domingo, outubro 26, 2008

Rascunho

Agora, diante do meu silêncio, estou fixadamente olhando, a porta.
Na realidade, não é nada disso; não quero entrar num tema de infernos. Acho que estou sentindo um ciúme que nunca havia sentido antes. Um ciúme que nasce na distância das falas e no desencontro. Um ciúme que deixei crescer e que alimentei. Porque a falta que me fazes torna-me infantil demais a ponto de não reconhecer que sentir ciúmes é comum. Não sei se arrancarei alguma coisa dessa sua alma crescida e forte (a minha continua pequena e frágil... digo sem dramas).
Mas na última noite, escrevi uma poesia, com letras de sonho. Dizia que eras a beleza em forma de gente e que o sonho nunca acabava. Não havia ritmo e rima, eu escrevia certo no vão da minha mente. Literatura inconsciente.

-Como as coisas podem ter ocorrido assim? Da forma mais mascarada possível?

-Eu sei falar sobre o que quisermos, a menos que queiras dormir.

A cama ainda cheirava a suor e teor embriagado da imagem de um quarto envelhecido pelas roupas de brechó e pelas mantas de carneiro que traziam para o vazio um pequeno alívio à respeito de sua condição.

As pernas jogadas para o alto reluziam fortemente, eram quase espelhos.

A boca não conhecia a ruína nem a miséria:

-- Ah, lindo dia hoje, não?

3 comentários:

  1. Ui Ruan, você acentua o que a angústia consegue esconder nos permenores do dia; assim, na porta, na fala, nas roupas...
    I guess it never stops.

    Espero que venhas me dizer, então.

    ;*********

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  2. -Como as coisas podem ter ocorrido assim? Da forma mais mascarada possível?



    .

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