terça-feira, agosto 30, 2011
Eu e o pequeno
Estamos cheios, cheios de tanto ter que comportar e carregar. Cheios de tanto ter que fluir e lavar, cheio até a borda, mas ainda não iremos estourar.
terça-feira, julho 19, 2011
O fato, comendo
Desde cedo o dia abre-se cinza, as primeiras nuances são escuras, passam-se algumas horas até vir a coragem de adentrar a porta. Aquele cheiro de sempre, exalando das rugas, é muito marcante. Parece um mofo, incomoda-me o nariz, mas é preciso relevar pois este corpo me pede um respeito que parece que não sou obrigado a obedecer. Tem vezes que olhá-la, rememora-me um ritual infinito, imaginário: limpar sua casa, lavar sua louça, nunca tocar na sua comida; jamais perguntá-la os motivos de porquê ser assim.
Sento-me e noto que as paredes sugerem figuras e me entretenho por um tempo até que chama "vem, está na hora". Muito forte o apelo da crença agora, quando levanto-me para agradecer, com um gesto de corpo, para que todos notem, inclusive Ele, que todos os esforços são compensados nesses momentos em que partilhamos.
Questiono sobre aonde ficaremos: sentaremos aqui. Frente a frente. Eu no sofá, ela na mesa. Ainda mereço um tanto de conforto; ela resiste forte, segue a função, obedece a moral.
A porta colorida numa tentativa de bordô aquece, contrasta esse dia supostamente frio mas sufocante, abafado. Ruboriza toda a pele exposta, tenho vergonha de ficar nessa casa. Tudo tão perto, tão aberto e intocável ao mesmo tempo. No prato, um pouco de comida, um pouco de comida, um pouco de comida, para nós dois. Peixe, arroz, limão. A providência máxima de sentimento que invadiu-me o peito, uma única vez. Não a vejo mais. E lembro, hoje, ao acordar, do mofo perfumado que ficava exalando do corpo envelhecido.
Sento-me e noto que as paredes sugerem figuras e me entretenho por um tempo até que chama "vem, está na hora". Muito forte o apelo da crença agora, quando levanto-me para agradecer, com um gesto de corpo, para que todos notem, inclusive Ele, que todos os esforços são compensados nesses momentos em que partilhamos.
Questiono sobre aonde ficaremos: sentaremos aqui. Frente a frente. Eu no sofá, ela na mesa. Ainda mereço um tanto de conforto; ela resiste forte, segue a função, obedece a moral.
A porta colorida numa tentativa de bordô aquece, contrasta esse dia supostamente frio mas sufocante, abafado. Ruboriza toda a pele exposta, tenho vergonha de ficar nessa casa. Tudo tão perto, tão aberto e intocável ao mesmo tempo. No prato, um pouco de comida, um pouco de comida, um pouco de comida, para nós dois. Peixe, arroz, limão. A providência máxima de sentimento que invadiu-me o peito, uma única vez. Não a vejo mais. E lembro, hoje, ao acordar, do mofo perfumado que ficava exalando do corpo envelhecido.
sexta-feira, julho 01, 2011
Quanto mais explico as perguntas, outras me seguem. O conflito não reside na dúvida em fazer mas é o instante decisivo que está em jogo: a hora certa para definir se o que está sendo feito é realmente o intencionado. Não é para que eu pareça um cachorro, meus olhos são humanos, não tenho nenhum outro apelo. Olho com este mesmo olho que lê, mas penso e enxergo ludibriado por uma crença infundada. Ainda não parei de escrever e parece que já perdi o fio da meada. Se o caminho é sinuoso, não há motivos para tonturas; girar é preciso e quão mais aumentar a velocidade, logo é possível voar em espiral rumo às alturas. Lá onde não residem as glórias, mas a visão do todo. Nessa geral caminha o coração que vai batendo sozinho enxergando realidades que não palpitam juntas, mas que se completam e salientam o meu saber de que o que infiltra, também jorra, e jorra igual, em todos os lugares.
terça-feira, junho 07, 2011
segunda-feira, junho 06, 2011
Aonde deito
Apenas queremos sentir uma fluidez mais nítida, que permita esse contínuo do tempo, essa onda que transporta. A vida que dói, amedronta e então nos chama para comemorar o todo, de bom, que possa haver.
Não há como negar o desejo, é mais forte que o próprio impulso. Vitalmente, basta estar vivo mas além do que o corpo sente, mora uma alma, outra coisa habita.
Transpor todos os paradigmas pode ser o rumo, não o alvo.
A quebra os contrói, fortes e renovados. Os filhos do amanhã necessitam de uma parede para quebrar, é preciso seguir uma forma de caminho, tortuoso, titubeante, tímido, todos.
Em Acreditar deita meu espírito, que entende na compreensão da linguagem, o suficiente para abastecer durante o caminho, e enquanto essa beleza for-me ofertada, por que não condicioná-la ao meu cotidiano: passando cada dia como se fosse qualquer outro, acreditando.
Não há como negar o desejo, é mais forte que o próprio impulso. Vitalmente, basta estar vivo mas além do que o corpo sente, mora uma alma, outra coisa habita.
Transpor todos os paradigmas pode ser o rumo, não o alvo.
A quebra os contrói, fortes e renovados. Os filhos do amanhã necessitam de uma parede para quebrar, é preciso seguir uma forma de caminho, tortuoso, titubeante, tímido, todos.
Em Acreditar deita meu espírito, que entende na compreensão da linguagem, o suficiente para abastecer durante o caminho, e enquanto essa beleza for-me ofertada, por que não condicioná-la ao meu cotidiano: passando cada dia como se fosse qualquer outro, acreditando.
sexta-feira, junho 03, 2011
Tentativa
Olhava todos aqueles, em pé dentro do ônibus, motoristas e cobradores, homens e uma mulher que falavam sobre as coisas que periciavam da vida. Enquanto isso, era só o caminho. Não era desconfortável representar nem a compania nem a si próprios. Iluminados pelo sol mais quente do dia, no meio do ônibus, obstruíam quem subia e descia: de detalhes como esses, todos os faziam presentes. Nenhum olhar recuava porque os pares jogavam. Esvaziou-se o espaço depois de uma longa risada em grupo concordando sobre as dificuldades da vida. E desceram, dando fluxo a velocidade das ações.
Ficou uma mulher, anônima, representando a si própria toda imersa naquela energia que contemplava o vazio. Com um sorriso esforçado, que se confundia com uma linha de expressão rotineira e com uma tentativa de dizer o que achava incrível nas conquistas detalhadas pelo caminho. Mas não obteve resposta: dava-me as costas, não sentiu o quanto a notava.
segunda-feira, maio 23, 2011
E.G.,
O mais perto de
EU TE AMO
posso chegar é
EU TAMBÉM.
E no fundo do meu silêncio,
há sua compreensão.
EU TE AMO
posso chegar é
EU TAMBÉM.
E no fundo do meu silêncio,
há sua compreensão.
Certamente reaproximei-me de uma ausência. Interessante perceber que alguém no presente pode somente lembrar o passado.
Não há motivos frescos para ir avante, galopante, como um verdadeiro
Cavaleiro Andante,
em busca de outro presente, que já está distante.
Desejo-o todo tipo de sorte, nenhum tipo de morte, porque ainda é nítida a energia que emana.
E por isso, somente, devo calar-me.
Outro aspecto foi silenciar-me quando notei-me. O eu-objeto quando em análise causa-me o quê? Não permitir o outro a participar dessa "extensão dentro de mim" é a forma defensiva ou egoísta em relação ao outro?
Há os que acreditam que só a afirmação resolve parte do problema, como busca da verdadeira solução. Afirmo que há o problema, mas me perco na simples questão.
Ele está ao meu lado.
Não há motivos frescos para ir avante, galopante, como um verdadeiro
Cavaleiro Andante,
em busca de outro presente, que já está distante.
Desejo-o todo tipo de sorte, nenhum tipo de morte, porque ainda é nítida a energia que emana.
E por isso, somente, devo calar-me.
Outro aspecto foi silenciar-me quando notei-me. O eu-objeto quando em análise causa-me o quê? Não permitir o outro a participar dessa "extensão dentro de mim" é a forma defensiva ou egoísta em relação ao outro?
Há os que acreditam que só a afirmação resolve parte do problema, como busca da verdadeira solução. Afirmo que há o problema, mas me perco na simples questão.
Ele está ao meu lado.
quinta-feira, maio 05, 2011
Não há como negar que a escapatória está cada vez mais distante: teria de fazer todo um movimento reverso desse que me lança.
Diretamente para frente, onde não há nada além do mistério, completo desconhecido.
Uma lacuna, separando o claro do escuro, o sonho da realidade, é essa de passado, que na verdade é o princípio, onde meu tudo se baseia: preciso superá-la, ao invés de esquece-la.
Fingir não haver cancela todo o mistério.
O mistério é como se fosse o abismo.
Diretamente para frente, onde não há nada além do mistério, completo desconhecido.
Uma lacuna, separando o claro do escuro, o sonho da realidade, é essa de passado, que na verdade é o princípio, onde meu tudo se baseia: preciso superá-la, ao invés de esquece-la.
Fingir não haver cancela todo o mistério.
O mistério é como se fosse o abismo.
segunda-feira, abril 25, 2011
Cruzei minhas vontades com alguns de meus [saciados] desejos. Ainda entendo que é preciso manter-me próximo da casa. Como filho ainda preciso crescer e transpor. Em milhões, não ascenderia: viveria em demora.
Daqui parto seguro das coisas que observei, mas ao mesmo tempo o incerto ainda circunda toda a estrutura: onde há o mistério, existe a vivência da dúvida.
Sinto como se o sol fosse sempre esplêndido ao brilhar no fim de cada ciclo.
Daqui parto seguro das coisas que observei, mas ao mesmo tempo o incerto ainda circunda toda a estrutura: onde há o mistério, existe a vivência da dúvida.
Sinto como se o sol fosse sempre esplêndido ao brilhar no fim de cada ciclo.
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