segunda-feira, março 19, 2012

Tarifado

E paga-se, caro,o suficiente pra
esperar que não se reclame.
Na verdade é mentira, pouco custa
Mas na míngua, parece loucura.
Gosto de te pedir que me chame
porque paro, percebo e noto
                                     [o instante.

Já é rápido, não é fácil
Ficar focado
                   Não se chocar.

Pois que, mais uma vez
com Ø Sol queimando a tez
Fecho os olhos à luz
Sigo no invisível, o caminho que me
                           [conduz.

Apartar o pensamento de uma coisa; os olhos de um objeto.

Esse nó que não se desata
essa dor que não se aparta
E minha emoção não disfarça
[pois
As coisas tremem,
todos veem, vivendo na praça
até se estiver entre estranhos

arrumando com estanho
os machucados que não se saram
os afagos que não se calam
e eu suspiro num grito
e repito e repito
as mesmas coisas
no mesmo ouvido

e não me dá nada
nem medo nem desgraça
nem dor nem torpor
só sofro e me alegro
com essas fontes que jorram
incessantes
nosso amor.

quarta-feira, março 14, 2012

Ao dia de quem

Hoje é dia da poesia 
e não escrevi nenhum poema
meu medo é a heresia
de não encontrar fonema
que combine
com as palavras
que quero que culminem
mal-acabadas
no final desse poema.

Estado

Há uma lacuna
Lacônica, pois silêncio, 
icônica, pois sozinha.

quinta-feira, março 08, 2012

[Eu também]

Queria que soubestes que
estás tão dentro de mim
que quando preciso fazer com que
As coisas parem,
                          você para também.

Nos intervalos, os olhos fechados
descansas dentro de meu peito
                              [ inflado
Porque enquanto caminho
Te clamo, ao longo, sozinho.
E ainda não chega a hora
essa que torço pela demora
que vai te levar longe, distante
Num tal dum horizonte aqui perto
que se fará dos instantes
em que não estive só, no deserto
                            [ estavas perto.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Pós

Ao mesmo tempo é só isso: observadores sendo observados, eu te esperando no apogeu da madrugada e as coisas terrenas que necessitam ser contempladas. Gosto mesmo da parte do nosso amor que se consumou, mas agora, nessa vespertina segunda preguiçosa, meu carnaval se amoou.
A mente não lida certo com tanta gente e pediu pra parar,
falar mais baixo,
aquietar.

Seeking

There's a lots of choices
between thousand voices
And I heard a story
about finding glory:
Locked in hot places
printed on drunk faces.

Olha

Quem sabe ele perceba que a certeza
De estar rente, rijo e a frente
dos sentimentos de mais pura beleza:
é o homem mais contente.
Tem o receio pairando, à noite,
tuas táticas, mais infalíveis que açoite
Mas é por tal que me envolves
Dou-te meu todo e olha como me devolves.

Aprendiz

É tudo tão bom, perfeito
E ao mesmo tempo
A dor desentendida no peito
Atormentando o que penso.
Tem coisas que eu lhe falo
em palavras que sim, se diz
tem horas outras que me calo
Torno-me teu aprendiz.
O tanto que me ensinas
Sem saber já me dominas.

Contemplação

Fico aqui, tento ser útil
Me forço a ir além
dessa contemplação fútil.
Parece que não tem hora
nem momento que convém
o passar das horas vira demora
das coisas que passam
e a gente não tem.

Papel

Picasso usara guardanapos
Chagall se tem repetido
Mas no fundo das coisas
Me sinto um tanto repartido
Como se minha letra
Fugisse solta da caneta.
As palavras de um metido
São aquelas que tocam coisas
que as pessoas pouco ouvem
Pouco importam; me perdi
É o que resta. Depois de
bêbado, me esqueci.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Pano de fundo

Mas de algumas coisas não se pode esquecer,
que as lindas palavras são ditas sem pensar em dizer.
Como quando contasses a história da trilha sonora, da hora de trabalhar,
dessa música de fundo: crianças brincando e o som do mar.
Alguma coisa erradiou-se, como se, sei lá,
estivéssemos, por um breve momento, respirando o mesmo ar.
Muito cheio de cores, o chão.
As pessoas são coloridas, se fosse possível.
De vários tamanhos denunciando as quantias, essas lonas enormes esticadas por uma armação férrea sustentadas por uma haste metálica fixada nada, enfiada!, na areia, todas coloridas.
O azul é o novo preto nessa tendência, o monocromático só é vez ou outra.
Não é querer ser beatnik junkie ou algo assim mas o Dr. Hoffmann concordaria que assim, de cima, é um paraíso de cores com algumas linhas se movendo.
Mas nós não nos conhecemos.

Costanza

bem-vindo comeback
compõe um chique
easy going para
sempre ter apostado em
qualidade para
flertá com o minimalismo - para eles
e elas - sem cair em armadilhas,
repensadas e geometrias
de evidente sedução.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Iolanda III

quero ficar animada
mas não consigo
por causa do meu peso.
quero ir pra casa.
me aconselham a ir.
esqueço tudo e dou,
surpreendentemente,
não
definitivamente,
mas apesar disso
brinco com o
sinto muito.

Ele não apreciou
Talvez porque
as pelo nariz,
tem cheiro nenhum.
não é comida.
Irei conduzir mais algumas experiênciais
para vocês dois.

Ui!

Estamos no auge
a consciência corporal
Mergulhamos no
corpo:
o neorromance
e plumas.
Ela
tem algo
mister
carnal.
É um de
Agarram-me
Tu
Condutor
de amor.

Iolanda II

ela desfila coberta
sempre de óculos
postura de maharani
Pouca gente sabe, mas
é chamada em
honraria
das últimas queridas.

Inteiramente nova,
mais elegante e adulta. Chega de
jackets e leggings.
vai bem com jaqueta de couro branco
shorts drapeados, um brilho
um bracelete esculpido (e não
tachas lampejando
no pulso).

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Brado

São crianças,
de colo, mulheres
homens, famílias
"Queremos
bradam em
tom de brincadeira.
Segue com coros
"Porrada! Porrada!"

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Voo solto

Só posso falar de onde estou agora
Palavras saem sem pressa ou demora
O tempo anuncia corrido
Que chega a hora do coração partido
Isso porque minh'alma é serena,
Não sofre de coração corrompido.
Partir é sempre uma pena
Que voa solta das asas do cupido.
Eu amo a ideia de que chova nos
fins dos dias do sul da América
As águas anunciam uma nova potência
Para a vida que não vive sem essa essência.

Escrever para as águas que caem não
é um sonho lúcido. Estou acordado,
sentindo-me sujo. Aqui fico pensando o que é
mais útil escrever: sobre o passado um pouco fútil
ou a ânsia de morrer?

Banho morno

O mundo toma banho morno
Quando S. Pedro liga o chuveiro do céu,
Pensam que está ficando louco
Chover parece um escarcel
Mas não é a água escandalosa
É só o ciclo cumprindo seu papel.

Chuva pedreguda

Gotas fortes e pedras pequenas
Tomara que as casas tenham sorte
E não sofram nenhum problema.

O gelo cai veloz,
Na terra tão quente, feroz
Rebate nas coisas todas
As donas de casa ficam doidas.
São nomes atrás de nomes
Amores depois de amor
Não sei se importa o sobrenome
Pois quando me deito sei que sou flor.
Adoro os nomes
Metamorfoses singulares
Admirador de olhares
Distantes e brilhantes que
Erradiam uma troca
Os raios que os fazem.
Todos são escritores
em seus sentidos infinitos,
uns alegoram suas dores
outros somente dão gritos.
As folhas da acerola dançam na
desordem de um caule retorcido.
O que vejo é a natureza expressa
na compania de um amigo.
Eu comeria dessa refeição cheia de
poesia sem relutar pois as palavras
voam rasas, não sabem onde vão
pegar. Se esse exercício é nobre
já não sei porque de punho
pobre sai a força exemplar.
Noite adentro, nenhuma fábula
Dia afora com mil estórias
Causas sobre caos que vou lhe contar
Queria entender, olhar as rosas
Saborear os encantos que brotam
da terra morna para a mesa do
jantar.
Aqui, nenhum presença estranha
nada aqui emana
além do familiar.
Mas qual a fonte primeira
desse incessante irradiar?
Quero a tua boca enorme
me envolvendo num beijo
Denso noite adentro.
Um único grande beijo descansa
entre os intervalos de olhares
E nada cansa, o agora é esplêndido.
Queria palavras mais aveludadas para
envolver teu corpo no meu embalo
Mas é só à distância que te
enxergo em detalhes.
Não te busco
Ao versar
Me reduzo
Em admirar.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Há os que digam que é uma passagem do agora para o futuro de mudanças e adaptações pelo qual deveremos todos passar mas a constante sensação dicotomica que me prende, inerte, no agora me deixa longe de uma definição mais complexa: a depressão é a doença do passado e a ansiedade a doença do futuro. A soma dessa vontades de reaver e prever é o ostracismo que gera o ofuscar do brilho de qualquer estrela nascente.

Intrincado como um labirinto, o processo de fundir tem sido árduo e a confissão não menos serena, porque enquanto assimilo a inebriação acoplada de meus atos questiono o caminho para o qual eles me guiam: posso estar à beira de um abismo que não exatamente propicia uma queda, só fruir uma profunda escuridão.



segunda-feira, novembro 07, 2011

Interferência

Gostaria de poder chegar mais perto, porém infelizemente todo o acúmulo desses seus pequenos atos me coloca na distância. Estando sempre a espreita da sua próxima palavra e até mesmo silenciando quando sua verborragia pede espaço, eu continuo completo. Estou íntegro perante a ti e por vezes reflito se o que te acomete não é essa fase de mudança que assombra todo mundo. Não sei para qual lado que pendes e se é importante saber disso, eu também me pergunto.

Da fala de teu corpo e do silêncio da tua fala, tua inexpressiva exaustão, essa coisa que te transforma num tipo tão masculino. Fico por vezes admirado em imaginar que a dependência mútua tornou-se um motivo sádico, e mais, quando achastes que a tormenta havia passado, nós todos ainda estávamos ali. E revida-nos com desdém... O que considera-se comum, diante da situação que o agora sugere: é preciso manter o olhar adiante. Meu movimento é ventilar e, panoramicamente, os meus olhos acabam por encontrar os teus.

Só sinta como se possivelmente fosse verdade, porque torna-se nitida cada vez mais a maneira como teu corpo gela perante aquilo que te desagrada, e o quanto não consegues fugir é o quão perto necessitas ficar para manter-se de pé. Continuo a espreitar-te no meu silêncio mais profundo, no meu olhar mais tenro e na minha fala acuada. O poder que exerces sobre mim é aquele que te dou. Passar por cima disso é contra amar.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Parede

A realidade limita a utopia e essa relação intransigente me freia, quando o que sinto é a necessidade de ceder a uma demanda desenfreada. Estou vivendo uma utopia?  Ou essa realidade não me permite o vislumbre e me encaminha ao Delirar?

Os desdobramentos do que habita em mim não criam uma forma definida porque é numa síntese abstrata que caracterizo-me em projeção. Até entendo que a leitura deve ser mais confortável nos olhos de quem lê, só que o detalhe principal do olho que olha é o próprio olho que vê. Não posso ir além disso, do que sai desses pra fora; o meu controle se limita aonde acabam minhas paredes e não que me sinta trancafiado - transito em certa liberdade - só não entendo essas impotências cotidianas que apaziguam aquilo que ferve em mim.

Amansar o ferino é adestrar o filhote, perscrutar o alvo. Minha seca vontade é aventurar-me no desconhecido.

O ovo choca, a galinha o põe. Clarice deve ter sido dessas mulheres que pensou, chegou e tocou muitas máximas da natureza humana. Ao invés de ter sido um ser humano brilhante e isolado, é luz intensa como tantos outros e quando uma fagulha desse iluminar repousa sobre nossos espíritos? O que acreditamos e sintetizamos não está sozinho. O pensamento caminha numa estrada escura até elucidar-se em alguma luz, porém por vezes anda de muletas pois, guia-ser só num caminho sinuoso é como enfrentar a perfeição racional da linha reta.

segunda-feira, outubro 17, 2011

sal

I've been watching
listening, opening her
I could not realize the real
the object
because by now I'm on the
first sight
the conciousness
I should not wait time not waste the mind
but the chaos is brightining and shining
and shes touching it.

segunda-feira, outubro 10, 2011

o espelho é mais uma outra entrada do que um altar

auto-altar

ao invés de somente venerar - isso é parte do inevitável -,

eu jogo, fujo, me persigo.

me escondo.

agora

Foi despercebido
E rápido.
Lembrar-me de ontem e
Imaginar encontrar-te
Pode deixar
Essa vontade de mais,
maior.

domingo, setembro 11, 2011

Errre menosss

Não estou mais na parede. Ele deve ter ficado com tanta saudade e tanta raiva de mim, que ao mesmo tempo que decidiu me esquecer, decidiu me castigar.
Ele sabe que eu sei, que não estou mais na parede...
Ao mesmo tempo, me invade e se sacia de mim enquanto me bebe.
Estou entregue e ele não quer entregar-se.
Me engana deixando-me ser eu; fico dando o apoio moral. Reforçando a alma boêmia que precisa tocar a carne para aliviar as pressões da mente.
Eu não posso condená-lo justamente por compreender que o fogo que nele arde e exala aos arredores é o mesmo que me queima.
Por dentro a efervescência é uma constante, nos suportamos as dores nos corpos mas perdoamos aquilo que somos um com o outro - negação e tirania - para existirmos plenos.
Ainda trememos em nossas bases quando estamos perto. É o extremo conforto denunciando a nós de sensíveis.

Diálogo

-Muda  tudo, tudo!
- Calma, espera um pouco!
- Na hora que te falei pra tirar...
- Eu nem sabia.
- Por isso que eu estava falando, porque eu sabia...

Passagem

O pouco tempo que fico
É o mesmo tempo que dedico
Porque sempre dedico o tempo todo
Mas existem tempos que o tempo troca
Como tudo que se faz com o Todo.

Com

Eu e agora
estamos e somos
ao mesmo tempo
e constante.
A fusão é percebida
e esmiuçada
a cada instante.

They

They think that
every single thing
I externalize
has itself meaning.
They wrong.
But who are they?

terça-feira, agosto 30, 2011

Eu e o pequeno

Estamos cheios, cheios de tanto ter que comportar e carregar. Cheios de tanto ter que fluir e lavar, cheio até a borda, mas ainda não iremos estourar.

terça-feira, julho 19, 2011

O fato, comendo

Desde cedo o dia abre-se cinza, as primeiras nuances são escuras, passam-se algumas horas até vir a coragem de adentrar a porta. Aquele cheiro de sempre, exalando das rugas, é muito marcante. Parece um mofo, incomoda-me o nariz, mas é preciso relevar pois este corpo me pede um respeito que parece que não sou obrigado a obedecer. Tem vezes que olhá-la, rememora-me um ritual infinito, imaginário: limpar sua casa, lavar sua louça, nunca tocar na sua comida; jamais perguntá-la os motivos de porquê ser assim.
Sento-me e noto que as paredes sugerem figuras e me entretenho por um tempo até que chama "vem, está na hora". Muito forte o apelo da crença agora, quando levanto-me para agradecer, com um gesto de corpo, para que todos notem, inclusive Ele, que todos os esforços são compensados nesses momentos em que partilhamos.
Questiono sobre aonde ficaremos: sentaremos aqui. Frente a frente. Eu no sofá, ela na mesa. Ainda mereço um tanto de conforto; ela resiste forte, segue a função, obedece a moral.
A porta colorida numa tentativa de bordô aquece, contrasta esse dia supostamente frio mas sufocante, abafado. Ruboriza toda a pele exposta, tenho vergonha de ficar nessa casa. Tudo tão perto, tão aberto e intocável ao mesmo tempo. No prato, um pouco de comida, um pouco de comida, um pouco de comida, para nós dois. Peixe, arroz, limão. A providência máxima de sentimento que invadiu-me o peito, uma única vez. Não a vejo mais. E lembro, hoje, ao acordar, do mofo perfumado que ficava exalando do corpo envelhecido.

sexta-feira, julho 01, 2011

Às vezes domina um sentimento, vontade abrupta de parar completamente todo o movimento
Que não se explica. É um espelho aonde não reflito.
Amadureço invisível aos meus olhos e desvio pro lado: não me vejo passar...
Quanto mais explico as perguntas, outras me seguem. O conflito não reside na dúvida em fazer mas é o instante decisivo que está em jogo: a hora certa para definir se o que está sendo feito é realmente o intencionado. Não é para que eu pareça um cachorro, meus olhos são humanos, não tenho nenhum outro apelo. Olho com este mesmo olho que lê, mas penso e enxergo ludibriado por uma crença infundada. Ainda não parei de escrever e parece que já perdi o fio da meada. Se o caminho é sinuoso, não há motivos para tonturas; girar é preciso e quão mais aumentar a velocidade, logo é possível voar em espiral rumo às alturas. Lá onde não residem as glórias, mas a visão do todo. Nessa geral caminha o coração que vai batendo sozinho enxergando realidades que não palpitam juntas, mas que se completam e salientam o meu saber de que o que infiltra, também jorra, e jorra igual, em todos os lugares.
O que o corpo sente
A boca não vai dizer.

terça-feira, junho 07, 2011

Se houvesse no mundo alma
que fosse capaz de entender
em que entrebeiras caminha meu rumo,
pegaria forte nesse apoio
até a caminhada ser suficiente
e cansar.

segunda-feira, junho 06, 2011

Aonde deito

Apenas queremos sentir uma fluidez mais nítida, que permita esse contínuo do tempo, essa onda que transporta. A vida que dói, amedronta e então nos chama para comemorar o todo, de bom, que possa haver.

Não há como negar o desejo, é mais forte que o próprio impulso. Vitalmente, basta estar vivo mas além do que o corpo sente, mora uma alma, outra coisa habita.
Transpor todos os paradigmas pode ser o rumo, não o alvo.
A quebra os contrói, fortes e renovados. Os filhos do amanhã necessitam de uma parede para quebrar, é preciso seguir uma forma de caminho, tortuoso, titubeante, tímido, todos.

Em Acreditar deita meu espírito, que entende na compreensão da linguagem, o suficiente para abastecer durante o caminho, e enquanto essa beleza for-me ofertada, por que não condicioná-la ao meu cotidiano: passando cada dia como se  fosse qualquer outro, acreditando.

sexta-feira, junho 03, 2011

Tentativa

Olhava todos aqueles, em pé dentro do ônibus, motoristas e cobradores, homens e uma mulher que falavam sobre as coisas que periciavam da vida. Enquanto isso, era só o caminho. Não era desconfortável representar nem a compania nem a si próprios. Iluminados pelo sol mais quente do dia, no meio do ônibus, obstruíam quem subia e descia: de detalhes como esses, todos os faziam presentes. Nenhum olhar recuava porque os pares jogavam. Esvaziou-se o espaço depois de uma longa risada em grupo concordando sobre as dificuldades da vida. E desceram, dando fluxo a velocidade das ações.

Ficou uma mulher, anônima, representando a si própria toda imersa naquela energia que contemplava o vazio. Com um sorriso esforçado, que se confundia com uma linha de expressão rotineira e com uma tentativa de dizer o que achava incrível nas conquistas detalhadas pelo caminho. Mas não obteve resposta: dava-me as costas, não sentiu o quanto a notava.

segunda-feira, maio 23, 2011

E.G.,

O mais perto de

EU TE AMO

posso chegar é

EU  TAMBÉM.

E no fundo do meu silêncio,
há sua compreensão.
Certamente reaproximei-me de uma ausência. Interessante perceber que alguém no presente pode somente lembrar o passado.
Não há motivos frescos para ir avante, galopante, como um verdadeiro
Cavaleiro Andante,
em busca de outro presente, que já está distante.
Desejo-o todo tipo de sorte, nenhum tipo de morte, porque ainda é nítida a energia que emana.
E por isso, somente, devo calar-me.

Outro aspecto foi silenciar-me quando notei-me. O eu-objeto quando em análise causa-me o quê? Não permitir o outro a participar dessa "extensão dentro de mim" é  a forma defensiva ou egoísta em relação ao outro?
Há os que acreditam que só a afirmação resolve parte do problema, como busca da verdadeira solução. Afirmo que há o problema, mas me perco na simples questão.
Ele está ao meu lado.

quinta-feira, maio 05, 2011

Não há como negar que a escapatória está cada vez mais distante: teria de fazer todo um movimento reverso desse que me lança.
Diretamente para frente, onde não há nada além do mistério, completo desconhecido.
Uma lacuna, separando o claro do escuro, o sonho da realidade, é essa de passado, que na verdade é o princípio, onde meu tudo se baseia: preciso superá-la, ao invés de esquece-la.
Fingir não haver cancela todo o mistério.
O mistério é como se fosse o abismo.

segunda-feira, abril 25, 2011

Pavio

Nessa noite
trançado branco
ardendo
em chamas.
Fico, às vezes, imerso nma cadeia de ideias que afundam. Ao passo que tento me encontrar, me afogo.
Fico, às vezes, a ponto de explodir, como se o mundo se alargasse permitindo estender cada parte de meus membros ao infinito.
Hoje sou parte,
amanhã sou o todo.
Nasci fluído e acertei minhas arrendondadas, orgânicas arestas.
Com o tempo quão mais simetria eu encontrar, maior o desafio da fluidez:
rígida, organicamente estruturada.
Mas o quanto ainda posso transitar
entre o fluir e o aparar?
Cruzei minhas vontades com alguns de meus [saciados] desejos. Ainda entendo que é preciso manter-me próximo da casa. Como filho ainda preciso crescer e transpor. Em milhões, não ascenderia: viveria em demora.

Daqui parto seguro das coisas que observei, mas ao mesmo tempo o incerto ainda circunda toda a estrutura: onde há o mistério, existe a vivência da dúvida.
Sinto como se o sol fosse sempre esplêndido ao brilhar no fim de cada ciclo.
Onde o horizonte é tão vasto, distante,
 cada vez o mundo fica mais invisível:
 é possível perder-se no próprio pensamento.
Onde o horizonte é tão vasto, distante, cada vez o mundo fica mais invisível: é possível perder-se no próprio pensamento.
São tantos recortes
que sim, cada vez mais,
a realidade é plural.
O voo aqui parece ficar dentro de uma grande gaiola.
É preciso encontrar quem busca a Liberdade,
não quem a prende: preciso perder-me de mim.
Ao contrário de ser único, agrada-me ser poucos.
Unificar-se ao todo quando não há como abraçá-lo
por inteiro é o grande desafio.
Em meio ao turbilhão acumulado
de vontades e desejos,
transformo-me em objeto
para somente
observar o fenômeno.
Em meio ao turbilhão acumulado
de vontades e desejos,
transformo-me em objeto
para somente
observar o fenômeno.

quarta-feira, abril 13, 2011

Não é possível que o mesmo me referencie como maior,
somos absolutamente iguais exceto contexto.

sexta-feira, abril 08, 2011

Pode ser que o estranho dos seus olhares queira dizer ao desconhecido no seu âmago algo novo, que provavelmente só minha boca conseguirá desvendar; e enquanto seguimos esse caminho curto, às vezes parados a pouca distância, ainda é silêncio.
Na verdade não é - o silêncio já se quebrou, só ainda não ouvi tua fala.

sexta-feira, abril 01, 2011

E é cada vez mais isso: nos olhamos, vemos e enxergamos até entender o que a fala não conseguiria dizer e daí se segue: em silêncio.

quinta-feira, março 31, 2011

É possível uma relação
Anônima entre nós

Porque já me vês
e me notas

Porém, se quer
nunca me tocará.
É preciso pensar até
Alcançar o infinito
Porque o máximo
Que podemos chegar
É perto do impossível.
Despachada a dor
Agora a volta.
E no acúmulo dos atos
Vem cada vez mais
Aguda.

terça-feira, março 29, 2011

Ele tem como ficar lá parado, do outro lado da rua, esperando que alguém vá acenar ou localizá-lo pela simples presença acentuada no terreno. Só porque as linhas são fortes e os adornos chamativos, não quer dizer que o olharão a todo instante, a não ser que esteja sempre em busca dos olhares, implorando com o clarão brilhante dos seus olhos que o que precisa é de um pouco de um estranho carinho; e faz, e encontra e assim que o encontram se surpreendem porque veem nele refletidos as centelhas de um glorioso jovem presente.
Estou me segurando a uma linha,
imensa, enorme,
que nem pesa, que mal sinto.
Quando eu solto, é queda livre.
Se me agarro
é como se ainda
estivesse caindo.
Não tenho porque ficar buscando nas ruelas e nas arestas a surpresa magnânima dos meus dias, pois não aparecerá enquanto olhar focado para o borrão transparente que se afigura na cabeça como destino.
É muito bizarro aqui pra onde viemos. De repente, tudo corre como se fosse preciso chegar antes mesmo do combinado; a espera não está mais em voga ao passo que esperamos o desabrochar das coisas no caminho.
É muito bizarro que ainda não paramos, mas que só estamos num rumo, num fluxo, cegos no escuro mas programando aonde iluminar.

segunda-feira, março 14, 2011

A cada instante a passada se torna mais densa
e meus pés sentem o chão com um pouco a mais de força que outrora,
e então, não me perco porque automático é o movimento Divagar.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

É uma relação absurda de segredo e escondeirjo que meu corpo trava enquanto a poucos passos, uma energia completamente distinta repousa frente ao meu torpor da lógica. O olhar se perde por não se equilibrar, não posiciono-me rente frente ao espaço,

pode ser tanto a verdade da latência quando a opressão da mentira.

Belo estranho

 A fome que o corpo sente
O olhar não sacia
E não há forma alguma
Quando inclino a cabeça
Que não lhe encontro na vista.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Pode ser menor a dor que me acolhe, caso vire os olhos pro alto e compreenda que vem do controle a força precisa pra poder seguir - mas persegue-me o peso nos ombros queimando e puxando a carne, como se a fosse rasgar.
E não há descanso sob posição rígida, não há corpo ríspido que a segure: ajeitar-me descompassa o relaxamento, porque não vai embora o incômodo na hora que me deito; daí então me desarticulo e fico meio rude em posição pra atenuar a sensação de transbordar até os pés o jorrar dessa fonte que me sai dos ombros.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Sou capaz
de te transformar
para nos esconder.
E se eu me inundasse do teu?
Respiro, hoje, a essência do longínquo
que fica presa no fitar, turvo,
de nossos olhares.
Waiting for you to come along
I'm afraid of falling apart for you
and then you leave
So I'm brokenhearted
I've got ao much to fill up
In empty space I stand in front
Of your face and stare

The silence among us
Is  not dispair.

domingo, janeiro 09, 2011

A parede cinza
Pele lisa
Plana face
É impossível que não me interrompa
As palavras, simplesmente fogem,
a moldura, alarga.

E a boca fechada, desesperada
descubro um meio
de abrir.
E hoje, noite viva
e em qualquer condição
o espírito não pode queimar ou ser queimado.

domingo, dezembro 26, 2010

Não desorganizar a amarração pois
é preciso o trabalho
para que não haja erro
e que não haja reclamação
porque paro, se preciso
diante do acerto.

E na certeza conferida de olhos
estranhos nomes dirigindo-me
olho de novo
acerto o acabar e
logo forma-se um novo ciclo.
Está escuro e não enxergo direito agora.


Ah, que medo!
Medo do quê?
Agora!

Do quê?


Agora!
Há uma tempestade de vida acima da minha cabeça,
todos em direção da luz,
afago pleno
em pacífica cegueira.

Ao passo que me assustam, são meus amigos.

Voam direto, enlouquecidos
À vida
que não há.
Frente ao mastro luminoso, cercado de vida, disfarço de mentiras alegóricas
e me atrapalho em equilibrar-me
vivendo assim.

quando?

Hoje
papai foi
um pouco de artista
um pouco de homem de Marcel Duchamp

sábado, dezembro 25, 2010

Como brinca de ser linda e correr fluída
Meio a rajadas do vento mais puro
Ocorrência do amor
somatória devida num espaço que não se conta
de tempo

sábado, dezembro 18, 2010

Por enquanto te perco em passos desencontrados mas não menos desconhecidos já que da sua nuance eu consegui compreender o movimento teu, de verdade; mas assim que for hora de perder-me a encontrar-te só posso retomar o meu.                   

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Ao passo
do teu lado
é vazio porque teu próximo passo
já ocupa o passado,
 vazio, em si.

terça-feira, dezembro 14, 2010

De repente deparo-me com uma auto-penitência estática bem em minha frente, olhando-me nos olhos e abraçando-me com o carinho eterno que exala de uma perfeição acentuada, e doída, a cada dia que obriga-se, e resiste, a passar.
Com a certeza crua e pesada o corpo lida cansado com o horizonte percorrido vagarosamente, arrastando-me. Por vezes me desencontro e ao sentir-me, tremo em minhas bases avisando-me a hora de parar. O tremor antecede a minha queda;
E desfaleço docilmente no meu leito úmido.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Na compania de um sopro cálido meu corpo se arrepia por sentir que o ar que parte do nada e toca minha pele vem de um passado recente, de um fluxo constante. Não sentir brisa nova soprando gracejos é assolação incalculável pra um corpo que se multiplica, incontável, na sua própria sombra.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Enquanto houver tempo para continuar sendo aquilo que ainda há para ser, serei. Mas assim que o dia novo amanhecer e eu puder olhar melhor,  novamente, já não terei tanto a certeza que, agora, me faz continuar.