De novo, sem cuidados, o mural vai construindo-se. E ele vai, rumando calmamente, para a própria ruína. É a escolha.
-Ir embora. Foco minha vontade na alegria do ficar. Mas a ambigüidade ordena-me ir... Ir aonde? Aonde meus pés não são capazes de pisar, obviamente. Peço, encarecidamente, que algo fuja daqui.
Cansei-me da covardia toda. Da coisa que me envolve e que eu não sei contar. Acho, às vezes Moço, que tenho que criar personagens pra desvendar melhor quem eu realmente sou. Quando finjo não estar em mim, parece que o vento sopra mais. A brisa me faz lembrar da praia. Vês só, é tudo um amontoar de recordações, estampado em cada centímetro de mim. A minha última noite fora vívida, amável. Calorosamente tocante. E nesses pontos irrequietos encontro-me, junto de um ambiente em que, Moço, ninguém sabe o que se passa.
Não quero mais direcionar minhas palavras, quero até mesmo achar uma fonte, mas uma das boas. Posso até fazer pessoas lembrarem de mim por causa de alguma música muito chata, mas posso fazer alguém me esquecer em função de minhas frases ruins. Que bom que existe esse divã; deito-me nele, e a consciência parece até que melhor flui.
Invisto meus fundos, e escuto coisas do tipo: "Olha só, ele é guei?". Ainda bem que meu barulho individual, feito de um orgulho sintetizado, às vezes me protege de ouvir alguns tipos de barbáries. Quais?
Moço, eu quero dizer que estive num esconderijo hoje, mas não sei se posso entrar. Sei onde fica, fico sentado em frente olhando, mas não paro de pensar: a música pela manhã revelou-me novas percepções.
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abstenho-me das palavras,traindo-me que sei,
ResponderExcluirmas é tudo fonte inteira do Sentir.
sem segredos.
;*
Eu tenho medo de vc, menino. Acho que a palavra correta é CONCISO. Até demais! Te admiro.
ResponderExcluirgosto e as vezes me identifico com tuas incertezas sobre ser.
ResponderExcluire por favor, não se esconda, em nenhum sentido :)
cuide-se, Ruan ^^
olhar crítico e sincero, gosto disso.
ResponderExcluirbrigada pela visita e pelo comentário.
bjo.
''(...) o silêncio como forma esclarecedora dos vazios preenchimentos. (...)" (Clarice Lispector)
ResponderExcluirApenas faço minhas aqui as palavras de Clarice, que para mim já foram ditas pela Claudia.
Fora o silêncio do encanto, não tenho mais nada para demonstrar.
;)