quarta-feira, dezembro 10, 2014

Impossível construir estética antes das três da manhã. 

Sequer toquei a madrugada, mas reside uma insensata realidade implicada sob a representação que somente arranjos não bastam. Quero colher, e some aí o limite. A repressão confessa na representação. Uma chatice árdua, feito acordar. Compreender que às vezes – algumas poucas -, registram-se regras que no momento estão aí para acatar. Há conflitos porque ponho correntes em mim e não soa anormal. É normal estranhar-se e esquecer-se também nalgum instante, mas o que beira a esquisitice é justamente não se arranjar consigo a margem de si. Sou eu. A mão e a pedra cravadas em si.  A poeira da porrada e o escorrido. Tem raciocínios que somem diante da tentação do nada. Talvez esteja entregue a isto o meu destino. Os modos de concordar e compreender cedem espaços ao lampejo de qualquer aurora. Desespero esperando brotar flores onde não há nada fértil semeado. Desespera não ver a primavera. Afoga permitir inundar-se quando se já esta cheio. A autoimagem confessa diante do espelho de um crime irrealizado. 

Reside uma letalidade na palavra. Mortal é aquilo que não se diz. 

quarta-feira, novembro 26, 2014

Meu amor é só, meu
amor sou eu mas
se não houveres,
não há. E não importa
o que sejas,
conquanto o sejas.

Há concreto num pedaço
lá no todo de mim.

Te dou espaço
me dás corpo.

Poema de Totalidade

Pode tudo? Pode!
Quando? Sempre!
Onde? Todo lugar!
Mentira? Verdade!
Verdade? Mentira!
Antes de sair, e
enfrentar a chuva,
escreva um poema.
Por que não
falar do óbvio
ao invés de transcender,
o que procurar no dia
pode a noite aparecer?

Há o que na flor
depois que murcha?

Apontamentos cosméticos
e representações subjetivas
adubam o barro
da poesia que
alimenta minhocas.
Mordida na boca

a vida no meio

furo no pé.
Um quarto num lugar
onde era uma garagem.

Um quarto
não de permanência
sim de passagem.

Espaço feito de ausência
para o repouso.
Uma barreira teus olhos
sólida interrupção
cerrada sob o céu.

Sórdido o engano
que dissolve os dias
nessa insossa esperança.

Frágil o dia
em que a dor
desperta.

A transpassagem
não é um erro
da semântica, posto
que tudo é transitório.

quinta-feira, outubro 30, 2014

A cama cheirava a suor e teor embriagado da imagem de um quarto envelhecido pelas roupas de brechó e pelas mantas de carneiro que traziam ao vazio um pequeno conforto a respeito de sua condição.

Pernas jogadas ao alto reluziam fortemente, quase espelhos.

Boca que não conhecia ruína nem miséria:

- Lindo dia hoje, não?

Comprovado até mesmo pelo diálogo
cada instante confirmo
solitária rotina

eco que fala.

Reis e os Leões

Inspiração quente dança dentro de mim.
Coisa sem tamanho.
Dez segundos duram horas,
minutos infinitos.

E deito sobre a nuvem
pensamento não existe e,
durmo acordado mesmo.
Sabendo que a qualquer instante
a realidade puxa pra cá.

Ritmos mudam pra dançar.
Reis governam leões,
leões sacodem reis.
Interno, pouco sublime,
gera vícios mas gera estrondos.

Me fez movimento,
faz canção.
Mudo acrescento.

Me expresso. Me encontro.
Me busco. Me entrego.


quero abraça
evidentemente abraço
há braço
e quero.

segunda-feira, outubro 20, 2014

quarta-feira, setembro 10, 2014

Numa e em tantas
Noites lindas,
Limpas
Noites estreladas,
Pontilhadas noites
Refletidas no chão
Dessa nau.

Noite cheia
De gente da noite,
Esperando partir
A noite e chegar
Brilhando o dia.

Vertical a noite,
Borracha do Horizonte.

Horizontal meu olhar
Procurador noturno:
Quero te achar noite.

Deusa noite estás? Na manhã?
Escondida à parte
À tarde? Noite
Entalhada  no destino
Dos meus dias.

Noite cravejada de dia
Teus brilhantes mais
Puros e reluzentes
Teus trunfos mais
Ébrios, eloquentes.

Noite limpa,
Paradoxo denso
Sujo e também
Transparente.

Há em ti algo
Que eu penso
Ser meu.

quinta-feira, julho 31, 2014

Tenho acredito flores
Pelo grilhão do ninho
Onde se encontram
Velhos passarinhos.

Trancafiando odores
Esqueço a forma
Do teu cheiro
Brilhante e nu.

Em troca de migalhas
E toques cativos
Alimento a fera
Na ponta do bico.

Rasteja em mim
A sobra do dia
E tua ausência.
Aqui operam rastros
do tempo na forma
das lesmas
de minha casa.

Escorrem úmidos
os fungos dos dias
nas rachaduras de sombra.

Encolhe-se aqui
tudo o que se reduz
em mim, uma cama
em um quarto.
Ai!, a chuva:
agora
só falta
o café.
Tem certos sopros
Invadindo as manhãs.
Escuto-os contar
o vento sempre
na curva de um morro.
Em alguns espaços
mármores endeusados
repousam.

Nuances arcaicas,
tempos num
relógio adornado.

E enfeites, tantos,
filigranas e enlaços e
os pelos fofos do gato
circundam.