Num campo coberto por folhas secas, pairava o sentimento de isolamento. E ela sem saber o que sentir, entregava-se totalmente ao ambiente. Era uma flor morta. Com beleza renovada.
Do seu perfume, que já não tem mais graça, ficou só a lembrança. É o odor fétido que afeta os arredores agora! Sem a música dos pássaros e todos os outros chavões da alegria.
Seus olhos tão pequenos são os espelhos da tristeza. Um lago profundo que reflete a amargura da alma. Um pedaço de loucura jogado perto do profundo azul onde afogam-se os contempladores do desespero...
Tornou-se já tão usual caminhar sobre a sofreguidão, que os galhos que ao se quebraram, furam seus pés, já não fazem-na sentir nada. É o suave toque da percepção que faz lembrá-la de que ainda está viva. E quase morta.
Morta ao ponto de não ver horizontes. Só os mesmos campos vazios, e opacos.
É uma beleza que transmuta a alma e volta ao corpo com efeito negativo. Com efeito de existência.
Ela odeia a beleza que não mente; a realidade feriu-a demais e caminhar com o corpo coberto com cicatrizes apenas torna o contato com o mundo mais difícil.
Sua carne é mais sensível e suculenta que qualquer outra. Todos querem atrocidá-la com gozo nobre, sincero, e horrível.
Eis o terror da existência: o medo da deterioração carinhosa. Do espinho da mais bela rosa, que secou. Do galho da cerejeira que lhe fura os pés. Sempre.
E de sempre ruir aos pedaços, ela cai. Só existe a pequena alma. O corpo...morreu vivo; e a bondade do céu permite que o sol mostre-se, seque-a e conserve-a. A conserve aos abustres. Apreciadores da carne seca e merecedores de sua matéria. E aos vermes que surgem no fim da apoteose, resta apenas o espasmo da presença.
Ela sabe que o topo belo antecede o caos e a desavença. Que o mundo não é honesto, E que seu corpo é frágil.
Pequena, morta, sentindo e apodrecida ela vê a ruína do amor em nome da benevolência e sente o sofrimento da felicidade por tanto pensar que ama.
Ela está asfixiada. De tanto ar.
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belo, triste, vivo, mórbido, suave, forte... contraditorio como a realidade.
ResponderExcluirmto bom!
abraço