Já estagnado e tão pouco feliz, vivia comendo e roendo seus papéis já amarelos pelo tempo. De forma indigna se perdia na fome por mais, queria mais papel, precisava saciar a sede de inteligência.
E quanto mais a tinha, menos sabia.
De uma memória tão vaga, este homem ainda vive. Das lembranças de um passado ainda presente, mantém suas forças fracas e enfraquece seu ego ao modo de poder ser tudo que sempre quis.
Um banquete de livros sobre a mesa. O livro sagrado debruçado sobre as páginas do herege. O herege devorando o livro sagrado. O sagrado consumindo o herege aos pedaços.
Não basta água, porque a garganta já está obstruída, nada mais passa. Esperando chegar numa Califórnia alegre e mais feliz do que estar ao lado dos papéis velhos.
Caído ao chão, o suor dele se derrama por sobre o chão e ele esquece. Ele deixa esquecer, já que, no fundo, precisaria mesmo é morrer.
A existência já se faz cansada na alma deste pobre homem, a vida já não mais basta. É preciso uma elevação de espírito muito mais intensa que do que apenas livro e mais livros, intermináveis livros demasiadamente chatos. Demasiados homens supérfluos para escreverem livros inconcretizados por uma pobre e triste ciência. Triste crença do homem neste livro.
Enquanto batia suas mãos no chão, ele pensava que não era mais ninguém, além dele mesmo que não sabia o que dizer. E mesmo assim, já muito dizia. Não é sábio, não era ignorante. Ele é o intermédio, o ponto de equilíbrio necessário para a vivência tranqüila num mundo conturbado por pensamentos superficiais.
Oh, mas homem tão superficial como este não encontrarás nunca, meu amigo! Esse exemplo de vida mórbida e ao mesmo tempo linda, não é o que querem os homens de senso!
O homem do senso sabe o que quer além de ser feliz, enquanto o homem de senso, não escolhe a sua felicidade.
Apenas se põe a buscar a felicidade eterna dos supérfluos.
O balanço dessa mente não é mais dele, ele não é mais dele.
Ele só quer morrer, fluir, viver.
Morrer para fluir e fluir para viver, é isso que quer.
O supérfluo que se busca na ponte da sabedoria ainda não escolheu o pilar certo para se atirar no rio do conhecimento.
Ele fica ainda assim, trancado. Preso ao chão sob a mesa de livros buscando o necessário pra ser além de corpo e alma.
Precisa de mais.
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Livros, livros e livros, como eu gosto.
ResponderExcluirE esse texto me fez lembrar do Rubião, do livro Quincas Borba. Acho que não tem muito a ver, mas mesmo assim eu lembrei.
Enfim, pára de comprar vinho e aluga o dvd do filme, vai valer a pena, héhé.
:*
OPA!
ResponderExcluirMais um texto muito belo.
Me identifiquei com este.
;** pequeno grande amigo.
OPA!
ResponderExcluirMais um texto muito belo.
Me identifiquei com este.
;** pequeno grande amigo.
OPA!
ResponderExcluirMais um texto muito belo.
Me identifiquei com este.
;** pequeno grande amigo.
Porra..se sem paciêcia é foda, por que clica mil vezes, aparece mil vezes o mesmo comentário e ainda dá mil vezes o erro do blogger de não conseguir excluir...¬¬'
ResponderExcluirMas pelo menos, parece que tu é pop..uhauhauhahuaa
(Eu vi que meu comentário tava simples demais...Minha pessoa ñ consegue ser discreta >.<)
o/
E dessa vez, foi só um....
ResponderExcluirHhuauhuhahua
não era pra ser SUPÉRFULO?
ResponderExcluiro.O
aaaaaaaa, eu não enteni muuuuita coisa desse texto.. ;~
o que tu quer dizer com ele..eu não consegui compreender exatamente..
me explica!?
ah, faz tempo que não leio um bom livro..tens algum que PRESTE pre me emprestar?
ResponderExcluir:*
Veja só, que bonito. :]
ResponderExcluirTeu texto vai sendo idealizado por aqui também. Mas é especial, coisas especiais demoram e nunca ficam boas o bastante.
Talvez pelo motivo de serem especiais: é sobre você e sobre os mil motivos porque não fico sem abrir um sorriso quando lembro do seu rosto.
Se cuida no último infinito
:*