São por motivos tão tolos que minhas mãos se colocam por vezes trêmulas e é por tão pouco que não falo o que falta. Mas mesmo que dissesse tudo aquilo que ainda falta, faltaria algo.
E um universo cheio de confusões e enfermidades mentais eclodiria na mesma hora, parecendo ser tão estranho e errônio.
Mas é simples. E de tão simples, complexo. Articuloso, indecifrável.
Essa simplicidade toda, esses atos cometidos em base da dor, esse pesar, essas palavras não ditas, esses gritos não soltos, acumulam- se.
A solução é tão simples e tão díficil.
Sorte a minha, que tenho algo que complete o curioso, o estranho. Tranquilidade que me é passada quando vejo que há algo que pra mim que é desconhecido e que há algo que me desconhece, assim me cobro menos. Penso mais o que quero, o que posso, o que digo, o que minto.
Me transformo muito rápido.
Nasci do pensamento e da falta de ordem, minha mãe é a falta de amor e meu pai é o nervosismo. Meus irmãos eu nem sei quem são. E eles me desconhecem, porque se irritam quando tentam me descobrir.
Eu nasço em corações pobres, eu nasço nos homens. E a mente deles se casa e me gera. Causo muitos problemas, causo muita discussão mas são meus transmissores que me causam, são eles que não se calam pra que eu não me faça presente.
Não tenho o direito de onipotência porque sou acompanhada de várias outras coisas.
O erro, meu grande amigo em busca da ordem, do acerto.
A raiva, que fala sem pensar, é minha companheira na busca da paz.
A preguiça me ajuda a tentar a organizar, já que ela busca a Ordem às vezes.
E o ódio, ele tenta ser Amor, mas Amor não o quer, então ele cresce muito rápido e só me acrescenta. Isso é péssimo.
Eu sou boa, quero mudar. Mas quanto mais eu quero mudar, mais confuso fica.
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"(...) creio que, se um homem quisesse viver sua vida plena e completamente, se quisesse dar forma a todo sentimento seu, expressão a cada pensamento, realidade a cada sonho, acredito que o mundo receberia tal impulso novo de alegria, que esqueceríamos todas as enfermidades medievais, para voltar ao ideal grego, a algo mais belo e rico talvez, que esse ideal. Contudo, o mais corajoso dentre nós tem medo de si mesmo. A mutilação do selvagem tem a sua trágica sobrevivência na própria renúncia que consome nossas vidas. Somos castigados por nossas renúncias. Cada impulso que tentamos aniquilar germona em nossa mente e nos envenena. Pecando, o corpo de liberta do seu pecado, porque a ação é um meio de purificação. Nada resta então a não ser a lembrança de um prazer ou a volúpia de um remorso. O único meio de livrar-se de uma tentação é ceder a ela. Se lhes resistimos, nossas almas ficarão doentes, desejando as coisas que se proibiram a si mesmas, e além disso, sentirão desejo por aquilo que umas leis mostruosas fizeram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos têm lugar no cérebro. É no cérebro e somente nele que têm também lugar os grandes pecados do mundo. (...)"
ResponderExcluir(O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde)
Basta né...
;*