quarta-feira, setembro 10, 2014

Numa e em tantas
Noites lindas,
Limpas
Noites estreladas,
Pontilhadas noites
Refletidas no chão
Dessa nau.

Noite cheia
De gente da noite,
Esperando partir
A noite e chegar
Brilhando o dia.

Vertical a noite,
Borracha do Horizonte.

Horizontal meu olhar
Procurador noturno:
Quero te achar noite.

Deusa noite estás? Na manhã?
Escondida à parte
À tarde? Noite
Entalhada  no destino
Dos meus dias.

Noite cravejada de dia
Teus brilhantes mais
Puros e reluzentes
Teus trunfos mais
Ébrios, eloquentes.

Noite limpa,
Paradoxo denso
Sujo e também
Transparente.

Há em ti algo
Que eu penso
Ser meu.

quinta-feira, julho 31, 2014

Tenho acredito flores
Pelo grilhão do ninho
Onde se encontram
Velhos passarinhos.

Trancafiando odores
Esqueço a forma
Do teu cheiro
Brilhante e nu.

Em troca de migalhas
E toques cativos
Alimento a fera
Na ponta do bico.

Rasteja em mim
A sobra do dia
E tua ausência.
Aqui operam rastros
do tempo na forma
das lesmas
de minha casa.

Escorrem úmidos
os fungos dos dias
nas rachaduras de sombra.

Encolhe-se aqui
tudo o que se reduz
em mim, uma cama
em um quarto.
Ai!, a chuva:
agora
só falta
o café.
Tem certos sopros
Invadindo as manhãs.
Escuto-os contar
o vento sempre
na curva de um morro.
Em alguns espaços
mármores endeusados
repousam.

Nuances arcaicas,
tempos num
relógio adornado.

E enfeites, tantos,
filigranas e enlaços e
os pelos fofos do gato
circundam.
Este, é o poeta
sonhando em cena
encena junto à platéia.

O rio do poeta
escorre lágrimas
na canela do encosto.

O aplauso dele
um silêncio em poucas
palavras que
juntas fazem,
e conseguem,

algum barulho.
Amor tua escuridão
minha escuridão
e toda lucidez esta
que se nos põe.

Em opostos imaginados
no fundo estamos
mirando reflexos.

Há um jogo amor
Há também uma cor:
escolho a quê colore.

Te respondo mesmo
sem perguntares que
É teu olho que me tinge.
Sempre dileções
Sem predileções.

quarta-feira, julho 23, 2014

There is an idea 
Surrounding nerves
Proclaiming peace and
Enjoying the sense of being
Restless.

domingo, outubro 20, 2013

terça-feira, junho 18, 2013

Unificar-se ao todo quando
não há como
abraçá-lo por inteiro é
o grande desafio.
É e é porque é dedicado ao intenso profundo distante azul horizonte que a palavra se deleita à espreita de um facho da luz transformadora.
A ausência de espaços tirando o fôlego traz-me o cansaço insuportável que é falar e respirar quando todas as operações são dificultadas.
Produzir, então, nem se fala nem se respira, nem se pensa. A palavra silenciosa é diferente, e igual, a pronunciada.
Estar doente é o bicho da emoção, não sobrando barreira alguma pra esconder qualquer dilacerante-enorme ferida que se alimenta, na metáfora, da humanidade em mim. Sentar-me ao lado do banco vazio simulando tua companhia produzindo esse desejo, antes fluxo, na máquina minha: meu corpo sente todos os órgãos, antes invisíveis, maquinando desejosamente. Claro que as emoções estão inflamadas e não estourá-las é essa resistência sintomática entre melhorar ou adoecer de vez. Metáforas como seres a luz que ilumina meu dia, o calor que aquece o frio em mim e metonímias como tu seres o cálice que comporta minha vida, seres o copo d'água que mata sede, nada sorvem. De nada preenchem pois que todos os suportes, em caso nosso, estão vazios. Errantes às avessas, batem-me à porta a pedir-me que resista, serás forte, tens de o ser pois que já o fostes até então. Bradando aos quatro cantos em esquinas pela vida-toda-vida, as vias - de meu corpo, meu gozo, meu lugar - vão se preenchendo de arrepios, esperanças fortuitas e coquetéis salutares explodindo pelas gargantas que clamam.
Muito tem somado-se ao nós dos últimos tempos e a contemporaneidade do nós é maior que os dois primeiros pronomes pessoais da gramática. Ainda que gigantes consigam andar pelas ruas, esse corpo que sente é múltiplo de órgãos, desejos e produções: o uníssono das massas cria o gigante. Que se desperta, quebra a barreira à força e escancara da emoção doente de nossos dias algo maior, onde realidade e expectativa excederam seus próprios limites reais e fictícios.

domingo, abril 07, 2013

Se de símbolos é que necessito
Proibido será escolher
ser a pétala caída.

Figuras para construir um mito?
a ascese repousa no ver
a coisa construída?

Então sem conclusão
me erguerei
e amando, usarei da Razão
e Me esquecerei.
Vou pegar Isso
da causa maior
e dar sumiço:
surgirá algo melhor.

Do improviso, voo
mas ao ir, demoro
Então, repouso
Mas ainda, choro.