Tão depressa começou a roer os lados do próprio corpo por medo de se entregar ao seus prazeres vegetativos e completamente frios. Era um sádico que via a sua redenção banhada em sangue. Sangue esse, que só ele via com seus olhos cor de mel.
Ficou subentendido que estava deitado no chão chorando, mas estava realmente esperando salvação...
Precisa parar com isto, e logo, antes que a fama de bom o torne mau e arrogante outra vez. Tornando-o mais impotente do que já era e mais inconsciente do que é. O medo que escorre pelos cabelos raspados dele todas as noites, molha a cama e o deixa gelado, mórbido. Desfaz todo o calor humano que havia naquele corpo e o enche de uma amarga ternura com vista para um abismo fundo.
Cheira o odor suave que suas pernas exalam, mas nem sabe que suas pernas apodreceram depois de andar pelos caminhos rotineiros que traçou. E o ego tanto arde sem saber.
Precisa parar de ser o que não é e ferver de loucura antes de falar ao coração aquilo que sua alma repudia.

Isso me soa tão mórbido... Tua escrita nessas linhas (em especial)tem grande talento.
ResponderExcluirAgoniante, mas gostei.
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