Quem é o sujeito além do objeto? Da relação?
Tu perguntas.
Estes encontros
dos espelhos
dos olhares
que revelam o diverso - outro
a beleza
de nossos corpos.
Passo horas ao lado de tua voz,
algumas meias verdades
e és o espetáculo por si só.
Coloco - me num lugar em que
te aproximo daqui - e ficas.
Atraído pelo rastro,
como uma fera jovem.
Sonharei contigo esta noite?
Porque há como negar algo nítido.
Voltas hoje sentindo - se rei
porque fostes o mais marcado.
Tua beleza é uma idéia, uma matéria forte.
Não acharia o contrário.
Queima uma chama leve no chão desse sonho. O universo explodiu estrelas.
Tu perguntas: por quê?
segunda-feira, novembro 21, 2016
segunda-feira, maio 09, 2016
Não a
passagem.
Mas a
permanência.
Nem frutos
mas raízes
profundas.
Que dão
vigor à árvore.
Tem uma
mágica o distanciamento:
posso ver a
paisagem.
Os ramos e a
copa.
Mas a vida
continua uma miragem
e é trágica
tua ausência na moldura.
Quero você
no meu sonho.
É grave como
trovoada a dor aguda que
causo ao te
deixar a chuva das lágrimas.
Urgente vivo
e assim descubro
como ser
mais contigo.
Melhora e
brilha meu crânio: se digo estar bem e minto,
nego algo
afirmando outro som escondendo o que sinto.
A vida
aumenta sua demora sem tua presença.
Saltam aos
sentidos dos meus olhos saudosos
os detalhes
de teu corpo: campo bem desvendado.
E reconheço:
não posso, não quero brincar mais com isso.
Estás
inscrito na pedra fundamental do meu coração.
Não há
tempo, água ou memória que retire
o crivo do
teu amor de meu peito.
Por favor,
fica.
sábado, abril 09, 2016
Ai, sim, amor - apita a TV -
eles tentam vender qualquer coisa
a essa hora, de tudo.
Tendenciosos! E ainda assinam!
Por outro lado, estouram bolhas
onde estão as palavras
que não conseguimos falar.
Como não entrarão em nós os seus pneus,
aqui ó? E passarão rapidamente.
u-n-b-i-a-s-e-d
Sondarão tudo: (não) acharão nada
unbiased.
Nossos tradutores gritam na varanda porque
sempre saberão o barulho que faz a máquina.
E não dirão: para alguns
é preciso devir flores noturnas
sobre a tampa fechada.
eles tentam vender qualquer coisa
a essa hora, de tudo.
Tendenciosos! E ainda assinam!
Por outro lado, estouram bolhas
onde estão as palavras
que não conseguimos falar.
Como não entrarão em nós os seus pneus,
aqui ó? E passarão rapidamente.
u-n-b-i-a-s-e-d
Sondarão tudo: (não) acharão nada
unbiased.
Nossos tradutores gritam na varanda porque
sempre saberão o barulho que faz a máquina.
E não dirão: para alguns
é preciso devir flores noturnas
sobre a tampa fechada.
sábado, novembro 21, 2015
De represas
e dinheiro,
um Belo
Monte construído.
Mortos. Povos
em tragédia,
sufocamentos.
Crianças e
muitos outros
mortos, gases
nas câmaras
de Auschwitz.
Numa
promessa enganadora de livramento.
Um trauma
de presente.
Ave Maria
cheia de
graça,
rogai por
nós
na hora de
nossa morte.
A história
é o espelhamento.
A ventura
de viver é o agora.
Poupa-nos à
eternidade sem desalento.
Não
conseguiu fazê-lo feliz,
Nem quis
petrificar
Mas flores
presenteavam
O passado.
Não
descobriu como ser,
Nem trouxe
nada pra brincar
Mas cores
borbulhavam
A seu lado.
Não
entendeu o que deveria,
Nem
enxergou o que tinha ali
Mas o sal
da tarde
Arde os
olhos.
Não engoliu
as mentiras,
Nem as quis
escutar
Mas
subitamente ferida
Calou o
batom.
-
Não arrumou
desculpas,
Nem pensou
em voltar
Mas só, sente
profunda
A distância
e o pesar.
Uma costura
Cinza e
áspera
raspa a
mão.
Melodias e
trabalhos
inteligentes
e melodias:
cargas cotidianas.
Sabe,
É como tem
sido,
Difícil e
emaranhado
O prolongar
das horas nas minhas costas.
As eras da
sabedoria em árvores rosas
E
mangueiras.
Das
paineiras, flores aveludadas e
o tronco
espinhento
protegem
minha casa.
Naturais fibras
amareladas
Circundam o
morro todo.
O terreno
aspira ao sagrado,
Maturando à base de rezas
E
chibatadas.
A transcendência
como um fardo
Necessário
às passadas
De um
cavalo
Do
deslumbramento.
Associações
circunstanciais
Voam como
borboletas:
Não tem
peso algum o pensamento.
Subiu aos
céus e está sentado à direita de deus.
Brilha com
as estrelas - guardemos a urna do pó do cosmo.
Fogueira à
beira do Ganges descansa em paz.
Tudo se
transforma e me lavarei nas águas de teus restos.
A carne em
larvas e coroas de flores em teu buraco.
A pele em
podre e eu te como: necrófilo:
tua força
em meu estômago.
Deitado na
terra virás árvore.
Teu destino
é seres outros animais - estar sempre presente.
Inesgotável,
não padeces e jamais somes - tudo se transforma.
Hades
recepciona defuntos no leito d’águas negras.
O espírito
vagueia manifesto ao redor das casas.
A vida
anuncia-se queixosa: os deuses (imortais) voltarão.
TE COMO A PELE
Porque
estás morta;
NECROFILIAS
Filas de
restos;
RUBRA FOME
Comida
rosa-sangue;
PÚTREFA CARNE
Que renasce
na minha víscera;
VÍSCERAS
Retorcidas
de minhas fomes;
EPIDERME
Dá-me
sustento;
E EU TE
Tenho aqui
agora;
COMO PELE
Pelos pelos
Começo a
superfície;
O PODRE E EU
Nos
encontramos na mesa;
ENGOLÊNCIAS
São essas
que escorrem goela à baixo.
Foi um sonho
delirante
na nuvem matinal.
Fui engolido
pela viagem.
Revisitei-me entre
Arbustos-entranhas.
Estilos escondem
meu traço anônimo
que ficou de rastro
Pelo caminho?
Esse calor
De tuas gotas
Que o corpo dessas pernas tem.
Esse silêncio estranho
Enrolado no verbo.
E na saliva das línguas.
Algumas palavras
Pedem por cuidado
Ao serem ditas.
Aprofundam-se na garganta.
Parabéns por conseguir.
Obrigado por tentar.
Bom dia.
domingo, novembro 15, 2015
Lista de Monumentos Destruídos
I. Zoroastro.
II. Zodíacos cotidianos.
III. Xingu.
IV. Utopias.
V. Uma torre de porcelana.
VI. Um monge queimando.
VII. Um fato memorável.
VIII. Um busto de Luiz Gonzaga.
IX. Um brilho etéreo.
X. Titanic.
XI. Timbuktu, a “Cidade dos 333 Santos”, no Mali.
XII. Teu corpo.
XIII. Teu corpo.
XIV. Templos do Nepal.
XV. Tecelagem.
XVI. Teares.
XVII. Swayambhunath, o templo do macaco e os olhos do Buda.
XVIII. Stadplatz.
XIX. Sequoias.
XX. São alertas monumentosos.
XXI. Ruínas e devastação.
XXII. Prainha.
XXIII. Pau-brasil.
XXIV. Patrimônio mundial da humanidade.
XXV. Paris is burning.
XXVI. Palmira explodida.
XXVII. Palestina.
XXVIII. Pai.
XXIX. Os velhos.
XXX. Os sambaquis do Equinócio.
XXXI. Os ritos.
XXXII. Os passos de Roma.
XXXIII. Os pássaros.
XXXIV. Os parques.
XXXV. Os morros.
XXXVI. Os mitos.
XXXVII. Os jazigos.
XXXVIII. Os índios do Brasil.
XXXIX. Os deuses.
XL. Os corpos.
XLI. Os cantos.
XLII. Os Budas na rocha de Bamiyan.
XLIII. Os artigos.
XLIV. Obras de arte.
XLV. Objetos religiosos.
XLVI. Objeto obsoleto.
XLVII. O sexo.
XLVIII. O saci.
XLIX. O palácio de verão na China.
L. O ópio.
LI. O oceano imenso.
LII. O mercado público.
LIII. O mausoléu.
LIV. O boto sedutor.
LV. O antigo Beirut.
LVI. O ancião.
LVII. Nórdicos.
LVIII. Nimrud em pó.
LIX. Museus.
LX. Monges afogados.
LXI. Meu corpo.
LXII. Mesquita.
LXIII. Mesquita de Samarra.
LXIV. Masculino. Feminino.
LXV. Mares que nunca visitei.
LXVI. Majestosas tumbas.
LXVII. Mãe.
LXVIII. Macuca.
LXIX. Líbano.
LXX. Latinos.
LXXI. Jardim, quem tem tempo pra ele?
LXXII. Iraque.
LXXIII. Indústrias.
LXXIV. Indianos.
LXXV. Igrejas góticas.
LXXVI. Igrejas de Cristo.
LXXVII. Hospitais psiquiátricos.
LXXVIII. Gregos.
LXXIX. Gêneros.
LXXX. Gaza.
LXXXI. Frohsinn em chamas.
LXXXII. Flora.
LXXXIII. Filhos.
LXXXIV. Fauna.
LXXXV. Fábricas.
LXXXVI. Europa.
LXXXVII. Esta recordação.
LXXXVIII. Esta obra.
LXXXIX. Esta lembrança.
XC. Escolas sitiadas.
XCI. Eles serão destruídos.
XCII. Eles não se encerram.
XCIII. Egípcios.
XCIV. Durbar.
XCV. Doenças.
XCVI. Democracia implodida.
XCVII. Criança na beira do mar.
XCVIII. Crenças pessoais.
XCIX. Cavernas de ossos.
C. Cascudo enlameado.
CI. Carne.
CII. Bugreiros e suas orelhas Xoclengue.
CIII. Bósnia.
CIV. Bisnagas de linguiça.
CV. Bibliotecas.
CVI. Belo Monte.
CVII. Ave Maria.
CVIII. Auschwitz.
CIX. As pedras em Donna Emma.
CX. As línguas originais.
CXI. As fábulas.
CXII. As casas dos reis.
CXIII. As árvores em Santa Catarina.
CXIV. Arte sacra.
CXV. Araucárias.
CXVI. Árabes.
CXVII. Apameia, Cidade Tesouro.
CXVIII. Aos poucos, a Síria.
CXIX. Americanos.
CXX. Amazônia.
CXXI. Africanos.
CXXII. Afogamento Guarani-Kaiowá.
CXXIII. A vida eterna.
CXXIV. A Serra da Capivara.
CXXV. A sabedoria.
CXXVI. A ressurreição da carne.
CXXVII. A resistência.
CXXVIII. A rainha do mar.
CXXIX. A paz.
CXXX. A mata.
CXXXI. A infância.
CXXXII. A igreja católica.
CXXXIII. A Iara.
CXXXIV. A garrafa do leito no portão pela manhã.
CXXXV. A força.
CXXXVI. A curva do rio.
CXXXVII. A comunhão dos Santos.
CXXXVIII. A cidade às vezes.
CXXXIX. A água do Rio Doce.
quinta-feira, março 19, 2015
quarta-feira, dezembro 10, 2014
Impossível
construir estética antes das três da manhã.
Sequer toquei a madrugada, mas
reside uma insensata realidade implicada sob a representação que somente
arranjos não bastam. Quero colher, e some aí o limite. A repressão confessa na
representação. Uma chatice árdua, feito acordar. Compreender que às vezes –
algumas poucas -, registram-se regras que no momento estão aí para acatar. Há
conflitos porque ponho correntes em mim e não soa anormal. É normal estranhar-se
e esquecer-se também nalgum instante, mas o que beira a esquisitice é
justamente não se arranjar consigo a margem de si. Sou eu. A mão e a pedra
cravadas em si. A poeira da porrada e o
escorrido. Tem raciocínios que somem diante da tentação do nada. Talvez esteja
entregue a isto o meu destino. Os modos de concordar e compreender cedem espaços
ao lampejo de qualquer aurora. Desespero esperando brotar flores onde não há
nada fértil semeado. Desespera não ver a primavera. Afoga permitir inundar-se
quando se já esta cheio. A autoimagem confessa diante do espelho de um crime
irrealizado.
Reside uma letalidade na palavra. Mortal é aquilo que não se diz.
quarta-feira, novembro 26, 2014
Poema de Totalidade
Pode tudo? Pode!
Quando? Sempre!
Onde? Todo lugar!
Mentira? Verdade!
Verdade? Mentira!
Quando? Sempre!
Onde? Todo lugar!
Mentira? Verdade!
Verdade? Mentira!
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