Bem, se fosse impossível dizer a mim mesmo que o tempo corre, diria. Diria para o tempo congelar e ficar assim, inerte, para todo o sempre. Ou para sempre quando eu quiser. Não quero culpar o trabalho e os calos pelas dores do tempo. Mas quero culpar o tempo que me presenteou com as dores e com a culpa do remorso.
A angústia ainda tão pouco vivida habitava de uma forma na alma da concha, que a casa perdia as suas poucas estruturas.
A posição das mãos em cura não se parece com o que um dia pensei em pensar que fosse possível chegar a tal pensamento conclusivo.
Os meios de análise falharam. E meu amor caiu por terra, no chão da estrada.
No tempo. No vento. No canto. No valo. No ralo. No fundo. No vazio. No estático. No parado. No intenso. No inerte. No tranquilo. No coração. No peito.
E as mãos trouxeram-no até onde seria mais prevísivel dentro da analogia construída com o tempo. Na dor. Na espera. Na frustração. Na angústia. Na felicidade. Na calmaria. Na tempestade. Na alma. Na concha. Na hora. Na cama.
Doente e tonto com visões monocromáticas que trazem vertigens aos pobres olhos da razão, que se faz forte e que não figura. E sim, literaliza.
*Imagem por Olga Gouveia

Meus olhos se encheram de lágrimas...
ResponderExcluirMinha sensibilidade tola faz minhas palavras cairem, sem linha construtiva, nas próprias mãos.
Cheio de meios adversos, conclusivos, circulamos em diferenças que levam pro mesmo equilíbrio.
Loucamente sobrevivendo, a queda do vazio.
(Essa imagem de entrada não pode sair nunca mais; combinou perfeitamente com este local...
Tão lindo quanto.)
Essa me quebrou.
;****
" ..sempre quando eu quiser" eu queria poder dizer isso e fazer ser assim ;S
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