segunda-feira, novembro 26, 2012

Mesa

Por mais que o empecilho
Ali onde olho há brilho
Estavando sentado olhando
produzindo o sonho-se juntando.

Uma realidade jogada
Junto com o sutiã
e cueca no amanhã
Conversa-glória batalhada.

Isso é a coisa que percebi em mim
e tem os dois passos
quero ver o que tem nos enlaços
pra eu sair - vai dar-, assim.

Competitiva assumida
a coisa é salutar
bruta batalha, frente na corrida
quem está a beleza exemplar.

Linha

Entre a luz e a sombra
Há uma linha, que esconde
Que reluz por entre onde
os meios perdem-se freios
E eu não sei quê lhe dizer.

As palavras, esses risos
Vontade só minha, meu ser.
Os dados que jogados
buscam, erram.

Olha o erro
trocou a letra
essa é a espera
a coisa toda carne
vermelha da quimera.

Meticuloso se regula o
traço, de ânsia parece erro
mas é esse o produto o
teor;
o elixir, sair daqui
meu amor.

Paleta

O azul das hortências
Combina com o marrom da bosta
Aqui é, proposta experiência
do conviver sem resposta.
Um abuso de quem duvida

Daqueles olhos em súplica e
O rolar da bola
Pega. Ofegante subida.
O azul das hortências
combina com o marrom da bosta.

quarta-feira, novembro 14, 2012

De vista

Tentando, reconheço ser
eu somente fonte e poder.
Sopro forte o clarim
da vontade o alarde, sim!

Já que num cheio céu,
Eu notívago pelas
horas dadas às estrelas
da noite que me é o véu.

Olhos sem saber no brilho
O passado na distância,
Dessa luz tão macia
Do plural, sou um grilho.

Diluído nessa máxima paisagem
daquilo que mim é só passagem,
fundido, corro perigo em dizer
o tempo se propõe a perder.

terça-feira, outubro 30, 2012

A neve reflete tuas peles
mais o som doce, prazeres.
São baixos os dizeres
e teus estranhos, leves.

E a mão ao lugar certo,
a ponta inspira na cabeça.
Nosso conhecer é um deserto
Enorme na noite escura espessa

Onde para a qual viestes
De outra cabeça lá de tribo,
Confundistes tuas vestes
aumentado está teu brilho.

Mesmo simples, isso é tudo
O tempo foi o espaço das horas
Saber silenciar atenuou as demoras
Porque eu não trouxe escudo.

Irrefletido

Nem mais há o que ser lido,
Mal reconheço-me perante a folha,
Linha torta e caminho interrompido,
O mundo se faz baseado em escolha.

Aquilo que outrora claramente via,
Tornou-se parte dum escuro,
O sentido tátil da poesia,
O esvair de um aroma puro.

Sobra da repetição, o exercício
E não o acúmulo prático
que, disso se faria ofício
até chegar ao ponto pragmático.

Abr-alas

Pois que tudo venha
Do bom, do ruim, da sorte,
É da provação que sairei forte.
E ainda que não tenha

Sido claro o caminho
Assim é que o amor anda:
Um pé pisa no espinho
enquanto o outro comanda.

Sempre há um pouco de dor,
Não importa o caminho
ou se está sozinho,
Encontra-se o vigor.
Ele infeliz com a ocasião e ela, toda pronta pra sair, psicologicamente só lhe falta o vestir. Só precisam ser descritos pela nota. Por exemplo, seu significado não sai da mera observação. Para saber se o ato ofende ou não, no largo campo do subjetivo psíquico-espiritual. E aos disparates, iniciam-se esses delitos de intenção:

- Determinados pontos que aqui se encontram para por fim algo solucionar, nada solucionam. A especulação não articula os movimentos necessários a qualquer mudança que seja. E há, daquilo que se tem dito, muito de inércia. É possível? É possível mudar. Caminhar.
 -E não é na verbalização que se constroem os atos, é nessa realidade estéril e sedada que me construí - já que se há culpa, ela não possa ser de outrém -, aqui no agora em constante, há muito que deva vir ao meu encontro. Que eu deva encontrar. Encher estas páginas não é um livro. Nisso de acreditar, ver e achar, tenho-me perdido.
-Qual é a linha que não anula o pensamento; que de atividade constante se faz cessar frente à plena covardia embustida na roupagem da preguiça, da impossibilidade de realizar. Realmente, dentro do jogo, dei-me o que chama-se pausa. Absurdamente fiz-me morrer numa vida de pulsão e agora, auto-controle e subserviência.
-Alguém ganhou de mim no momento em que deixei-me perder. A moldura continua alargando, a possibilidade múltipla é ainda mais vasta. Mas sofro, antes num mundo do sofrer na vida de quem for.
A TV ligada O som ligado.
A luz acesa O calor do corpo.
A gata no colo O ronronar.
A sala fria O punho quente.
A casa vazia O pensar presente.
A mãe dorme O filho acorda.
A paz distancia O pesar se transborda.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Ajuste

Construir figuras
Sem ver imagem
Alargar molduras
Fornecer Paisagem.

Cá está
o mau da obra
Malacabada:

Fica ruim
uma coisa pouca
só, é
meia esparsa.

Pouso


À sombra das folhas
trançados verdes - escuros
arrastam-se a subir os muros
na selvageria das escolhas.

E maior é o pássaro
parado acima delas
seu canto aspero
atenua a minha espera.

Nota

Ainda bem que
vindo aqui
veio a poesia
de encontro a
música ressoar
o que em palavra
não se diz muda
e em som não
se ouve o falar.
Esse povo, em particular
que são poucos
Escolhidos a lutar
pelo novo.

Ao invés disso
preferem brilhar
ao se dar o devido sumiço.

Assumir o impreciso
distante compromisso
que vai para além
do luar.

O GROSSO

Ainda não que fosse eu
O sumo doce teu
Pra ti me guardaria
ao nosso amor, honraria.

quarta-feira, agosto 29, 2012

Caminho

Não, é o primeiro sim
que faz-se tremer ao nascer
na dor que afunda em mim.

Tremula o Sol ao anoitecer
o passeio segues sem fim.

Como em solo firme
trema a terra às rodas.

Aguenta o caminho íngrime
Te redime ao fluxo da hora.

E o chão que treme
treme às rodas.

Demora

Era outono,
as folhas secas
Demoraram.
Mas caíram.
E decidi eu
ser livre, então
atirei-me pela janela.

Minhas mãos

Mais atadas que eu
depois de tantos nãos
durante o constante apogeu
estão muito cansadas
pois não se mexem
tentam, sós, envergar espadas
e logo se esquecem
duma força maior
vem do ventre de dentro
e de mais sutil se faz melhor
ajuda-me a encontrar o centro
ao ponto
de desatar nós.

E segue que da vontade
é o nó que quero que fique
trancando-me tenro na realidade
acelerando de todo o meu pique
volta nós.

Adelaide

Tenho um pé em
em
em experiências
sociais. Sou simples
como diz Ana,
do meu romance
de balconista.
Pobre, sempre possuí
sobre aquilo que era.

Raquel

No Brasil
Fashion
a marca.
Ela é hoje,
número 1 do mundo
(referência modelos.com).
Seu estilo como
um pouco de Led
ama música
anda escutando
poético,
na hora de
conforto.
Marca chamada
Dela, por ter uma
boca mais larga.

Relação

Não é fácil,
guerra velada
tão nobre de coração.
Difícil ir
faz uns cinco anos que não vou
tocar. A última vez
lá foi
nas comunidades, era
um trabalhão
ir fazer,
enviar dinheiro
para sustentar,
muito tenso.

Há muita gente
por nada.

Frutos

O impacto causado pelo caos
Fonográfico
Traz à luz outro esquema
alternativo
que se utiliza
de filosofia inversa
que pautava o
agora, lucro.

sexta-feira, agosto 24, 2012

Abre

Desde que dê
do meu lembrar e daí
não mais esquecer
deve ficar pelo menos
restando ao amanhecer
um de espertar
pedaços daqui.

Já que sai nada
Te ter te vai
ai como quero
a jornada
contigo, mas ajuda
ai, meu pai

que ele não vem
pra essa região
que se distrai
porque é uma coisa
de cada vez
tem que ser
e quando todas vem
ele diz que não
e vai.

É uma dor doída
que me amoa
ver nele longe
esse meu bicho
que voa.

sexta-feira, agosto 03, 2012

Então

Não está por certa
qual tem sido a maior burrada
tudo o que é descoberta
a coisa louca, desaprumada
já pouco esperta
onde parece-nos que o que era dia
agora virou madrugada

ou aquelas tardes viradas
que ao tardar da poesia
algumas coisas ficaram jogadas
como se de palavras
forrasse-se a heresia
de arrojos e aladas.

Cintilantes jorram as falas
e como voam e correm
elas todas que semên engolem
quando me veem, explodem asas

e pra longe voam
num céu de perder-se
enquanto raivam, entoam
"espera o teu amanhecer-se".

sexta-feira, julho 27, 2012

Faísca

Olhar na escura altura,
fundo horizonte
mas no antes
notar que a faísca fulgura
e que da chaminé pula
ardentes cintilantes
aos montes.

Checando, parado
olho o instante
para dizer que faísca o que é
esse avermelhado
da madeira quente subindo a lata
que toda velha casa aquece.

Quente mesmo é chegar na hora exata
esse detalhe que acontece.

quarta-feira, julho 18, 2012

-

Não sei o que lhe dizer
mas te vou dizer que
dizer eu não sei o quê:
nada a me parecer

pois que nada me ocorre
em dizer apenas
de amor ou dor,
coisa que nunca morre

fraco sopro desse poema
faísca, lúdico torpor
que pelo lábio me escorre
ao emanar fonema

se me fraquejo, sobejo
amor maior que o meu
almejo

não vejo problema
no amor teu.

terça-feira, julho 10, 2012

Vindouro

Nunca haverá o dia
Em que me causará arrepio
Ouvir essa pífia poesia
No alvorecer dum dia frio.

Enigmático o que trazias
Palavras em flores
Bem trajadas alegorias
Mas se é com aplausos e dores
Que alimentas tua morada
Não esperas que eu tenha pudores
Para dizeres que és o mesmo que nada.

Teu solo tem de ser limpo e puro
E que te calces sincero
Não te escondas atrás dum muro
Desprezando e sendo austero.

De tudo que sabemos
Dos teus poucos passos
Curto caminho o que vemos
Andar sozinho não é fracasso
No futuro do acaso
                             [nos juntaremos.

quarta-feira, julho 04, 2012

Entre meios

Não convém e nem sente
não faz e desmente
com verdade alguma em loucura
aprofunda-se às funduras
de si como se em partida
estivesse indo e voltasse
pra onde jamais estive
sólido, petrífico
incólume austero.

Imperfeito em si, espero
do repente luzir
repleto
de mágica lucidez
atônito e perplexo
por dissolver a acidez
da rubra palavra
que crua me lavra
do fundo do peito
ao olhar dum sujeito
que nem aqui está.

De querências e sossegos
queria estar em desapego
pairar no céu e flutuar.

terça-feira, junho 19, 2012

quarta-feira, junho 13, 2012

sexta-feira, junho 01, 2012

O que tem
Vem com ordem
Não só convém
Ser de todo jovem
Sem guentar o que vem.

Vale à pena
Despertar a tempo
Porque a vida é pequena
Melhor ir mais lento.

Corrigir o que parece que erro
Entender e transformar num acerto
Se Eu não ficar por perto
Perecerei sem conserto.

A primeira coisa que cultivo o gosto

A primeira coisa que cultivo o gosto em fazer
é pegar esta coisa e me devastar,
me dissolver em escrever.
O léxico disléxico e abusivo
que  emerge desse pesar que me leva
rumo a um caminho exaustivo,
frente as coisas que não podem esperar: o meu despertar.
Calma.
Parar e parar.

O dia todo com vigor de agonia e calor, suor pouca energia.
A dominança do que me remete longe é só isso; é drama, suplício, impreciso.
O saber que me chama e logo eu não sei
de novo
que linha que eu passei adiante e torna-se ISSO que ao começar transtorna,
um irradiar que transborda.

Mas como em todo início
Amadurecer parece suplício
Só quero de volta uma manhã morna.

quinta-feira, maio 24, 2012

Acontece

Ele só anda às batucadas
Enche os olhos do mundo
Pensam que é nada
O chama vagabundo.

O que acontece nem sempre
é como as demandas pedem
Às vezes parece durar pra sempre
coisas vivas pequenas
dinâmicos voluntários esquemas
que não se medem.

Aí contemplar a corrida
não mesurar a fundura
E sentir a intensa textura
do pulsante vibrar da vida.
There are times
That I want to hold on something
And cry.
But I focuse my eyes
And hold on, a moment,
I must try.
Impressionado com outras luzes
Sombra nula
Brilho intenso
Paralisado pelas lutas
Estático, eu penso.

Acendo-me as luzes
Entro no quarto
E procuro prazeres
Para que quando veres
Não te sintas farto.

Que nossos poucos intensos
Não doam como dizem
Doer o parto, pois

Cada encontro tem frescor de origem.

terça-feira, maio 22, 2012

Só

Quando cheguei só          amei
Se senti pior                 não sei
É o que eu te digo           "ei
Às vezes tem coisas que não sei"

Quero o louro de estar contigo
Sentir-te além de amigo
Não olhar só pro meu umbigo
E ainda sentir-me um rei.

Mas só agora falei
Do medo no esconderijo
Da vontade de pedir abrigo
Engolir palavras que não vomitei.

Alguns desenhos perdidos
Achados partidos
Passados esquecidos
Desgraças que não busquei.

segunda-feira, maio 14, 2012

sexta-feira, abril 27, 2012

Transborda-dor

É como qualquer homem faria
da dor gélida da noite
ao calor vivo do dia.

Vou bater com meu açoite
e ouvir-te dizer
"Não me judia!"
No calor tenro desse prazer
tua face a desfalecer
em dor e agonia.

Só não tem porquê negar
resistir a energia
das forças desse meu apertar
o teu corpo que havia
queimado o dorso o torso
a vontade de matar
o gozo o rosto.

É intenso desejo, largo
almejo, que não esvazia.

Planamente pleno

Hoje se tenho um plano
é preciso colocar na cabeça
ser mais humano.

O que que eu
tenho aqui enquanto
dimensão? O que vocês
acham então?

Estou ficando louco,
Justo, um pouco.

Vou abrir o compasso
caminhar mais um momento
E daí eu faço isso aqui ó:
Certo, aos poucos penso,
onde estão os alinhamentos?

Feira

As sombras à tenda

As gramas
Ele traz-me oferenda
Diz que me ama.

E de certo modo alheio
Vejo os lados
noto o meio

Mas não encontro
nem reflito
Fico quieto

Se quer transmito.

Dos odores

eu feço cheiro
forte que me invade
a pele, o porte

segunda-feira, abril 09, 2012

É costume [sabemos]

Às vezes, meu amigo
te acompanhar dá no mesmo
que ficar sozinho
e pra não ficar a esmo
continuo comigo.

Pois teus olhos pesam
com o simples discordar
Tuas ideias se fecham
Vais embora -
Barulhento e mudo pesar.

Tua pressa ignora
os arredores; quando te
magoas, constróis um muro
de pedras piores.

O que me fica disso
é uma tristeza fraterna
Porque só percebo que não
consigo
Ajudar nessa dor eterna.

Por mais que não tenha comigo
é assim que me sinto
(pois teu amigo):
me frustro com tua falência
E nisso não minto
porque em grandeza repousa  a essência
E sabes que podes ser, o sinto.

sábado, abril 07, 2012

Crescendo

Aqui estou, imerso
Só não posso achar
que vivo o inverso
do difícil que é acostumar-
se o dia-dia que não deixa
                   [espaço a
Não ser o que corre.

A leveza da casa
atenua o tempo que morre
o presente queima em leve brasa
ausente na teima
Sou crescente latência.

De voz tenra se enche a sala
Todo fim tem seu surpreendente
Crescendo
Toda hora acaba a fala
esse silêncio presente
Eu sendo.

Espaço de agora
eterno de presença
Os tempos são a demora
da busca que aumenta.

Do ser

É isso só pode
Inteligência e candura
Nesses meios nasce um ode
À luz que mostra a fundura

Do sentimento que achei
Ser opaco
pois aos tantos pensei
Sou fraco.

Então desisti de fugir
Sorri largo pro agora
Deixei a porta se abrir.

Mas ainda não entras
Pois sou eu quem saio
Pra longe das tormentas:
No teu abraço meu desmaio.

A certeza

Chico só podia estar certo
Pois que de memorialista
como disse em entrevista
não sobra resto.


Mas de assombroso peso se livra
O desenfrear da própria língua
Que muda, grita lambe usa
Códigos que ninguém decifra.

É chegado um momento
Um partir
Isso é nada mais que um invento
um em mim a ruir.

segunda-feira, abril 02, 2012

emita emito

Aos poucos sinto algo que falta
Estão soltos os braços envolta
De teu corpo que me aquece
Quente e calmo - doce.
Não sinto como se não fosse
Além do que acontece.

O calor tenro da voz
Que baixo volume emite
Uma fala quase muda.
Às vezes te peço que repite
Mais perto dessa orelha surda.

Boca das palavras densas
Horas da noite que conduz-se tensa,
A dor do afoite que se torna a fala
Depois de doer, alivia e compensa,
Os sentidos emanam na sala
Imersos em alegria imensa.

segunda-feira, março 26, 2012

Dá cá logo bom dia

"Ainda que eu acorde com o quarto invadido pelas sombras dos meus pensamentos, abro os olhos e adentram-me as centelhas da tua luz, que afastam esse mal desconhecido, que anunciam o raiar de novas ideias, o erguer-se de um novo homem, o anúncio de um amanhecer dos dias em que quero estar ao teu lado, lançando-te mil das minhas palavras ao vento para que todos saibam que sou teu e quero-te por inteiro sem dominanças arrogantes e crises de posse.
És meu tesouro guardado, meu amor, te protejo até em sonhos; te guardo antes de dormir e te prezo logo ao acordar".

quinta-feira, março 22, 2012

Um sentido fértil

Andei tão rápido pra longe do machucado que me foi saber que era hora de parar, que já estou aqui e mal havia dado-me conta. Pois simplesmente os dias passam e assomam-se a percepção de que nada disso adianta ou é suficiente, a contagem, essa linha.
Se esse coração bate assim integrado, homogêneo, é porque não bate só. A percepção de um não é a do todo mas sabido, entendido e aceito, é  a presença dum uníssono ecoando entre o espaço.

Há uma formiga nas minhas folhas, dando um sentido fértil para minhas palavras como um solo inerte.
As que pedem comida e que recolhem, que me sobem as pernas e picam e mordem
em momentos que noto, sinto que pareço: carrego coisas
coloco-as em ordem
e já é um recomeço.

segunda-feira, março 19, 2012

Tarifado

E paga-se, caro,o suficiente pra
esperar que não se reclame.
Na verdade é mentira, pouco custa
Mas na míngua, parece loucura.
Gosto de te pedir que me chame
porque paro, percebo e noto
                                     [o instante.

Já é rápido, não é fácil
Ficar focado
                   Não se chocar.

Pois que, mais uma vez
com Ø Sol queimando a tez
Fecho os olhos à luz
Sigo no invisível, o caminho que me
                           [conduz.

Apartar o pensamento de uma coisa; os olhos de um objeto.

Esse nó que não se desata
essa dor que não se aparta
E minha emoção não disfarça
[pois
As coisas tremem,
todos veem, vivendo na praça
até se estiver entre estranhos

arrumando com estanho
os machucados que não se saram
os afagos que não se calam
e eu suspiro num grito
e repito e repito
as mesmas coisas
no mesmo ouvido

e não me dá nada
nem medo nem desgraça
nem dor nem torpor
só sofro e me alegro
com essas fontes que jorram
incessantes
nosso amor.

quarta-feira, março 14, 2012

Ao dia de quem

Hoje é dia da poesia 
e não escrevi nenhum poema
meu medo é a heresia
de não encontrar fonema
que combine
com as palavras
que quero que culminem
mal-acabadas
no final desse poema.

Estado

Há uma lacuna
Lacônica, pois silêncio, 
icônica, pois sozinha.

quinta-feira, março 08, 2012

[Eu também]

Queria que soubestes que
estás tão dentro de mim
que quando preciso fazer com que
As coisas parem,
                          você para também.

Nos intervalos, os olhos fechados
descansas dentro de meu peito
                              [ inflado
Porque enquanto caminho
Te clamo, ao longo, sozinho.
E ainda não chega a hora
essa que torço pela demora
que vai te levar longe, distante
Num tal dum horizonte aqui perto
que se fará dos instantes
em que não estive só, no deserto
                            [ estavas perto.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Pós

Ao mesmo tempo é só isso: observadores sendo observados, eu te esperando no apogeu da madrugada e as coisas terrenas que necessitam ser contempladas. Gosto mesmo da parte do nosso amor que se consumou, mas agora, nessa vespertina segunda preguiçosa, meu carnaval se amoou.
A mente não lida certo com tanta gente e pediu pra parar,
falar mais baixo,
aquietar.

Seeking

There's a lots of choices
between thousand voices
And I heard a story
about finding glory:
Locked in hot places
printed on drunk faces.

Olha

Quem sabe ele perceba que a certeza
De estar rente, rijo e a frente
dos sentimentos de mais pura beleza:
é o homem mais contente.
Tem o receio pairando, à noite,
tuas táticas, mais infalíveis que açoite
Mas é por tal que me envolves
Dou-te meu todo e olha como me devolves.

Aprendiz

É tudo tão bom, perfeito
E ao mesmo tempo
A dor desentendida no peito
Atormentando o que penso.
Tem coisas que eu lhe falo
em palavras que sim, se diz
tem horas outras que me calo
Torno-me teu aprendiz.
O tanto que me ensinas
Sem saber já me dominas.

Contemplação

Fico aqui, tento ser útil
Me forço a ir além
dessa contemplação fútil.
Parece que não tem hora
nem momento que convém
o passar das horas vira demora
das coisas que passam
e a gente não tem.

Papel

Picasso usara guardanapos
Chagall se tem repetido
Mas no fundo das coisas
Me sinto um tanto repartido
Como se minha letra
Fugisse solta da caneta.
As palavras de um metido
São aquelas que tocam coisas
que as pessoas pouco ouvem
Pouco importam; me perdi
É o que resta. Depois de
bêbado, me esqueci.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Pano de fundo

Mas de algumas coisas não se pode esquecer,
que as lindas palavras são ditas sem pensar em dizer.
Como quando contasses a história da trilha sonora, da hora de trabalhar,
dessa música de fundo: crianças brincando e o som do mar.
Alguma coisa erradiou-se, como se, sei lá,
estivéssemos, por um breve momento, respirando o mesmo ar.
Muito cheio de cores, o chão.
As pessoas são coloridas, se fosse possível.
De vários tamanhos denunciando as quantias, essas lonas enormes esticadas por uma armação férrea sustentadas por uma haste metálica fixada nada, enfiada!, na areia, todas coloridas.
O azul é o novo preto nessa tendência, o monocromático só é vez ou outra.
Não é querer ser beatnik junkie ou algo assim mas o Dr. Hoffmann concordaria que assim, de cima, é um paraíso de cores com algumas linhas se movendo.
Mas nós não nos conhecemos.

Costanza

bem-vindo comeback
compõe um chique
easy going para
sempre ter apostado em
qualidade para
flertá com o minimalismo - para eles
e elas - sem cair em armadilhas,
repensadas e geometrias
de evidente sedução.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Iolanda III

quero ficar animada
mas não consigo
por causa do meu peso.
quero ir pra casa.
me aconselham a ir.
esqueço tudo e dou,
surpreendentemente,
não
definitivamente,
mas apesar disso
brinco com o
sinto muito.

Ele não apreciou
Talvez porque
as pelo nariz,
tem cheiro nenhum.
não é comida.
Irei conduzir mais algumas experiênciais
para vocês dois.

Ui!

Estamos no auge
a consciência corporal
Mergulhamos no
corpo:
o neorromance
e plumas.
Ela
tem algo
mister
carnal.
É um de
Agarram-me
Tu
Condutor
de amor.

Iolanda II

ela desfila coberta
sempre de óculos
postura de maharani
Pouca gente sabe, mas
é chamada em
honraria
das últimas queridas.

Inteiramente nova,
mais elegante e adulta. Chega de
jackets e leggings.
vai bem com jaqueta de couro branco
shorts drapeados, um brilho
um bracelete esculpido (e não
tachas lampejando
no pulso).

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Brado

São crianças,
de colo, mulheres
homens, famílias
"Queremos
bradam em
tom de brincadeira.
Segue com coros
"Porrada! Porrada!"

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Voo solto

Só posso falar de onde estou agora
Palavras saem sem pressa ou demora
O tempo anuncia corrido
Que chega a hora do coração partido
Isso porque minh'alma é serena,
Não sofre de coração corrompido.
Partir é sempre uma pena
Que voa solta das asas do cupido.
Eu amo a ideia de que chova nos
fins dos dias do sul da América
As águas anunciam uma nova potência
Para a vida que não vive sem essa essência.

Escrever para as águas que caem não
é um sonho lúcido. Estou acordado,
sentindo-me sujo. Aqui fico pensando o que é
mais útil escrever: sobre o passado um pouco fútil
ou a ânsia de morrer?

Banho morno

O mundo toma banho morno
Quando S. Pedro liga o chuveiro do céu,
Pensam que está ficando louco
Chover parece um escarcel
Mas não é a água escandalosa
É só o ciclo cumprindo seu papel.

Chuva pedreguda

Gotas fortes e pedras pequenas
Tomara que as casas tenham sorte
E não sofram nenhum problema.

O gelo cai veloz,
Na terra tão quente, feroz
Rebate nas coisas todas
As donas de casa ficam doidas.
São nomes atrás de nomes
Amores depois de amor
Não sei se importa o sobrenome
Pois quando me deito sei que sou flor.
Adoro os nomes
Metamorfoses singulares
Admirador de olhares
Distantes e brilhantes que
Erradiam uma troca
Os raios que os fazem.
Todos são escritores
em seus sentidos infinitos,
uns alegoram suas dores
outros somente dão gritos.
As folhas da acerola dançam na
desordem de um caule retorcido.
O que vejo é a natureza expressa
na compania de um amigo.
Eu comeria dessa refeição cheia de
poesia sem relutar pois as palavras
voam rasas, não sabem onde vão
pegar. Se esse exercício é nobre
já não sei porque de punho
pobre sai a força exemplar.
Noite adentro, nenhuma fábula
Dia afora com mil estórias
Causas sobre caos que vou lhe contar
Queria entender, olhar as rosas
Saborear os encantos que brotam
da terra morna para a mesa do
jantar.
Aqui, nenhum presença estranha
nada aqui emana
além do familiar.
Mas qual a fonte primeira
desse incessante irradiar?
Quero a tua boca enorme
me envolvendo num beijo
Denso noite adentro.
Um único grande beijo descansa
entre os intervalos de olhares
E nada cansa, o agora é esplêndido.
Queria palavras mais aveludadas para
envolver teu corpo no meu embalo
Mas é só à distância que te
enxergo em detalhes.
Não te busco
Ao versar
Me reduzo
Em admirar.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Há os que digam que é uma passagem do agora para o futuro de mudanças e adaptações pelo qual deveremos todos passar mas a constante sensação dicotomica que me prende, inerte, no agora me deixa longe de uma definição mais complexa: a depressão é a doença do passado e a ansiedade a doença do futuro. A soma dessa vontades de reaver e prever é o ostracismo que gera o ofuscar do brilho de qualquer estrela nascente.

Intrincado como um labirinto, o processo de fundir tem sido árduo e a confissão não menos serena, porque enquanto assimilo a inebriação acoplada de meus atos questiono o caminho para o qual eles me guiam: posso estar à beira de um abismo que não exatamente propicia uma queda, só fruir uma profunda escuridão.



segunda-feira, novembro 07, 2011

Interferência

Gostaria de poder chegar mais perto, porém infelizemente todo o acúmulo desses seus pequenos atos me coloca na distância. Estando sempre a espreita da sua próxima palavra e até mesmo silenciando quando sua verborragia pede espaço, eu continuo completo. Estou íntegro perante a ti e por vezes reflito se o que te acomete não é essa fase de mudança que assombra todo mundo. Não sei para qual lado que pendes e se é importante saber disso, eu também me pergunto.

Da fala de teu corpo e do silêncio da tua fala, tua inexpressiva exaustão, essa coisa que te transforma num tipo tão masculino. Fico por vezes admirado em imaginar que a dependência mútua tornou-se um motivo sádico, e mais, quando achastes que a tormenta havia passado, nós todos ainda estávamos ali. E revida-nos com desdém... O que considera-se comum, diante da situação que o agora sugere: é preciso manter o olhar adiante. Meu movimento é ventilar e, panoramicamente, os meus olhos acabam por encontrar os teus.

Só sinta como se possivelmente fosse verdade, porque torna-se nitida cada vez mais a maneira como teu corpo gela perante aquilo que te desagrada, e o quanto não consegues fugir é o quão perto necessitas ficar para manter-se de pé. Continuo a espreitar-te no meu silêncio mais profundo, no meu olhar mais tenro e na minha fala acuada. O poder que exerces sobre mim é aquele que te dou. Passar por cima disso é contra amar.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Parede

A realidade limita a utopia e essa relação intransigente me freia, quando o que sinto é a necessidade de ceder a uma demanda desenfreada. Estou vivendo uma utopia?  Ou essa realidade não me permite o vislumbre e me encaminha ao Delirar?

Os desdobramentos do que habita em mim não criam uma forma definida porque é numa síntese abstrata que caracterizo-me em projeção. Até entendo que a leitura deve ser mais confortável nos olhos de quem lê, só que o detalhe principal do olho que olha é o próprio olho que vê. Não posso ir além disso, do que sai desses pra fora; o meu controle se limita aonde acabam minhas paredes e não que me sinta trancafiado - transito em certa liberdade - só não entendo essas impotências cotidianas que apaziguam aquilo que ferve em mim.

Amansar o ferino é adestrar o filhote, perscrutar o alvo. Minha seca vontade é aventurar-me no desconhecido.

O ovo choca, a galinha o põe. Clarice deve ter sido dessas mulheres que pensou, chegou e tocou muitas máximas da natureza humana. Ao invés de ter sido um ser humano brilhante e isolado, é luz intensa como tantos outros e quando uma fagulha desse iluminar repousa sobre nossos espíritos? O que acreditamos e sintetizamos não está sozinho. O pensamento caminha numa estrada escura até elucidar-se em alguma luz, porém por vezes anda de muletas pois, guia-ser só num caminho sinuoso é como enfrentar a perfeição racional da linha reta.

segunda-feira, outubro 17, 2011

sal

I've been watching
listening, opening her
I could not realize the real
the object
because by now I'm on the
first sight
the conciousness
I should not wait time not waste the mind
but the chaos is brightining and shining
and shes touching it.

segunda-feira, outubro 10, 2011

o espelho é mais uma outra entrada do que um altar

auto-altar

ao invés de somente venerar - isso é parte do inevitável -,

eu jogo, fujo, me persigo.

me escondo.

agora

Foi despercebido
E rápido.
Lembrar-me de ontem e
Imaginar encontrar-te
Pode deixar
Essa vontade de mais,
maior.

domingo, setembro 11, 2011

Errre menosss

Não estou mais na parede. Ele deve ter ficado com tanta saudade e tanta raiva de mim, que ao mesmo tempo que decidiu me esquecer, decidiu me castigar.
Ele sabe que eu sei, que não estou mais na parede...
Ao mesmo tempo, me invade e se sacia de mim enquanto me bebe.
Estou entregue e ele não quer entregar-se.
Me engana deixando-me ser eu; fico dando o apoio moral. Reforçando a alma boêmia que precisa tocar a carne para aliviar as pressões da mente.
Eu não posso condená-lo justamente por compreender que o fogo que nele arde e exala aos arredores é o mesmo que me queima.
Por dentro a efervescência é uma constante, nos suportamos as dores nos corpos mas perdoamos aquilo que somos um com o outro - negação e tirania - para existirmos plenos.
Ainda trememos em nossas bases quando estamos perto. É o extremo conforto denunciando a nós de sensíveis.

Diálogo

-Muda  tudo, tudo!
- Calma, espera um pouco!
- Na hora que te falei pra tirar...
- Eu nem sabia.
- Por isso que eu estava falando, porque eu sabia...

Passagem

O pouco tempo que fico
É o mesmo tempo que dedico
Porque sempre dedico o tempo todo
Mas existem tempos que o tempo troca
Como tudo que se faz com o Todo.

Com

Eu e agora
estamos e somos
ao mesmo tempo
e constante.
A fusão é percebida
e esmiuçada
a cada instante.

They

They think that
every single thing
I externalize
has itself meaning.
They wrong.
But who are they?

terça-feira, agosto 30, 2011

Eu e o pequeno

Estamos cheios, cheios de tanto ter que comportar e carregar. Cheios de tanto ter que fluir e lavar, cheio até a borda, mas ainda não iremos estourar.

terça-feira, julho 19, 2011

O fato, comendo

Desde cedo o dia abre-se cinza, as primeiras nuances são escuras, passam-se algumas horas até vir a coragem de adentrar a porta. Aquele cheiro de sempre, exalando das rugas, é muito marcante. Parece um mofo, incomoda-me o nariz, mas é preciso relevar pois este corpo me pede um respeito que parece que não sou obrigado a obedecer. Tem vezes que olhá-la, rememora-me um ritual infinito, imaginário: limpar sua casa, lavar sua louça, nunca tocar na sua comida; jamais perguntá-la os motivos de porquê ser assim.
Sento-me e noto que as paredes sugerem figuras e me entretenho por um tempo até que chama "vem, está na hora". Muito forte o apelo da crença agora, quando levanto-me para agradecer, com um gesto de corpo, para que todos notem, inclusive Ele, que todos os esforços são compensados nesses momentos em que partilhamos.
Questiono sobre aonde ficaremos: sentaremos aqui. Frente a frente. Eu no sofá, ela na mesa. Ainda mereço um tanto de conforto; ela resiste forte, segue a função, obedece a moral.
A porta colorida numa tentativa de bordô aquece, contrasta esse dia supostamente frio mas sufocante, abafado. Ruboriza toda a pele exposta, tenho vergonha de ficar nessa casa. Tudo tão perto, tão aberto e intocável ao mesmo tempo. No prato, um pouco de comida, um pouco de comida, um pouco de comida, para nós dois. Peixe, arroz, limão. A providência máxima de sentimento que invadiu-me o peito, uma única vez. Não a vejo mais. E lembro, hoje, ao acordar, do mofo perfumado que ficava exalando do corpo envelhecido.

sexta-feira, julho 01, 2011

Às vezes domina um sentimento, vontade abrupta de parar completamente todo o movimento
Que não se explica. É um espelho aonde não reflito.
Amadureço invisível aos meus olhos e desvio pro lado: não me vejo passar...
Quanto mais explico as perguntas, outras me seguem. O conflito não reside na dúvida em fazer mas é o instante decisivo que está em jogo: a hora certa para definir se o que está sendo feito é realmente o intencionado. Não é para que eu pareça um cachorro, meus olhos são humanos, não tenho nenhum outro apelo. Olho com este mesmo olho que lê, mas penso e enxergo ludibriado por uma crença infundada. Ainda não parei de escrever e parece que já perdi o fio da meada. Se o caminho é sinuoso, não há motivos para tonturas; girar é preciso e quão mais aumentar a velocidade, logo é possível voar em espiral rumo às alturas. Lá onde não residem as glórias, mas a visão do todo. Nessa geral caminha o coração que vai batendo sozinho enxergando realidades que não palpitam juntas, mas que se completam e salientam o meu saber de que o que infiltra, também jorra, e jorra igual, em todos os lugares.
O que o corpo sente
A boca não vai dizer.

terça-feira, junho 07, 2011

Se houvesse no mundo alma
que fosse capaz de entender
em que entrebeiras caminha meu rumo,
pegaria forte nesse apoio
até a caminhada ser suficiente
e cansar.

segunda-feira, junho 06, 2011

Aonde deito

Apenas queremos sentir uma fluidez mais nítida, que permita esse contínuo do tempo, essa onda que transporta. A vida que dói, amedronta e então nos chama para comemorar o todo, de bom, que possa haver.

Não há como negar o desejo, é mais forte que o próprio impulso. Vitalmente, basta estar vivo mas além do que o corpo sente, mora uma alma, outra coisa habita.
Transpor todos os paradigmas pode ser o rumo, não o alvo.
A quebra os contrói, fortes e renovados. Os filhos do amanhã necessitam de uma parede para quebrar, é preciso seguir uma forma de caminho, tortuoso, titubeante, tímido, todos.

Em Acreditar deita meu espírito, que entende na compreensão da linguagem, o suficiente para abastecer durante o caminho, e enquanto essa beleza for-me ofertada, por que não condicioná-la ao meu cotidiano: passando cada dia como se  fosse qualquer outro, acreditando.

sexta-feira, junho 03, 2011

Tentativa

Olhava todos aqueles, em pé dentro do ônibus, motoristas e cobradores, homens e uma mulher que falavam sobre as coisas que periciavam da vida. Enquanto isso, era só o caminho. Não era desconfortável representar nem a compania nem a si próprios. Iluminados pelo sol mais quente do dia, no meio do ônibus, obstruíam quem subia e descia: de detalhes como esses, todos os faziam presentes. Nenhum olhar recuava porque os pares jogavam. Esvaziou-se o espaço depois de uma longa risada em grupo concordando sobre as dificuldades da vida. E desceram, dando fluxo a velocidade das ações.

Ficou uma mulher, anônima, representando a si própria toda imersa naquela energia que contemplava o vazio. Com um sorriso esforçado, que se confundia com uma linha de expressão rotineira e com uma tentativa de dizer o que achava incrível nas conquistas detalhadas pelo caminho. Mas não obteve resposta: dava-me as costas, não sentiu o quanto a notava.