domingo, abril 07, 2013

Se de símbolos é que necessito
Proibido será escolher
ser a pétala caída.

Figuras para construir um mito?
a ascese repousa no ver
a coisa construída?

Então sem conclusão
me erguerei
e amando, usarei da Razão
e Me esquecerei.
Vou pegar Isso
da causa maior
e dar sumiço:
surgirá algo melhor.

Do improviso, voo
mas ao ir, demoro
Então, repouso
Mas ainda, choro.
Eu acho que a puta que pariu seja uma boa mãe, uma - eu não consigo ler -, mesmo distante não assistirei isso. Nem as músicas porque não há como confiar no gosto popular.

quarta-feira, março 27, 2013

sexta-feira, março 15, 2013

Ágora

Um pequeno fim
relegado ao eterno
do que há em mim.

A marca da memória
fixada numa pedra
de ideias, na história.

Entre esquecer e a morte
não muito longe está
a linha que define a sorte.

Manter vivo defunto
não abre precedente
ao novo do assunto. 
"Também já houveram épocas
de assimilar o perigo
num perfeccionismo barroco".

sexta-feira, março 08, 2013

E são somente estes
oito segundos que bastam.
Pra que no piscar dum instante,
tudo: e as coisas em mim se arrastam.

E cheio duma gastura
as palavras me afongentam
numa noturna ruptura,
os sentidos que faltam me orientam.

Mas é uma reticência a farfalhar
um abismo de orgulho,
porque ao invés de gargalhar
fico a pensar-me nos embrulhos

Que tive comigo quando
Contigo me esqueci
e ao tentar fazer-me brando,
com a rotina, enegreci.

E de encontro ao fim,
sou a tontura mista na areia.
Mesmo não querendo ser assim
quando penso-te, corres nas daqui veias.
Largastes o novelo e
Aqui ficou um embaraço.
Não importa o meu apelo
Sozinho isso eu não desfaço.

Toda junta a linha
em pleno desalinho;
que tolice a minha
em pensar que não seria sozinho.

Porque é desses intervalos
entre tudo e nada
que a vida mostra os lados:
e ao canto, alma quebrada.

Puxo do novelo o novo
desenrolar dum caminho.
De novo envolto em meio ao povo
Reconquisto o meu alinho.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Meus olhos 'inda apaixonados
Querem, de longe, te ver
E todos os precisos cuidados
Relembrando pra esquecer.

A tua figura não existe,
Nenhum vulto a passar.
Só esse amor que persiste
sentado, às arvores, a te esperar.

Não és como a barca, que passou
tampouco o futuro que não veio,
'inda junto cacos do que restou,
tua ausência tornada entremeio.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Está chorando lá fora
Posso chover aqui dentro.
A cigarra sai de si.
E tal qual, a secura na árvore - a casca seca.
Fixado calor da secura, aos poucos, saio.
O que é isso de viver um luto da coisa viva? Que morte é essa que não há morto?
Só a presença fenece na longitude dos dias e, em cores densas, a realidade de agora, rumorosa relembra o espaço movido pelo singelo andar dos passos.
A sombra d'antes (pedante) se torna vulto no resoluto abstrato do meu silêncio. Aqui, algo existe vivendo tua morte em meus dias.
A noite toda sofro, tendo que ouvir(ver) sobre o interessante intervalo das ausências.
Imagens fugídias
Silhuetas movimentam-se.

A confundida imagem
ingênua do espelho.

Casca grossa da experiência
as cenas que jorram sentir,

E pontos, só eu, 'nada más'
A latência dum pulsar
Redundante nutrir-sofrer.

terça-feira, fevereiro 05, 2013

A numerologia coincidida
com o abstrair da tua figura,
Nossa mútua alma partida
Revolta-se na rasura

De dias que se buscam
sem um norte oferecer
E os truqes que todos usam
pra atenuar o esquecer.

Então encha-me os copos
de um sumo  torpor puro entendimento
rumo, somente, ao alto topo
do lógico pensamento.

Abstral

O tempo ponto do desejo
e o mais fino significado
sublimado na fala de um lampejo
de paralelos desencontrados.

A linha esticada de extremos;
o caminho, não um seguir
todos são os mesmos
na variável maneira de ir.

E tudo-tanto se encontra
a fala e o silêncio sentido
olhando para a coisa, outra:
nem afetado nem atingido.

A primeira pessoa: saio do tempo
e todo reticente, zero ponto.
Do passado sobra o pó
fruto abstrato do pensamento.

Retirar do início o artigo
Desusar a mania desse nutrir
O uso é uso, não é castigo,
há momentos de só querer rir.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Um isqueiro verde
eu sou.
Chama crescente
pequena lampejante
eu vou.
Viver a dura experiência
quente queimar e sobreviver,
é amadurecer.
E logo amarrar-me e depois deixar-me. De charme. Ai, tão distante que nada exprime além do pesar que se dá certo quando falta palavra da ordem simples ou da ordem plena que me diga, sei lá, "a vida é uma grande ilusão", o seguinte: não se tem problema. O transeunte aumenta tudo daquilo que ele próprio inventa e daí o desgraçado, eu menor, pequenino, se arregaça na discrepância de amargura e não encontra fundura que o esconda no chão. Fundura de cabeça de avestruz.
E disso emaranhado de palavras nasce o alento de esquecer-bicho que solenemente impresso nas coisas-almas que escapam de meu ser. E transitam como moscas as palavras (de borboletas só cuidam as belas), sujas amontoadas e entoadas pelo hino automático uníssono ZZZZZMMMM das asas de confirmar; e até ali de novo, depois que cagam e botam ovo, a vida troca e vai. Devagar.
Da mosca de volta pra palavra, quem ficou vivo mais tempo?

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Elo

O tempo da emoção
não tem com o relógio
a mínima devoção,
então meu elogio:

À verdade pura,
veredas transformadas.
E minh'alma então segura
pra não pensar velhas jornadas.

Poucos despertam o valorar
o teor, sumo dos sentidos.
Na vida, aprender a amar:
incumbência a Poucos cupidos.

E ali me vou, ocupado
numa primeva busca
de um calor apaixonado-
brihante, que nada ofusca.