quinta-feira, setembro 20, 2012

Ajuste

Construir figuras
Sem ver imagem
Alargar molduras
Fornecer Paisagem.

Cá está
o mau da obra
Malacabada:

Fica ruim
uma coisa pouca
só, é
meia esparsa.

Pouso


À sombra das folhas
trançados verdes - escuros
arrastam-se a subir os muros
na selvageria das escolhas.

E maior é o pássaro
parado acima delas
seu canto aspero
atenua a minha espera.

Nota

Ainda bem que
vindo aqui
veio a poesia
de encontro a
música ressoar
o que em palavra
não se diz muda
e em som não
se ouve o falar.
Esse povo, em particular
que são poucos
Escolhidos a lutar
pelo novo.

Ao invés disso
preferem brilhar
ao se dar o devido sumiço.

Assumir o impreciso
distante compromisso
que vai para além
do luar.

O GROSSO

Ainda não que fosse eu
O sumo doce teu
Pra ti me guardaria
ao nosso amor, honraria.

quarta-feira, agosto 29, 2012

Caminho

Não, é o primeiro sim
que faz-se tremer ao nascer
na dor que afunda em mim.

Tremula o Sol ao anoitecer
o passeio segues sem fim.

Como em solo firme
trema a terra às rodas.

Aguenta o caminho íngrime
Te redime ao fluxo da hora.

E o chão que treme
treme às rodas.

Demora

Era outono,
as folhas secas
Demoraram.
Mas caíram.
E decidi eu
ser livre, então
atirei-me pela janela.

Minhas mãos

Mais atadas que eu
depois de tantos nãos
durante o constante apogeu
estão muito cansadas
pois não se mexem
tentam, sós, envergar espadas
e logo se esquecem
duma força maior
vem do ventre de dentro
e de mais sutil se faz melhor
ajuda-me a encontrar o centro
ao ponto
de desatar nós.

E segue que da vontade
é o nó que quero que fique
trancando-me tenro na realidade
acelerando de todo o meu pique
volta nós.

Adelaide

Tenho um pé em
em
em experiências
sociais. Sou simples
como diz Ana,
do meu romance
de balconista.
Pobre, sempre possuí
sobre aquilo que era.

Raquel

No Brasil
Fashion
a marca.
Ela é hoje,
número 1 do mundo
(referência modelos.com).
Seu estilo como
um pouco de Led
ama música
anda escutando
poético,
na hora de
conforto.
Marca chamada
Dela, por ter uma
boca mais larga.

Relação

Não é fácil,
guerra velada
tão nobre de coração.
Difícil ir
faz uns cinco anos que não vou
tocar. A última vez
lá foi
nas comunidades, era
um trabalhão
ir fazer,
enviar dinheiro
para sustentar,
muito tenso.

Há muita gente
por nada.

Frutos

O impacto causado pelo caos
Fonográfico
Traz à luz outro esquema
alternativo
que se utiliza
de filosofia inversa
que pautava o
agora, lucro.

sexta-feira, agosto 24, 2012

Abre

Desde que dê
do meu lembrar e daí
não mais esquecer
deve ficar pelo menos
restando ao amanhecer
um de espertar
pedaços daqui.

Já que sai nada
Te ter te vai
ai como quero
a jornada
contigo, mas ajuda
ai, meu pai

que ele não vem
pra essa região
que se distrai
porque é uma coisa
de cada vez
tem que ser
e quando todas vem
ele diz que não
e vai.

É uma dor doída
que me amoa
ver nele longe
esse meu bicho
que voa.

sexta-feira, agosto 03, 2012

Então

Não está por certa
qual tem sido a maior burrada
tudo o que é descoberta
a coisa louca, desaprumada
já pouco esperta
onde parece-nos que o que era dia
agora virou madrugada

ou aquelas tardes viradas
que ao tardar da poesia
algumas coisas ficaram jogadas
como se de palavras
forrasse-se a heresia
de arrojos e aladas.

Cintilantes jorram as falas
e como voam e correm
elas todas que semên engolem
quando me veem, explodem asas

e pra longe voam
num céu de perder-se
enquanto raivam, entoam
"espera o teu amanhecer-se".

sexta-feira, julho 27, 2012

Faísca

Olhar na escura altura,
fundo horizonte
mas no antes
notar que a faísca fulgura
e que da chaminé pula
ardentes cintilantes
aos montes.

Checando, parado
olho o instante
para dizer que faísca o que é
esse avermelhado
da madeira quente subindo a lata
que toda velha casa aquece.

Quente mesmo é chegar na hora exata
esse detalhe que acontece.

quarta-feira, julho 18, 2012

-

Não sei o que lhe dizer
mas te vou dizer que
dizer eu não sei o quê:
nada a me parecer

pois que nada me ocorre
em dizer apenas
de amor ou dor,
coisa que nunca morre

fraco sopro desse poema
faísca, lúdico torpor
que pelo lábio me escorre
ao emanar fonema

se me fraquejo, sobejo
amor maior que o meu
almejo

não vejo problema
no amor teu.

terça-feira, julho 10, 2012

Vindouro

Nunca haverá o dia
Em que me causará arrepio
Ouvir essa pífia poesia
No alvorecer dum dia frio.

Enigmático o que trazias
Palavras em flores
Bem trajadas alegorias
Mas se é com aplausos e dores
Que alimentas tua morada
Não esperas que eu tenha pudores
Para dizeres que és o mesmo que nada.

Teu solo tem de ser limpo e puro
E que te calces sincero
Não te escondas atrás dum muro
Desprezando e sendo austero.

De tudo que sabemos
Dos teus poucos passos
Curto caminho o que vemos
Andar sozinho não é fracasso
No futuro do acaso
                             [nos juntaremos.

quarta-feira, julho 04, 2012

Entre meios

Não convém e nem sente
não faz e desmente
com verdade alguma em loucura
aprofunda-se às funduras
de si como se em partida
estivesse indo e voltasse
pra onde jamais estive
sólido, petrífico
incólume austero.

Imperfeito em si, espero
do repente luzir
repleto
de mágica lucidez
atônito e perplexo
por dissolver a acidez
da rubra palavra
que crua me lavra
do fundo do peito
ao olhar dum sujeito
que nem aqui está.

De querências e sossegos
queria estar em desapego
pairar no céu e flutuar.