sábado, julho 26, 2008

A velocidade do desejo

Sentada consigo mesma consegue perceber a beleza sutil dos transeuntes. Não deseja deitar-se com este ou aquele. Na sua cama encontra todo o desejo que procura e no seu ninho habita o sexo que almeja. E o amor que a segura.
Num compasso acelerado seu coração bate, pois fora árduo o dia e a noite vinha calma do horizonte para esconder a pureza simples da natureza. Com calma ajeitava seus cabelos porque o penteado à noite precisa mostrar o animal que dentro dela está. Ela tem uma criatura irracional guardada no peito. E os cabelos que exibe durante o dia ofuscam e abafam o que se esconde.
Por um breve momento seus olhos encontram outros tão negros quanto os seus. Seus pêlos arrepiam-se.
Ela olhava-a, de pé, do outro lado do ponto onde a mulher que acabara de surgir, a da noite. Houve intenso olhar. Havia um flerte que jamais haveria no costume monótono da tradição.
Ela, sentada, não conseguia procurar outra paisagem senão aquele lago escuro, profundo, sem fim. Levantou-se e foi em direção do novo, esquecendo-se do amor que te em sua cama e do corpo que sempre pode usar.
Ela quer algo igual, não diferente. Quer aspectos gêmeos. Quer algo novo. Não ama; quer provar. E com todo o calor que há em seu colo fugindo do corte suave da seda decotada, dá alguns passos, aproxima-se e.



-Oi...

Um comentário:

  1. me fez imaginar uma mistura de drain you do nirvana com onze dias do los hermanos... uma loucura!

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