quarta-feira, outubro 26, 2011

Parede

A realidade limita a utopia e essa relação intransigente me freia, quando o que sinto é a necessidade de ceder a uma demanda desenfreada. Estou vivendo uma utopia?  Ou essa realidade não me permite o vislumbre e me encaminha ao Delirar?

Os desdobramentos do que habita em mim não criam uma forma definida porque é numa síntese abstrata que caracterizo-me em projeção. Até entendo que a leitura deve ser mais confortável nos olhos de quem lê, só que o detalhe principal do olho que olha é o próprio olho que vê. Não posso ir além disso, do que sai desses pra fora; o meu controle se limita aonde acabam minhas paredes e não que me sinta trancafiado - transito em certa liberdade - só não entendo essas impotências cotidianas que apaziguam aquilo que ferve em mim.

Amansar o ferino é adestrar o filhote, perscrutar o alvo. Minha seca vontade é aventurar-me no desconhecido.

O ovo choca, a galinha o põe. Clarice deve ter sido dessas mulheres que pensou, chegou e tocou muitas máximas da natureza humana. Ao invés de ter sido um ser humano brilhante e isolado, é luz intensa como tantos outros e quando uma fagulha desse iluminar repousa sobre nossos espíritos? O que acreditamos e sintetizamos não está sozinho. O pensamento caminha numa estrada escura até elucidar-se em alguma luz, porém por vezes anda de muletas pois, guia-ser só num caminho sinuoso é como enfrentar a perfeição racional da linha reta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário