terça-feira, agosto 30, 2011

Eu e o pequeno

Estamos cheios, cheios de tanto ter que comportar e carregar. Cheios de tanto ter que fluir e lavar, cheio até a borda, mas ainda não iremos estourar.

terça-feira, julho 19, 2011

O fato, comendo

Desde cedo o dia abre-se cinza, as primeiras nuances são escuras, passam-se algumas horas até vir a coragem de adentrar a porta. Aquele cheiro de sempre, exalando das rugas, é muito marcante. Parece um mofo, incomoda-me o nariz, mas é preciso relevar pois este corpo me pede um respeito que parece que não sou obrigado a obedecer. Tem vezes que olhá-la, rememora-me um ritual infinito, imaginário: limpar sua casa, lavar sua louça, nunca tocar na sua comida; jamais perguntá-la os motivos de porquê ser assim.
Sento-me e noto que as paredes sugerem figuras e me entretenho por um tempo até que chama "vem, está na hora". Muito forte o apelo da crença agora, quando levanto-me para agradecer, com um gesto de corpo, para que todos notem, inclusive Ele, que todos os esforços são compensados nesses momentos em que partilhamos.
Questiono sobre aonde ficaremos: sentaremos aqui. Frente a frente. Eu no sofá, ela na mesa. Ainda mereço um tanto de conforto; ela resiste forte, segue a função, obedece a moral.
A porta colorida numa tentativa de bordô aquece, contrasta esse dia supostamente frio mas sufocante, abafado. Ruboriza toda a pele exposta, tenho vergonha de ficar nessa casa. Tudo tão perto, tão aberto e intocável ao mesmo tempo. No prato, um pouco de comida, um pouco de comida, um pouco de comida, para nós dois. Peixe, arroz, limão. A providência máxima de sentimento que invadiu-me o peito, uma única vez. Não a vejo mais. E lembro, hoje, ao acordar, do mofo perfumado que ficava exalando do corpo envelhecido.

sexta-feira, julho 01, 2011

Às vezes domina um sentimento, vontade abrupta de parar completamente todo o movimento
Que não se explica. É um espelho aonde não reflito.
Amadureço invisível aos meus olhos e desvio pro lado: não me vejo passar...
Quanto mais explico as perguntas, outras me seguem. O conflito não reside na dúvida em fazer mas é o instante decisivo que está em jogo: a hora certa para definir se o que está sendo feito é realmente o intencionado. Não é para que eu pareça um cachorro, meus olhos são humanos, não tenho nenhum outro apelo. Olho com este mesmo olho que lê, mas penso e enxergo ludibriado por uma crença infundada. Ainda não parei de escrever e parece que já perdi o fio da meada. Se o caminho é sinuoso, não há motivos para tonturas; girar é preciso e quão mais aumentar a velocidade, logo é possível voar em espiral rumo às alturas. Lá onde não residem as glórias, mas a visão do todo. Nessa geral caminha o coração que vai batendo sozinho enxergando realidades que não palpitam juntas, mas que se completam e salientam o meu saber de que o que infiltra, também jorra, e jorra igual, em todos os lugares.
O que o corpo sente
A boca não vai dizer.

terça-feira, junho 07, 2011

Se houvesse no mundo alma
que fosse capaz de entender
em que entrebeiras caminha meu rumo,
pegaria forte nesse apoio
até a caminhada ser suficiente
e cansar.

segunda-feira, junho 06, 2011

Aonde deito

Apenas queremos sentir uma fluidez mais nítida, que permita esse contínuo do tempo, essa onda que transporta. A vida que dói, amedronta e então nos chama para comemorar o todo, de bom, que possa haver.

Não há como negar o desejo, é mais forte que o próprio impulso. Vitalmente, basta estar vivo mas além do que o corpo sente, mora uma alma, outra coisa habita.
Transpor todos os paradigmas pode ser o rumo, não o alvo.
A quebra os contrói, fortes e renovados. Os filhos do amanhã necessitam de uma parede para quebrar, é preciso seguir uma forma de caminho, tortuoso, titubeante, tímido, todos.

Em Acreditar deita meu espírito, que entende na compreensão da linguagem, o suficiente para abastecer durante o caminho, e enquanto essa beleza for-me ofertada, por que não condicioná-la ao meu cotidiano: passando cada dia como se  fosse qualquer outro, acreditando.

sexta-feira, junho 03, 2011

Tentativa

Olhava todos aqueles, em pé dentro do ônibus, motoristas e cobradores, homens e uma mulher que falavam sobre as coisas que periciavam da vida. Enquanto isso, era só o caminho. Não era desconfortável representar nem a compania nem a si próprios. Iluminados pelo sol mais quente do dia, no meio do ônibus, obstruíam quem subia e descia: de detalhes como esses, todos os faziam presentes. Nenhum olhar recuava porque os pares jogavam. Esvaziou-se o espaço depois de uma longa risada em grupo concordando sobre as dificuldades da vida. E desceram, dando fluxo a velocidade das ações.

Ficou uma mulher, anônima, representando a si própria toda imersa naquela energia que contemplava o vazio. Com um sorriso esforçado, que se confundia com uma linha de expressão rotineira e com uma tentativa de dizer o que achava incrível nas conquistas detalhadas pelo caminho. Mas não obteve resposta: dava-me as costas, não sentiu o quanto a notava.

segunda-feira, maio 23, 2011

E.G.,

O mais perto de

EU TE AMO

posso chegar é

EU  TAMBÉM.

E no fundo do meu silêncio,
há sua compreensão.
Certamente reaproximei-me de uma ausência. Interessante perceber que alguém no presente pode somente lembrar o passado.
Não há motivos frescos para ir avante, galopante, como um verdadeiro
Cavaleiro Andante,
em busca de outro presente, que já está distante.
Desejo-o todo tipo de sorte, nenhum tipo de morte, porque ainda é nítida a energia que emana.
E por isso, somente, devo calar-me.

Outro aspecto foi silenciar-me quando notei-me. O eu-objeto quando em análise causa-me o quê? Não permitir o outro a participar dessa "extensão dentro de mim" é  a forma defensiva ou egoísta em relação ao outro?
Há os que acreditam que só a afirmação resolve parte do problema, como busca da verdadeira solução. Afirmo que há o problema, mas me perco na simples questão.
Ele está ao meu lado.

quinta-feira, maio 05, 2011

Não há como negar que a escapatória está cada vez mais distante: teria de fazer todo um movimento reverso desse que me lança.
Diretamente para frente, onde não há nada além do mistério, completo desconhecido.
Uma lacuna, separando o claro do escuro, o sonho da realidade, é essa de passado, que na verdade é o princípio, onde meu tudo se baseia: preciso superá-la, ao invés de esquece-la.
Fingir não haver cancela todo o mistério.
O mistério é como se fosse o abismo.

segunda-feira, abril 25, 2011

Pavio

Nessa noite
trançado branco
ardendo
em chamas.
Fico, às vezes, imerso nma cadeia de ideias que afundam. Ao passo que tento me encontrar, me afogo.
Fico, às vezes, a ponto de explodir, como se o mundo se alargasse permitindo estender cada parte de meus membros ao infinito.
Hoje sou parte,
amanhã sou o todo.
Nasci fluído e acertei minhas arrendondadas, orgânicas arestas.
Com o tempo quão mais simetria eu encontrar, maior o desafio da fluidez:
rígida, organicamente estruturada.
Mas o quanto ainda posso transitar
entre o fluir e o aparar?
Cruzei minhas vontades com alguns de meus [saciados] desejos. Ainda entendo que é preciso manter-me próximo da casa. Como filho ainda preciso crescer e transpor. Em milhões, não ascenderia: viveria em demora.

Daqui parto seguro das coisas que observei, mas ao mesmo tempo o incerto ainda circunda toda a estrutura: onde há o mistério, existe a vivência da dúvida.
Sinto como se o sol fosse sempre esplêndido ao brilhar no fim de cada ciclo.
Onde o horizonte é tão vasto, distante,
 cada vez o mundo fica mais invisível:
 é possível perder-se no próprio pensamento.
Onde o horizonte é tão vasto, distante, cada vez o mundo fica mais invisível: é possível perder-se no próprio pensamento.
São tantos recortes
que sim, cada vez mais,
a realidade é plural.
O voo aqui parece ficar dentro de uma grande gaiola.
É preciso encontrar quem busca a Liberdade,
não quem a prende: preciso perder-me de mim.
Ao contrário de ser único, agrada-me ser poucos.
Unificar-se ao todo quando não há como abraçá-lo
por inteiro é o grande desafio.
Em meio ao turbilhão acumulado
de vontades e desejos,
transformo-me em objeto
para somente
observar o fenômeno.
Em meio ao turbilhão acumulado
de vontades e desejos,
transformo-me em objeto
para somente
observar o fenômeno.

quarta-feira, abril 13, 2011

Não é possível que o mesmo me referencie como maior,
somos absolutamente iguais exceto contexto.

sexta-feira, abril 08, 2011

Pode ser que o estranho dos seus olhares queira dizer ao desconhecido no seu âmago algo novo, que provavelmente só minha boca conseguirá desvendar; e enquanto seguimos esse caminho curto, às vezes parados a pouca distância, ainda é silêncio.
Na verdade não é - o silêncio já se quebrou, só ainda não ouvi tua fala.

sexta-feira, abril 01, 2011

E é cada vez mais isso: nos olhamos, vemos e enxergamos até entender o que a fala não conseguiria dizer e daí se segue: em silêncio.

quinta-feira, março 31, 2011

É possível uma relação
Anônima entre nós

Porque já me vês
e me notas

Porém, se quer
nunca me tocará.
É preciso pensar até
Alcançar o infinito
Porque o máximo
Que podemos chegar
É perto do impossível.
Despachada a dor
Agora a volta.
E no acúmulo dos atos
Vem cada vez mais
Aguda.

terça-feira, março 29, 2011

Ele tem como ficar lá parado, do outro lado da rua, esperando que alguém vá acenar ou localizá-lo pela simples presença acentuada no terreno. Só porque as linhas são fortes e os adornos chamativos, não quer dizer que o olharão a todo instante, a não ser que esteja sempre em busca dos olhares, implorando com o clarão brilhante dos seus olhos que o que precisa é de um pouco de um estranho carinho; e faz, e encontra e assim que o encontram se surpreendem porque veem nele refletidos as centelhas de um glorioso jovem presente.
Estou me segurando a uma linha,
imensa, enorme,
que nem pesa, que mal sinto.
Quando eu solto, é queda livre.
Se me agarro
é como se ainda
estivesse caindo.
Não tenho porque ficar buscando nas ruelas e nas arestas a surpresa magnânima dos meus dias, pois não aparecerá enquanto olhar focado para o borrão transparente que se afigura na cabeça como destino.
É muito bizarro aqui pra onde viemos. De repente, tudo corre como se fosse preciso chegar antes mesmo do combinado; a espera não está mais em voga ao passo que esperamos o desabrochar das coisas no caminho.
É muito bizarro que ainda não paramos, mas que só estamos num rumo, num fluxo, cegos no escuro mas programando aonde iluminar.

segunda-feira, março 14, 2011

A cada instante a passada se torna mais densa
e meus pés sentem o chão com um pouco a mais de força que outrora,
e então, não me perco porque automático é o movimento Divagar.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

É uma relação absurda de segredo e escondeirjo que meu corpo trava enquanto a poucos passos, uma energia completamente distinta repousa frente ao meu torpor da lógica. O olhar se perde por não se equilibrar, não posiciono-me rente frente ao espaço,

pode ser tanto a verdade da latência quando a opressão da mentira.

Belo estranho

 A fome que o corpo sente
O olhar não sacia
E não há forma alguma
Quando inclino a cabeça
Que não lhe encontro na vista.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Pode ser menor a dor que me acolhe, caso vire os olhos pro alto e compreenda que vem do controle a força precisa pra poder seguir - mas persegue-me o peso nos ombros queimando e puxando a carne, como se a fosse rasgar.
E não há descanso sob posição rígida, não há corpo ríspido que a segure: ajeitar-me descompassa o relaxamento, porque não vai embora o incômodo na hora que me deito; daí então me desarticulo e fico meio rude em posição pra atenuar a sensação de transbordar até os pés o jorrar dessa fonte que me sai dos ombros.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Sou capaz
de te transformar
para nos esconder.
E se eu me inundasse do teu?
Respiro, hoje, a essência do longínquo
que fica presa no fitar, turvo,
de nossos olhares.
Waiting for you to come along
I'm afraid of falling apart for you
and then you leave
So I'm brokenhearted
I've got ao much to fill up
In empty space I stand in front
Of your face and stare

The silence among us
Is  not dispair.

domingo, janeiro 09, 2011

A parede cinza
Pele lisa
Plana face
É impossível que não me interrompa
As palavras, simplesmente fogem,
a moldura, alarga.

E a boca fechada, desesperada
descubro um meio
de abrir.
E hoje, noite viva
e em qualquer condição
o espírito não pode queimar ou ser queimado.

domingo, dezembro 26, 2010

Não desorganizar a amarração pois
é preciso o trabalho
para que não haja erro
e que não haja reclamação
porque paro, se preciso
diante do acerto.

E na certeza conferida de olhos
estranhos nomes dirigindo-me
olho de novo
acerto o acabar e
logo forma-se um novo ciclo.
Está escuro e não enxergo direito agora.


Ah, que medo!
Medo do quê?
Agora!

Do quê?


Agora!
Há uma tempestade de vida acima da minha cabeça,
todos em direção da luz,
afago pleno
em pacífica cegueira.

Ao passo que me assustam, são meus amigos.

Voam direto, enlouquecidos
À vida
que não há.
Frente ao mastro luminoso, cercado de vida, disfarço de mentiras alegóricas
e me atrapalho em equilibrar-me
vivendo assim.

quando?

Hoje
papai foi
um pouco de artista
um pouco de homem de Marcel Duchamp

sábado, dezembro 25, 2010

Como brinca de ser linda e correr fluída
Meio a rajadas do vento mais puro
Ocorrência do amor
somatória devida num espaço que não se conta
de tempo

sábado, dezembro 18, 2010

Por enquanto te perco em passos desencontrados mas não menos desconhecidos já que da sua nuance eu consegui compreender o movimento teu, de verdade; mas assim que for hora de perder-me a encontrar-te só posso retomar o meu.                   

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Ao passo
do teu lado
é vazio porque teu próximo passo
já ocupa o passado,
 vazio, em si.

terça-feira, dezembro 14, 2010

De repente deparo-me com uma auto-penitência estática bem em minha frente, olhando-me nos olhos e abraçando-me com o carinho eterno que exala de uma perfeição acentuada, e doída, a cada dia que obriga-se, e resiste, a passar.
Com a certeza crua e pesada o corpo lida cansado com o horizonte percorrido vagarosamente, arrastando-me. Por vezes me desencontro e ao sentir-me, tremo em minhas bases avisando-me a hora de parar. O tremor antecede a minha queda;
E desfaleço docilmente no meu leito úmido.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Na compania de um sopro cálido meu corpo se arrepia por sentir que o ar que parte do nada e toca minha pele vem de um passado recente, de um fluxo constante. Não sentir brisa nova soprando gracejos é assolação incalculável pra um corpo que se multiplica, incontável, na sua própria sombra.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Enquanto houver tempo para continuar sendo aquilo que ainda há para ser, serei. Mas assim que o dia novo amanhecer e eu puder olhar melhor,  novamente, já não terei tanto a certeza que, agora, me faz continuar.

quarta-feira, novembro 24, 2010

A cada instante comprovado até mesmo pelo diálogo, confirmo na caminhada solitária da rotina, que sim, eu sou mais um eco...




do que a fala em si.
A cada instante comprovado até mesmo pelo diálogo, confirmo na caminhada solitária da rotina, que sim, eu sou mais um eco...




do que a fala em si.
Tudo que eu faço, de pouco em pouco, só satisfaz e enche o meu vazio da rotina;
que a cada dia,
me consome.
De repente, anoitece e lembro-me que continuo aqui, ao som do silêncio, ao som do inanimado. As coisas sao só uma extensão de mim que se manifestam em prol da minha satisfação que se engana.
Não sou eu quem fala.
minha linguagem: miragem figurada no campo de incessante de disparos.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Era uma vez uma menina que morava em uma casa enorme, um dia veio uma bruxa e pegou ela, então Joãozinho, que morava com ela, foi atrás da bruxa com a vassoura mágica e então ela disse "Joãozinho me salve antes que a bruxa faça um feitiço e você vire um sapo feio"!
Lucas, amigo de Joãozinho, roubou a varinha mágica da bruxa e fez um feitiço, transformou a bruxa num anãozinho e apareceu um bruxo que pegou a sua varinha mágica e disse ALAKAZINALAKAZAN e transformou Lucas em um sapo.
Assim, Joãozinho fugiu e voltou com a menina pra sua casa, felizes.
Para sempre.



fim e bom dia

domingo, novembro 21, 2010

É possível viver dentro da realidade prática através da pulsão dos sonhos.
Mesmo cercado de anjos o céu torna-se um inferno por me fazer perder numa segurança que não me dá asas mas me deixa voar. E quando no alto, caio.

sexta-feira, novembro 12, 2010

À medida que meus gestos tocam somente o palpável,
 tato o nada em gesto de gratidão.
Erro em proporções plenas, que elucidam meu tamanho e rememoram o espaço determinado para meus fins.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Em contato com o que tenho dito-me por posse reforço somente algumas características daquilo que sou.
E nada mais tenho,

terça-feira, novembro 09, 2010

O peso do vazio denotado em mim ecoa como os passos que eu ouço,
só.
Dentro da casa.
Emitir opiniões até formar um padrão suficiente
sintonia onipresente assim mantendo a ordem
de controle
ao possível pulsar de todos
os silêncios que sim, falam

quinta-feira, novembro 04, 2010

Até a distância serve pra não modificar a realidade, para sempre particular. Como eu mesmo, trancado nesses dias que só passam.
O fluxo é o que define o homem sábio, que com as horas se torna fluído,

e impõe-se.

Algumas palavras precisam sumir para enobrecer o elucidar de outras.
Queria entender o garrancho e transformá-lo em rabisco, evoluir o traço e fazer da palavra, que não emito, desenho.
Tudo começa pronto para acabar e nessa finitude me reconheço. Das semelhanças divinas não nos restou a vida eterna, mas com a finitude o homem se descobre em eternos - momentos. Sou tão sacro quanto santo mas ínfimo e mundano: sou homem, embriaguez infecciosa numa busca ilimitada por prazeres,
Ajuntei um homem na rua
Fiz da minha uma perna que
Não havia

Ajuntei um problema na rua
Fiz da minha uma esperança que
Não havia

Adiei meu sonho na rua
Fiz tocável o vazio ali onde eu estava mas
Não havia
Não vou acreditar que alguém foge
do bem porque tem medo.
Não vou repetir que alguém viu
do amor porque temo.
Não vou tirar nada.
Silenciar tudo.

Quando faltam as palavras, explodem os sentidos, e assim que silencio - queimo.

sexta-feira, outubro 29, 2010

quinta-feira, outubro 21, 2010

Sinto-me o próprio Atlas, carregando um mundo
Esfera morta, branca, lisa e branda
Com o peso morto de uma calmaria morna
onde nada acontece, a não ser os dias
que correm atrás de sua mãe;
curando seus complexos, suprime-se os desejos
realizá-los aponta certeza do erro
por tê-los sustentado por tanto tempo,
em um silêncio escuro,
que dilacera como o vácuo, no Universo.
Na formação intocável dos dias
não há como interferir parando
o tempo que já é fluído
por seguir sem precisar de um espaço
seu
Que o ínfimo seja o mínimo
numa escala que trespassa meu coração
nessa desordem descomunal
de sentidos que se cruzam pra dizer
que está perdido
toda forma de consolação
o dia acabou
e pairo na sombra fresca das folhas
onde o frio se faz sublime sensação.

terça-feira, outubro 19, 2010

Anular a insignificante forma, para sempre
Deleitar o prazer no vácuo
Estourar a razão sem largar
Os restos de um paraíso de falhas e crimes.
Quando olho para o passado noto no agora que alguma coisa ficou para trás
que a velocidade diminui com o passar do tempo

Que a dor é sincera e acumula
Gangren'alma e enrijece a jaula
A cama está marcada pelo peso diário do meu corpo apoiado sobre ela
Não posso revelar algumas palavras pois pesam mais ainda
Pesam tanto que só aumentam o meu espaço na cama
Nessa cama de malgrado
Nessa cama de amparo, me conforto desamparado
se eu tivesse forças


te arrancava depressa

daqui de dentro

pra fora dessa jaula

que eu chamo de corpo

e te colocaria noutra

que eu chamo de alma

quarta-feira, outubro 06, 2010

Vou escrever de novo, até cansar o pulso
 de dizer pela boca quieta
 o que o corpo cansado
 não quer mais falar.
Olhos procuram desconhecer
o reconhecível.
Olhos procuram reconhecer o desconhecido.
Assim que se cruzam:

reconhecer indizível.

Amor,

lhe peço para que não me
enchas de preocupações e
que no lugar delas venhas me
visitar.
Meu egoísmo bateu em pontos distantes,
que por você sou capaz de me desarmar.
Pense que não estou só,
e quero vê-los crescer podendo
positivamente
ajudar.
As palavras não tiram de mim, não cumprem seu papel, não aliviam minha dor, nem libertam minha mente;
elas só me aprisionam nessa tentativa deformada de mudar as pulsões e impulsões do meu corpo.
Vivo fantasiando uma realidade
aparente, onde tudo tem seu
meio justificado pelo fim e
onde intenções, gestos e destinos
se cruzam enlouquecidamente.
Se todo o brilho das ruas
não ilumina meus dias
o que posso fazer
senão ficar ocupado
enfraquecendo a força
da minha
noite?
Como se eu abraçasse o mundo
o mundo caminha
em direção ao meu abraço
para sempre.
Parece-me que quanto mais
penso, menos
escrevo
Penso que já compreendi
           que já não voltará
                 já me recordo como passado.
                    me encanta o teu olhar.
                         Encanta todo o universo.

segunda-feira, outubro 04, 2010

sexta-feira, outubro 01, 2010

Ultimamente, confesso:

- Simplesmente, tenho passado;
- Nem o tempo, tem corrido;
- O ar continua pesado;
- O futuro: mal-dito
- O presente: último a notar-se na condição de um atraso;
- O passado:
Não há o que argumentar, o registro é documento e o passado é só tempo. Um tempo onde discorre um entrelaçamento de idas e vindas que hoje não existe mais. De que serve todo o desgaste e esse acúmulo de sedimentos? Deixo tudo fluir livremente, mas nada seguro. Continuo entre a noção da propriedade privada de sentimentos e do que tem de ser do mundo. Retomo a questão: será importante mesmo?
Quando a hora de recomeçar bate com tudo no pulso, deixando o relógio pesado, parando os ponteiros e desacelerando meus passos, sinto que falta-me o pulso pra ter na firmeza de minhas mãos a força para decidir, solene, o que tem de seguir e o que há de interromper-se.

segunda-feira, julho 05, 2010

Queria MUITO SABER O QUE LOUISE BORGEOUIS TEM  a me dizer, especialmente agora.  não hoje. mas é que em algum momento parece-me que subiu uma ruga à face alegando que a estrada é longa e contínua, e que se esquivar é tática falha. Será que me entrego a ponto.






a. de ....... minhas palavras com um medo aparente de desdizer r minhas tentativas de proteção?

sexta-feira, maio 07, 2010

Dos poucos aos fundos

O que era antes confissão, agora são tons de uma conversa, que se inicia em ponteiros zerados e ruma em direção ao silêncio. O que antes era desabafo, agora concreta-se em suspiro de esperança, porque começa a fazer sentido notável que as falhas, são alicerces para um acerto. E nesse diálogo, que desenrola-se mudo, as situações transformam-se em coisas e criam forma. Forma que fala, que direciona, dá sentido.

E nesse sentido cravado nas ranhuras é onde eu encontro a fala de um sonho que ainda não morreu, porque se a fome matasse os meus problemas, os sonhos famintos por uma lembrança remeteriam tudo a um passado ideal, onde as falhas podem ser todas corrigidas, e a morte não ronda. Não faz escala e não cria problemas. Não a morte da carne, mas essa morte diária e constante de si mesmo, de tudo que dá tom, som, cor, forma e peso às coisas. Essa matança é naturalmente interminável, e nesse ciclo encontra-se o sentido pleno pra entender que quão mais cru estamos beira a essas razões, as coisas mantém-se como são. E não saem correndo por aí, esquecendo da gente.

Uma grande falha são todas as luzes vermelhas que indicam um perigo que muita gente ainda não conhece por ver glória. É o perigo do progresso, que forma uma fila gigante e sinuosa, seduzindo a quem vier ver. Em certos momentos, a fila vira cobra e toma movimento, mas nesses mesmos horários, todos os dias, se ficar observando, é possível ver ela rastejando a frente, rumo ao descanso, ou acaso. Insignificados sem sentido incondizentes deploravelmente ligados por incongruências de medidas pueris de desvios do descaso. E nisso tudo, as coisas beiram.

E os bafos que ardiam dentro da boca, agora criam sons e isso dá fome de novo, pra continuar a comer, sempre que preciso, enquanto tudo não for confissão e segredo.

quinta-feira, maio 06, 2010

A resposta (espaço) pra pessoa (espaço)

Nota-se um costume malvado, todos os dias, de apontar. Os dedos, ou até o olhar, e isso incomoda. Apontar as lanças pra cravar no peito, que não lhe pertence. Apontar o gumo pra cortar mais fundo que em si mesmo;

Perde-se a noção de olhar pra dentro, de ver que o valeria a pena, às vezes nem sempre é o que de fato dá rumo as coisas. As escolhas formam-se desse fluxo-refluxo, grito surdo. O sim antecede o não, e as coisas se dissipam diante dos meus olhos, porque toda vez que penso nos teus, que logo pela manhã de hoje vi na face de um estranho, a tez que agora parece suave, mostra-se verdadeira, e derrete em preocupação e lamento.
Não me perdi no caminho, porque ele nunca existiu mas o chão ainda é parte do meu rosto, e quando olho, tudo que vejo é superior a mim. Não há como disfarçar que algumas palavras já tornaram-se uma reverberação no pleno vazio e que a configuração de ti é ausência em mim. Não há mais a ação do momento, nem o toque nos sentidos, logo não sabemos nunca do que falamos, e caímos nesse jogo agudo. De indicar o que há cá e acolá.

Botar fogo no chão da rua destruiria todos os nossos caminhos, e não há mais nada que eu possa fazer a não ser permitir que faças que o bem entendas, e que sigas nesses dizeres de interrupção de si mesmo. Ao passo que te interrompes, nos proíbe de seguir e nessa pausa o que vemos é que nada mais faz sentido já que a ...


Essas pausas no tempo dão a garantia de que a vida se preserva em algum lugar por aí. E que às vezes é melhor esquecer algumas palavras que poderiam com certeza virar fardos num caminho estreito que com certeza há de surgir.

E nesses apontamentos todos, no meio deles, parado no auto da rua, tem um espelho.


terça-feira, maio 04, 2010

Do que podemos ser em prazer, de ser cruel

Hoje quero falar de uma intensidade impessoal, que surge na mediocridade simples de uma conversa.
Quando penso em coisas que me trazem ao encontro de mim mesmo, é como se esse sol forte que encerra o dia penetrasse no meu olho pra clarear tudo, deixar essa luz batendo no azul, cada vez mais claro, cada  vez mais agudo. essas ranhuras todas são uma verdade bem crua, bem limpa, que toca e purifica os sons e tons dessa esquina suja, canteiro de lixo.

Enquanto a luz vai embora, meu corpo se joga com agonia prazerosa dentro dessa leitura de si mesmo. O corpo que se vê transporta-se para o corpo que sente e o sentido se encontra no pulsar de um semi-abraço, agradecido sem palavras. Quando a necessidade de uma meia-palavra existe nessas bocas que sempre querem falar, mas que dificilmente o conseguem, é um êxito gigante. Saber que é possível conversar por essas entrelinhas. O que se empurra é que o se diz, e tudo que eu poderia desejar fica resguardado pro aguardo de um depois. Depois do instante que o ônibus fizer a esquina e eu ainda estiver devaneando sobre o clarão das nuvens, projetado pelo sol. Ou o da pele clara, abaixada no chão, perto do espelho, que me remete a ver os dois lados de um vazio. A sala, e uma espera constante, tortuosa.

Busco na minha mente, uma forma mais simples de poder dizer que o que me inspira nem sempre é o que nos toca, mas que a parte boa disso tudo, dessa informalidade-formal, é saber que nos fins parecem que os percalços todos nos levaram pra uma mesma direção, onde o momento de esclarecimento se dá quando dizemos que nos bastamos nessa luz que nos afasta. Se pensarmos mais a fundo, acho que nos veríamos de fato numa luz-sombra, porque ambas são alentos de um distúrbio que não se diz por si só. É um distúrbio discursivo, falado, e entregue aos prazeres de sua própria dor. Esse é o supra-sumo daquilo que encontramos em nossas capacidades. Tanto as da fala, quando do olhar. É nesses momentos de desprendimento que nos encontramos agarrados a nós mesmos. E isso que fortalece, a cada dia, pra poder seguir em frente.



E nesse tapa-carinhoso, deixo-me esvair pela fumaça que ficou na rua, entrecortada por esses raios de sol que vão encerrando o dia.