terça-feira, junho 18, 2013

Unificar-se ao todo quando
não há como
abraçá-lo por inteiro é
o grande desafio.
É e é porque é dedicado ao intenso profundo distante azul horizonte que a palavra se deleita à espreita de um facho da luz transformadora.
A ausência de espaços tirando o fôlego traz-me o cansaço insuportável que é falar e respirar quando todas as operações são dificultadas.
Produzir, então, nem se fala nem se respira, nem se pensa. A palavra silenciosa é diferente, e igual, a pronunciada.
Estar doente é o bicho da emoção, não sobrando barreira alguma pra esconder qualquer dilacerante-enorme ferida que se alimenta, na metáfora, da humanidade em mim. Sentar-me ao lado do banco vazio simulando tua companhia produzindo esse desejo, antes fluxo, na máquina minha: meu corpo sente todos os órgãos, antes invisíveis, maquinando desejosamente. Claro que as emoções estão inflamadas e não estourá-las é essa resistência sintomática entre melhorar ou adoecer de vez. Metáforas como seres a luz que ilumina meu dia, o calor que aquece o frio em mim e metonímias como tu seres o cálice que comporta minha vida, seres o copo d'água que mata sede, nada sorvem. De nada preenchem pois que todos os suportes, em caso nosso, estão vazios. Errantes às avessas, batem-me à porta a pedir-me que resista, serás forte, tens de o ser pois que já o fostes até então. Bradando aos quatro cantos em esquinas pela vida-toda-vida, as vias - de meu corpo, meu gozo, meu lugar - vão se preenchendo de arrepios, esperanças fortuitas e coquetéis salutares explodindo pelas gargantas que clamam.
Muito tem somado-se ao nós dos últimos tempos e a contemporaneidade do nós é maior que os dois primeiros pronomes pessoais da gramática. Ainda que gigantes consigam andar pelas ruas, esse corpo que sente é múltiplo de órgãos, desejos e produções: o uníssono das massas cria o gigante. Que se desperta, quebra a barreira à força e escancara da emoção doente de nossos dias algo maior, onde realidade e expectativa excederam seus próprios limites reais e fictícios.

domingo, abril 07, 2013

Se de símbolos é que necessito
Proibido será escolher
ser a pétala caída.

Figuras para construir um mito?
a ascese repousa no ver
a coisa construída?

Então sem conclusão
me erguerei
e amando, usarei da Razão
e Me esquecerei.
Vou pegar Isso
da causa maior
e dar sumiço:
surgirá algo melhor.

Do improviso, voo
mas ao ir, demoro
Então, repouso
Mas ainda, choro.
Eu acho que a puta que pariu seja uma boa mãe, uma - eu não consigo ler -, mesmo distante não assistirei isso. Nem as músicas porque não há como confiar no gosto popular.

quarta-feira, março 27, 2013

sexta-feira, março 15, 2013

Ágora

Um pequeno fim
relegado ao eterno
do que há em mim.

A marca da memória
fixada numa pedra
de ideias, na história.

Entre esquecer e a morte
não muito longe está
a linha que define a sorte.

Manter vivo defunto
não abre precedente
ao novo do assunto. 
"Também já houveram épocas
de assimilar o perigo
num perfeccionismo barroco".

sexta-feira, março 08, 2013

E são somente estes
oito segundos que bastam.
Pra que no piscar dum instante,
tudo: e as coisas em mim se arrastam.

E cheio duma gastura
as palavras me afongentam
numa noturna ruptura,
os sentidos que faltam me orientam.

Mas é uma reticência a farfalhar
um abismo de orgulho,
porque ao invés de gargalhar
fico a pensar-me nos embrulhos

Que tive comigo quando
Contigo me esqueci
e ao tentar fazer-me brando,
com a rotina, enegreci.

E de encontro ao fim,
sou a tontura mista na areia.
Mesmo não querendo ser assim
quando penso-te, corres nas daqui veias.
Largastes o novelo e
Aqui ficou um embaraço.
Não importa o meu apelo
Sozinho isso eu não desfaço.

Toda junta a linha
em pleno desalinho;
que tolice a minha
em pensar que não seria sozinho.

Porque é desses intervalos
entre tudo e nada
que a vida mostra os lados:
e ao canto, alma quebrada.

Puxo do novelo o novo
desenrolar dum caminho.
De novo envolto em meio ao povo
Reconquisto o meu alinho.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Meus olhos 'inda apaixonados
Querem, de longe, te ver
E todos os precisos cuidados
Relembrando pra esquecer.

A tua figura não existe,
Nenhum vulto a passar.
Só esse amor que persiste
sentado, às arvores, a te esperar.

Não és como a barca, que passou
tampouco o futuro que não veio,
'inda junto cacos do que restou,
tua ausência tornada entremeio.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Está chorando lá fora
Posso chover aqui dentro.
A cigarra sai de si.
E tal qual, a secura na árvore - a casca seca.
Fixado calor da secura, aos poucos, saio.
O que é isso de viver um luto da coisa viva? Que morte é essa que não há morto?
Só a presença fenece na longitude dos dias e, em cores densas, a realidade de agora, rumorosa relembra o espaço movido pelo singelo andar dos passos.
A sombra d'antes (pedante) se torna vulto no resoluto abstrato do meu silêncio. Aqui, algo existe vivendo tua morte em meus dias.
A noite toda sofro, tendo que ouvir(ver) sobre o interessante intervalo das ausências.
Imagens fugídias
Silhuetas movimentam-se.

A confundida imagem
ingênua do espelho.

Casca grossa da experiência
as cenas que jorram sentir,

E pontos, só eu, 'nada más'
A latência dum pulsar
Redundante nutrir-sofrer.