muito tempo não batias a minha porta. Dependias de um empurrão de amor, um pequeno toque aveludado de belas mãos para que eu contemplasse os olhos distantes que sempre mostras em resposta de teus arredores sensitivos. A ordem já não é mais a mesma...
Os ruídos o interrompem e um pouco de náusea estoura em sua barriga inchada de tanto engolir carícias e gentilezas, mas parece que a náusea virará vomito logo depois que virar os olhos para o escuro e notar um pequeno brilho, se é que ele existe.
Virou-se, notou o pequeno brilho existente no escuro que insistia em não ver. Usou de metáforas e desculpas para não ficar solitário. A solidão é algo que atormenta as almas angustiantemente felizes e seu único remédio é a solidão conjunta. Pares de olhos parados esperando uma reação nova, uma mostra de dentes amarelados com olhos de icterícia e um pouco de cabelos caindo ao chão com o objetivo de mostrar que estava tudo tão correto.
- Preciso mesmo continuar exercendo minhas funções ordinárias e conceber prazeres que voltam a mim com grave tortura?- ajunta o fio de cabelo do chão- Refazer os estágios de minha mudança para constatar assim novas formas lógicas de constatações que jorram em dor; negociar os lucros de meus lamentos comigo mesmo e sentir melancólico prazer adocicado ao fitar a sensibilidade da flor mais bela, que pende nas costas da montanha mais ingríme que nenhum homem pôde alcançar?... Lamentavelmente não.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Transição corpórea
Tão mais cansado, debilitado e fragilizado, sua alma parecia um cristal. Todos viam com medo intenso de tocar. Estava tão quebrado, quase doente. Não seria ele mais fonte alguma de inspiração. Apenas o mundo, essa grande bola de lama dura que ousamos chamar de lar. Lar.
A boca seca fazia de seus gostos os mais horríveis que já sentira e as pedras que colocava em seu caminho eram por pura correção, queria saber andar. Tropeçava insistentemente nos próprios acertos, corroía com lamúrias as virtudes e depredava com fúria a sua inocência:
- O que há de mais sensato numa cobra, senão as suas escamas?, que definem e que caracterizam seu veneno, sua mortalidade! Está no sangue! Hoje sou vermelho porquê explodi. Ainda uma pequena cobra chorosa saindo do ovo e mordendo o próprio rabo! Quisera eu emancipar meus sentidos e abandonar essa angústia que é ser um filhote, rastejando-me para tudo: comer, andar, ser, viver. Um submisso, um grande corrompido pelo amor de mãe. Que vontade estonteante que tenho de me morder, promover meu sangue, aliviar minha raiva e cuspir como remédio a minha pequena gota letal de dor!
Os olhos sempre virando, pararam diante de um pequeno espelho de borda dourada, que não significava nada mais que uma plenitude soberana falha sobre si mesmo, pensando na imensa podridão que acabara de semear em seu próprio interior e com risada demoníaca que saía de um pobre anjo cético:
- Corpo, doce chave que prende minha liberdade, limita meu espaço, destroça minha área, degrine meu ser; o que há em você, corpo? Se dizes meu e estás aí, a envelhecer enquanto sou uma víbora ainda jovem, trocando de pele e de vida. És um baú, pequeno e que serve apenas para guardar um carcaça que jaz putrefata no meu eu. Não me serves pra nada, agora sou um réptil com pele mais forte. Corpo, nada mais és do que um prelúdio da minha morte, um aviso, e um refúgio pra minha chegada.
A boca seca fazia de seus gostos os mais horríveis que já sentira e as pedras que colocava em seu caminho eram por pura correção, queria saber andar. Tropeçava insistentemente nos próprios acertos, corroía com lamúrias as virtudes e depredava com fúria a sua inocência:
- O que há de mais sensato numa cobra, senão as suas escamas?, que definem e que caracterizam seu veneno, sua mortalidade! Está no sangue! Hoje sou vermelho porquê explodi. Ainda uma pequena cobra chorosa saindo do ovo e mordendo o próprio rabo! Quisera eu emancipar meus sentidos e abandonar essa angústia que é ser um filhote, rastejando-me para tudo: comer, andar, ser, viver. Um submisso, um grande corrompido pelo amor de mãe. Que vontade estonteante que tenho de me morder, promover meu sangue, aliviar minha raiva e cuspir como remédio a minha pequena gota letal de dor!
Os olhos sempre virando, pararam diante de um pequeno espelho de borda dourada, que não significava nada mais que uma plenitude soberana falha sobre si mesmo, pensando na imensa podridão que acabara de semear em seu próprio interior e com risada demoníaca que saía de um pobre anjo cético:
- Corpo, doce chave que prende minha liberdade, limita meu espaço, destroça minha área, degrine meu ser; o que há em você, corpo? Se dizes meu e estás aí, a envelhecer enquanto sou uma víbora ainda jovem, trocando de pele e de vida. És um baú, pequeno e que serve apenas para guardar um carcaça que jaz putrefata no meu eu. Não me serves pra nada, agora sou um réptil com pele mais forte. Corpo, nada mais és do que um prelúdio da minha morte, um aviso, e um refúgio pra minha chegada.
terça-feira, setembro 04, 2007
Zelando o comodismo
Joga no chão o olho e cai em cima de um papel gasto pelo tempo e pela chuva. Ajunta-o, surpreende-se e voa com os olhos sobre o papel marrom. Senta-se no chão e lê em voz alta, confiante de que não serão asneiras:
-" 'Benditas sejam as cobras que zelam meu pescoço e que me servem de cabelo enquanto caio com demasiada raiva por sobre os ombros do meu pequeno príncipe guardião! Quisera eu andar sob as águas e nadar nos céus. Se meus braços ainda tão cansados batessem contra o rosto de um mundo inteiro, não seria mais uma fonte de sangue. Restaria em minha carne apenas um monte de farpas, dentes e gravetos.'
Ao término do seu próprio bilhete, a única sensação era de erro. Tudo o que faria a partir daí seria falho e sem vida. Os cachorros, sentados, aplaudiam cautelosamente cada palavra e enfraqueciam suas pequenas mãos querendo parar. A febre agora pulsava dentro daquele alegre coração:
- Pois bem, meus companheiros e amigos, se aqui não estivesse hoje, jamais saberia da alegria que é compartilhar com alguém e com o Maior os meus anseios e as minhas poucas angústias.
Os cães uivavam agora sem parar diante das imagens fixadas na parede. A luz tornava aquele ambiente ainda maior e mais amplo, porém arrancava a fé que qualquer homem pudesse ter, assim como faz a verdade. Todos os olhos voltados para uma escada, as línguas balançando e pendendo da boca, alertavam a entrada de um Supremo.
Vestimentas amarelas e floridas faziam daquele enorme bolo uma pequena árvore:
- O que ouvimos aqui agora nada mais é que um sussurro da morte aclamando por um pouco de vida, meus amigos. As idéias dispersas sem amor não podem dar ao homem nenhuma racionalidade!
O orador da carta toma-se possesso:
- Enquanto tua racionalidade, ó irmão, se faz com amor e solidariedade! As casas estão escondidas em teus braços, sentindo-se acolhidas pela farça que chamas verdade, e tua colcha é costurada com ouro, teu travesseiro de diamantes e a tua língua é suja com lama. A tua cura é o Tormento!
- ... Vejam, Todos!, o que há diante de nós! Um grande enganador, manipulador, enriquecedor da vaidade humana blasfemando contras as verdades do Supremo! Venha até aqui e continue a oração de tuas lamúrias, criatura desprezável.
Levanta-se da cadeira vermelha e desliza suavemente através do tapete dourado, dominado por selvageria e brutalidade nos olhos:
- Não há mais o que ler, somente o que se observar. A lógica plena dos meus sentidos não se aguça só na argumentação. Há viva em alguns de meus instintos. Em escolhas emocionais dir-se-ia que uso de malícia, mas nelas apenas esqueço de racionalizar. Vivo como vocês, irracional e frágil, pensando na plenitude de pensamento que se afugentou em minhas costas... Bem, não perderei minha raiva dentro de uma casa de bárbaries."
A mente um pouco interditada. Uma nova fé abalada e contradições inúteis em vista do que já houvera pensado agora o transformam em uma velha carcaça sem mudança e sem esperança de tentar falar consigo próprio.
-" 'Benditas sejam as cobras que zelam meu pescoço e que me servem de cabelo enquanto caio com demasiada raiva por sobre os ombros do meu pequeno príncipe guardião! Quisera eu andar sob as águas e nadar nos céus. Se meus braços ainda tão cansados batessem contra o rosto de um mundo inteiro, não seria mais uma fonte de sangue. Restaria em minha carne apenas um monte de farpas, dentes e gravetos.'
Ao término do seu próprio bilhete, a única sensação era de erro. Tudo o que faria a partir daí seria falho e sem vida. Os cachorros, sentados, aplaudiam cautelosamente cada palavra e enfraqueciam suas pequenas mãos querendo parar. A febre agora pulsava dentro daquele alegre coração:
- Pois bem, meus companheiros e amigos, se aqui não estivesse hoje, jamais saberia da alegria que é compartilhar com alguém e com o Maior os meus anseios e as minhas poucas angústias.
Os cães uivavam agora sem parar diante das imagens fixadas na parede. A luz tornava aquele ambiente ainda maior e mais amplo, porém arrancava a fé que qualquer homem pudesse ter, assim como faz a verdade. Todos os olhos voltados para uma escada, as línguas balançando e pendendo da boca, alertavam a entrada de um Supremo.
Vestimentas amarelas e floridas faziam daquele enorme bolo uma pequena árvore:
- O que ouvimos aqui agora nada mais é que um sussurro da morte aclamando por um pouco de vida, meus amigos. As idéias dispersas sem amor não podem dar ao homem nenhuma racionalidade!
O orador da carta toma-se possesso:
- Enquanto tua racionalidade, ó irmão, se faz com amor e solidariedade! As casas estão escondidas em teus braços, sentindo-se acolhidas pela farça que chamas verdade, e tua colcha é costurada com ouro, teu travesseiro de diamantes e a tua língua é suja com lama. A tua cura é o Tormento!
- ... Vejam, Todos!, o que há diante de nós! Um grande enganador, manipulador, enriquecedor da vaidade humana blasfemando contras as verdades do Supremo! Venha até aqui e continue a oração de tuas lamúrias, criatura desprezável.
Levanta-se da cadeira vermelha e desliza suavemente através do tapete dourado, dominado por selvageria e brutalidade nos olhos:
- Não há mais o que ler, somente o que se observar. A lógica plena dos meus sentidos não se aguça só na argumentação. Há viva em alguns de meus instintos. Em escolhas emocionais dir-se-ia que uso de malícia, mas nelas apenas esqueço de racionalizar. Vivo como vocês, irracional e frágil, pensando na plenitude de pensamento que se afugentou em minhas costas... Bem, não perderei minha raiva dentro de uma casa de bárbaries."
A mente um pouco interditada. Uma nova fé abalada e contradições inúteis em vista do que já houvera pensado agora o transformam em uma velha carcaça sem mudança e sem esperança de tentar falar consigo próprio.
segunda-feira, setembro 03, 2007
Um sopro amargo
A luz entrava no quarto como uma arma, sujando o corpo esticado sobre a cama. Tão exausto, pairava sobre os braços um semblante de derrota. Os pêlos estavam eriçados. A boca lacrimejava doces balbucias de desespero. A garganta se cortava:
-Não poderia ser mais fraco do que hoje! Os dias tão sublimes fogem do meu alcance e as condições da minha rotina estão me puxando ao além dos sonhos e das fábulas.- cai um pouco de veneno nos cotovelos - E essa história que estar vivo me cansa. O decorrer das palavras fará minha existência! Ah!
Cai no chão como uma pedra e agora a luz corta o azul dos olhos cobertos por fios prateados. Passos podem ser ouvidos vindos do lado de fora, as pedrinhas denunciam um novo criminoso. Batem na porta e a cólera domina a boca:
- Quem é o demônio que aqui vem para me importunar com desgraças?!
E a voz mais doce dos ventos responde:
- Sou eu, meu réptil, o sopro gelado do vento querendo entrar e te petrificar! - alguns risos - Cale essa boca maldita e abra a porta logo!
Levanta-se atordoado com pensamentos de morte, anda até a entrada de corpo limpo e abre a porta com as órbitas voltadas para o chão:
- Olá, meu caro tormento!, o que trazes de tão belo para um leão com sede? - e o abraço foi forte, quase um desmaio.
- Vim dizer-lhe que esta é a nossa última conversa. Minha metamorfose, transitei muito nos últimos dias. O tráfego dos meus pensamentos não é mais o mesmo e meu anseio de lhe ser muito veloz me assombra todas as noites em que não durmo. - tamborila os dedos no trinco dourado daquela porta devorada por cupins - E agora quero que entendas que minhas filosofias não serão mais as mesmas, mas que ainda és meu grande amor e nosso matrimônio é eterno até o último corpo se render à terra.
Atônito com tal notícia que já vinha aguardando há dias, e que era um fator para a raiva, não sabia o que lhe dizer. Cuspiria naquele rosto sujo e sincero mas não podia derreter uma obra que a natureza esculpira com tanta devoção. Levantou as órbitas e as mãos:
-Esperava por tudo isso até na minha última lágrima. Mas isso quer dizer que não nos veremos nunca mais? E que estás aqui hoje só para comer de minha carne e sair com a boca suja de um pouco de sangue amável?
- Não e sim. Vim aqui para lhe dizer que o conteúdo que sobrou em nosso frasco é guardado por leões e baleias e que todo o resto do mundo saberá de tua existência. A febre que pulsa no teu sangue é culpa do mundo que está me levando para esse rumo inacreditável que é a revolução. - o peito estufa- E eu irei daqui a três horas. Façamos delas as mais belas horas do Universo!
- Não, meu bem, não! Meu sangue jorra dentro de meu peito. Meus pés estão tão pesados agora que não sou capaz de andar rumo ao teus lábios. Tua face me mostra uma divindade terrível que me assusta e me repele. Então saiba que meu amor agora é febre e que tudo que há em nosso frasco nada mais são que lembranças de uma bela época percorrida com pulos. Agora meu amor está chorando e o sonho ficará para a outra vida que não existe.
- Estou indo.
- Adeus.
Virou as costas e as pedrinhas denunciaram o criminoso abandonando a prisão que o manteve ali por dias. Eternos dias de desespero e medo pela partida.
Àquela alma nada mais restava do que gritos e arranhões. As paredes viraram telas e os violinos do rádio eram dragões cuspindo fogo nos cabelos prateados que reluziam dentro daquele quarto mestiço.
Agora o que sobra é um pouco de vinho jogado sobre o colo e um papel escrito com palavras de despedida.
-Não poderia ser mais fraco do que hoje! Os dias tão sublimes fogem do meu alcance e as condições da minha rotina estão me puxando ao além dos sonhos e das fábulas.- cai um pouco de veneno nos cotovelos - E essa história que estar vivo me cansa. O decorrer das palavras fará minha existência! Ah!
Cai no chão como uma pedra e agora a luz corta o azul dos olhos cobertos por fios prateados. Passos podem ser ouvidos vindos do lado de fora, as pedrinhas denunciam um novo criminoso. Batem na porta e a cólera domina a boca:
- Quem é o demônio que aqui vem para me importunar com desgraças?!
E a voz mais doce dos ventos responde:
- Sou eu, meu réptil, o sopro gelado do vento querendo entrar e te petrificar! - alguns risos - Cale essa boca maldita e abra a porta logo!
Levanta-se atordoado com pensamentos de morte, anda até a entrada de corpo limpo e abre a porta com as órbitas voltadas para o chão:
- Olá, meu caro tormento!, o que trazes de tão belo para um leão com sede? - e o abraço foi forte, quase um desmaio.
- Vim dizer-lhe que esta é a nossa última conversa. Minha metamorfose, transitei muito nos últimos dias. O tráfego dos meus pensamentos não é mais o mesmo e meu anseio de lhe ser muito veloz me assombra todas as noites em que não durmo. - tamborila os dedos no trinco dourado daquela porta devorada por cupins - E agora quero que entendas que minhas filosofias não serão mais as mesmas, mas que ainda és meu grande amor e nosso matrimônio é eterno até o último corpo se render à terra.
Atônito com tal notícia que já vinha aguardando há dias, e que era um fator para a raiva, não sabia o que lhe dizer. Cuspiria naquele rosto sujo e sincero mas não podia derreter uma obra que a natureza esculpira com tanta devoção. Levantou as órbitas e as mãos:
-Esperava por tudo isso até na minha última lágrima. Mas isso quer dizer que não nos veremos nunca mais? E que estás aqui hoje só para comer de minha carne e sair com a boca suja de um pouco de sangue amável?
- Não e sim. Vim aqui para lhe dizer que o conteúdo que sobrou em nosso frasco é guardado por leões e baleias e que todo o resto do mundo saberá de tua existência. A febre que pulsa no teu sangue é culpa do mundo que está me levando para esse rumo inacreditável que é a revolução. - o peito estufa- E eu irei daqui a três horas. Façamos delas as mais belas horas do Universo!
- Não, meu bem, não! Meu sangue jorra dentro de meu peito. Meus pés estão tão pesados agora que não sou capaz de andar rumo ao teus lábios. Tua face me mostra uma divindade terrível que me assusta e me repele. Então saiba que meu amor agora é febre e que tudo que há em nosso frasco nada mais são que lembranças de uma bela época percorrida com pulos. Agora meu amor está chorando e o sonho ficará para a outra vida que não existe.
- Estou indo.
- Adeus.
Virou as costas e as pedrinhas denunciaram o criminoso abandonando a prisão que o manteve ali por dias. Eternos dias de desespero e medo pela partida.
Àquela alma nada mais restava do que gritos e arranhões. As paredes viraram telas e os violinos do rádio eram dragões cuspindo fogo nos cabelos prateados que reluziam dentro daquele quarto mestiço.
Agora o que sobra é um pouco de vinho jogado sobre o colo e um papel escrito com palavras de despedida.
quarta-feira, agosto 29, 2007
Entrega visual
- Quem disse meu nome? - tira o cigarro amassado do bolso da calça jogada na cadeira.
- Não sei, acho que estás a ouvir coisas! - puxando os cabelos para cima do peito.
- Não poderia. Essa onda foi forte demais. - colocando os braços ao alto- Veja, ela levaria meus braços aonde quer que fosse. Tão nítida...
- Mas estamos sozinhos aqui, não há que te chame a não ser eu. E não o fiz.
Senta-se na cama, olha as cortinas, cheira as mãos, esfregas os olhos e os abre muito bem, como se quisesse explodi-los:
- Não me droguei hoje, meu bem. Os efeitos não existem. Se estamos a sós aqui por que estás tão menor? Onde mora a plena confiança que estabeleceram os nossos corpos?
- Não quero dizer nada sobre isso. - puxa a coberta macia de pêlos vermelhos e cobre a boca- É estranho te ver assim, tão reluzente, sem vestes e sem maldade. Olhe nos meus olhos. Isso é o que nos basta.
- Entendo perfeitamente. Não receio teu corpo de forma passageira. - cobre as pernas e a luz que vem da janela torna o abdômem rosado- Se o for, lhe almejo para sempre nos instantes em que for meu. E como se fosse a última vez - dá uma tragada no cigarro- não hesitaria em dizer que te amo. Te amo - joga o cigarro fora e os lábios se tocam de longe, pelo ar.
- Isso me envergonha. - e cobre as bochechas rosadas- Quem lhe veio a cabeça quando alguém te chamou?
- Sabes que não sei. - coça a cabeça em sinal de confusão.
- Talvez a idade esteja chegando e ainda nem destes conta disso. - joga-lhe um sorriso de deboche.
- Sou muito jovem pra ensurdecer. Ouço até aquilo que não me convém, que não me diz respeito, que me envergonha. O primeiro sintoma da minha velhice seria a cegueira. Veja, meus olhos ardem demais. Culpa dos azuis! Primeiro ficaria cego com o propósito de não ver as ações de destruição... A imagem sempre me castiga.
Levanta-se da cama, mostra-se por completo denovo. Caminha com passos serelepes até a janela e olha para a cama. Os olhares estão fixos:
- Antes de envelhecer, preciso ter a sensação da tua imagem. Porque sei que te ouvirei até o último dia da semana.
Puxa o pano vermelho e admira as curvas, os traços, os flancos, o batom vermelho, o pálido da pele; a escultura exposta.
Levanta-se da cama e vai em direção a ele. Toca o rosto e diz:
- Agora já podes sair, meu velho!
- Não sei, acho que estás a ouvir coisas! - puxando os cabelos para cima do peito.
- Não poderia. Essa onda foi forte demais. - colocando os braços ao alto- Veja, ela levaria meus braços aonde quer que fosse. Tão nítida...
- Mas estamos sozinhos aqui, não há que te chame a não ser eu. E não o fiz.
Senta-se na cama, olha as cortinas, cheira as mãos, esfregas os olhos e os abre muito bem, como se quisesse explodi-los:
- Não me droguei hoje, meu bem. Os efeitos não existem. Se estamos a sós aqui por que estás tão menor? Onde mora a plena confiança que estabeleceram os nossos corpos?
- Não quero dizer nada sobre isso. - puxa a coberta macia de pêlos vermelhos e cobre a boca- É estranho te ver assim, tão reluzente, sem vestes e sem maldade. Olhe nos meus olhos. Isso é o que nos basta.
- Entendo perfeitamente. Não receio teu corpo de forma passageira. - cobre as pernas e a luz que vem da janela torna o abdômem rosado- Se o for, lhe almejo para sempre nos instantes em que for meu. E como se fosse a última vez - dá uma tragada no cigarro- não hesitaria em dizer que te amo. Te amo - joga o cigarro fora e os lábios se tocam de longe, pelo ar.
- Isso me envergonha. - e cobre as bochechas rosadas- Quem lhe veio a cabeça quando alguém te chamou?
- Sabes que não sei. - coça a cabeça em sinal de confusão.
- Talvez a idade esteja chegando e ainda nem destes conta disso. - joga-lhe um sorriso de deboche.
- Sou muito jovem pra ensurdecer. Ouço até aquilo que não me convém, que não me diz respeito, que me envergonha. O primeiro sintoma da minha velhice seria a cegueira. Veja, meus olhos ardem demais. Culpa dos azuis! Primeiro ficaria cego com o propósito de não ver as ações de destruição... A imagem sempre me castiga.
Levanta-se da cama, mostra-se por completo denovo. Caminha com passos serelepes até a janela e olha para a cama. Os olhares estão fixos:
- Antes de envelhecer, preciso ter a sensação da tua imagem. Porque sei que te ouvirei até o último dia da semana.
Puxa o pano vermelho e admira as curvas, os traços, os flancos, o batom vermelho, o pálido da pele; a escultura exposta.
Levanta-se da cama e vai em direção a ele. Toca o rosto e diz:
- Agora já podes sair, meu velho!
quinta-feira, agosto 23, 2007
Banhados de luz
- Estou guardado.
- E de que adianta se manter trancado dentro de si mesmo?
- Não preciso de remédios do mundo pra ser o que sou.
- Sei bem que é pelo mundo que crias.
- Não entendes de nada a não ser de teu ego.
- Caso lhe seja conveniente, vá arranjar o que fazer... Meu tempo torna-se precioso a medida que te vejo fixado dentro de minha concha. Mais um parasita.
- Veja!, eis o que te faz ruir. O tão precioso tempo... Maldito aquele que criou esse fator cultural tão disfarçado entre nós, ocidentais, voadores e avoados. Tempo é dinheiro.
- Então vá atrás do seu...
- Por que sempre lhe é tão bom interromper as explanações que faço? Já basta que tu sempre estás a dizer que erro.
- Não importa como ou o quê faças. A interrupção tornou-se um prazer enrustido na minha carne. Meus ciclos naturais se interrompem. Não sou mais uma rainha... Meus rodeios constantes não me fazem chegar a nada. Mas neles eu acho o homem e o homem me acha. Interrompo o homem e assim, ele me faz prosseguir. Sou uma rainha.
- És a menor praga que existe no mundo.
- Estás enganado. E bem sabes disso...
- Não me explique mais nada... Permita-me viver o ciclo e tentar voltar a ser o que era.
- Impossível! Já lhe disse isso mil vezes e quanto mais falar, mais tentarás ser o que fostes na inocência...
- Continuo sendo inocente e não existem razões para que me suje.
- Não te enganes. Tua alma torna-se pura a cada passo que trilhas nessa caminhada que os crentes chamam de vida. Caminhada a sua que acabará não no abismo. Mas sim nas águas límpidas e reconfortantes de tua existência. Sei bem que elas existem em algum lago que recebe os puros todos os instante e os tira a pouca sujeira que está impregnada em seus corpos.
- Não compreendo tuas filosofias de bar. Sempre tão ilógicas e sem fundamentos. Te denominas ateu e ao mesmo tempo usas a alma como forma de justificar tuas intenções.
- Ora, temos de convir que a alma do homem são os atos. Podes chamá-la de caráter, reputação, conduta, valores, cultura, personalidade. Mas eu chamo-a alma. Pequenina e relevante. Transformadora e flamejante. Assim é vossa alma... Não te julgas capaz de absolutamente nada. Mas teus movimentos impensados tiram as pessoas que te circundam de órbita. Sabes bem disso.
- Tenho de ir.
- Pois vá e transforme um pouco de tua caminhada em estrada. Vá e retornes quando bem entenderes. As minhas portas estão abertas para tentar te entender.
- Mas sou eu que preciso me entender.
- Só me parece ser possível entender aos outros, mas nunca a si mesmo. Me entenda que eu te entenderei...
- E de que adianta se manter trancado dentro de si mesmo?
- Não preciso de remédios do mundo pra ser o que sou.
- Sei bem que é pelo mundo que crias.
- Não entendes de nada a não ser de teu ego.
- Caso lhe seja conveniente, vá arranjar o que fazer... Meu tempo torna-se precioso a medida que te vejo fixado dentro de minha concha. Mais um parasita.
- Veja!, eis o que te faz ruir. O tão precioso tempo... Maldito aquele que criou esse fator cultural tão disfarçado entre nós, ocidentais, voadores e avoados. Tempo é dinheiro.
- Então vá atrás do seu...
- Por que sempre lhe é tão bom interromper as explanações que faço? Já basta que tu sempre estás a dizer que erro.
- Não importa como ou o quê faças. A interrupção tornou-se um prazer enrustido na minha carne. Meus ciclos naturais se interrompem. Não sou mais uma rainha... Meus rodeios constantes não me fazem chegar a nada. Mas neles eu acho o homem e o homem me acha. Interrompo o homem e assim, ele me faz prosseguir. Sou uma rainha.
- És a menor praga que existe no mundo.
- Estás enganado. E bem sabes disso...
- Não me explique mais nada... Permita-me viver o ciclo e tentar voltar a ser o que era.
- Impossível! Já lhe disse isso mil vezes e quanto mais falar, mais tentarás ser o que fostes na inocência...
- Continuo sendo inocente e não existem razões para que me suje.
- Não te enganes. Tua alma torna-se pura a cada passo que trilhas nessa caminhada que os crentes chamam de vida. Caminhada a sua que acabará não no abismo. Mas sim nas águas límpidas e reconfortantes de tua existência. Sei bem que elas existem em algum lago que recebe os puros todos os instante e os tira a pouca sujeira que está impregnada em seus corpos.
- Não compreendo tuas filosofias de bar. Sempre tão ilógicas e sem fundamentos. Te denominas ateu e ao mesmo tempo usas a alma como forma de justificar tuas intenções.
- Ora, temos de convir que a alma do homem são os atos. Podes chamá-la de caráter, reputação, conduta, valores, cultura, personalidade. Mas eu chamo-a alma. Pequenina e relevante. Transformadora e flamejante. Assim é vossa alma... Não te julgas capaz de absolutamente nada. Mas teus movimentos impensados tiram as pessoas que te circundam de órbita. Sabes bem disso.
- Tenho de ir.
- Pois vá e transforme um pouco de tua caminhada em estrada. Vá e retornes quando bem entenderes. As minhas portas estão abertas para tentar te entender.
- Mas sou eu que preciso me entender.
- Só me parece ser possível entender aos outros, mas nunca a si mesmo. Me entenda que eu te entenderei...
segunda-feira, agosto 20, 2007
Rotina noturna
Dispersada no ar, as palavras que ela dizia, já não eram mais as mesmas. Voltava a ver em si o que dizia não. Viajava na sua própria alma... Mergulhava nos abismos. Secos e profundos.
Poderia ela dizer que o mundo não sente mais nada senão cólera. Uma indomável cólera que aumentava cada vez mais junto do seu falso sorriso de álcool que destilava seus lábios e fazia com que jorrassem gotas de ácido que caíam em minhas vestes. Derretiam um pouco de minha alma.
Os gracejos não eram mais os mesmos. Os cabelos acabaram de mudar. Ela sumiu de onde estava. Só podia ver um corpo, um rosto. O corpo continuava o mesmo mas nos olhos eu via o abismo que afundava todo o rosto numa pequena escuridão branca. Não havia escuridão sem aquela luz que jazia fria dentro do marrom dos olhos que pareciam-se também com árvores mortas.
Era impossível ver a liberdade e querer te prender. Comecei então, a confabular com meus companheiros de mente sobre moral, convicção, personalidade, justiça, liberdade e fraternidade. Constatações que apodreciam. Frutos que caíam das árvores e não tinham nenhum proveito. Nenhuma forma de convicção ou de dúvida se criava. Só ficava um grande abismo naqueles olhos. E meus braços já não podiam salvar mais nada.
Os corpos continuavam entrelaçados. Os braços fugiam de um lugar para outro e não conseguiam parar de correr por sobre aquelas peles lisas e frescas que queimavam por dentro, sem amor. Era o resultado que tanto esperavam e que ficava subentendido naqueles atos nada singelos.
Depois de tudo completamente acabado, não se tinha o que queria, os desejos não eram mais possíveis, os artifícios e o dinheiro já tinham acabado e não eram mais alegres pra falar. Sabia-se menosprezar e discutir.
Mas o corpo continuava como água. Os olhos se tornaram um lago profundo, com lágrimas doces que ardiam dentro dos olhos; uma espécie de cura que a mantinha inerte dentro de si mesma e congelava os braços que não aguentavam mais correr para outro lugar.
Eis tudo.
Poderia ela dizer que o mundo não sente mais nada senão cólera. Uma indomável cólera que aumentava cada vez mais junto do seu falso sorriso de álcool que destilava seus lábios e fazia com que jorrassem gotas de ácido que caíam em minhas vestes. Derretiam um pouco de minha alma.
Os gracejos não eram mais os mesmos. Os cabelos acabaram de mudar. Ela sumiu de onde estava. Só podia ver um corpo, um rosto. O corpo continuava o mesmo mas nos olhos eu via o abismo que afundava todo o rosto numa pequena escuridão branca. Não havia escuridão sem aquela luz que jazia fria dentro do marrom dos olhos que pareciam-se também com árvores mortas.
Era impossível ver a liberdade e querer te prender. Comecei então, a confabular com meus companheiros de mente sobre moral, convicção, personalidade, justiça, liberdade e fraternidade. Constatações que apodreciam. Frutos que caíam das árvores e não tinham nenhum proveito. Nenhuma forma de convicção ou de dúvida se criava. Só ficava um grande abismo naqueles olhos. E meus braços já não podiam salvar mais nada.
Os corpos continuavam entrelaçados. Os braços fugiam de um lugar para outro e não conseguiam parar de correr por sobre aquelas peles lisas e frescas que queimavam por dentro, sem amor. Era o resultado que tanto esperavam e que ficava subentendido naqueles atos nada singelos.
Depois de tudo completamente acabado, não se tinha o que queria, os desejos não eram mais possíveis, os artifícios e o dinheiro já tinham acabado e não eram mais alegres pra falar. Sabia-se menosprezar e discutir.
Mas o corpo continuava como água. Os olhos se tornaram um lago profundo, com lágrimas doces que ardiam dentro dos olhos; uma espécie de cura que a mantinha inerte dentro de si mesma e congelava os braços que não aguentavam mais correr para outro lugar.
Eis tudo.
quinta-feira, agosto 16, 2007
Aviso ao senhor que pensa ser sabido
Vá pro inferno escrita ruim, ao menos hoje, que eu não quero ter nenhuma pretensão de expandir meus pensamentos aos dedos e depois às mentes das pessoas. E por favor, não vá pensar que isso é uma tática pra que eu não escreva pouquinho. Pois bem sabes, Coração, que não é! E espere aí?! Quem disse que você, Coração, sabe de alguma coisa?! Só sabes porquê eu decidi dividir contigo, antes que me tirasse tudo...
Então agora vá aos tormentos!
Então agora vá aos tormentos!
quarta-feira, agosto 15, 2007
Amarelo, te quero bem instantaneamente
Um homem pára e me aborda. Vestido de cinza e com uma boina verde, fazia sinal com os olhos de que queria contar-me piadas. Parei e escutei o que ele tinha a me dizer. Como sempre nada, era mais um vendedor, daqueles que só sabem enrolar o cliente, pra depois ir embora reclamando que não vendeu nada. São péssimos os safados! E ainda reclamam.
Saí daquela rua vazia e fui até o ambiente que mais vivo. Geralmente quando sentia vontade de gritar, gritava. De chorar, chorava. De ser, era. Mas aqui as coisas são meio difíceis. São essas paredes brancas que neutralizam tudo. Mas o Sol, em vez de sumir e me deixar aqui no silêncio, criando preto e branco, prefere me ver através do buraquinho da janela. Fico pequenino diante disso...
Não quero me amigalhar com o Sol, não aqui. Nada contra a prepotência dele. Até gosto quando os braços dele me tocam a nuca e ficam fazendo cócegas. Agrada-me saber também, que se não fosse esse sorriso inconstante que ele concede sem querer, não estaria pronto pra surgir e talvez eu até tivesse muito mais do que 15 bilhões de anos.
Se eu desse trela aquele salafrário não haveria fugido dele, moendo minha alma de ódio e de raiva, e não haveria notado que hoje estás um pouco mais alegre que o de costume e que me fizesse abandonar os casacos por mais de duas horas.
Saí daquela rua vazia e fui até o ambiente que mais vivo. Geralmente quando sentia vontade de gritar, gritava. De chorar, chorava. De ser, era. Mas aqui as coisas são meio difíceis. São essas paredes brancas que neutralizam tudo. Mas o Sol, em vez de sumir e me deixar aqui no silêncio, criando preto e branco, prefere me ver através do buraquinho da janela. Fico pequenino diante disso...
Não quero me amigalhar com o Sol, não aqui. Nada contra a prepotência dele. Até gosto quando os braços dele me tocam a nuca e ficam fazendo cócegas. Agrada-me saber também, que se não fosse esse sorriso inconstante que ele concede sem querer, não estaria pronto pra surgir e talvez eu até tivesse muito mais do que 15 bilhões de anos.
Se eu desse trela aquele salafrário não haveria fugido dele, moendo minha alma de ódio e de raiva, e não haveria notado que hoje estás um pouco mais alegre que o de costume e que me fizesse abandonar os casacos por mais de duas horas.
terça-feira, agosto 14, 2007
Dia do tempo e dos detalhes
Há uns tempos, dir-se-ia que nós estávamos namorando, risonhos e contentes e que, não poderia ser outra coisa. Há uns dias, estava eu andando solitário, mas em minha companhia, até que vi teu semblante feliz atravessando a esquina e se encostando no poste, que por sinal, era menor que teu corpo. Só ele existia, os resto era miúdo, finito e muito colorido. Preferia a sua luz exagerada que sempre apagava todas as cores possíveis de existir.
Há umas horas, fiz o mesmo caminho de concreto como em todas as manhãs. Foi o sol, aquele gosto amargo de vida logo pela manhã, que me fez cogitar tua presença. Queria muito sentir o gosto amargo que é te ver e poder deixar cair da minha boca um pouco de sutileza, já que isso lhe parece ser tão mais agradável. Já tomasse conhecimento de que nossas conversas, covardes e subliminares, só acontecem de noite e de dia, quando não nos vemos?
Há uns minutos, decidi não achar que tenho algum valor e que nossas pequenas estrelas ainda caminham no céu do dia e da noite, conversando e sendo os amantes que sempre foram.
Há umas horas, fiz o mesmo caminho de concreto como em todas as manhãs. Foi o sol, aquele gosto amargo de vida logo pela manhã, que me fez cogitar tua presença. Queria muito sentir o gosto amargo que é te ver e poder deixar cair da minha boca um pouco de sutileza, já que isso lhe parece ser tão mais agradável. Já tomasse conhecimento de que nossas conversas, covardes e subliminares, só acontecem de noite e de dia, quando não nos vemos?
Há uns minutos, decidi não achar que tenho algum valor e que nossas pequenas estrelas ainda caminham no céu do dia e da noite, conversando e sendo os amantes que sempre foram.
segunda-feira, agosto 13, 2007
Da cor à lembrança de que estás por perto
Hoje bebi suco de uva, pra sentir que estavas ao meu lado. Sei que tudo com essa cor fica mais belo e suave.
Sentei, atordoado e sozinho, pescando no tom levemente roxo do céu, algumas palavras que se adequassem ao que queria dizer. Mas não encontrei. Encontrei algumas palavras verdes, que ainda sentem vergonha ou então que sabem que ainda é cedo; outras amarelas, prontas pra caírem em teu colo e serem apreciadas; aquelas palavras roxas, estavam machucadas mas continuavam amáveis como eram, já que essa é a cor que te agrada e que faz tudo um pouco mais belo. Meu dia está sendo roxo, pra lembrar que um pouco de sua tez branca ainda vaga em meu rosto e teus lábios, vermelhos por natureza, ainda sopram palavras de arco-íris até os meu ouvidos.
Hoje bebi suco de uva, mas foi só pra lembrar que não consigo te esquecer.
Sentei, atordoado e sozinho, pescando no tom levemente roxo do céu, algumas palavras que se adequassem ao que queria dizer. Mas não encontrei. Encontrei algumas palavras verdes, que ainda sentem vergonha ou então que sabem que ainda é cedo; outras amarelas, prontas pra caírem em teu colo e serem apreciadas; aquelas palavras roxas, estavam machucadas mas continuavam amáveis como eram, já que essa é a cor que te agrada e que faz tudo um pouco mais belo. Meu dia está sendo roxo, pra lembrar que um pouco de sua tez branca ainda vaga em meu rosto e teus lábios, vermelhos por natureza, ainda sopram palavras de arco-íris até os meu ouvidos.
Hoje bebi suco de uva, mas foi só pra lembrar que não consigo te esquecer.
terça-feira, agosto 07, 2007
Amor natural
Os teus olhos por tantas vezes me lembram um mar. Distante e mas tocável. Os teus lábios são grandes fendas silenciosas onde só o ar mais inquieto pode perturbar. Teus cabelos, lindos ramos jogados à mercê da natureza, sujos de terra, prontos para os cuidados do cultivo.
Se fosse possível tornar-te real, serias a flor tropical mais bela em todos os trópicos. Teria o mais belo representante do Zodíaco. Serias completamente única e minha.
Essa pele branca quase transparece tua alma. Posso te ver por ela. Teus gestos, teus dedos, tuas unhas. Uma junção perfeita para a construção de um mundo novo. Um mundo onde não existirá amor. Algo laico, perfeito.
Os oceanos oscilariam entre piscar e chorar, as matas do nada perderiam toda a sua forma e a sedimentação das rochas mudaria o nosso ambiente a cada palavra que fosse dita.
Se fosse possível escolher uma mãe natureza, que acolhe os filhos e os põe no seu colo, eis que te escolheria, já que em teus braços tudo é tão mais leve que quase flutua. Até os corações do homens voam enquanto tentas explanar um pouco sobre tua conturbada existência.
Os teus enfeites, por mais silenciosos e brutos que sejam, são músicas aos ouvidos dos leões, os fazem dormir. Teus passos são terremotos que criam a dança da vida abaixo do chão. Depois de andar, estás parada, olhando para trás, e os homens-animais desse mundo ainda conseguem te amar, por mais laico que esse mundo possa ser.
Se fosse possível tornar-te real, serias a flor tropical mais bela em todos os trópicos. Teria o mais belo representante do Zodíaco. Serias completamente única e minha.
Essa pele branca quase transparece tua alma. Posso te ver por ela. Teus gestos, teus dedos, tuas unhas. Uma junção perfeita para a construção de um mundo novo. Um mundo onde não existirá amor. Algo laico, perfeito.
Os oceanos oscilariam entre piscar e chorar, as matas do nada perderiam toda a sua forma e a sedimentação das rochas mudaria o nosso ambiente a cada palavra que fosse dita.
Se fosse possível escolher uma mãe natureza, que acolhe os filhos e os põe no seu colo, eis que te escolheria, já que em teus braços tudo é tão mais leve que quase flutua. Até os corações do homens voam enquanto tentas explanar um pouco sobre tua conturbada existência.
Os teus enfeites, por mais silenciosos e brutos que sejam, são músicas aos ouvidos dos leões, os fazem dormir. Teus passos são terremotos que criam a dança da vida abaixo do chão. Depois de andar, estás parada, olhando para trás, e os homens-animais desse mundo ainda conseguem te amar, por mais laico que esse mundo possa ser.
As ações que reagem quando menos se espera.
"Vale a pena divertir-se um instante com os imbecis, dá-se corda, eles se erguem no ar, enormes e leves como elefantes de borracha, puxa-se a corda e eles voltam, flutuam a baixa altura, aturdidos, estupefatos, dançam a cada sacudidela do barbante, com saltos desajeitados. Mas é preciso mudar constantemente de imbecis, senão é a náusea."
(Jean-Paul Sartre)
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Regresso. Ainda vivo de passado. Fragmentos jogados que mostram evidências de que a vida por ali passou e não há como apagar. Erros e brincadeiras. Parece até um jogo, mas um jogo sem graça, sem sentido. O único sentido não é completar, é preencher. Encher a conta!
Descobri que às vezes os imbecis são ótimos divertimentos, foi Sartre que me ensinou. É preciso se divertir com eles periodicamente porquê eles cansam e se tornam desinteressantes. Não que meu intelecto me permita o título "culto", nem o quero. Mas é que Sartre tinha um bom-senso e às vezes partilha dele comigo.
As coisas soam sempre erradas. Os cálculos sempre devem ser corrigidos. Quem falha? Eis a questão...
Tomara que minhas drogas estejam me esperando alegremente dentro de meu quarto, prontas pra cantar a noite toda a canção do descanso eterno enquanto regresso pra viver de passado.
(Jean-Paul Sartre)
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Regresso. Ainda vivo de passado. Fragmentos jogados que mostram evidências de que a vida por ali passou e não há como apagar. Erros e brincadeiras. Parece até um jogo, mas um jogo sem graça, sem sentido. O único sentido não é completar, é preencher. Encher a conta!
Descobri que às vezes os imbecis são ótimos divertimentos, foi Sartre que me ensinou. É preciso se divertir com eles periodicamente porquê eles cansam e se tornam desinteressantes. Não que meu intelecto me permita o título "culto", nem o quero. Mas é que Sartre tinha um bom-senso e às vezes partilha dele comigo.
As coisas soam sempre erradas. Os cálculos sempre devem ser corrigidos. Quem falha? Eis a questão...
Tomara que minhas drogas estejam me esperando alegremente dentro de meu quarto, prontas pra cantar a noite toda a canção do descanso eterno enquanto regresso pra viver de passado.
quinta-feira, agosto 02, 2007
A lentidão da urgência
Há urgência em estar vivo, em estar limpo.
Há sentido no hoje, há motivo na dor
até que seja ela suave.
Os hábitos tão normais, com cheiro de rotina, estão sumindo com o passar dos meses. A comida vai apodrecer na geladeira se algo não acontecer. Não precisa saber o que se conhece por conhecimento. É preciso ação!
É preciso estudar pra ser alguém na vida?
Os negros voltaram pra casa depois da semana festiva e serão mais vermes nas ruas denovo. Os brancos jorram alegria, já que administram o suor dos trabalhadores de corpo e alma. Os coronéis preferem mantê-los no tronco, todos eles. Independentemente de cor. Azul de raiva, vermelho e cansado de se banhar com sangue; verde de nojo, roxo no corpo e preto na alma. Só o branco dos olhos é que pede por paz e por calmaria. Sabe bem que a raiva nunca vai passar.
Eis então, que falam os direitos humanos. E clamam por ética, moral, princípios. Esperam a sujeira por algum brilho prazeroso nos olhos.
O ciclo continua. Indo e vindo. Matando e roubando. Enquanto choramos por perdão o caos exaspera gritos de horror.
Há sentido no hoje, há motivo na dor
até que seja ela suave.
Os hábitos tão normais, com cheiro de rotina, estão sumindo com o passar dos meses. A comida vai apodrecer na geladeira se algo não acontecer. Não precisa saber o que se conhece por conhecimento. É preciso ação!
É preciso estudar pra ser alguém na vida?
Os negros voltaram pra casa depois da semana festiva e serão mais vermes nas ruas denovo. Os brancos jorram alegria, já que administram o suor dos trabalhadores de corpo e alma. Os coronéis preferem mantê-los no tronco, todos eles. Independentemente de cor. Azul de raiva, vermelho e cansado de se banhar com sangue; verde de nojo, roxo no corpo e preto na alma. Só o branco dos olhos é que pede por paz e por calmaria. Sabe bem que a raiva nunca vai passar.
Eis então, que falam os direitos humanos. E clamam por ética, moral, princípios. Esperam a sujeira por algum brilho prazeroso nos olhos.
O ciclo continua. Indo e vindo. Matando e roubando. Enquanto choramos por perdão o caos exaspera gritos de horror.
quarta-feira, agosto 01, 2007
Frustração
Descobri aquele objeto tão desumano que soava quase bruto, quase inanimado, mas senti que algo respirava dentro daquilo.
Tão depressa começou a roer os lados do próprio corpo por medo de se entregar ao seus prazeres vegetativos e completamente frios. Era um sádico que via a sua redenção banhada em sangue. Sangue esse, que só ele via com seus olhos cor de mel.
Ficou subentendido que estava deitado no chão chorando, mas estava realmente esperando salvação...
Precisa parar com isto, e logo, antes que a fama de bom o torne mau e arrogante outra vez. Tornando-o mais impotente do que já era e mais inconsciente do que é. O medo que escorre pelos cabelos raspados dele todas as noites, molha a cama e o deixa gelado, mórbido. Desfaz todo o calor humano que havia naquele corpo e o enche de uma amarga ternura com vista para um abismo fundo.
Cheira o odor suave que suas pernas exalam, mas nem sabe que suas pernas apodreceram depois de andar pelos caminhos rotineiros que traçou. E o ego tanto arde sem saber.
Precisa parar de ser o que não é e ferver de loucura antes de falar ao coração aquilo que sua alma repudia.
Tão depressa começou a roer os lados do próprio corpo por medo de se entregar ao seus prazeres vegetativos e completamente frios. Era um sádico que via a sua redenção banhada em sangue. Sangue esse, que só ele via com seus olhos cor de mel.
Ficou subentendido que estava deitado no chão chorando, mas estava realmente esperando salvação...
Precisa parar com isto, e logo, antes que a fama de bom o torne mau e arrogante outra vez. Tornando-o mais impotente do que já era e mais inconsciente do que é. O medo que escorre pelos cabelos raspados dele todas as noites, molha a cama e o deixa gelado, mórbido. Desfaz todo o calor humano que havia naquele corpo e o enche de uma amarga ternura com vista para um abismo fundo.
Cheira o odor suave que suas pernas exalam, mas nem sabe que suas pernas apodreceram depois de andar pelos caminhos rotineiros que traçou. E o ego tanto arde sem saber.
Precisa parar de ser o que não é e ferver de loucura antes de falar ao coração aquilo que sua alma repudia.
sexta-feira, julho 27, 2007
Sujeito oculto

Desce do ônibus, sai da calçada, pisa no meio-fio. Apenas estava seguindo a rotina que tinha estabelecido. O esgoto era sua boca e a boca o esgoto; com toda aquela fumaça que não tinha explicação. Não era raiva nem frio, era algo oculto.
Atravessa a rua, sente a face gelada com o sopro dos carros que passam depressa naquele espaço estreito, onde não caberiam dois corpos. As mãos queimavam, os lábios humedeciam-se a todo instante.
Volta um pouco, entra no ônibus, desce o morro e se sente mais retrógrado do que em outrora. Porém é um regresso contínuo, que só um pode entender, mesmo desentendido pelos seus próprios princípios.
Chegou a plataforma de embarque, as quais não confia nenhum pouco, prefere ler os ônibus porquê é mais seguro. E insegurança não o falta, já que vivemos num mundo de incerteza.
Não pode falar com a própria boca, sempre precisa de um narrador.
Teve medo de ver o escuro, de ouvir os gatos e de ser o que era todos os dias. Parecia até que algo novo ia acontecer nesse dia.
Deitou-se na cama, olhou a hora no seus relógios desordenados para que possa acordar todos os dias. Fechou os olhos que estavam abertos a pouco e (re)adormeceu.
A luz estava acesa, o rádio ligado e, os incensos eram acesos na cozinha, já que não conhecia os palitos de fósforo naquela casa. A bolsa estava caída no chão e a sacolinha de papel esperava deitada e tranquila que o dia voltasse pra que ela se sentisse um pouco mais animada, mesmo não sentindo.
Tirou o tênis e conseguiu sentir aquele chão gelado como o corpo que acabara de ser despido da cintura pra cima; era como se uma pedra de gelo descesse até os pés. Tirou as meias e a sensibilidade se escondeu no mesmo instante em que saiu do tapete.
...
Então pensou que era hora de progredir e agora se encontra tecendo os fatos que viveu e que inventou. Impressiona-se às vezes por causa da sua falta de termos e de verbos. Não consegue acreditar que quem lê livros velhos não tenha um bom vocábulo. A vontade de buscar mais alguma coisa sumiu, o sujeito ocultou-se denovo e não sabe se ainda quer voltar.
quinta-feira, julho 26, 2007
A espera
A caixa sonora, o livro debruçado sobre a mesa, triste e sólido; o rádio com o volume reduzido, o chiado da música, os olhos fechados; tudo escuro.
Lembrava até um momento de vazio, de solidão. Um momento rude, gélido e desprevenido. Qualquer forma de dor poderia atingir o corpo, afinal de contas, só conseguia pensar em uma coisa: o depois.
Esperava que depois de nascer denovo, tudo fosse melhor, que as coisas crescessem mais rápido, que o mundo não girasse e que a luz não sumisse jamais. Que ficasse eternamente ali, aquecendo e iluminando.
Os ponteiros estavam criando uma nova melodia a cada instante, uma nova forma a cada passo, um novo desenho que tentava fazer. Só que sem sucesso. O desenho nunca acaba nos ponteiros.
O tempo que sempre trás consigo a angústia, trazia naquele momento a incerteza; incerteza de que os seus desejos eram exatos.
O corpo jogado nos panos esperava por um momento inerte que fosse eterno. Só não esperava morrer.
A noite veio e as vozes se calaram já que não podiam estar mais ali. Os olhos não queriam mais abrir e a sua voz estava sumindo. O sangue jorrava dentro de seu peito mas não sabia como dizer que era chegada a hora do último abraço. Não podia dizer.
Os dentes quebrados, a língua aprisionada pelos lábios que tanto falavam, não podia lamber o toque suave que o amor lhe proporcionava em alguns períodos.
A chuva de lágrimas que invadiam os olhos cessara e agora só o que restava a ele, era tentar abrí-los e amenizar a angústia de não ver mais o resto do mundo que acolhia com suspiros suaves todos aqueles que o habitam.
Depois da chuva, nada mais existia... Pra sempre.
Lembrava até um momento de vazio, de solidão. Um momento rude, gélido e desprevenido. Qualquer forma de dor poderia atingir o corpo, afinal de contas, só conseguia pensar em uma coisa: o depois.
Esperava que depois de nascer denovo, tudo fosse melhor, que as coisas crescessem mais rápido, que o mundo não girasse e que a luz não sumisse jamais. Que ficasse eternamente ali, aquecendo e iluminando.
Os ponteiros estavam criando uma nova melodia a cada instante, uma nova forma a cada passo, um novo desenho que tentava fazer. Só que sem sucesso. O desenho nunca acaba nos ponteiros.
O tempo que sempre trás consigo a angústia, trazia naquele momento a incerteza; incerteza de que os seus desejos eram exatos.
O corpo jogado nos panos esperava por um momento inerte que fosse eterno. Só não esperava morrer.
A noite veio e as vozes se calaram já que não podiam estar mais ali. Os olhos não queriam mais abrir e a sua voz estava sumindo. O sangue jorrava dentro de seu peito mas não sabia como dizer que era chegada a hora do último abraço. Não podia dizer.
Os dentes quebrados, a língua aprisionada pelos lábios que tanto falavam, não podia lamber o toque suave que o amor lhe proporcionava em alguns períodos.
A chuva de lágrimas que invadiam os olhos cessara e agora só o que restava a ele, era tentar abrí-los e amenizar a angústia de não ver mais o resto do mundo que acolhia com suspiros suaves todos aqueles que o habitam.
Depois da chuva, nada mais existia... Pra sempre.
terça-feira, julho 24, 2007
Contexto ambíguo
Um olhar tão penetrante, uma fonte momentânea de inspiração. Tuas ações inocentes desaceleram meu coração, quase me ensurdecem.
Teus alertas assustadores, tuas mãos tão grandes, tua face sempre tão molhada. Parece até que ainda não saístes da rua.
Teus ouvidos são tão aguçados que entendem meus pequenos balbucios e meus fracos ruídos.
Isso deve ser instinto, não sei...
Tão presa por outros, tão fraca, impossibilitada, vives à mercê das ofertas.
O carinho renasce todas as manhãs, mesmo que o Sol não venha.
A tua guarda não é mais que um grande favor, e a tua vida é que atribuo grande valor...

Sabe, perdi a folha onde te escrevi, guardei um pouco em mim e sei que o resto está em ti.
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