quinta-feira, outubro 30, 2014

A cama cheirava a suor e teor embriagado da imagem de um quarto envelhecido pelas roupas de brechó e pelas mantas de carneiro que traziam ao vazio um pequeno conforto a respeito de sua condição.

Pernas jogadas ao alto reluziam fortemente, quase espelhos.

Boca que não conhecia ruína nem miséria:

- Lindo dia hoje, não?

Comprovado até mesmo pelo diálogo
cada instante confirmo
solitária rotina

eco que fala.

Reis e os Leões

Inspiração quente dança dentro de mim.
Coisa sem tamanho.
Dez segundos duram horas,
minutos infinitos.

E deito sobre a nuvem
pensamento não existe e,
durmo acordado mesmo.
Sabendo que a qualquer instante
a realidade puxa pra cá.

Ritmos mudam pra dançar.
Reis governam leões,
leões sacodem reis.
Interno, pouco sublime,
gera vícios mas gera estrondos.

Me fez movimento,
faz canção.
Mudo acrescento.

Me expresso. Me encontro.
Me busco. Me entrego.


quero abraça
evidentemente abraço
há braço
e quero.

segunda-feira, outubro 20, 2014

quarta-feira, setembro 10, 2014

Numa e em tantas
Noites lindas,
Limpas
Noites estreladas,
Pontilhadas noites
Refletidas no chão
Dessa nau.

Noite cheia
De gente da noite,
Esperando partir
A noite e chegar
Brilhando o dia.

Vertical a noite,
Borracha do Horizonte.

Horizontal meu olhar
Procurador noturno:
Quero te achar noite.

Deusa noite estás? Na manhã?
Escondida à parte
À tarde? Noite
Entalhada  no destino
Dos meus dias.

Noite cravejada de dia
Teus brilhantes mais
Puros e reluzentes
Teus trunfos mais
Ébrios, eloquentes.

Noite limpa,
Paradoxo denso
Sujo e também
Transparente.

Há em ti algo
Que eu penso
Ser meu.

quinta-feira, julho 31, 2014

Tenho acredito flores
Pelo grilhão do ninho
Onde se encontram
Velhos passarinhos.

Trancafiando odores
Esqueço a forma
Do teu cheiro
Brilhante e nu.

Em troca de migalhas
E toques cativos
Alimento a fera
Na ponta do bico.

Rasteja em mim
A sobra do dia
E tua ausência.
Aqui operam rastros
do tempo na forma
das lesmas
de minha casa.

Escorrem úmidos
os fungos dos dias
nas rachaduras de sombra.

Encolhe-se aqui
tudo o que se reduz
em mim, uma cama
em um quarto.
Ai!, a chuva:
agora
só falta
o café.
Tem certos sopros
Invadindo as manhãs.
Escuto-os contar
o vento sempre
na curva de um morro.
Em alguns espaços
mármores endeusados
repousam.

Nuances arcaicas,
tempos num
relógio adornado.

E enfeites, tantos,
filigranas e enlaços e
os pelos fofos do gato
circundam.
Este, é o poeta
sonhando em cena
encena junto à platéia.

O rio do poeta
escorre lágrimas
na canela do encosto.

O aplauso dele
um silêncio em poucas
palavras que
juntas fazem,
e conseguem,

algum barulho.
Amor tua escuridão
minha escuridão
e toda lucidez esta
que se nos põe.

Em opostos imaginados
no fundo estamos
mirando reflexos.

Há um jogo amor
Há também uma cor:
escolho a quê colore.

Te respondo mesmo
sem perguntares que
É teu olho que me tinge.
Sempre dileções
Sem predileções.

quarta-feira, julho 23, 2014

There is an idea 
Surrounding nerves
Proclaiming peace and
Enjoying the sense of being
Restless.

domingo, outubro 20, 2013