O que era antes confissão, agora são tons de uma conversa, que se inicia em ponteiros zerados e ruma em direção ao silêncio. O que antes era desabafo, agora concreta-se em suspiro de esperança, porque começa a fazer sentido notável que as falhas, são alicerces para um acerto. E nesse diálogo, que desenrola-se mudo, as situações transformam-se em coisas e criam forma. Forma que fala, que direciona, dá sentido.
E nesse sentido cravado nas ranhuras é onde eu encontro a fala de um sonho que ainda não morreu, porque se a fome matasse os meus problemas, os sonhos famintos por uma lembrança remeteriam tudo a um passado ideal, onde as falhas podem ser todas corrigidas, e a morte não ronda. Não faz escala e não cria problemas. Não a morte da carne, mas essa morte diária e constante de si mesmo, de tudo que dá tom, som, cor, forma e peso às coisas. Essa matança é naturalmente interminável, e nesse ciclo encontra-se o sentido pleno pra entender que quão mais cru estamos beira a essas razões, as coisas mantém-se como são. E não saem correndo por aí, esquecendo da gente.
Uma grande falha são todas as luzes vermelhas que indicam um perigo que muita gente ainda não conhece por ver glória. É o perigo do progresso, que forma uma fila gigante e sinuosa, seduzindo a quem vier ver. Em certos momentos, a fila vira cobra e toma movimento, mas nesses mesmos horários, todos os dias, se ficar observando, é possível ver ela rastejando a frente, rumo ao descanso, ou acaso. Insignificados sem sentido incondizentes deploravelmente ligados por incongruências de medidas pueris de desvios do descaso. E nisso tudo, as coisas beiram.
E os bafos que ardiam dentro da boca, agora criam sons e isso dá fome de novo, pra continuar a comer, sempre que preciso, enquanto tudo não for confissão e segredo.
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As falas de Ruan, sempre no mesmo tom. Consigo imaginar você pronunciando esse discurso.
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