O agudo de uma voz estranha, mas ao mesmo tempo íntima, tem dito-me tanto, que o medo de ouvir a verdade só impulsiona-me à busca de algo novo. O novo dentro do mesmo, dentro do velho. A negação da fala afirma que o silêncio por si só, carrega tamanha turbulência, porque ao redor de minha mudez o mundo continua falando tanto, e aos poucos constrói todas as frases que eu, aqui, poderia dizer.
Esse leque de palavras, ao invés de abanar-me, sufoca-me cada vez mais. Cada vez mais e mais, por sempre ter que ser mais. Não contento-me com esse amor que jorra desse teu vazio, não digo-lhe o que sinto. Não falo-te, mundo, das minhas vontades, pois não as desejas e por isso mesmo enterro as minhas vontades em algum lugar muito perto do meu coração, pesando cada vez esse fardo que carrego sem perceber.
Se o manto da apatia caísse sobre mim, as cores seriam, quem sabe, mais fortes, as palavras mais significativas. Mas não. É acampado na distância, protegido pela tua sombra, que construo a morada onde por instantes escolho viver; olho o horizonte como se estivesse embaixo de meus pés.
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Compreendo tuas percepções. São os gritos de um mundo que não quer ouvir e nem parar de vomitar suas palavras. A intensidade, às vezes, é insuportável...
ResponderExcluirRuan, teu texto, teu comentário e outras novas ideias me inspiraram nesse último texto... :)
Cuide-se, até mais.
não consigo mais viver de migalhas.
ResponderExcluirnão faço nem ideia do que vem depois.
mas é sempre mais.
é.
beijo; te cuides.
e desconfio que esteja.
ResponderExcluirafinal, o que delimita acima, abaixo ou aos lados?
a física é cruel demais com a lógica irreal das palavras..
sopros
Pelo menos assim tudo está seguro.
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